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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A música e o sentir [INCEPÇÃO (25.03.10)]

 

<<     Reservo um pouco do tempo que me resta para escrever. Neste momento que tento escrever não observo nem sinto, quase que nem penso como se tudo o que passa na minha se evadisse quando o tento transmitir. Sei que isto acontece vezes sem conta, e consigo algumas vezes chegar a onde quero chegar, mas sempre por caminhos alternativos e frequentemente bem mais complicados. Questiono-me constantemente por que o faço, e vou encontrando respostas na minha vida que por sua vez também não as consigo dizer, transmitir, facilmente, alem de que talvez elas só façam sentido para mim.

     Estou a ouvir George Michael, um cantor célebre dos anos 80 e 90 para quem não sabe, e ainda teve músicas de sucesso neste milénio mas que se diluem com a existência de outros bons músicos. Estou a pensar, ‘realmente este homem tem uma voz e um dom especial para a música’, assim como por vezes observo noutros músicos, se bem que dizer isto possa ser relativo para muita gente [talvez me pareça tal a mim porque me habituei a ouvi-lo]. Mas este músico em particular, estava aqui a pensar, que primeiro diziam que era gay e, agora, julgo ser assumido, assim como há outros assumidos, como Elton John, músicos de grandes sucessos que têm grandes vozes e grandes músicas, mas que são gays. E, no entanto, não se lhe pode retirar o mérito que tem e o sucesso que tiveram e podem continuar a ter, apesar de terem optado pela vida que levam privadamente. A mim faz-me confusão o facto de os homens gostarem de homens e mulheres gostarem de mulheres, como que isso significa para mim ser ‘contra-natura’, e realmente vai contra a lei da existência animal, da continuidade das espécies. Só mesmo o homem para transformar tudo o que devia ser lei, e compreendo um pouco que possa acontecer certos casos, mas se não fosse a comunicação que existe hoje nunca teria imaginado que o mundo poderia ser tão diferente de como eu o sinto. Mas quero eu reafirmar que tendo ele, George Michael a vida privada que tem, tendo ele os gostos que tiver, ele tem boas músicas, assim como Elton John, e falo como amante da música e segundo aquilo que posso compreender, que se calhar é muito acima da média, modéstia à parte. Cresci com estes sons destes homens, e nem por isso me tornei gay, mas eles deram-me um sentido apurado para a música. É claro que eles foram alguns entre tantos, e talvez eles tenham sido dos mais marcantes daquelas épocas, eu estava a crescer, as músicas eram passadas nas rádios constantemente, eram o nascer de uma nova aurora, a aurora audiovisual, aquela dos anos 80 e 90, aqui no meu Portugal, num mundo que eu descobria paulatinamente, numa imensa vontade de viver. E aqueles sons que para muita gente não dizem nada, porque nunca se habituaram a ouvir tais músicas, ou agora, porque não são do seu tempo (de agora), ou ainda porque simplesmente não são fanáticos por música, para mim são os alicerces da minha vida. E no entanto eles são gays ou tornaram-se. Mas eu aprendi a sentir com o coração o mundo que me envolve, no caso da música eu sinto-a com o coração antes de tudo, depois o que o músico é ou como apresenta o seu vídeo musical ou ainda o que faz se vier a saber o que faz, não alterará o valor da música, porque a música, o sons musicais são analisados puramente. O bom sentir é um sentido que todos tem, mas que muitas vezes anda camuflado por outras coisas da vida, talvez outras maneiras de sentir e julgar, peremptoriamente a maior parte das vezes, o que se passa no mundo, ou porque não se quer aceitar aquilo que é melhor do que nós, aceitar o que é a realidade das coisas, o sentimento de beleza Universal. Isto é o mesmo que dizer numa metáfora: Há um bolo para apreciar e ao mesmo tempo há whisky para apreciar; eu apostaria que o ‘sentimento Universal’ diria que o bolo é bom e o whisky é mau, pelo sabor. Mas sei e compreendo que há culturas que se enraízam em certos homens e que lhes leva a dizer que whisky é que é bom e o bolo é uma grande porcaria, e preferem ingerir o whisky a comer mais bolo em detrimento do whisky. O que é bom é sempre bom, em qualquer lugar, porque o sentir dos homens tem um denominador comum, a raiz do sentimento humano é única, simplesmente o homem quer – ‘ou a natureza impele-o a’ - transgredir a sua natureza sentimental, cria culturas desastrosas que acabam por ter seguidores incautos ou desinformados que entram por uma vida que sem querer escolhem, não pelo supremo bom gosto Universal, mas por causa última de uma cultura que se cria em redor de certos hábitos. Mas o homem vive e sobrevive, incrivelmente. O organismo reitera constantemente a sua capacidade de auto-regeneração. Mas a vida é como é, não fui eu que a inventei, não fui eu que inventei ou invento regras, só me é permitido jogar, nem que as regras sejam as mais estranhas. Hoje em dia, a música está a tornar-se uma banalidade, qualquer dia todos nascem com uma veia musical e têm a hipótese de fazer grandes músicas, mas talvez já não tenham a ‘universalidade’ que tiveram estes e outros músicos dos míticos anos 80 que fizeram parte do imaginário de massas. Tem e terão mais hipótese de divulgação mas serão, como parece que estão já agora a ser, abafados pela imensa comunicação emergente que se a evolução continuar, apenas mais uns músicos de talentos.  >>

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Adeus antigo Persona [2005] [INCEPÇÃO (26.03.07)]

 

<< Novembro 05

 

 

 

Adeus antigo Persona. A Deus antigo Persona. Adeus às velhas ideologias, às velhas obsessões. Agora sabes o que te faz mover, não te deixes perder. Tudo, sei que não vou esquecer, e foi com base no que foste que eu me tornarei. Sei que não posso continuar a ser tu, se quiser sobreviver. Tudo o que tu viste sem poder fazer nada para o modificar em proveito e em nome da tua sobrevivência espero que me seja útil e que possa aproveitá-lo. Sei que tu sabias e tinhas profunda consciência que não podias mudar o mundo, eras ínfimo de mais, mas espero eu fazer aquilo que tu não conseguirias com esse feitio, espero mudar-me. Mas para isso vou ter que te esquecer as más facetas que tinhas em nosso prejuízo. O desbobinar da fita continua.

Tu não acreditas na melhoria, eu acredito na melhoria, apesar de tudo. Quero absorver o que é positivo, quero ver a melhorar de dia para dia. Sei que não é fácil, e que o atrito é muito, assim como as garras do passado são fortes. Mas quero acreditar que consigo dar a volta, por cima. E para isso vou deixar-me de imaginações utópicas, ideias de superioridade, tentar ser igual a mim próprio combatendo essa falta de controlo com os dados de que me tenho apercebido, e com os que hei-de ver e perceber, tornando a minha antiga vida inconsciente numa vida consciente. E a inteligência não é o mais importante quando essa inteligência não se pode implementar na prática. Sei que o negativismo é enorme e me consome e que por cada pensamento positivo que tenho surgem muitos mais negativos ainda e inverter o processo é difícil. Estou sozinho nesta batalha do pensamento, da mente. Ninguém pode ajudar. Estamos mais sozinhos no mundo do que imaginamos. Tudo em que acreditei ver é negativo porque me distanciei no tempo, e não vi um bom passado e não posso prever um bom futuro, enfim, no mais profundo do meu ser não acredito na conduta do homem, e à medida que o tempo foi passando mais provas encontrei para o que temia, acerca do que move o homem no geral, influenciado fortemente por uma convicção religiosa forte, a cristã. Bebi dessa água que se entranhou em mim profundamente e dela não me posso livrar. Resta-me viver o resto da minha vida, que não é melhor nem pior do que a dos outros, sobreviver é a palavra de ordem, mas/contudo sozinho é difícil. >>

domingo, 24 de março de 2013

Balada

          Balada, um termo relacionado mais com a música, nos dias que correm, com um tipo de música que poderemos de classificar como sendo mais calmo e relaxante, diria que até relacionado com o ritmo do amor. Além disso terá uma espécie de relação com a erudição, erudição, esta, que passa por uma maneira de sentir vasta e variada, apesar de auto – insuficiente, [– pessoalmente, passe a falta de modéstia, posso dizer que me sinto um erudito, dada a ‘erudição’ nesses termos, ou pelo menos já fui um, agora sem o sentimento emocional de outrora]. A balada está de certo modo relacionada com o Romantismo, que por sua vez, em certos tempos, teve como uma das principais características a melancolia, a melancolia caracterizada, na maior parte dos casos, pela ausência do amor ou pela insatisfação do sentimento amoroso, por (ou pelo desejo de) um amor não correspondido. Romantismo este que tem, por sua vez, que ver com poesia.


Permitam que transcreva uma balada, Poema de Augusto Gil, que faz parte da minha infância, transcrevo-a tal como está em:


 http://algarve-saibamais.blogspot.pt/2009/11/balada-da-neve.html


 


Balada da neve


 


 


Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
 Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.


 


 


Augusto Gil


          


 


                        A balada, para mim tem a ver com uma/a batida, que pode não ser forte no sentido auditivo, mas ela provoca em mim uma grande reação sentimental, e por isso tem, neste sentido, uma batida forte em mim. Estou a ouvir neste momento uma verdadeira balada musical: R. Kelly – I believe I can fly, na sequência com outras baladas, segundo a consideração dos decisores que escolheram esta sucessão de músicas que consideraram Baladas. A minha vida soa-me a uma verdadeira Balada, a minha Balada – não porei ponto de exclamação no fim desta frase, sinto que devo simplesmente afirmar. Também há um termo brasileiro para Balada [pois é, eu sou de Portugal] que significa algo como uma saída para a diversão, em particular de noite, no fim de encontrar um parceiro, uma diversão romântica, que pode dar em algo… E nesta aceção da palavra também já tive as minhas baladas, digamos que inglórias, ou dizendo de uma forma mais suave, infrutíferas, e nem me vou alongar sobre o ‘porquê’ disso, porque isso já foi dito imensas vezes noutros posts, e hoje nem estou para isso. Eu bem que quero mudar o discurso, e aproveitar, no entanto o melhor que tenho, mas é difícil. Mas, continuando, a Balada mexe com os sentimentos [música de Sinead O'Connor - Nothing compares 2 u]. A Balada mexe com as emoções, porque sentimos algo de especial, uma emoção especial, se exprimirá. A magia deu-se desde que eu nasci, e muitas baladas tocaram meu coração - músicas sem uma cara mas sons que eu analisava tão puramente na minha mente, não interessava de quem vinham ou o que esse músico era ou fazia, bonito ou feio inteligente ou não, não interessava, simplesmente eu sentia o som que marcava (e marcou) meu crescimento, ainda hoje me interessam pouco os videoclips apesar de estarem mais acessíveis para ver, na internet -. A música desde sempre a marcar o meu tempo e pergunto-me querendo obter uma resposta emotiva em mim, até que ponto mudou o mundo e as pessoas(?) mesmo que elas não saibam que música mudou o seu dia – a - dia, mesmo que eles não conheçam tal música. Já tive a oportunidade de dissertar sobre o que eu sinto sobre a música, em muitos posts abordo sempre o conceito ou a palavra, mas foi no post com o título ‘A música – que me acompanha, me acalma, me exulta e me esconde’, de 15 de maio de 2008 [5 anos se passaram, meu Deus, como o tempo passa depressa, e ao mesmo tempo devagar na eternidade do tempo], é só fazer a busca por ‘música’. [mais uma de Delta Goodrem – Born to try]. Porque me marcaram, poderiam perguntar (?). Porque em lugar de ser um humano que ignora as músicas da rádio e me concentro noutras coisas, eu, precisamente ‘aparentemente’ fiquei preso na rádio, em especial para hoje, nas Baladas que passavam, na esperança eterna de ser feliz e ter um mundo melhor, como continuo querendo como se não tivesse crescido e o tempo não tivesse passado. Digo ‘aparentemente’, que fiquei preso, porque na verdade talvez tenha sido o contrário, talvez seja ela (a música) que me liberta desta introversão, desta reserva e falta de expressão pessoal de que tanto abordo noutros posts, desta repressão a que algo ou qualquer contingência do espaço-tempo me quer submeter. [Siga outra, Tina Arena – Chains]. E eu quero acreditar que posso voar (‘I believe I can fly’), mas estou preso com correntes (I’m in ‘chains), ou então penso que nasci para ‘tentar’ (I was ‘born to try’), ou então, quando penso que algo fala para mim, que há um Universo que quer que eu tenha o direito à vida, diz-me ‘Nothing compares 2 u’, <<Nada se compara a ti>>, o quanto eu não ficaria feliz se eu fosse um ser especial, mas não queria sofrer. Mas, talvez, quem canta uma Balada, tenha que sofrer para a cantar, para a fazer. E de novo o Universo canta para mim, Frankie goes to Hollywood - The power of love.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

E o que disse tá dito [extracto 22-03-04 actualizado]








 








E o que disse tá dito. Assim são alguns que não eu. Sinto-me esgotado, a força da vida não me acompanha. Recordações, memórias surgem na minha mente como se já tivesse vivido o que tinha para viver, como se fosse velho, mas continuo a viver. Senti o que muitos outros sentiram, sinto o que muitos outros sentem, sinto de mais, sinto por muitos, claro que não por todos. Possa eu por em prática a minha maneira de ser e eu seria o homem mais poderoso do planeta. Forte e livre! A minha liberdade acima da dos outros! Mas não tenho fôlego sequer. Não perca eu a razão, a fé, a esperança que ainda me resta! A esperança de que um dia ainda serei realmente livre, e vejo que quando olhar para trás eu verei que fui realmente livre, fui grande em pensamentos. O caminho de Deus versus o caminho do homem, qual? Meu Deus como sou tão fraco, porque aparento ser forte? Porque me rotulam? Porque não expresso os meus sentimentos? Porque não me é permitido falar? Porque eu não me permito falar? Estou away, estou fora, estou desligado, estou queimado. Quero renascer, quero ser grande e forte, saber o que estou a dizer, saber o que estou a fazer. Não posso mudar o mundo, acho que nem a mim posso mudar quanto mais. Dá ao slide, foge, desvia-te. O homem, o homem, condenado à perdição, à destruição, eu condenado com os meus pensamentos que desfazem as ilusões.


Vamos mudar o discurso. Tudo é tão bonito lá fora, lá fora assim como dentro de nós. O homem é um ser condenado a ser feliz, assim porque eles são todos iguais, feitos de carne e osso. No meu pensamento só ocorrem coisas bonitas, tudo corre sem stress e sinto-me um ser perfeito. Porque falam tão bem de mim? Sinto-me tão vivaz que aposto que vou viver duzentos anos (200). Porque tenho que eu falar sempre de coisas boas, não havendo um problema que me atormente? Porque tenho eu tantos amigos, tantos que eu não sei com quem hei – de estar em cada dia da minha vida. Tudo vai de vento em popa, não há nada com que me preocupar. Compreendo todos os homens do mundo porque “quem vê o seu povo vê o mundo todo”. Só consigo imaginar em como as pessoas são alegres e divertidas, como todos são tão inteligentes e vão construir um mundo melhor, e essa é que é a realidade. Custa tanto dizer as boas verdades da vida, que até desejava que houvesse coisas más. Na verdade quero ir para onde as ruas não têm nome. Na verdade tudo o que eu digo é condicionado por variáveis incontáveis que me ultrapassam longemente. Na verdade e somente na verdade eu me baseio, e a verdade é que há verdades que me satisfazem. A verdade que encontro a cada dia que passa. Sou feliz com a mudança. Não me quero ver de fora, quero ver-me de dentro para fora. Cada vez sou menos condicionado, e isso dá-me ânimo.


Fluíres incertos [Ensaio poético] 2003






















Fluíres incertos


 


 


 


Em Dias ensolarados, caminho sem destino visível


Nos claros momentos. No Pensamento inflexível


Acho-me instável, num segundo, descobertos,                                  


É formidável, este fluíres incertos!


 


Já repetidos, batem à porta fortemente,                                                   


Destinos estampados, surgem dolentemente


Assim é a minha mente, cheia de ruídos


Talvez adivinhem a corrente, de ideais desmedidos   


 


Nas antíteses das palavras, confundindo a lógica,


Há nas imensas filosofias, um insondável Poeta,


Que descobre, que desvenda, impensáveis ideias


Neste mundo de loucura, de ininteligíveis palavras.


 


Há um universo de surdos, onde a imagem é tudo,


Paira um som mudo, onde as palavras são ecos abafados.


O lugar dos sentimentos, foi severamente preenchido,


Pelo dinheiro mal dividido, pelo vazio dos sentidos.


 


Gritos chamam a atenção, Pessoas olham e não vêem.


Aqueles que lêem na alma a provação


De uma emoção, daqueles que orgulhosamente vêm


Sem, sequer, terem a inteligência da imaginação


 


Difusos os olhares, alternam com ritmo próprio,


num mar profundo e sombrio. Sem isso notares,


como se partir fosses, o âmago sente um calafrio.


Em tua presença, um arrepio, talvez de saudades.


 


E agora vou sintetizar, aquilo que disse, sem sentido.


Há um caminho percorrido, sons lindos, nele, a  pairar


Há assuntos não desenvolvidos, mas que te fazem pensar


Talvez o fim seja brincar, exprimindo sentimentos doídos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ambivalência (amor-ódio)

    Sabes porque estou tão magoado contigo, que quase te odeio? Porque te amo tanto!... e me parece que continuarás inflexivel nos teus sentimentos. Não podemos obrigar ninguém a gostar de nós, mas podias evitar magoar quem te ama, porque isso poderia tornar-se no mais profundo dos ódios (não fosse eu quem sou), tão profundo quanto profundo é esse amor.

domingo, 4 de outubro de 2009

Deus faz-nos sofrer?

para que é que ele [Deus] nos faz sofrer?? :P

Johnybigodes diz:

*Eu acho que 'Ele' não nos faz sofrer....

*Essa entidade é indiferente ao que se passa em casos pontuais

*a natureza, que faz parte de Deus, age de forma indiscriminada no mundo por exemplo

*assim é a natureza humana, na qual Deus tem a sua intervenção

*Nós não passamos mais do que um 'caso pontual'

*acho

*Temos o dom de Deus por exemplo ao dominar e perceber as suas Leis

*E acho que o sofrimento não tem atribuição a algo que se possa definir

*Não podemos dizer que todas as coisas que de bom nos acontecem sejam vontade Dele para com a nossa pessoa em particular, assim o devemos pensar em relação ao sofrimento

*Para mim Deus está no conceito de 'Equilibrio' de tudo quanto existe

*esse Deus repõe 'equilibrios' em tudo o que ele abrange, que é tudo o que existe

*e isso pode querer significar sacrificar uma pessoa que seja para repor um equilibrio

*muitas das vezes esse equilibrio dá-se somente a nível das forças espirituais

 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Espectro da morte (A vida de muitos homens) [2-10-06]

    Tenho questões que se podem e devem colocar a cada um de nós que é assaltado pelo espectro da morte, que ate podem só fazer sentido para mim. Quantas vezes me assaltam ao pensamento, nas horas em que sinto o vazio da minha vida, as perspectivas da morte, analisando-a de todos os ângulos. Pergunto-me: Haverá algo que me prenda na vida daqui a uns anos, onde a solidão tende a lavrar o meu caminho? Nascemos nós nesta vida para o outro? Só devemos viver se for por causa de outro que nos ama? Não poderei e deverei encontrar a felicidade em mim antes de tudo e qualquer coisa? E mesmo que não a encontre em mim não deverei lutar até ao fim, buscando-a? Ou deverei desistir e acobardar-me perante aquilo que não consegui fazer, que não consegui alcançar? Será a morte uma melhor alternativa à humilhação certa que todos os condicionamentos nos podem trazer? (E nisso a religião cristã ensina-nos a sofrer como Cristo - um símbolo do sofrimento - sofreu, até ao fim, e diz-nos que a verdadeira felicidade não a encontramos neste mundo – Mas isso já é metafísica). Será que a felicidade se encontra no ideal do mundo hodierno, um ideal do “faz ver”, um ideal da riqueza, um ideal sexista, um ideal do culto da personalidade, um ideal do ‘bem sucedido’? Será que não poderemos viver se não cumprirmos tal ideal? Qualquer um de nós merece viver, sempre. Deverá haver sempre um lugar para nós neste mundo de liberdade, por mais simples, pobres e ingénuos que sejamos e ninguém nesta terra é Rei deste mundo para nos tirar esse lugar. Depois de tentar analisar ao máximo os ângulos da minha vida, vejo que ainda não chegou a minha hora, apesar das humilhações por que possa passar, das depressões que possa já ter tido, dos insucessos que tendem a derrotar-me. Eu ainda vivo, porque a minha vida tem uma razão de ser mesmo que eu não a vislumbre. E se um dia eu deixar de ver essa razão eu no entanto ainda viverei, nem que seja pelos pedaços de terra que trilhei, pela alegria genuína algumas vezes sentida no longínquo tempo que não volta. Essa foi a minha vida, essa será a minha vida, essa é a minha vida.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Recomeçar

 RECOMEÇAR

 

 

 

-Se EU pudesse simplesmente dizer: "DESISTO!"...-Desisto de tudo e vou RECOMEÇAR!

-Recomeçar, reflectindo, tentando encontrar saídas.

-Saídas que ao mesmo tempo fossem entradas para um bem estar.

-Estar num sítio, num lugar, num ambiente onde pudesse RECOMEÇAR.

-RECOMEÇAR sem voltar a dizer: "DESISTO!".

...

-"VOU RECOMEÇAR!"

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Vidas, essas

            Não sou de ninguém, ninguém me pertence. A ninguém pertence o meu prazer, nenhum prazer, de alguém, me pertence. A promiscuidade anda ai, tão perto de quem está tão longe (ausente espírito em constante busca), como se todos fossem iguais. Eles dizem que é o amor, eles dizem que é a paixão, mas acho que eles não sabem o que dizem, dizem as coisas sem pensar, não pensam no que dizem. Eu estou errado, eles não! Eu sinto, eu também vivo, mas eles é que estão no caminho certo, eles é que vivem com sentido! Eles exageram no que dizem, simplesmente dizem, e têm que falar mas acabam por nada dizer, como eu, que nunca falo. E há quem perceba do mundo mais do que eu, mas afinal de que mundo se fala? Sente-se e distancia-se de nós como um desconhecido, mas sou eu que interpreto mal... Sente-se e foge-se do que se sente, não querendo assumir aquilo que é inverosímil. Pois eu confesso, não sei o que isso é. Tão perto se está, e tão longe! Se fosse palpável! Mas é volátil, como um momento inesquecível e irrepetível. Se não me olhassem como um asno, eu seria como toda a gente é, uma normal e vulgar pessoa, concreta e definida como qualquer outra. Mas teimam em fazer-me diferente, como tenho sido desde sempre - indiferente a qualquer diferença, indiferente à minha diferença, mas afinal o que é a diferença? - e sempre serei.

            E vejo olhares perdidos no espaço e no tempo, o meu a cruzar todos eles, vejo de baixo, de cima, e de todos os ângulos onde a minha mente consegue abranger, cada vez mais, numa espiral sem fim. E dizem-me, isso faz-te mal, não o faças, segue o que é certo, aquilo que eu te digo, tu não estás bem, tens de pensar como o senso comum, tens de agir como os outros agem. O meu olhar tolda-se quando o meu mundo deixa de ser o que eu entendo dele. Ai, fico perigoso e em movimento, e só me destruo a mim próprio, como se fosse infiel à minha natureza, e afinal ela é como a de todos os homens. Quem não tem um fim certo? Exaspera-se enquanto se é vivo. Quanta exasperação em vão! Mas a dor leva-nos ao limite, se for esse o caso, para encontrar mais um momento de prazer.  

            Quanto desencontro neste mundo de encontros, quanta plenitude, num mundo cheio de vazio. De que serão feitas as cabeças desses homens? Vive-se segundo o que se acredita, porque não posso eu também viver segundo o que acredito? Ah, mas eu vou viver, eu um dia serei, eu atingirei uma meta não definida por mim a priori, mas que se define a cada passo que dou. Nada me pertence, mas pertenço a tudo. E continuo no fio da navalha. Continuo na corda bamba. Se chegar ao fim serei um herói, se cair, caio no vazio, mas na esperança de encontrar as águas deslizantes e profundas que me amortecerão a queda. Vivo na esperança da existência de um sustentáculo de tudo o que nos envolve e que permanecerá. Suporte complexo que nos dá a sensação de ser tão frágil ao mesmo tempo, quando se vê numa perspectiva maior.

            Tão vazio, de cansaço, trago o toque na memória, das vidas, essas, que não consigo compreender, mas que não desistirei de alcançar. E no entanto pode ser para breve, o tudo ou nada. Um desperdício, uma pena, a beleza, a inteligência, as vidas. Somente, estar juntos, esses espíritos, em sintonia.

           

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Eles e os outros

    Para uns as coisas são mais simples do que parecem, mas as coisas não serão assim tão simples, para outros. Uns querem passar despercebidos, e andam desapercebidos, outros querem a exposição e querem ser vistos, ah, mas eles sabem acautelar-se. Uns acham que não merecem o que têm, mesmo que não tenham nada, outros acham que deviam ter muito mais, tendo tudo. E eles tapam os olhos dos outros, com filtros, para que não os vejam completamente, para só serem vistos como eles querem. E eles fingem, para enganarem os outros, os desprevenidos. Eles apontam o dedo aos outros, para desviarem a atenção sobre eles. E eles classificam-nos com uma pseudo -sabedoria que lhes foi diplomada. E os outros calam-se por que não têm armas para lutar. E eles fingem que querem ajudar, mas na verdade eles querem é governar-se e viver da dor do próximo, que para eles não é próximo, é mais um número, um conjunto de reacções que devem ser tratadas com aquilo que eles dizem que faz bem. E eles metem-lhes medo, fazem-nos acreditar que aquilo que eles sentem é verdade, metem-lhe mais medo, e os outros acreditam neles. E eles dizem que tudo correrá bem, tem é que seguir o prescrito. E eles estudam – os, e só vêem aquilo segundo o que o diploma lhes atribuiu, e eles só vêem defeitos neles. E eles ignoram – os. E eles escrevem grandes relatórios onde os caracterizam até ao ínfimo pormenor, e eles vão mais além ainda mesmo que tenham encontrado paradoxos, eles persistem, é a vida deles que está em causa, a deles acima de tudo. Escolheram uma vida para a qual pensavam que era a que eles desejavam, mas para o qual não têm tacto. E eles estão sempre certos, os outros que se opõem é que estão errados. E eles unem – se e formam uma força que até parece ser a da legião da verdade. E só eles sabem criticar. E eles utilizam todo o apoio que têm para penetrar no tecido fraco, mas não o querem matar, deles depende a sua sobrevivência, apenas deixa –los zombies. Eles pensam que ajudam, se calhar até estão convencidos disso – um homem age segundo aquilo em que acredita – mas chegam a um ponto que têm de defender o emblema, porque essa equipa é forte e dá-lhes prestigio, não conseguem sair da merda em que se meteram, a droga da vida. E eles então chegam a um ponto que deixam de saber, frente ao paradoxo em que se encontram, mas inventam coisas sobre os outros, apontam o dedo aos outros. E os outros rendem – se, uns tornam – se como eles, se calhar, para confirmar a tese, acreditam que sim, e outros calam – se para sempre, porque a sobrevivência assim lhes faz agir. A revolta não se quer neste mundo novo, não pode haver o excesso nem a escassez, tem de haver a concordância, o diálogo ameno, a busca da perfeição. Hitler já não existe, mas a sua atitude continua por ai, de uma maneira muito mais sublime, o apuramento da raça, a humanidade perfeita. A ciência protege o homem, mas a barbaridade das suas experiências continua. E a eles é permitido tudo, todas as suas acções são aplaudidas, tudo mete graça. Aos outros, os seres sarnentos, até o sorrir é uma doença. Mas quem são eles? Eles andam lado a lado com os que não têm nada, vivem com os outros, mas como eles têm tudo, dizem que está tudo bem e no bom caminho. Eu sou, tu és, ele é, nós somos, vós sois, eles vivem, os outros sobrevivem. Que não caiam eles, mas sim que se levantem os outros.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Danni carlos - Coisas que eu sei



Danni carlos - Coisas que eu sei












Eu quero ficar perto
De tudo o que acho certo
Até o dia em que eu mudar de opinião
A minha experiência
Meu pacto com a ciência
Meu conhecimento é minha distração
Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio mostra o tempo errado
Aperte o play
Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo ta fechado pra visitação
Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa
É minha Lei
Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei
Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos que eu não sei usar
Eu já comprei
Ás vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre quando eu tô afim
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia...
Agora eu sei...









sábado, 29 de dezembro de 2007

Sempre assim (2000)

Sempre assim. Todos os dias a nossa atenção recai sobre a mesma coisa, o mesmo problema, o fulcro da questão, não nos deixando evoluir, porque estamos a tentar superar sempre o problema que não é ultrapassado. Um ciclo que não parece ter fim.

            É à luz de uma lâmpada frouxa que as ideias flúem. Faz-se uma pausa quando calha, não se sabe a sua duração. Também é preciso apreciar o vazio, e ele é grande.

            Cada um é único e irrepetível. Cada um tenta passar desapercebido, no meio dos outros, sinal que não é diferente, e ao mesmo tempo tem o desejo de ser (re) conhecido.

            Lembro-me daqueles dias chuvosos ou ensolarados, frios ou quentes, em que passo na cama a ouvir estas músicas [os sons da minha vida].

            Lembro-me daquelas noites em que a inspiração vinha e até parecia que dizia alguma coisa com sentido… no papel.

            De lembranças sou feito, boas e más, como as de todos.

            Lembro-me…

            de que todos os dias me parecem iguais, não passo da cepa torta.

            […] do que perdi, e que tanto sentido deveria ter, mas que se perdeu para sempre. ]

            da imposição do ‘EU’ por parte das pessoas perante os outros. […] Os ‘EUS’ estão sós e querem afirmar-se.

            Porque será que exteriormente estamos a mudar e por dentro continuamos na mesma?

            O mundo é composto de tantas pessoas que facilmente um é esquecido.

            Tantas e tantas ideias que flúem na mente não se conseguindo verbalizar coerentemente. É tremendamente cansativo sentir o mundo com esta intensidade desmesurada e não conseguir dar-lhe vazão, é só absorver os estímulos que nos rodeiam.

            E tu? Entras plácido por entre essas janelas fechadas, irrompes pela cozinha adentro como que trazendo uma mensagem do infinito, neste preciso momento. És um sinal para mim. Tal como tu neste momento, os sinais sucedem-se noutras ocasiões, a quem os entende. Sinais despercebidos ao comum dos mortais. Um brilho de um raio de sol numa ocasião espaço - temporal impensado. E a minha razão pensa em probabilidades dos acontecimentos. A probabilidade desse momento foi única, é um sobre infinito. Tenho pensado, por vezes, em que um acontecimento pode influenciar outro acontecimento num lugar mais ou menos próximo de onde se deu o primeiro , por hipótese. Todos somos influenciados pelos outros assim como nós os influenciamos, o mesmo sucede com os actos que fazemos.

            Vejo a minha vida a passar em relances perante os meus olhos. E o que vejo é uma luta constante entre o optimismo e o pessimismo [ de relances é composta a minha vida].

 

 

 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Dia Glorioso

            Neste Dia Glorioso, que nasce com todo o seu esplendor, entro no cubículo da minha alma, onde mora a minha dor. Este sítio recatado, sombrio e frio, onde eu moro e tenho vivido grande parte dos meus dias, nunca ninguém lá entrou, ninguém me conhece. Por uma janela, plena de esperança, raiam com fulgor alguns fotões que penetram ao fundo do espírito demonstrando uma esperança cada vez mais débil, assim, como o passar do tempo. E eu daqui, altivo como um Deus, no abismo mais profundo, renovo o meu sentir, alargo o meu olhar. Eu estou firme no meu posto, mas vacilo a cada passo que tento dar, como se cego eu fosse. Sei que o meu Dia está próximo, fujo dele a 70 vezes 7 pés, mas ele cerca-me para onde quer que eu me dirija. Trago o trunfo na manga, aquele que eu estarei prestes a deitar, quando a vida me quiser completamente sufocar. Trago a noite do Universo num dos meus bolsos, aquela imensidão que me há-de acalmar, o dia terreno que é límpido e colorido no outro, para alvarmente me cobrir e a tua conduta enganar.

Por ti estou aqui, hoje. Sim, por ti. Por tua causa eu estou aqui, agora, Glorioso como o despertar, rarefeito como o sol – pôr, momentos únicos que jamais irão voltar de tão presentes se encontrarem. Tu, que de dor me fazes jorrar, e mesmo depois de o sangue se esgotar, ainda água terei para dar. Sim, crucifica-me. Eu vejo a ira que vai na tua alma, filho da desgraça, porque antes de teres nascido já Ele o era, e eu mais não sou que um suspiro da Sua imensidão, incomensuravelmente pequeno e finito, mas com uma ambição, de ao lado direito Dele ficar, na expectativa de ver a justiça do Seu sofrimento te açambarcar. E mesmo assim, apesar de tudo, amo-te, amo-te como ninguém jamais te amou, mas foi precisamente isso que me trespassou. Em todo o amor que demonstras sem fim, toda a ira que em ti mora por mim, é revelada mesmo sem dizeres nada. Eu não vejo, eu sinto, e a quem sente jamais podes enganar, somente a quem se fia no olhar. A aparência é que te dá poder, é que te faz, mesmo, mover? Pois eu digo-te é por ela que tu irás sofrer. Tu sofres por o que vês, és falso. Eu sinto, pelo que sofro…

Mas há mais. A tua indiferença faz-te forte, o teu sadismo dá-te prazer, mas ainda há uma palavra a dizer, antes que se esgote este alvorecer. Pai, eu faço parte da natureza que me envolve, da imensidão que jamais conseguirei abranger, mesmo com o meu sentir infinito. E não posso pactuar com a conduta de quem dessa natureza me quer afastar, dessa crença profunda que de mim jamais alguém irá arrancar, os meus inimigos, alvos a desvendar e a destronar, porque ninguém é Rei senão Tu, eterno e perfeito, porque acredito que Tu és o Bem – eu sei-o, porque eu vi o mal – Tu és o equilíbrio, e ai reside a perfeição, Tu és a essência da vastidão. E eles, castelos na areia, reis da destruição da harmonia, marginais sós, que culpam outros seus irmãos pela sua própria condição, que se rebelam contra Ti, fonte de toda a criação, como se em Ti morasse a culpa da sua falta de orientação. Por ti, pai, eu estou aqui, mas já estava escrito nos astros, a minha passagem por este mundo, e já está escrito no mais profundo do vácuo o meu destino. E o meu destino é Ele, Ele faz parte de mim, eu sou uma ínfima parte Dele, igual a tantos outros como tu, na minha massa, mas dos maiores na descoberta Dele. Eu tentei fazer-te meu amigo, tentei mostrar-te onde erravas. Porque me fechaste a porta? Porque me revoltaste contra a natureza que me envolveu e me acolheu e me fez crescer, aprender, e me alimenta e me faz sobreviver? O teu egoísmo há-de destruir-te, pois as aparências enganam.

Inimigos, achais-vos superiores? Achais que eu é que estou errado? A erva daninha prospera nos solos, mas a beleza não é destruída por ela, a beleza transcende o óbvio. Caí por terra enquanto é tempo, vê -de o mal que fazeis, não sigais contra o que de genuíno sentis, acreditai no regresso à inocência. Podeis vencer esta guerra contra mim, mas nunca vos será perdoado a perda que provocares, o Equilíbrio que me rege será a vossa destruição e ninguém mais terá culpas disso, a não ser vós que não acreditastes. A culpa reside naqueles que lhes foi Mostrado e não acreditaram.

Saco do meu bolso, este meu dia terreno e lanço-o sobre vós. O Dia Glorioso está à vossa frente, defronte de mim somente, é uma questão tempo, se houver medição para esta passagem. A luz foge, mas ainda me resta o meu outro bolso…

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Mundo actual: Independência, individualismo e egoismo

                   Concordo que o mundo actual seja de uma maneira geral, principalmente a parte do mundo economicamente e socialmente mais desenvolvida, egoísta e individualista. Penso mesmo que talvez seja o individualismo que pode despoletar o egoísmo. Acho que é a ‘independência’ o conceito primário que traz consigo esse individualismo e de seguida como efeito secundário, pode-se assim dizer, o egoísmo. Temos que por definição que INDEPENDÊNCIA significa liberdade, autonomia; INDIVIDUALISMO significa isolamento do indivíduo num conjunto ou sociedade (1) ou ainda é uma teoria que sustenta a preferência do direito individual ao colectivo (2); EGOISMO significa amor exclusivo da sua pessoa ou dos seus interesses. Não será propriamente na ' independência ' que está o mal ou onde reside o problema. É bom que cada ser humano tenha independência, independência social e económica, isso faz parte do direito natural que o ser humano tem que é o de ser livre, ter liberdade, e isso não existirá sem a tal independência. Para mim não pode haver ' individualismo ' sem ' independência '. E dada a independência que o mundo moderno vai permitindo a cada vez mais gente, o individualismo tornou-se num caminho fácil de seguir, há mesmo uma cultura do individualismo. Segundo a segunda definição que está em cima e que encontrei no dicionário (2), realmente estamos num mundo economicamente evoluído em que o direito individual é exacerbado, muitas vezes como se uma pessoa (certas pessoas) tivesse (tivessem) mais direitos que o seu próximo. Existe todo um antropocentrismo que continua a crescer e que tende a transformar a ‘independência’ necessária de cada homem num individualismo egoísta. O ser-se individualista, segundo a primeira definição (1), deveria ser na maioria das vezes uma opção que deveria ter cada pessoa independente segundo a suas características pessoais (personalidade, outras). Mas nas sociedades mais avançadas isso tornou-se na única opção a que as pessoas têm que aderir dada a cultura do individualismo que se instalou e que depois transforma muitas pessoas em egoístas (por isso digo que o egoísmo é um ‘efeito secundário’). É essa cultura a que promove o egoísmo em vez do altruísmo, essa cultura que leva as pessoas a olhar só pelos seu interesses, que podem passar pela satisfação de acumular bens e/ou explorar e/ou passar por cima de outras pessoas sem olhar a meios e que leva a que não se ame o próximo abnegadamente, a que se olhe o próximo como objecto (mais um nas suas vidas). Dentro desta cultura estão pessoas (em minoria com certeza) que não se adaptaram ou não se adaptam e que têm um défice mais ou menos acentuado de independência social (acompanhado muitas vezes de défice de independência económica, o que piora as coisas) e que leva a que se auto – marginalizem e/ou que os marginalizem a outra parte da sociedade (os que estão integrados na cultura individualista egoísta por exemplo). Daí que as pessoas da outra parte pareçam egoístas (porque na realidade há efectivamente muitos que os são) a quem está na minoria. Mas há também muita gente individualista altruísta, só que muitas vezes só vemos o lado obscuro dos conceitos. Tudo está em nós, na maneira como nós sentimos. Muitas das vezes somos nós que nos sentimos mal e afastamo-nos dos outros sem nos aperceber e somos nós que estamos a ser egoístas e parecem ser os outros a sê-lo. Há que ir aprendendo com o tempo a interpretar as coisas como elas na realidade são, a separar o trigo do joio, o bom do mau. Ser-se independente é um direito, pelo qual devemos lutar. Apesar de haver uma cultura individualista predominante, também existe o oposto, uma cultura sociável. Ser-se sociável egoísta ou sociável altruísta, individualista egoísta ou individualista altruísta é uma opção que depende de vários factores intrínsecos e extrínsecos e somos o que somos por causas que nos ultrapassam. E para dizer a verdade, acho que tem de haver de tudo no mundo. Não paremos de procurar o nosso lugar no mundo que pode hoje ser aqui, como amanhã noutro lado.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

tradução das Tags mais importantes do meu blog

 EU tenho um PASSADO repleto de SENTIMENTOS que produzem QUESTÕES e PENSAMENTOS por vezes de uma maneira TRISTE da VIDA. Este é o meu BLOG.

domingo, 30 de setembro de 2007

Conversa de um Ensimesmado (2003)


          [Demasiado concentrado em mim] Ensimesmado, assim ando sempre. Faço um esforço enorme para tentar sair desta concentração doentia. E a verdade é que não consigo sair dela, não consigo traduzir verbalmente as ideias que passam pela minha cabeça, não me consigo exteriorizar. É como se estivesse bloqueado. E quando tento exteriorizar-me é como se estivesse a arrancar alguma coisa do meu interior, a custo. Na minha mente passam pensamentos que diria anti-sociais, sou averso ao convívio social. Criei-me muito afastado do conceito social, talvez daí esta minha aversão, sinto-me melhor sozinho. Os meus pensamentos são profusos, intensos, mas muito misturados o que os torna confusos. Na minha cabeça passam pensamentos do tipo: “ninguém pode parar a evolução da humanidade.”; “Não tenho fé nos homens, vejo o seu futuro com pessimismo.”; “ vejo injustiças que nunca terão fim, homens que trabalham duramente a troco de um punhado de dinheiro e outros a usufruírem do trabalho dos primeiros, com uma vida fácil.


            Quando tento abrir a boca acho que não digo nada de jeito, nada de interesse. Raramente vejo o meu futuro com optimismo, penso mesmo que jamais serei normal, ou melhor, jamais me sentirei normal. Conheço-me bem, e sei que não sou como os outros, mas não aceito essa diferença. Queria partilhar valores com os outros, mas os meus valores não são iguais aos do ambiente social em que vivo, parece-me mesmo que nem tenho valores. Compreendo cada vez mais a minha situação mas estou mais impotente para lutar contra ela à medida que o tempo passa. Tenho medo da loucura. Às vezes penso que devia fazer uma loucura, mas falta-me a energia. Não me queria apagar, passar por esta vida sem ser reconhecido socialmente, e essa é uma meta que a maioria das vezes me parece impossível. E esta insatisfação corroí-me, ter constantemente a minha mente com pensamentos de que sou inferior, de que não sou capaz. E há momentos em que a dignidade parece-me fugir. Sinto-me humilhado em mim próprio, e sei que não há razão para isso, ou haverá?


            Para que sinto o mundo da maneira que sinto, tão intensamente? A minha percepção corporal ou física do mundo anda distorcida. Ou será o mundo exterior a mim que anda distorcido?


 

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Gritos e visões

20 de janeiro de 2003


        


                           


 


                   Há um grito em mim, não sei se mais alguém sentirá assim. Há um grito que não sai, que soa tão alto dentro de mim. Há uma compreensão desmedida que tem a minha mente entupida. Há um grito de compreensão que teima em sair para o universo, o vácuo do silêncio. Grito nas alturas, procuro clareza na visão, que me é só negra em toda a sua imensidão. Vejo uma luz ao fundo do túnel, não há esperança em vão. Penso, não coerentemente, eu sei, mas eu não consigo pensar assim, que será de mim? Deixa pensar quem pensa, e penso em tantas coisas que não consigo levar uma até ao fim. Penso, no destino, na pequenez do homem, fisicamente, perante um universo tão grande que nele encerra na sua mente. -“I love you, I’ll kill you”- Porque nos magoam quem mais amamos? Será que isso é apenas uma impressão nossa ou realmente eles magoam-nos? O nosso bem-estar psicológico depende só de nós (da nossa mente) (1), ou depende só do exterior (2), ou será uma síntese dos dois meios (3)? Situações: Estão a apontar-nos uma arma. Depende de (2), neste caso; Em relações sociais dependerá de (3), há uma interacção entre o que nos fazem sentir os outros e o que sentimos; Sozinhos, dependerá exclusivamente de (1). Será assim?


            Vimos do vazio, do nada, o nirvana. Na nossa mente, quando não influenciada por meios exteriores sociais, o bem-estar depende dos conceitos que temos na nossa mente acerca do mundo. E porque estamos sozinhos? Queria dizer, porque estamos aqui? Será que só quem sabe tem grandes discursos, que é capaz de dissertar sobre um assunto, que é capaz de dialogar com grande clareza de raciocínio, é que é feliz, é que tem o direito de viver? Eu sei que o digo não é coerente, já o disse, mas meu raciocínio é um pouco estranho, funciona por flash’s, até já me rotularam de doenças que já nem quero pensar, mas não só, já me rotularam de tanta coisa...O problema é que isso me afecta, não consigo evitar, principalmente quando até a minha própria família consente tal. Afinal que terei eu? Não consigo formar uma imagem exterior de mim. Conheço-me muito bem interiormente, mas visto com outros olhos, não me consigo ver.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Bate como quem chama por mim

17-01-04


 


 


                        Bate como quem chama por mim, o tempo, a música, gente, qual será? Não é nada, apenas o pensamento a querer ser traduzido, ser exprimido. Sou sincero, neste momento não tenho emoções a flor da pele, como se eu já não tivesse sentimentos. Mas já os tive, já chorei, já tive alegria infinita, já tive outras maneiras de sentir o mundo. Estou a passar mais uma fase de compreensão, uma fase de estabilidade. Um assalto de visões percorrem o meu pensamento em certos momentos. O passado não desapareceu, construo momentos, nessas visões, através da associação de ideias e dessas vivências passadas. Sereno, assim me imagino, como gostava de ser. Gostava de ter a certeza das coisas, mas  ela não me pertence, portanto a serenidade é perene. Tenho sim, grandes perspectivas da vida, analiso-a do  maior numero de ângulos possíveis.


            Temos que ter maus momentos para saber identificar os bons momentos. O Ano  Novo começou, mas  nada mudou subitamente. Tudo muda gradualmente. Os sonhos, esses, renovam-se alguns, persistem com menos intensidade outros, aparecem outros. Visionário, é o que eu sou. Um ser que caminhava na busca da perfeição, mas que caiu na dura realidade que é ser-se constituído de matéria perene que é este nosso corpo o qual não controlamos. Como podemos ser perfeitos nesta vida passageira que passa sem esperar que a gente ultrapasse todas as fases integralmente. O Ser Humano não é perfeito, é funcional, isto é, faz coisas funcionais mas não perfeitas.


            Eu quero, eu vou fazer algo. Não podemos parar enquanto estamos vivos. Não posso mudar o mundo fisicamente, deparo-me com contingências que não controlo. Queria libertar-me, queria não ter de novo a consciência de ter consciência, queria ser um produto da natureza e agir naturalmente. Certezas não as tenho, mas tenho esquemas funcionais que me permitem interpretar o mundo e compreendê-lo, podia dizer que são as minhas leis. Toda a gente as tem, e quanto mais velhos mais elas se enraízam em nós à medida que envelhecemos. O porquê das coisas, o eterno porquê, por que  razão acontecem, porque sofre quem tenta ser perfeito? A vida é um mistério. O sonho ultrapassa a nossa vida, o sonho ultrapassa o mistério, o mistério é o sonho, o sonho faz o mistério. O sonho são as nossas asas, o sonho dá-nos asas, ele faz-nos voar e conhecer novos mundos. O homem vive submergido no sonho. O sonho comanda o homem, mas destrói a realidade, sem ela o sonho não existe. Há que acordar para a realidade antes que seja tarde de mais.