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domingo, 4 de outubro de 2009

Deus faz-nos sofrer?

para que é que ele [Deus] nos faz sofrer?? :P

Johnybigodes diz:

*Eu acho que 'Ele' não nos faz sofrer....

*Essa entidade é indiferente ao que se passa em casos pontuais

*a natureza, que faz parte de Deus, age de forma indiscriminada no mundo por exemplo

*assim é a natureza humana, na qual Deus tem a sua intervenção

*Nós não passamos mais do que um 'caso pontual'

*acho

*Temos o dom de Deus por exemplo ao dominar e perceber as suas Leis

*E acho que o sofrimento não tem atribuição a algo que se possa definir

*Não podemos dizer que todas as coisas que de bom nos acontecem sejam vontade Dele para com a nossa pessoa em particular, assim o devemos pensar em relação ao sofrimento

*Para mim Deus está no conceito de 'Equilibrio' de tudo quanto existe

*esse Deus repõe 'equilibrios' em tudo o que ele abrange, que é tudo o que existe

*e isso pode querer significar sacrificar uma pessoa que seja para repor um equilibrio

*muitas das vezes esse equilibrio dá-se somente a nível das forças espirituais

 

sábado, 4 de agosto de 2007

Poema em linha recta

Poema em Linha Reta


 


 


"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?


Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza."


  


 


                      Álvaro de Campos(heterônimo de Fernando Pessoa)