[INCEPÇÃO-01.11.25] De Hoje em diante, segundo as minhas possibilidades de retorno ao passado - passado do meu Blog e ao Meu passado (que passa por este Blog) - irei postar, temporariamente, ou não, segundo o que vier a sentir que devo fazer, textos passados e que comentarei, se for ocasião, à medida que eu possa assimilar, compreender, rever e sentir que o devo fazer ou que me aventure a dizer, segundo o tempo disponível que se me aprouver.
Player
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
tradução das Tags mais importantes do meu blog
sábado, 11 de agosto de 2007
Eu... na solidão, na depressão [2004]
Mais uma noite vencida. Mais um dia em que acho que compreendi mais umas facetas do mundo ou compreendi melhor algumas que já me parecia ter compreendido. Compreendo, mas que adianta compreender? Milhares de pensamentos me assaltam a mente por dia. Compreendo mas não consigo agir. As pessoas no centro do mundo, as pessoas no centro dos problemas, no centro dos meus problemas. O mundo social, o eterno mundo social. A desvalorização da individualidade das pessoas num mundo onde se pretende a independência das pessoas mas que em minha opinião é um verdadeiro atentado à privacidade das pessoas, ou seja à sua individualidade, um mundo de imagem, um mundo de sonhos. Eu quero ( e não quero) continuar a sentir a solidão a que já me habituei, quero ser um verdadeiro solitário, a combater o mundo que me é adverso. Que sentimentos são estes que entram em conflito, sinto sentimentos opostos
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Grito [2005]
Apetece-me gritar bem alto, chorar até morrer, apetece-me fugir de mim e nunca mais ser encontrado. Fugir desta solidão a que me submeti, a este introvertimento doentio incompreendido por quem quer que seja. Este não é o meu caminho, mas não tenho coragem para tomar outro. Talvez seja demasiado tarde para optar por outros caminhos. Não posso voltar atrás. Talvez uma solução fosse esquecer tudo, mas como posso esquecer tudo estando no ambiente causador de tudo aquilo que se passa comigo? Não tenho forças nem esperteza para lutar contra as causas que me ensombram: as pessoas. Não me adianta escrever, não me adianta espernear. Incompreendido, louco, assim sou eu. Assim tenho eu que viver, com os meus medos incompreendidos pelos outros, com a minha inteligência descontrolada. Não tenho vontade de fazer nada. Tenho pena de tudo o que perdi, e de tudo o que perderei. O que é um homem sozinho? O que sou eu sozinho? Melancólico e isolado do mundo, num mundo completamente diferente, a acreditar num Deus que nunca mais chega, na perfeição que não devia ter desejado. EU SOU IMPERFEITO, O MAIS IMPERFEITO DOS HOMENS, só que há uma indiferença em relação aos outros, eu sei que sou imperfeito, eu tenho consciência daquilo que sou e das causas que me levaram a ser o que sou, no entanto estou impotente perante o que vejo impotente perante um destino, como que é o destino que me controla e eu não consigo controlar esse destino. Assim irei morrer, angustiado no meu silêncio, mais um que sofre por aqueles que não olham para o seu interior, e só provocam a destruição. No silêncio, nestas minhas ideias fechadas, louco meu Deus, louco por ter acreditado no sonho e não ter visto a realidade que se me envolvia, louco por ter estes olhos que não enxergam os homens, que tentam enxergar um Deus que nunca mais chegará. Tento fugir de mim a cada palavra, mas ironicamente cada palavra é mais um passo para que me incompreendam. Eles hão de me crucificar, faça eu o que fizer.
O homem [Em retrospectiva -2005-]
Todo o homem quer testar os seus limites, todo o homem tem atitudes auto destrutivas, como se a culpa estivesse nos outros, e muitas vezes está. Muitos homens são destrutivos exteriormente, aproveitadores de outros homens, de quem usam e abusam, se puderem.
As pessoas são estranhas. Serão eternamente estranhas. As coisas que fazem… só porque não querem render-se. Ainda bem que tudo é passageiro. E se a dor fosse algo inventado? Quando não existe uma dor física real o homem inventa-a. Era bom que estivesse-mos nos fins dos tempos. Será que disse algo de que não se quer ouvir? Será que os homens me vão abandonar? Homens que são tão fraternos, não têm a humildade de dizer ao próximo: ‘Na verdade, não posso fazer nada por ti’. Falam em paz, falam em amor, falam em justiça, em ajudar aqueles que mais precisam. Mas que pode fazer um homem por outro homem? Os homens saudáveis estão tão distantes dos doentes… Que poderão fazer eles pelos doentes? Onde está o respeito pelo doente, cada vez mais, hoje em dia? O Homem é um presumido, muito resumidamente é isso, um ser que pensa conquistar tudo com a sua capacidade de conhecimento. Tudo se rende à ciência, tudo se rende aos médicos, como se eles fossem Deuses, como se eles pudessem curar os males da humanidade, que pensam ter explicação para tudo. Eles, médicos, simples homens com grandes conhecimentos como tantos outros homens. Eles, seres finitos, que pensam ter resposta para tudo, até para os males da mente. Se têm resposta para tudo porque não estou eu bem? Ou estarei eu mal só porque eles dizem? Eles, os inventores de conceitos de doenças que conseguem pôr as pessoas com doenças que na verdade não têm. Ele, os que conseguem induzir essas doenças. Porque insistem as pessoas em falar, só para não ficarem loucas.
Optimismo, péssimismo, medo, compreensão [Abril 2005]
Não sei quanto tempo me resta nesta vida. Talvez outro tanto ou talvez muito menos. Só sei que não ando bem, e já sei mais do que Sócrates (rir). Muita coisa foi perdida, muita coisa já não volta. Tenho medo do que se possa passar. E a tendência é para que se passe algo mais de mau do que de bom. Eu sei-o racionalmente, porque já compreendi muita coisa da minha vida e consigo prever o que se pode passar num futuro mais longínquo. Tenho medo da dor sobretudo, medo da loucura, essa dor descomunal de não estar em consonância com o mundo, de ser um mundo à parte e completamente esquecido, mais ainda do que da dor física. Tenho medo de ficar paralisado com uma consciência a infernizar o meu corpo, a minha infernal consciência, que é o que é a minha consciência. Como posso eu ser optimista se só vejo as coisas pela negativa? Não tenho capacidade para reagir ao stress e às coisas negativas. Como eu compreendo meu Deus, como eu compreendo o meu passado e o meu presente. Para quê a consciência das coisas, meu Deus? Para sofrer mais ainda.
sexta-feira, 18 de maio de 2007
INVERNO DE 2005
O frio tem sido muito nestes dias. O Inverno está no seu pico. O Inverno, a sua sombridão, já me disseram muito respeito, os meus sentimentos já foram muito influenciados por ele. Influenciados por ele e por muita coisa mais., incontáveis coisas. Mas talvez já não seja o frio que me traz aqui, esse fascínio pelas coisas da natureza tende a desaparecer, aliás, o fascínio das coisas exteriores ao meu ser tende a desaparecer. Talvez por que seja introvertido, talvez por algo mais, mais profundo e intangível. Talvez por uma “doença”, nas palavras de outros, um conceito demasiado pesado e que amarra uma pessoa, como um cadeado.
Cada vez as questões são mais, as ideias são mais e ao mesmo tempo desconexas. Elas aparecem por flashes, não têm continuação. Vêm e rapidamente desaparecem. O sentido emocional delas (das ideias) existe pouco tempo. A capacidade emocional que daria vida a essas ideias e as faria fluir coerentemente deixou de ser eficaz. A ligação emocional, em sociedade é das coisas mais fantásticas que existe, o absorver as energias sociais que nos envolvem, sentir o fluir dos sentimentos, ser capaz de transformar todo esse envolvimento, nessa ligação, em algo concreto e novo e ser capaz de influenciar esses que nos envolvem. A perda dessa capacidade de ligação, dessa sintonia com os outros é um problema a que se deve dar atenção. É – se rotulado imediatamente de doente, por aqueles a quem se chamam de ‘normais’. Mas não sei ainda se haverá regresso ao que se foi, uma vez transpostas certas barreiras.
Os meus ideais vão contra os do mundo em muitos e muitos aspectos. Redescubro, a cada dia que passa, a verdadeira dimensão da minha maneira de ser anti – – social. Mas isso tem uma razão de ser, essa minha maneira de ser tem uma causa, o facto de que o ambiente social que me envolve tenha atentado contra o meu ser (indirectamente que fosse), daí a minha atitude anti – social. E eu estou contra esta sociedade que cria injustiças e que atropela todos aqueles que não conseguem acompanhar o seu ritmo. O respeito já não existe neste mundo do ‘faz ver’. Estão uns a passar por cima de outros. Não é que eu queira uma sociedade em que seja em tudo igual, a diferença há – de existir sempre. Mas gostava que existisse o respeito pelo homem que é mais fraco ou que defende outros ideais, isso seria liberdade. Mas se bem que não se mata fisicamente os outros, há no entanto, uma forma muito mais refinada de os matar, vivos fisicamente mas mortos psicologicamente. E essa forma é a da estupidificação do homem, que vive a acreditar que o mundo é o que certos homens, que descobriram certos poderes, contam e fazem parecer. Querem fazer ver a esses estúpidos zombies, que o que se vive noutros lugares é que é o verdadeiro viver, que o sexo que eles mostram é o verdadeiro sexo, querem pôr todos os homens a sonhar, e põem – nos de tal modo que esses homens estupidificados não vêem que a terra que os envolve está a desabar.
A luta pela sobrevivência e bem – estar tornou-se em algo mais refinado. E isso faz-me pensar no poder da palavra e da imagem. Mas penso também em algo mais, alguém poderá controlar tudo o que se passa no mundo? Serão certos homens responsáveis pelo que se passa no mundo ou poderemos dizer que o homem não pode ser responsabilizado pelo que faz visto ele agir segundo imensas variáveis que o fazem agir? Será possível saber se esses homens a quem homens lhe deram o poder agem com consciência do que estão a fazer ou agem pela ambição instintiva de controlar os outros, como meio da sua própria sobrevivência até, ou ainda, agem para provar a eles mesmos de que têm um grande auto – controlo, visto cada homem precisar de se sentir aprovado pelos outros o seu coerente auto – controlo e mesmo sabedoria?
Uns viram-se para o exterior e descobrem o que os envolve e outros viram-se para o interior e descobrem quem são na verdade, e acho que ambas as atitudes devem conduzir a um mesmo fim, à descoberta de que o Universo exterior será idêntico ao Universo interior. O Universo exterior será gerido por Deus. E esse mesmo Deus deu-nos o Universo interior para nós gerirmos. As coisas exteriores dizem respeito a Deus que tem o poder de regular as coisas interiores também, e nós poderemos mexer nas coisas interiores apenas, já que as exteriores nos transcendem. O que poderemos fazer exteriormente a nós é uma contingência de Deus, por isso todas as coisas exteriores são passageiras, mas acho que a nossa energia interior é a coisa que perdurará nos confins do Universo exterior, o Universo não será o mesmo com a nossa (boa) existência interior, quero acreditar nisso.
Tudo tem uma razão de ser. Muitas das vezes ficamos irados com o que se passa, mas sem razão. E toda essa ira só nos trará frustração e mal-estar. Talvez eu seja uma vítima da minha própria ira não projectada no exterior. Talvez eu seja vítima de muita coisa passada à qual já lhe perdi o conto. Talvez eu seja o bode – expiatório, mas ainda continuo a resistir, apesar de tudo (por quanto tempo mais?). Forte não é aquele que opera grandes mudanças sem oposição, forte é aquele que, apesar do peso que tem em cima, consegue escalar a montanha e ir contra o próprio peso. Eu fui forte, se ainda não o sou, por causa da oposição, eu sem consciência fui contra tudo, porque acreditei que estava certo no meu ideal. Sei que certo não estaria completamente, talvez longe disso, mas decerto bastante certeza tinha.
Esquecer o que é negativo [Em retrospectiva- 2005]
Esquecer tudo o que é negativo. É um dos aspectos que tento implementar. Escrever menos, para não estar sempre a bater na mesma tecla. Mas de qualquer modo não consigo deixar de estar preocupado com tudo o que me rodeia. Antigamente era mais por uma causa geral, todas essas preocupações, mas neste momento, são mais por minha causa, pela minha sobrevivência, pelo meu bem – estar. Se bem que me entristece saber que tudo ruma para um fim. Primeiro virá o meu fim, mas o fim do mundo caminha a um ritmo muito mais rápido também. E fico triste ao saber desse fim, de que tudo o que era belo e perfeito vai ser destruído progressivamente pelo sonho do homem, pela busca desenfreada de poder, que acaba por ser uma causa de sobrevivência também, num grau de inteligência, cada vez mais, superior.
Há a sensação de que cada vez menos posso mudar-me, uma sensação que contrasta com a de quando estava a crescer e que me parecia que podia ser o que quisesse. Sinto as coisas por flashes e imagens que transitam muito rapidamente na minha mente, rápido de mais para eu as poder descrever. E eu compreendo, compreendo muito do que me rodeia, a essência das coisas, mais do que a simples aparência. Mas para que poria eu o mundo em causa? Para que desejaria tocar o infinito? O que me levou a tudo isso? De que serve ser-se mais inteligente se não se puder pôr isso em prática? Quem somos nós para dizermos que somos mais inteligentes do que outros, próximos de nós, se essa inteligência não nos torna auto – suficientes? Toda a vida só faz sentido em partilha com os outros, e mesmo, por maior inteligência que tenhamos, ela só faz sentido com a inteligência dos outros, a interacção com eles, com essas inteligências. E essa é precisamente a minha falha, a interacção com os outros é reduzida. E eu sinto a falta do contacto humano, sinto a falta de acreditar em alguém, do toque de outra pele, de conseguir olhar nos olhos de alguém que me olhe nos olhos com verdadeiro sentimento de que gosta de mim. Quanta gente gosta de mim, mas eu não posso ceder facilmente porque, muitos só gostam de mim por não lhes fazer frente e só querem aproveitar-se. Se eu conseguisse discriminar esses gajos, mas eu não consigo distinguir, tudo me parece com o mesmo interior, como o meu que é humilde, razoável, benfeitor, mas agora sei que isso não é verdade, as pessoas são todas diferentes, ou seja, já sei há muito que sou único, mas é como se não quisesse acreditar. Não acredito no homem como capaz de levar toda a vida a rumo certo. Acredito na diferença do homem que é cada vez maior, mais individualista.
E eu pus em causa o mundo e pus em causa a mim próprio. Atentei contra Deus pensando eu que o estava a testar, mas quem foi testado fui eu. Deus existe. E quando digo ‘atentei’, digo-o no sentido de provocá-lo dentro do meu pensamento, a que ele se manifestasse para mim, para que se mostrasse, para que me dissesse como era Ele, para que me falasse. E neste momento compreendo quem é Deus, se bem que não sei, nem sei se saberei, quais são as suas intenções para com o homem e o seu futuro. E sei que Deus neste momento me tem com Ele, sei que tenho muita pena de não poder estar com os homens. Neste momento tenho um pensamento esquizofrénico para o homem. Talvez os loucos e os doentes e deficientes estejam com Ele, conscientemente. E eu dizia no meu pensamento: ‘Se Deus existe então que eu morra já aqui’. E eu tornava-me cada vez mais forte interiormente, mas era uma falsa força. Desejei imenso que Deus me falasse como fez a tantos, como dizem as escrituras. Lembro-me de estar deitado, olhar para a pequena janela do meu quarto e imaginar como seria ver Deus, e o bom que seria vê-lo. Mas sentir Deus, dentro de nós, pode ser avassalador. Pode ser uma verdadeira depressão que parece nunca mais ter fim. E estar ao lado dele, observar o mundo segundo a sua perspectiva, pode ser horrível, ver tudo aquilo sem conseguir entender…
segunda-feira, 30 de abril de 2007
Ir ou continuar?
A verdade é que não tenho soluções para te dar mas tenho questões que se podem e devem colocar a cada um de nós que é assaltado pelo espectro da morte, que ate podem só fazer sentido para mim. Quantas vezes me assaltam ao pensamento, nas horas em que sinto o vazio da minha vida, as perspectivas da morte, analisando-a de todos os ângulos. Pergunto-me: Haverá algo que me prenda na vida daqui a uns anos, onde a solidão tende a lavrar o meu caminho? Nascemos nós nesta vida para o outro? Só devemos viver se for por causa de outro que nos ama? Não poderei e deverei encontrar a felicidade em mim antes de tudo e qualquer coisa? E mesmo que não a encontre em mim não deverei lutar até ao fim, buscando-a? Ou deverei desistir e acobardar-me perante aquilo que não consegui fazer, que não consegui alcançar? Será a morte uma melhor alternativa à humilhação certa que todos os condicionamentos nos podem trazer? (E nisso a religião cristã ensina-nos a sofrer como Cristo - um símbolo do sofrimento - sofreu, até ao fim, e diz-nos que a verdadeira felicidade não a encontramos neste mundo – Mas isso já é metafísica). Será que a felicidade se encontra no ideal do mundo hodierno, um ideal do “faz ver”, um ideal da riqueza, um ideal sexista, um ideal do culto da personalidade, um ideal do ‘bem sucedido’? Será que não poderemos viver se não cumprirmos tal ideal? Qualquer um de nós merece viver, sempre. Deverá haver sempre um lugar para nós neste mundo de liberdade, por mais simples, pobres e ingénuos que sejamos e ninguém nesta terra é Rei deste mundo para nos tirar esse lugar. Depois de tentar analisar ao máximo os ângulos da minha vida, vejo que ainda não chegou a minha hora, apesar das humilhações por que possa passar, das depressões que possa já ter tido, dos insucessos que tendem a derrotar-me, eu ainda vivo, porque a minha vida tem uma razão de ser mesmo que eu não a vislumbre. E se um dia eu deixar de ver essa razão eu no entanto ainda viverei, nem que seja pelos pedaços de terra que trilhei, pela alegria genuína algumas vezes sentida no longínquo tempo que não volta. Essa foi a minha vida, essa será a minha vida, essa é a minha vida.
quarta-feira, 18 de abril de 2007
Encontrado
O desejo de ser encontrado por esse teu sorriso, esse teu olhar profundo e discreto, essa tua beleza, única, é imenso e me encontro com teus olhos a todos os momentos, sem os saber medir. Medir esse teu visual é possível, mas o teu interior é incomensurável, esse interior que transparece em cada palavra tua, esse teu desejo de me encontrar. Enfim, sei que gostaria de ser normal, não sei se algum dia o serei, mas a força do teu olhar é ânimo na minha alma para eu um dia me tornar num ser mais sereno e satisfeito, satisfeito estou por te ter encontrado. É bom saber que para ti não fui mais um número, nesta imensidão de pessoas que nos envolvem, de mensagens que nos cercam, é bom saber que me encontraste e eu te encontrei, é bom ser teu amigo. Eu prezo os meus amigos, todos os que me abordam sabem disso e gostavam de ser meus amigos, mas tal é impossível, só alguns, só alguns, os especiais.
Depois de tudo pelo que passei, a solidão e a loucura da qual me apoderei, encontrei na sorte mais um pouco de inteligência, coragem e juventude; ou então é tudo uma ilusão desta breve calmaria – Mas que esta ilusão dure para sempre! Eu sou aquele que procurava e normalmente não encontrava, e eu era o encontrado que não se procura. Mas agora que encontrei amigos, se amigos eles realmente não forem, hei-de ter-te a ti, aquela que me desejou encontrar, me resolveu animar e fazer acreditar que amigos pode havê-los, poucos mas que o são por algum motivo. Sê tu o brilho que me ilumina nesta escuridão, dá-me luz e mostra-me o dia como nunca eu o vi, faz com que seja eu, realmente, o encontrado que se procura, tal e qual filho pródigo que regressa a casa. E juntos, amigos, seremos mais felizes e mais fortes.
A melancolia varre os sentimentos
A melancolia varre os sentimentos, invade o espírito se a gente deixa. Eu deixei, talvez não consiga ter evitado. Mas gostava que este estado mudasse. Gostava de falar, de dizer algo com sentido. Mas o sentido está sempre a mudar, daí que ache que tanto dá dizer como não dizer. O que interessa é a sintonia das pessoas, que se tende a perder. As pessoas cada vez menos sabem amar, cada vez menos querem amar. Ou será de mim? Talvez seja de mim. Mas tudo tem um fim, e isso é a única coisa que me satisfaz, que depois da dor venha a acalmia eterna. Temo pelos que cá ficam, que poderão ter muito a sofrer. Mas para já temo por mim, pelo tempo que ainda cá hei-de estar. Só peço a Deus que se a minha vida não puder ser melhor do que foi até agora, ao menos que não seja pior. Eu não estou na sintonia que quero. Ultrapassei uma barreira que não devia ter ultrapassado para ser normal, nasci numa altura e num ambiente que me condenou à diferença. Assim sou eu agora: diferente. Tanto que sonhei com um amor, que desilusão, só por causa da minha diferença. E depois tornei-me num anti-social, mas toda a raiva investida no mundo se voltou contra mim. Que obcecação por paixão e amor. Tanto sonho, tanto platonismo. Mas este mundo é cada um para si, não há pais por filhos. Salve-se quem puder. E a loucura? Tão perto dela, tão perto do infinito, podê-lo tocar mas não poder dispor dele a nosso belo prazer. A apatia torna-se enorme. As pessoas não compreendem, esse é o mal. Se elas entendessem. Talvez não haja uma só compreensão. Eu apenas vejo o mundo à minha maneira, compreendo-o segundo aquilo que sou e segundo a minha experiência. Mas a minha perspectiva do mundo é muito importante. Este mundo é para usar, o fim é certo. Mas então o sentido da continuidade não existe. Tudo é bom porque o sentido está no fim de tudo, no auge de toda uma vida. O sentido está na despedida e no reencontro, no adeus e no olá. Só no fim de tudo encontramos o prazer nunca até então entendido, só no fim ou no final das coisas em que fazemos um rewind (puxar atrás a cassete) e as sentimos a percorrer a nossa mente a uma velocidade fulgurante, à velocidade da luz. Eu queria ser uma pessoa especial, e sou. Mas não passo mais de uma simples pessoa, um grão de areia de praia neste infinito Universo.
quinta-feira, 1 de março de 2007
sentido [96/97]
Sentido. Palavra tão importante. ‘Sentido’ faz-nos lembrar o básico para se viver normalmente bem. Faz-nos lembrar, por exemplo, os cinco sentidos, essenciais para o bom sentido de orientação na vida tão cheias de trampas, problemas, labirintos, enfim, todo um conjunto de situações que os põem à prova. Aqueles que melhor sentidos tiver vencerá. Da mesma maneira que falamos dos cinco sentidos, assim poderemos dar outro sentido à palavra sentido. O sentido da vida. De tal maneira importante, que até talvez, o ponha à frente do valor dos cinco sentidos. Toda a pessoa que dá um sentido à vida, vive-a de determinada maneira em harmonia com esse sentido que lhe dá. Toda a pessoa que ainda não encontrou o sentido da sua vida vive desorientado, olhando para o sentido que os outros dão à vida e desprezando essa vida porque precisamente, a dele não tem sentido. E ao falar de sentido da vida, de uma criança, por exemplo, pode ser o de ter carrinhos para brincar, pais que o amam, ou seja, são certas coisas que dão sentido à vida, que a preenchem, que dão prazer. Pode acontecer que em certas alturas tenhamos o sentido de viver e outras não. Isto deve-se ao facto de que as mesmas coisas não nos dão sempre o mesmo sentido. Aquilo que já alguma vez o deu deixa de dar e a gente procura, então, outro. E ele, será mais importante do que os cinco sentidos, porque sem ele os cinco sentidos sentem-se perdidos, desorientados. Sem ele uma pessoa pode destruir estes e a vida. Procuremos o sentido da nossa vida, nem que ele seja o de dormir, mas se isso nos dá prazer, que seja então esse. Sem sentido é que não! E porque ‘sentido’ está associado a orientação e ‘sem sentido’ a desorientação, então é melhor que o haja. O sentido da minha vida?! Dormir, ter amigos, estudar, passear, pensar, divertir-me, outros.
sábado, 17 de fevereiro de 2007
Falar [2005]
Tenho medo de falar. Como se tudo o que falasse me acabasse por fazer mal. Como se falasse só coisas que me fazem mal.
(Dias depois, continuação). Talvez elas (as palavras) possam fazer mal. Elas têm esse poder de fazer bem ou fazer mal. Mas elas também só fazem sentido
domingo, 11 de fevereiro de 2007
Eu e a minha vida [abril 2005]
Não sei quanto tempo me resta nesta vida. Talvez outro tanto ou talvez muito menos. Só sei que não ando bem, e já sei mais do que Sócrates (rir). Muita coisa foi perdida, muita coisa já não volta. Tenho medo do que se possa passar. E a tendência é para que se passe algo mais de mau do que de bom. Eu sei-o racionalmente, porque já compreendi muita coisa da minha vida e consigo prever o que se pode passar num futuro mais longínquo. Tenho medo da dor sobretudo, medo da loucura, essa dor descomunal de não estar em consonância com o mundo, de ser um mundo à parte e completamente esquecido, mais ainda do que da dor física. Tenho medo de ficar paralisado com uma consciência a infernizar o meu corpo, a minha infernal consciência, que é o que é a minha consciência. Como posso eu ser optimista se só vejo as coisas pela negativa? Não tenho capacidade para reagir ao stress e às coisas negativas. Como eu compreendo meu Deus, como eu compreendo o meu passado e o meu presente. Para quê a consciência das coisas, meu Deus? Para sofrer mais ainda.
O que interessa nesta vida é não sentirmos a solidão. O que interessa é estarmos ligados a outros, haver quem seja afim connosco e com quem possamos compartilhar os nossos sentimentos, alguém que entenda os nossos sentimentos. Mas porque será que eu não consigo essa ligação? Mas também é verdade que são os outros que nos podem infernizar a vida. A incompreensão dos outros pode fazer-nos muito mal. Muitas vezes até nos querem fazer bem, mas acabam por nos fazer mal, porque não compreendem.
Muitas vezes penso: é como se não tivesse passado. Lidei já com muitas pessoas e das pessoas com quem lidei, é como se não tivesse feito laços com ninguém. Muita da gente ficou esquecida, inclusive. Mas se do exterior não consigo lembrar muita coisa, já aquilo que senti permanece muito vivo dentro de mim, de maneira que aquilo que senti já faz muito tempo é como se tivesse sido há bocado. Talvez mesmo isso seja uma perspectiva dos meus problemas emocionais: não conseguir desfazer-me de sentimentos já muito antigos e que não deviam fazer sentido agora e dos quais já não me devia lembrar. Ultimamente tenho tido a visão de que aquilo que sou agora já foi construído desde muito lá atrás. Por vezes vejo tudo o que me trouxe até este momento num flash. Às vezes penso que os meus problemas passam por más gestões de emoções e sentimentos. Sou uma pessoa que absorvo muito o mundo (agora já nem tanto) e que exprimo pouco, mesmo muito pouco, daquilo que sinto. Sempre fui muito fechado. Esta grande acomodação sem o esvair de todo este manancial energético leva-me a um enorme desequilíbrio. Cresci muito sozinho, daí que me habituei à solidão e não a estar com as pessoas, como se fosse um bicho-do-mato. Se fosse noutros tempos em que não existia este mundo de comunicação eu seria uma pessoa mais feliz, porque estava bem enquadrado. Agora pede-se que as pessoas sejam extrovertidas e eu sou o oposto disso. Eu não consigo abrir o bico no meio das pessoas. Tenho uma enorme repressão que não me deixa sair desta concentração maluca. E acho muitas das vezes que não conseguirei sair dela. Só consigo cultivar os sentimentos interiores sem parar, este mecanismo de autodestruição tornou-se automático. Mas por vezes ainda acredito, se bem que cada vez menos.
Eu fugi às leis do mundo. Eu tenho medo de fazer o que quer que seja, tenho medo de ficar louco pelo que digo e tenho medo de ficar louco se não o disser. Eu não sou capaz de descontrair, como se fosse um fugitivo com medo de ser apanhado e de voltar para a prisão. Puseram-me de parte e eu reagi não aceitando as leis do mundo, ou melhor as leis do homem. Eu perdi a capacidade de sorrir. Até posso estar certo em relação às coisas que sinto e ao meu pessimismo e à minha interpretação do mundo, mas quem sou eu para contrariar aquilo que a maioria diz, sente e interpreta? Às vezes a única coisa que me satisfaz neste mundo é saber que tudo tem um fim, é saber que esta vida é passageira.
Vulnerável
Sinto-me miserável, na hora em que estou a escrever isto. Miserável no sentido de me sentir mal, vulnerável, fraco, com as forças que restam a esvair-se sem conseguir ter mão disto, ter o controlo de mim próprio. Já passei mal, e vi e vejo que as pessoas desprezam os males da mente, não querem entender os que padecem de tal, a sobrevivência deles assim lhes faz agir, compreendo-os. Eu é que entrei por caminhos que nao devia. É uma dor estar dessintonizado com o mundo, com as pessoas que me envolvem principalmente. É uma dor andar perdido na minha mente, sem encontrar saida. Tudo o que aprendi naturalmente tende a perder-se, e a genuidade dos sentidos dá lugar a um sentir apenas racional, mas emocionalmente apático. As minhas expressões físicas estão num mau caminho. A minha vida tende a descambar cada vez mais, neste isolamento intenso. A coragem tende a diluir-se. E a pergunta fica: onde irei eu parar? Só me surgem as piores imagens.
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
Semblante pesado [Agosto 2005]
De semblante pesado ando. Ensimesmado nos mesmos e intensos pensamentos negativos, a absorver o que é negativo. O raciocínio não anda a funcionar correctamente. Os medos apoderam-se de mim e deixam-me em pânico, k.o. Pelo que o desgaste nervoso para fazer qualquer coisa, que exija contacto social, é imenso. Só estou bem sozinho e no entanto sinto uma imensa necessidade de convívio, de estar com outros. E Quando chega a hora de estar com outros, não consigo devido aos preconceitos negativos que se formaram na minha mente acerca da minha prestação social, o semblante fica carregado, não consigo interagir com os outros. E eu afasto-me cada vez mais das pessoas, e elas afastam-se cada vez mais de mim com o tempo, o que eu compreendo. Primeiro era a minha fobia social, agora é mais do que isso, a fobia trouxe outros problemas, como dificuldade de raciocínio e expressão devido ao meu crescente isolamento e fechamento, além das dificuldades de expressão e fechamento que já tinha. Talvez já tenha dito isto, a apatia tende a subir. As coisas repetem-se com o tempo, invariavelmente, não consigo romper com este ciclo.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Rótulos
Já me rotularam, penso. Talvez eles me tenham rotulado de doente, com alguma desses nomes estranhos que os saudáveis não querem nem saber o que significam. E a verdade, o que eu tenho a dizer em relação a isso, é que na verdade talvez tenhais razão, Vós homens que tudo classificais, eu não estou bem, mas gostava que não me rotulásseis com nomes que denotam conceitos estereotipados em relação ao que realmente se passa comigo. Até podeis dizer que eu sou esquizofrénico, mas se é isso que achais que sou, porque tenho eu obrigatoriamente de ter os sintomas que alguém definiu como sendo parte da esquizofrenia? Será que eu ouço mesmo essas vozes que alguém diz que os esquizofrénicos ouvem? Haverá duas pessoas iguais, de modo a que haja um padrão na maneira de sentir da condição humana? Talvez a mente humana seja como os automóveis, há algo que todos têm como sejam as rodas, o chassis, mas os modelos variam sempre dentro da mesma marca assim como há marcas diferentes. Mas mesmo dentro do mesmo modelo e marca apesar de todos serem idênticos à partida quando são feitos eles acabam por não durar o mesmo tempo nem se comportar da mesma maneira ao longo da sua vida, e isto depende de quem o utiliza. Talvez a esquizofrenia seja como os automóveis, igual à partida (denota um chassis danificado e uma rodas de madeira, ou seja, o esquizofrénico tem uma mente como se fosse uma carroça puxada por vacas, enquanto que uma pessoa normal já tem um carro movido a combustível) na aparência dos sintomas, mas não igual na maneira como é utilizada. Talvez a mente de um esquizofrénico seja uma mente inadaptada à realidade que o envolve (o carro puxado a vacas está inadaptado para o momento que o envolve, em que se utilizam quase totalmente carros puxados a combustível, mais rápidos e eficientes). Eu fui uma pessoa normal já um dia. Houve uma altura em que a carroça das vacas era o que estava na moda. Simplesmente não soube evoluir com o tempo e quando dei conta vi que eu ainda usava uma carroça de vacas. Tentei evoluir rapidamente, mas como posso eu deixar essa carroça e empenhar-me em adquirir uma coisa que não sei conduzir? Terá que se remodelar a mente.
Deixando de divagações sem sentido, ouve um momento, há poucos anos atrás, em que a minha mente parece que se desintegrou completamente. Eu perdi o controlo do meu próprio corpo. Possuíram-me ansiedades intensas que se tornaram mais tarde em fobias intensas logo de seguida. Até esse momento eu fui aparentemente uma pessoa normal. Mas a partir daquele momento de desintegração da minha mente eu não fui o mesmo. Sei agora que eu aguentei até às últimas consequências uma maneira de ser que estava desajustada com o mundo e que despoletou naquele momento. Não podemos só absorver o mundo, não podemos só produzir para o mundo o nosso ser, tem que haver uma gestão adequada do que entra e sai da nossa mente e do trabalho do nosso pensamento, que foi o que me faltou.
quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
A perfeição é finita
Já um dia quis ser o mais perfeito possível. Mas descobri que a finitude do nosso ser não nos permite isso. Apesar do homem ter construído um mundo fantasticamente humanizado, nunca o mundo foi tão imperfeito, funcional mas não perfeito. Talvez tudo o que existe já tenha sido perfeito, e perfeito foi estar
A exploração do mundo, se assim continuar, vai acelerar o fim. A solução pode existir ou não. Se os homens se unissem para preservar a natureza, mas nada acontece porque um homem quer, as variáveis são muitas.
sábado, 2 de dezembro de 2006
Questões
Personificação do medo, bode expiatório da vida de outros, é o que se é. Sugados até ao tutano, retiram-lhes todas as energias que possuem. Vampiros. Não conseguindo distinguir o bom do mau, o certo do errado, como se pode viver assim? Terá o homem culpa do que se é? Como se pode viver sem falar? Como se pode dialogar se na hora de falar não se fala, não se pensa, nada? Fujam das dificuldades, façam ver que tudo está bem enquanto puderem. O caminho é irreversível. É único. É difícil de compreender. Porque não choras, pequeno ser? Quem te proibiu de chorar? Porque querem os homens fazer de ti um louco? Porque és a personificação da loucura? Quem te roubou a paz? Porque parece que nada passa. Ainda bem que nada é eterno, o eterno desvirtualiza. Porque têm pena de ti? Será que têm pena de ti? Ou será que te odeiam? Ou será desprezo? Ou será tudo pelo contrário do que foi dito? Fantástico mundo de interligações, até onde se poderá ir? Estará a destruição iminente? Estará ela mesmo já a vislumbrar-se? Que mais há para se ver?
Quem ler o parágrafo anterior poderá ver uma escrita de loucura, um completo alheamento do mundo que nos rodeia, da realidade envolvente, uma completa marginalização e um certa aversão pelos homens. Quem ler o parágrafo anterior poderá ficar com uma ideia errada de quem o escreveu. Ele dá lugar ao pessimismo, à tristeza, ao ódio pelo ser humano. Quem poderá imaginar que já um dia se amou a humanidade, se teve um incomensurável optimismo? Quem não poderá magoar este ser sensível? Como é possível ser-se sensível?
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
Estado de espirito
Estamos em 2006. Se fosse há uns anos atrás diria que era um ano de esperança. Neste momento não posso dizer isso. A vida mudou, eu mudei, eu sei mais do que o que sabia, e já passei a barreira dos 20, o limite possível daquele período de crescimento, de esperança e fascínio pelo mundo e pelo Universo físico e social. Na verdade ainda tenho fascínio, mas por outras coisas, talvez possa dizer, mais sublimes. O Universo físico e social foi uma decepção para mim, vi que o mundo não era tão bonito como o querem pintar e socialmente falhei também. Tive que mudar a minha interpretação do mundo e os meus esquemas mentais, os alicerces segundo o qual foi feito o primeiro edifício foram deficientemente construídos. Estou construindo um segundo edifício neste momento. É claro que não pode ser de raiz, tenho que utilizar os alicerces físicos de origem, dar-lhe um pouco mais de resistência e continuar esta construção imparável. Quanto aos alicerces psicológicos, também tenho que utilizar muito do que foi construído, não posso negar o meu passado nem esquecê-lo simplesmente, tenho que deitar abaixo certas estruturas não vitais e seguir a construção. Tenho consciência de que este edifício já não vai ficar dos mais belos mas espero que fique pelo menos resistente para que não desmorone como o anterior. Ao fim e ao cabo o edifico é o mesmo mas com partes reconstruídas.
O movimento é constante, quer a nível da matéria e organismo, quer a nível das ondas e do pensamento. Não há nada parado no sentido literal do termo. Os científicos descobriram que o protão, o factor contrário ao electrão num átomo, é dividido ainda mais por dois outros factores, julgo que lhe chamaram ‘quarks’, quando se chegou a pensar que o protão seria indivisível. Isto para dizer que o pensamento e o organismo humano não param, são dinamicamente estáveis, estão em equilíbrio mas não parados. E com isto dizer também que é a resistência ou o reaccionar (responder) mal a determinado sistema que nos quer fazer ‘mover’, quer a nível do pensamento ou quer a nível do organismo ou de ambos, num determinado objectivo (modo) que nos provoca mal-estar. Assim, podemos pensar em exemplos, que podem ser explicados pelo que foi dito: o caso da ansiedade, porque ficamos ansiosos? Porque há um bloqueio de qualquer coisa, quer física (referente ao organismo) quer psicológica (a nível do pensamento ou da mente), ou seja, porque não há resposta, ou ainda porque há uma resposta inconsequente, não ‘desejada’ pelo sistema. Sejamos mais concretos com o que se passa com a ansiedade: segundo o que eu já senti, descobri conscientemente (o que pode não ser novidade para outros) que fisicamente o que se passa comigo quando fico ansioso é que há um suspender da respiração, além de conseguir antever outras modificações orgânicas que não consigo explicar inteiramente. E mesmo que eu dê conta que suspendi a respiração e a queira retomar conscientemente há algo que não se controla, uma ordem ‘superior’, vinda da mente, que faz com que a circulação do sangue diminua e mesmo forçando a respiração, essa ordem, talvez imposta na mente forçadamente ao longo do meu crescimento, é mais forte e não pode ser contrariada de um momento para o outro, ou seja, da mesma maneira que foi introduzida na mente (ao longo de bastante tempo) assim terá que se fazer para reverter o processo (com tempo e persistência, acredito), forçar a respiração e ‘reprogramar’ a mente para que deixe responder o organismo adequadamente. Por outras palavras, o sistema (organismo humano) necessita de oxigénio para as suas células sobreviverem, logo precisamos de respirar, e quando nós suspendemos essa resposta esperada pelo sistema estamos a criar a ansiedade. Mentalmente, o que se passa com o pensamento é que o pensamento consciente pára e dá lugar ao aumento de pensamentos inconscientes, eu perco mesmo o fio à meada da conversa que o outro está a dizer e perco partes dessa conversa a tentar controlar essa ansiedade. Assim passa comigo e acredito que assim se passa com muitas das pessoas que são fechadas e que não deixam fluir os seus sentimentos no momento (sistema) em que estão inseridas. Os bloqueios são do pior que pode haver, tentar travar um sistema pode ser muito perigoso, quando esse sistema é mais forte que o bloqueio, em lugar de se aniquilar e se destruir para dentro sem consequências exteriores ou com consequências exteriores mínimas, ele irá rebentar e irá provocar um conjunto de reacções em cadeia que irão alterar muito mais outros sistemas
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
redenção
Diz-se qualquer coisa. ‘Eles falam, falam mas não os vejo fazer nada… concerteza que fico chateado’. Diz-se muita coisa, demasiadas coisas. Uns querem mandar. Outros acham que são os outros que têm a culpa do que lhes sucede, os outros que mandam. Será possível ver as coisas pela perspectiva mais correcta? Poderá alguém ser responsabilizado somente por algo do que sucede a outros? Haverá um homem superior capaz de reger os destinos humanos e até do mundo? Haverá a perfeição? Porque querem os homens poder? De que serve estar alto no mundo para depois cair? De que serve o auge para depois ir para o abismo? De que serve o poder se depois a responsabilidade dos actos de quem os praticou é posta às suas costas? Será que se é capaz de se aguentar o peso dos destinos do mundo? Será que um homem pode com tal? Eu não quereria tal responsabilidade. Há homens, muitos homens, que agem convencidos de que estão a agir bem, há homens que fazem um mal tremendo pensando que estão a fazer bem. Se a esses homens um dia lhes for mostrada a verdade dos seus actos, esses homens irão arrepender-se até ao fim das suas vidas, e se eles ainda insistirem naquilo que vêem ser incorrecto, alguém (pessoa ou pessoas) de quem eles gostarem muito irá sofrer as consequências dos seus actos teimosos, e eles hão-de arder nos infernos. A semente que se deita à terra dará frutos mais cedo ou mais tarde. As energias que impulsionamos contra os outros são aquelas que virão até nós manifestadas de uma maneira ou de outra, assim: a) quem semeia ventos colhe tempestades; b) Quem cultiva as boas energias boas energias encontra.
Eu desisti de fazer algo, sinto-me impotente para tal. Eu lavei as minhas mãos perante a responsabilidade do poder. Eu apenas quero falar. Já tive tanta raiva contida, tanta contenção que me levou a desesperar. Tanta energia absorvida, tanta energia tão mal canalizada. Eu quero mudar. Eu quero achar os responsáveis por o que me aconteceu, eu quero redimir as minhas culpas, eu quero ser responsabilizado pelos actos que pensava serem os correctos e que afinal eram maus, quero encontrar os responsáveis pelo que me levou a fazer tais actos, o mundo tem que se redimir. Todos influenciamos e somos influenciados, todos somos os responsáveis pelas influências que temos nos outros, as influências negativas transformam-se em culpas, as positivas em poder, poder de impulsionar esses influenciados.