Player

Mostrar mensagens com a etiqueta solidão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta solidão. Mostrar todas as mensagens

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Auto – consciência

 


            Nesta auto – consciência que me possui e que me consome muitos dos meus recursos eu navego sem fim à vista, no entanto, sempre a ultrapassar os limites da consciência. Tenho que ter esta auto - consciência, senão perdia-me. Este sentir intenso de mim mesmo, do meu ser físico e do meu mundo metafísico e do mundo metafísico que me envolve. Por mais que conheça, conheço muito pouco, sei-o. Mas tenho que valorizar o que sinto. Sei que mais ninguém pode valorizar. Talvez não façam sentido para os outros os sentimentos alheios. Mas para mim fazem. Este mundo é estranho, por vezes parece que o conheço, mas fico surpreendido por tudo o que nele surge. Por vezes não sei onde começa e acaba o sonho ou o pesadelo e onde começa e acaba a realidade, como se tudo se interpenetrasse. Já mais vezes o disse, sinto-me um ser estranho, pelo menos sinto que me fazem sentir como tal e vejo que me vêem como tal. Não sei porque causas me sinto assim. Mas sejam quais foram as causas, só posso lutar contra aquelas que são presentes, as outras, as passadas, só as posso imaginar. Não oiço uma palavra de alento. Não vejo uma mão que se estenda. Vejo uma humanidade a caminhar para o nirvana, cheia de esperança por um futuro melhor. E tudo foge, ou pelo menos tenta fugir. Falta em mim algo que é inefável, mas que eu sinto que existe. Sinto que há algo mais para lá das minhas perspectivas. Eu não posso demover o mundo. Sinto-me abandonado, se eu me perder, como um cão vadio. O mundo demover-se-á quando é tarde de mais, como sempre, mas ainda com esperança. Será a felicidade ainda possível? Porque serei um ser especial, se o for? Porquê a solidão, de quem trilha o caminho que nos leva ao além, se não for uma ilusão? Porquê estes caminhos tão vazios?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Espectro da morte (A vida de muitos homens) [2-10-06]

    Tenho questões que se podem e devem colocar a cada um de nós que é assaltado pelo espectro da morte, que ate podem só fazer sentido para mim. Quantas vezes me assaltam ao pensamento, nas horas em que sinto o vazio da minha vida, as perspectivas da morte, analisando-a de todos os ângulos. Pergunto-me: Haverá algo que me prenda na vida daqui a uns anos, onde a solidão tende a lavrar o meu caminho? Nascemos nós nesta vida para o outro? Só devemos viver se for por causa de outro que nos ama? Não poderei e deverei encontrar a felicidade em mim antes de tudo e qualquer coisa? E mesmo que não a encontre em mim não deverei lutar até ao fim, buscando-a? Ou deverei desistir e acobardar-me perante aquilo que não consegui fazer, que não consegui alcançar? Será a morte uma melhor alternativa à humilhação certa que todos os condicionamentos nos podem trazer? (E nisso a religião cristã ensina-nos a sofrer como Cristo - um símbolo do sofrimento - sofreu, até ao fim, e diz-nos que a verdadeira felicidade não a encontramos neste mundo – Mas isso já é metafísica). Será que a felicidade se encontra no ideal do mundo hodierno, um ideal do “faz ver”, um ideal da riqueza, um ideal sexista, um ideal do culto da personalidade, um ideal do ‘bem sucedido’? Será que não poderemos viver se não cumprirmos tal ideal? Qualquer um de nós merece viver, sempre. Deverá haver sempre um lugar para nós neste mundo de liberdade, por mais simples, pobres e ingénuos que sejamos e ninguém nesta terra é Rei deste mundo para nos tirar esse lugar. Depois de tentar analisar ao máximo os ângulos da minha vida, vejo que ainda não chegou a minha hora, apesar das humilhações por que possa passar, das depressões que possa já ter tido, dos insucessos que tendem a derrotar-me. Eu ainda vivo, porque a minha vida tem uma razão de ser mesmo que eu não a vislumbre. E se um dia eu deixar de ver essa razão eu no entanto ainda viverei, nem que seja pelos pedaços de terra que trilhei, pela alegria genuína algumas vezes sentida no longínquo tempo que não volta. Essa foi a minha vida, essa será a minha vida, essa é a minha vida.

sábado, 11 de agosto de 2007

Eu... na solidão, na depressão [2004]

    Mais uma noite vencida. Mais um dia em que acho que compreendi mais umas facetas do mundo ou compreendi melhor algumas que já me parecia ter compreendido. Compreendo, mas que adianta compreender? Milhares de pensamentos me assaltam a mente por dia. Compreendo mas não consigo agir. As pessoas no centro do mundo, as pessoas no centro dos problemas, no centro dos meus problemas. O mundo social, o eterno mundo social. A desvalorização da individualidade das pessoas num mundo onde  se pretende a independência das pessoas mas que em minha opinião é um verdadeiro atentado à privacidade das pessoas, ou seja à sua individualidade, um mundo de imagem, um mundo de sonhos. Eu quero ( e não quero) continuar a sentir a solidão a que já me habituei, quero ser um verdadeiro solitário, a combater o mundo que me é adverso. Que sentimentos são estes que entram em conflito, sinto sentimentos opostos em mim. Porque não podem os simples continuar a ser simples? Que luta é esta que se dá dia após dia, uma luta de nós contra nós mesmos? A minha vida em relances. A visão austera da minha vida. O grito silencioso. A minha compreensão que se dá nas coisas. Eu, quase que dizia, decididamente, que não sou do mundo por onde tenho andado. E peço agora, como peço sempre, que Deus me mostre o caminho, que me integre no meu mundo. Eu não sou nenhum anormal. O que eu sinto é verdade. A loucura não existe na minha mente mas sim na mente dos outros. Ninguém sente como eu sinto. Eu sou único. Nada mais restará de mim depois de morrer. Porque compreendo desta maneira? Ninguém sente como eu sinto. As palavras e mesmo frases repetem-se na minha mente incessávelmente. Eu sou um ser anti – vida. Eu sou, já fui mais, uma bomba relógio sempre prestes a rebentar mas sem nunca rebentar. Será que me distanciei mesmo desta humanidade que me envolve? Como poderei experimentar esta hipótese? Caminhei no sentido oposto ao desenvolvimento da humanidade. Acredito que há muitos e muitos como eu ou do meu tipo mas que não têm expressão. Perguntas e mais perguntas. Será que vou cair na depressão em que já caí? Não, na mesma não cairei, mas posso cair numa outra. Meu Deus! Porque eu penso sobre o que eu penso tão intensamente, porque tenho tanta consciência sobre mim e cada vez mais sobre o mundo que me rodeia?  Eu peço a Deus para que me dê a possibilidade de agir. Eu, meu Deus, Eu, EU, EU, EU!!!!! Não digo o que sinto, não sinto o que digo. Grandes palavras, grandes sentimentos, nunca mais, nunca mais. Vou desaparecer, só, na solidão, na absoluta e completa solidão. Vou atingir o nirvana, de onde vim. Estou apático, não sinto já, quebrei a barreira do meu destino, foi-me dada uma segunda chance de vida e ainda nem sei se vou aproveitá-la. Os Aviões do ar, o bem falar, o mar, o mar. As montanhas, o céu já não é o meu limite. A imensidão, a profusão dos sentimentos, a paixão que é isso? A apatia, que nunca mais me vai deixar. Só compreensão, só compreensão. É o destino. Um abanão é do que este mundo precisa. Acordar para a realidade. Eu não sou deste mundo, definitivamente, eu não sou deste mundo. Que caia o destino sobre mim, que me trespasse, que jorre sobre o outros, que sofram pelos seu pecados, pela sua inconsciência. Eu não sou deste mundo, definitivamente. E o sol já não nasce, a lua já não existe. Eu não falo, eu não digo. Eu sinto, eu sinto, somente. Eu destruio - me  simplesmente. Eu estou abandonado, eles vão-me abandonar, eu vou ficar na mais profunda solidão.