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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A música e o sentir [INCEPÇÃO (25.03.10)]

 

<<     Reservo um pouco do tempo que me resta para escrever. Neste momento que tento escrever não observo nem sinto, quase que nem penso como se tudo o que passa na minha se evadisse quando o tento transmitir. Sei que isto acontece vezes sem conta, e consigo algumas vezes chegar a onde quero chegar, mas sempre por caminhos alternativos e frequentemente bem mais complicados. Questiono-me constantemente por que o faço, e vou encontrando respostas na minha vida que por sua vez também não as consigo dizer, transmitir, facilmente, alem de que talvez elas só façam sentido para mim.

     Estou a ouvir George Michael, um cantor célebre dos anos 80 e 90 para quem não sabe, e ainda teve músicas de sucesso neste milénio mas que se diluem com a existência de outros bons músicos. Estou a pensar, ‘realmente este homem tem uma voz e um dom especial para a música’, assim como por vezes observo noutros músicos, se bem que dizer isto possa ser relativo para muita gente [talvez me pareça tal a mim porque me habituei a ouvi-lo]. Mas este músico em particular, estava aqui a pensar, que primeiro diziam que era gay e, agora, julgo ser assumido, assim como há outros assumidos, como Elton John, músicos de grandes sucessos que têm grandes vozes e grandes músicas, mas que são gays. E, no entanto, não se lhe pode retirar o mérito que tem e o sucesso que tiveram e podem continuar a ter, apesar de terem optado pela vida que levam privadamente. A mim faz-me confusão o facto de os homens gostarem de homens e mulheres gostarem de mulheres, como que isso significa para mim ser ‘contra-natura’, e realmente vai contra a lei da existência animal, da continuidade das espécies. Só mesmo o homem para transformar tudo o que devia ser lei, e compreendo um pouco que possa acontecer certos casos, mas se não fosse a comunicação que existe hoje nunca teria imaginado que o mundo poderia ser tão diferente de como eu o sinto. Mas quero eu reafirmar que tendo ele, George Michael a vida privada que tem, tendo ele os gostos que tiver, ele tem boas músicas, assim como Elton John, e falo como amante da música e segundo aquilo que posso compreender, que se calhar é muito acima da média, modéstia à parte. Cresci com estes sons destes homens, e nem por isso me tornei gay, mas eles deram-me um sentido apurado para a música. É claro que eles foram alguns entre tantos, e talvez eles tenham sido dos mais marcantes daquelas épocas, eu estava a crescer, as músicas eram passadas nas rádios constantemente, eram o nascer de uma nova aurora, a aurora audiovisual, aquela dos anos 80 e 90, aqui no meu Portugal, num mundo que eu descobria paulatinamente, numa imensa vontade de viver. E aqueles sons que para muita gente não dizem nada, porque nunca se habituaram a ouvir tais músicas, ou agora, porque não são do seu tempo (de agora), ou ainda porque simplesmente não são fanáticos por música, para mim são os alicerces da minha vida. E no entanto eles são gays ou tornaram-se. Mas eu aprendi a sentir com o coração o mundo que me envolve, no caso da música eu sinto-a com o coração antes de tudo, depois o que o músico é ou como apresenta o seu vídeo musical ou ainda o que faz se vier a saber o que faz, não alterará o valor da música, porque a música, o sons musicais são analisados puramente. O bom sentir é um sentido que todos tem, mas que muitas vezes anda camuflado por outras coisas da vida, talvez outras maneiras de sentir e julgar, peremptoriamente a maior parte das vezes, o que se passa no mundo, ou porque não se quer aceitar aquilo que é melhor do que nós, aceitar o que é a realidade das coisas, o sentimento de beleza Universal. Isto é o mesmo que dizer numa metáfora: Há um bolo para apreciar e ao mesmo tempo há whisky para apreciar; eu apostaria que o ‘sentimento Universal’ diria que o bolo é bom e o whisky é mau, pelo sabor. Mas sei e compreendo que há culturas que se enraízam em certos homens e que lhes leva a dizer que whisky é que é bom e o bolo é uma grande porcaria, e preferem ingerir o whisky a comer mais bolo em detrimento do whisky. O que é bom é sempre bom, em qualquer lugar, porque o sentir dos homens tem um denominador comum, a raiz do sentimento humano é única, simplesmente o homem quer – ‘ou a natureza impele-o a’ - transgredir a sua natureza sentimental, cria culturas desastrosas que acabam por ter seguidores incautos ou desinformados que entram por uma vida que sem querer escolhem, não pelo supremo bom gosto Universal, mas por causa última de uma cultura que se cria em redor de certos hábitos. Mas o homem vive e sobrevive, incrivelmente. O organismo reitera constantemente a sua capacidade de auto-regeneração. Mas a vida é como é, não fui eu que a inventei, não fui eu que inventei ou invento regras, só me é permitido jogar, nem que as regras sejam as mais estranhas. Hoje em dia, a música está a tornar-se uma banalidade, qualquer dia todos nascem com uma veia musical e têm a hipótese de fazer grandes músicas, mas talvez já não tenham a ‘universalidade’ que tiveram estes e outros músicos dos míticos anos 80 que fizeram parte do imaginário de massas. Tem e terão mais hipótese de divulgação mas serão, como parece que estão já agora a ser, abafados pela imensa comunicação emergente que se a evolução continuar, apenas mais uns músicos de talentos.  >>

sábado, 1 de novembro de 2025

Jóia [INCEPÇÃO (26.11.08)]

 <<    Aquele sítio. Aquela jóia escondida. Aquela memória que há-de residir em mim até que a minha mente volte a pertencer ao nirvana. Aquela memória sem fim. Desde aquele dia, que não posso precisar - porque a memória não é precisa, como o tempo, que foi inventado –, que pus o meu passado naquele local, a minha memória, para que não me perdesse. Aquela é a minha caixa negra, que perdurará, mesmo depois de eu deixar de existir. E então, quase que me esqueci de quem era, quando tudo desabou sobre mim. Pensei que nunca mais me fosse encontrar, mas aquela caixa, naquele local, fez – me recordar outra vez. Aquela jóia (!). Aquela força da natureza, que protege, que nos guia - qual estrela cintilante que nos guia -, porque só nós sabemos interpretar o seu movimento. Alguns nascem como que com todos os direitos, e eu nasci com alguns que me permitem estar aqui e agora, sendo quem sou. Alguns nascem num berço de ouro, mas eu aproveitei o simples berço de madeira tosca que me foi reservado para singrar nesta vida - como se eu tivesse chegado a um patamar elevado [Na minha mente cheguei, e estou voando]. Eu depositei tudo o que tinha naquela jóia, quando tive algo. Eu guardei e dei valor ao que já não parecia ter, aproveitei o que já não servia aos outros para que tivesse alguma coisa, como se fosse um vagabundo, aproveitando os farrapos dos outros. Eu vivo (!). Eu o devo a quem não conheço. Eu partilho o meu mundo, com quem partilha, este, comigo, esta terra, a sabedoria de quem sabe inventar e me dá asas para que eu possa voar e ser uma Águia outra vez, tal como uma Fénix renascida. Alguns dão asas aos desejos, porque tudo lhes é permitido, não se abstendo de tal, não sabendo o que é a repressão, a recusa ou a negação, nem a contenção, nem a espera do reforço, tudo o que querem têm, ou então pensam ter tudo quando na verdade não têm nada. E eu pergunto-me porque não tenho o que quero, querendo eu tão pouco? Porque terei que ser um indigente, aproveitando aquilo que outros utilizaram e deitaram fora em condições de utilização, em nome da inovação, de dar o máximo que se puder no espaço de uma vida, consumindo sem freios o que devia ser preservado para outros, como se existisse o seu direito, que merecem usufruir de uma terra bela por muito mais tempo e que se vêem na contingência de sentir que nasceram como se fossem carne para canhão, extirpados dos seus desejos mais básicos, nascidos não com amor mas por uma casualidade do Universo que possivelmente os desejou para equilibrar algo que estava em desarmonia, passando por esta vida sem saber porque respiram, porque vivem, porque bate os seus corações [como se eu soubesse…] – como se eu estivesse a, ou pudesse defender quem quer que seja, como se eu os conhecesse. Não os conheço, mas sei de que lado dos bastidores estão quando eu estou fora de cena, eu conheço o outro lado dos bastidores. Vejo como esses actores vêem e sentem essa realidade que eles criam, vejo que a realidade é uma esquizofrenia, onde se vêem coisa, ouvem coisas, que acabam efectivamente por acontecer, muitas das vezes, neste fantástico mundo humano. Vejo que uns são esquizofrénicos e conseguem viver em harmonia com o mundo [social] e conseguem ser construtivos e deixam – nos viver, eles são úteis. Outros são depreciados a começar pelo nome que lhes é atribuído, porque na verdade não são compreendidos por quem não lhes é inerente a sabedoria nas suas vidas, os pseudo – inteligentes e pseudo - sabedores. Toda a arte destes pequenos grandes génios [pequenos porque não difundidos] é desvanecida por quem se pensa inteligente [e se pensa o mais humano dos homens, quando na verdade é um parasita da sociedade, tanto quanto os inúteis que sofrem pela marginalização e incompreensão], que diz que os que querem ajudar e os afundam cada vez mais. Mas afinal o que é a realidade? Uma vida esquizofrénica e paranóica é o que é, e cada vez mais se está a transformar a sociedade. Vejamos a música, vejamos a imagem, a virtualidade, a informação a circular, o caos, a entropia, querendo significar entropia como desordem do mundo da informação. Os homens gostam de tanger os limites, pôr-se à prova, quando a prova já está predeterminada. Os homens gostam de alargar limites. Mas o limite existe. Assim como existe o limite do dia, o homem assim o delimitou. E amanhece como se o fim estivesse próximo. Límpido e frio, ou cinzento, quente ou como for, este é o meu amanhecer hoje, amanhã terei outro e serão cada vez mais iguais. Há tantos amanheceres quantos homens habitam esta terra, que será injusta enquanto existir, que terá sempre dois pólos, a opulência e a miséria, a alegria e a tristeza, o bem e o mal, enquanto existir esta terra. Nós somos o sentido e o limite, o princípio e o fim. E tudo será como é enquanto existir a memória do homem, recordada pelo homem, que falará para si enquanto existir. A memória. A jóia que cada um deve utilizar quando é mais necessário. Chamem a isso esquizofrenia, um espaço ideal entre a memória e o sonho, um mundo paralelo à realidade, que por sua vez é outra realidade. >>

sábado, 28 de outubro de 2017

BEAUTIFUL B&W PHOTO (6, October 2017)

BEAUTIFUL B&W PHOTO

     Num mundo de um Blog, a escuridão não pode ser completa, a música preenche-nos os sentimentos e marca momentos. As palavras, muitas vezes, são demasiado subjetivas, fortes ou desinteressantes. As imagens ganham lugar também.



Créditos para:



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sábado, 18 de julho de 2015

O fim do mundo somos nós



            Vejam artigo da revista visão:

Transcrição:
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Estamos a provocar a sexta grande extinção - desde o tempo dos dinossauros que não desapareciam tantas espécies

Luís Ribeiro (artigo publicado na VISÃO 1164, de 25 de junho)


Diz-se que o maior problema da Terra é o Homem já ser suficientemente poderoso para a destruir, mas ainda não suficientemente poderoso para a consertar. Um estudo publicado na revista Science Advances parece confirmar isso mesmo. Com um título que não deixa margem para mal-entendidos (Acelerada perda moderna de espécies induzida pelos homens: entrando na sexta extinção em massa), o artigo, da autoria de um grupo de investigadores liderado por Gerardo Caballos, da Universidade Autónoma Nacional do México, traduz em números o que há muito se suspeitava - está mesmo em curso uma extinção como o mundo não assistia há 66 milhões de anos, com uma taxa de desaparecimento de vertebrados oito a cem vezes superior ao expectável. Pelas contas mais conservadoras dos cientistas, calculada a média de espécies desaparecidas da história terrestre, a ordem natural das coisas ditaria nove extinções entre 1900 e 2014. Em vez disso, extinguiram-se 477 (69 mamíferos, 80 aves, 24 répteis, 146 anfíbios e 158 peixes). Em circunstâncias normais, dizem, este número de espécies levaria entre 800 e 10 mil anos a ser apagado da face do planeta. "Podemos concluir com alto grau de confiança que as taxas de extinção modernas são excecionalmente altas, estão a crescer e sugerem que uma extinção em massa está em curso - a sexta do seu género em 4,5 mil milhões de anos da história da Terra. (...) Se este ritmo de extinção se mantiver, os humanos irão brevemente (...) ficar sem muitos dos benefícios dados pela biodiversidade." Os investigadores advertem que, mesmo sem levar em conta as alterações climáticas, a Extinção do Holoceno (como já é conhecida) poderá atingir em menos de 500 anos os níveis de perda de biodiversidade que as outras grandes cinco extinções da História levaram largos milhares ou milhões de anos a alcançar. A extinção, apesar de tudo, é um fenómeno comum e que sempre definiu a história da evolução. Sem a morte da maioria dos dinossauros (alguns evoluíram para aves), os mamíferos nunca teriam tido a oportunidade de dominarem o planeta e o Homem não estaria aqui hoje - nem teria posto um ponto final na vida do tigre-de-java, do golfinho-lacustre-chinês, do sapo-dourado e do rinoceronte-negro-ocidental.
As outras cinco extinções em massa
Nos últimos 500 milhões de anos, houve cinco superextinções, de causas diferentes, cada uma delas responsável por matar mais de metade das espécies (a última dizimou os dinossauros). Calcula-se que mais de 99% das cinco milhões de espécies de animais e plantas que passaram pela Terra tenham desaparecido.
  • Ordoviciano: extinção ocorrida há 443 - 447 milhões de anos, matou 60 a 70% das espécies, provavelmente devido a uma glaciação globalizada
  • Devoniano Superior: há cerca de 375 milhões de anos, uma série de extinções de origem desconhecida aniquilou 70% das espécies
  • Permiano-Triássico: na maior mortandade da história, há 252 milhões de anos, desapareceram 70% das espécies terrestres e 96% das marinhas
  • Triássico-Jurássico: há 201 milhões de anos, mais de metade dos vertebrados foram varridos da Terra, abrindo o caminho ao domínio dos dinossauros
 
  • Cretáceo-Paleogeno: a mais famosa extinção, causada pela queda de um meteorito ou asteroide há 66 milhões de anos, matou a maioria dos dinossauros

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domingo, 4 de outubro de 2009

Deus faz-nos sofrer?

para que é que ele [Deus] nos faz sofrer?? :P

Johnybigodes diz:

*Eu acho que 'Ele' não nos faz sofrer....

*Essa entidade é indiferente ao que se passa em casos pontuais

*a natureza, que faz parte de Deus, age de forma indiscriminada no mundo por exemplo

*assim é a natureza humana, na qual Deus tem a sua intervenção

*Nós não passamos mais do que um 'caso pontual'

*acho

*Temos o dom de Deus por exemplo ao dominar e perceber as suas Leis

*E acho que o sofrimento não tem atribuição a algo que se possa definir

*Não podemos dizer que todas as coisas que de bom nos acontecem sejam vontade Dele para com a nossa pessoa em particular, assim o devemos pensar em relação ao sofrimento

*Para mim Deus está no conceito de 'Equilibrio' de tudo quanto existe

*esse Deus repõe 'equilibrios' em tudo o que ele abrange, que é tudo o que existe

*e isso pode querer significar sacrificar uma pessoa que seja para repor um equilibrio

*muitas das vezes esse equilibrio dá-se somente a nível das forças espirituais