Player

Mostrar mensagens com a etiqueta sentido. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sentido. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Assuntos hodiernos

Hoje sinto-me internamente, subjetivamente, não manifestamente, eufórico no sentido que me apetece dizer algo. Imagens passam diante meus olhos manifestando-se apenas na minha mente de que algo de grande se pode verbalizar. O mundo está numa mudança acelerada, as nossas mentes andam aceleradas, embora nem todos tenham capacidade para gerir tais mudanças, eu, certamente, sou um dos que não tenho, mas, por breves momentos no tempo, quando me sinto especial novamente, até parece que realmente tenho capacidade e sou realmente especial; o que para mim é evidente, pois não posso escolher outra vida que não a minha, nem outro ser quem não o meu, nem outro tempo que não o que me é permitido viver. As mentes estão de algum modo conectadas, sinto-o, embora não consiga perceber de que modo o estão. Sinto algo fantástico que me é difícil dizer, algo que é sinónimo de compreensão mas que não consigo verbalizar - pensar coerentemente, segundo o senso comum não é comigo, é minha dificuldade original, logo é para mim evidente que o efeito de tal causa seja não conseguir verbalizar facilmente, o que lhe poderá parecer paradoxal ao estar a escrever este texto para si. Compreendo que neste mundo há perspetivas sem fim. Percebo que a minha vida é feita de dificuldades que jamais poderão interessar a alguém. Sei que há coisas que nunca deviam ser questionadas para se viver em conformidade com o ‘espírito da época’, vou chamar assim á usualidade psíquica dos tempos que correm em determinados momentos no tempo; Eu penso que questionamos sem saber o porquê disso, comigo foi assim, tudo começou e não mais parou - talvez a sobrevivência esteja em causa, e por isso o homem pensante pensa, para resolver a dificuldade vital; no meu caso, acomodando-me no certo e conhecido evitando o incerto e desconhecido, tentando ter o meu mundo sobre controlo. Imagino que tenho um deficit emocional, ou melhor, talvez uma perturbação emocional. Constato que o que se diz não sempre é o que se escreve, nem é sempre conversa útil, assim como, a verdade se tende a ocultar para apenas ser revelada aqueles a quem tiver de ser, e por consequência há quem diga e há quem faça, e fazendo mais um ‘mea culpa’: eu digo, não faço, eu vejo mas eu não tenho tato para fazer, nem coordenação psico-motora para executar determinadas tarefas, sobretudo em grupo. Sinto que a minha maneira de ser foge aos tramites da normalidade imposta, e que apesar de me trazer muitos prazeres particulares também me trás dificuldades próprias, não inteligíveis para outras/os pessoas/conhecidos, mesmo os mais próximos – ah! Como eu sinto o egoísmo que grassa pelo mundo! – Sei que sou diferente, sempre o disse que o sou, sei que todos nós somos diferentes, mas unidos por qualquer coisa, por aspetos físicos ou psíquicos, ou por uma mente universal que nos rege a todos em última instância, o topo da pirâmide, o lugar máximo da escala da vida -. Mas porque eu acho que entendo? Será que, realmente entendo muita coisa? Ou sou eu a imaginar que entendo? Se entendo os outros, porque os outros não me entendem a mim? Se não entendo, porque sou tratado como entendendo das coisas? Se entendo porque não tenho eu sucesso na vida? Sou diferente, mas até que ponto? Sou sensível, meu corpo é belo quando sigo em normal segurança pela vida – quando, por exemplo, não tenho stress em demasia, não tenho de apanhar sol a partir de uma tolerância muito baixa, quando não tenho de beber álcool, vinho ou cerveja, em algum encontro festivo em que se põe à prova as capacidades das pessoas, marginalizando (marginalizando-me eu próprio, duplamente), quando consigo alimentar-me normalmente – e, no entanto, não tão belo quanto digo, tornando-se mesmo uma chaga viva quando certas coisas que, para os outros mais fortes não causa sofrimento, a mim causa um sofrimento enorme; e no entanto sobrevivo; o psíquico torna-se mais estranho à medida que o tempo passa, porque, e é um paradoxo, mas parece-me que os males da psique não são considerados manifestamente males, mas feitios, ideias, atitudes que não se devem manifestar na cultura segundo a qual estamos a perspetivar esse ‘mal’ (atenção: não falo em ‘males da mente’ que é diferente, ‘mal da mente’ = problemas fisiológico/neurológico); já os males físicos (exteriores) são evidentes e aceites, relativamente aos interiores já pode não ser bem assim, o que não se vê põe-se em causa a sua veracidade, não é assim? Assim é com o psíquico, não se vê logo não se é para compreender, por quem não necessita de compreender porque, eu estou bem logo não sei o que o outro tem nem quer saber – para uma pessoa comum essa atitude é entendível, já para um médico que supostamente é para compreender e não compreende, isso dá que pensar; será que só interessa ganhar o dinheiro ao fim do mês? Deixo a questão, e digo que falo pelo que sinto em relação a duas médicas onde tenho ido; e vejo mais queixas por ai de gente que não é compreendida nos males que se tem, sobretudo psíquicos em que os médicos não são capazes de dar resposta adequada, longe disso, aos problemas que as pessoas, desesperadamente têm; e ainda, posso contar algo de concreto (embora não me referindo ao psíquico neste caso) - até já fiz um post sobre isso há uns posts atrás, em dezembro de 2013, http://johnybigodes.blogs.sapo.pt/65796.html -, em que eu fiquei a saber por mim próprio que era intolerante à lactose quando já me tinha queixado à médica por varias vezes que tinha mal-estar intestinal, e ela nunca foi capaz de se lembrar, digo assim, de me dizer isso: para evitar o leite. Agora já se fala muito nisso, e já se vai encontrando leite sem lactose. É lamentável acontecer isto, tenho sofrido muito mais do que sofreria na vida por tomar o leite e andar mal dos intestinos, se tivesse sabido há pelo menos 10 anos atrás… simplesmente não percebia o que se passava até que se fez luz. Realmente, as pessoas são irracionais em grandes aspetos da vida, neste mundo, deixem-me generalizar agora um pouco este aspeto (de irracionalidade) porque se recusam a compreender quando estão bem, nada é com elas: o mundo está a caminhar para pior, mas como ‘eu estou bem’ então nada mais interessa saber; é pena que isso aconteça….Se bem que por outro lado há aqueles que tanto poderiam fazer e simplesmente estão, sei lá, economicamente bem, não precisam de se preocupar. E isso leva-me a pensar afinal é verdade que pagam os mais fracos com a injustiça, os mais doentes, que ainda tem de trabalhar mais do que outros saudáveis, muitas vezes. Quem mais precisa é quem é explorado, e a pensar nisto penso também naquilo que me questiono frequentemente, porque acreditei em Deus? Porque não consigo, no entanto, não o negar (?), apesar de haver muitos mais indicativos de que o que ocorre nesta vida é um acaso do que uma ‘vontade maior’, em lugar de haver um Deus bom, que me querem fazer acreditar; vida, esta, num mundo magnífico onde os fracos tem a vida perdida à partida em lugar de ter um lugar reservado por Deus para uma eternidade nunca comprovada, num paraíso além-vida que será infinitamente incerto, vida, esta, onde a vontade do homem é negada à partida segundo uma saúde e uma série de vicissitudes que lhe ditarão o que vai ser, como se fosse um jogo em que quem não consegue jogar já perdeu mesmo sem nunca querer jogar. Podia falar ainda mais na falta de amor, de gente perdida, pessoas em número exorbitante, que falam ser protegidas quando nunca mais terão proteção, porque são elas mesmo fruto da desproteção e do desamor, da irracionalidade, ou tão-somente do acaso, de uma experiência da evolução, por exemplo. Continuarei a questionar-me sobre isto, possivelmente sem nunca encontrar resposta a estas questões, sofrendo sem perceber porquê, e no entanto agradecido a algo desconhecido, se assim for, porque sei que não sou o que sofro mais além de que me posso rever noutros sofrimentos que me dizem que não estou só, pelo menos não sou o único, porque aí qualquer um que esteja só com a sua maleita seria desprezível.
Acabei por não dizer nada do que queria =| …talvez diga o que quero depois de amanhã.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Não compreendo

        Buscamos respostas, e vamos encontrando, se não imediatamente pelo menos à medida que passa o tempo. Satisfazemo-nos com elas, quando entendemos a sua coerência e a relação com outros acontecimentos. Só que para mim, por vezes, essas respostas que tanto sentido fazem em determinados momentos deixam-no de fazer noutros momentos como se desse por errado aquilo que foi certo durante tanto tempo. E eu não compreendo - apesar de já ter havido momentos em que compreendi, pelo menos pareceu-me isso. Porque o sentido desaparece tal como a matéria arde e se torna em fumo? Será que existe uma ilusão muito maior do que aquilo que parece concreto? Não compreendo o porquê do paradoxo, da antítese que está subjacente ao que era para ser dado como certo. Nestes momentos não compreendo o comportamento das pessoas, nem me compreendo a mim, como se tudo tendesse a escapar, mas lá no fundo eu sei que tudo é feito para destruir os dados que provam o que é a verdade. Será a aniquilação da justiça que quer fazer perder a razão? Que força destruidora será essa que envolve a boa vontade?

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Momentos

      Um vazio tende a invadir-me. Tenho medo da apatia. Tenho medo de magoar e ser magoado. Tenho medo de olhar e de ser olhado. Tenho medo das expressões, não consigo entender a minha, não consigo entender se é a minha que provoca as dos outros se… só pode ser a minha. Sinto-me o culpado, o culpado de muita coisa, de coisas que nem eu sei que me dizem respeito (mas parece que o que quer que seja me diz respeito, eu sou o centro do meu mundo, e esse centro está descomandado), desta personificação da angústia que mora em mim, que absorvo dos outros, que provoco nos outros. Vejo a minha face reflectida na face dos outros como se eles fossem meus espelhos. Não sei nada neste momento, sinto-me confuso e tudo o que sei a certos momentos tende a cair por terra como se tudo deixasse de fazer sentido como um  moribundo, à beira da morte, como se a memória não me deixasse saber quem fui e quais são os meus objectivos. Apetecia-me desistir, fugir, esconder-me, sei lá onde. Pergunto-me quanto tempo vou aguentar. Se a pressão voltar sinto que vou ceder, mas vou tentar ser forte e ser digno. A minha expressão é de angústia. E tudo volta a mim, as expressões que eu transmito. Não compreendo o olhar. Navego apenas pelo sentir, pelo meu sentir tentando compreender o dos outros. Não encontro o meu lugar. E sinto tão intensamente quando em conjunto. Sei que não posso agradar a todos. Que angústia (!), vinda de tanta raiva contida. Procuro a quem posso culpar, procuro e não encontro. Nada faz sentido, como digo, em momentos como este. Nestes momentos, não sei o que me guia, quem me guia o que me faz andar aqui. Preciso do meu tempo, e o mundo não me quer dá-lo. Nestas horas não compreendo. Nestes momentos estou em branco. Nestes momentos apenas me lamurio para mim próprio, porque mais ninguém quer saber das minhas lamúrias. Nestes momentos sinto o tempo a perder-se, nestes momentos sinto o desperdício dos meus actos, nestes momentos sinto que estou errado mesmo que queira acreditar que estou certo. Nestes momentos todo o estímulo se esvai e me deixa no vazio das ideias. Sei que ninguém tem tempo a perder com palavras pessoais de um estranho que se chora para que se tenha pena dele, de alguém que ao ler dois textos se descobre logo o método de escrita e de expressão auto – comiserativa. Neste momento como tantos outros eu me exprimo assim. Sinto-me extenuado, facilmente me canso. Procuro constantemente saber a quem pertenço neste mundo, ou será que não pertencemos a ninguém? Sei que se eu não persistir eu ficarei só, mas se persistir nada mudará também para melhor, porque o cancro tende a destruir-me. Que estranho cancro este(!). Permitam-me ao menos eu dizer o que tenho para dizer antes de a minha hora chegar. O meu tempo chegou ao fim. Todo o tempo que virá, por acréscimo, já não me pertencerá, e todos os dias serão como se fossem os últimos dias da minha vida até que um dia o será mesmo. Não sei por que me consomes, mundo. Não sei porque me tiras e me dás apenas o que queres. Vejo o que vai no interior das pessoas, e por vezes isso é mais perigoso que o meu próprio olhar angustiado. Só queria poder respirar sempre. Porque me falta o ar? Como atrás de uma aparência forte e normal pode estar alguém tão fraco e carcomido? (!)Eu só… só queria dizer, só quero dizer que me apetece falar sem dizer nada. Preencher o meu tempo com palavras fúteis, sem significado, tal como o são certas conversas comuns - mas que alguns as são capazes de tornar tão interessantes, com todo aquele sentido emocional, toda aquela assertividade -. Como és capaz disso? Eu só queria poder sorrir, sentindo que me ria com alegria verdadeira, como a alegria que me invade, em pensamentos, a certos momentos. É melhor nem me conheceres, a não ser que queiras saber o que é andar na vida, angustiado. E depois têm pena, ou então pelo contrário, esfolam quando já está morto. Como o mesmo ser é capaz de tudo (!). Estou mesmo desenquadrado de tudo. Não sei que vazão hei - de dar a tudo isto que vai em mim. Ai do desespero que se apodera facilmente. Porque foge de mim a motivação? E se eu estiver mesmo errado? Que paradoxo este da vida e de tudo o que existe. Não sei se me respeitam se me odeiam, não sei quem são tais pessoas, e sei que a certas horas me odeiam e a certas horas gostam de mim e me respeitam. Mas afinal quem somos? Ou serei eu uma ave rara? Alguém que não tem cabimento neste mundo? Porquê a existência do descontrolo? A prisão em nós próprios? Gostava de ser alguém correcto, ao contrário de quem não foi para mim. Poder dar uma palavra de consolo. Mas, agora, é tarde de mais. O preconceito já foi criado e eu já não o posso mudar facilmente. Que seja cada um para si, então. E há momentos em que me sinto por inteiro, e de um momento para o outro deixo de me sentir. As ideias idênticas repetem-se sem fim, e o blog desgasta-se num conjunto de palavras. Cada vez sou mais eu, sem saber ainda o que isso significa, mas ainda tenho esperança de que um dia o venha a saber, ainda espero por esse momento ou por esses momentos.


   

domingo, 14 de dezembro de 2008

Tudo

Tudo é bom porque o sentido está no fim de tudo, no auge de toda uma vida. O sentido está na despedida e no reencontro, no adeus e no olá. Só no fim de tudo encontramos o prazer nunca até então entendido, só no fim ou no final das coisas, em que fazemos um rewind (puxar atrás a cassete) e as sentimos a percorrer a nossa mente a uma velocidade fulgurante, à velocidade da luz

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Síntese

 


 

 

                A síntese torna-se mais complexa que o todo. Um acto simples dá sentido aquilo que não o conseguiu dar toda uma história. Há todo um sentido que jamais se conseguirá sintetizar.

                Nesta luta constante pela vida, tudo é válido, quando na nossa é tocada. Atropelam-se amizades, sentimentos e altruísmos. Assim é o lado animal do homem. Mas há o lado racional. Há o lado da inteligência que tende a reprimir toda a animalidade e a tentar atingir o dom de Deus, querendo ser deusitos. E se o dom se torna oposição à vida, se a qualidade se torna em desprestígio, então não o chamaremos dom, chamaremos… sei lá, pobreza, excesso, deficiência, arrogância, infelicidade, debilidade, doença, lassidão, trilho de morte - Morte: A síntese perfeita, o acto simples, o sentido de uma vida que se sintetiza, o fim de um caminho que irá florescer quando a semente tiver sido lançada à terra. E mesmo já do lado de lá, uma lágrima do lado de cá rega todas essas sementes para que elas cresçam -. Através da racionalidade o homem tenta destruir a animalidade. Depois de emergir do silêncio da vida, ele tenta voltar a esse silêncio, mas não consegue, a racionalidade não o deixa, o caminho é irretrocedível. Mas encontra um outro silêncio, o silêncio da morte. A síntese desse misterioso caminho de verdade e de vida, a perfeita síntese.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

TU

                                                               TU




Nem que seja noite, no teu olhar acharei luz.


Nem que seja sonho, na tua mente serei realidade.


Nem que nada faça sentido, em ti ele existirá.


Nem que haja tristeza, por ti haverá alegria


Tu... eu... eu e tu, tu e eu.


Eu... sou eu. E tu?


Existo eu, logo existes tu.


E eu quero encontrar-te. Algures, quando essa névoa


cerrada que te envolve e indefine se dissipar.


Talvez num caloroso pôr do sol à beira mar, sentada,


a olhar, pensando num amor a encontrar.  

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Grito [2005]

         Apetece-me gritar bem alto, chorar até morrer, apetece-me fugir de mim e nunca mais ser encontrado. Fugir desta solidão a que me submeti, a este introvertimento doentio incompreendido por quem quer que seja. Este não é o meu caminho, mas não tenho coragem para tomar outro. Talvez seja demasiado tarde para optar por outros caminhos. Não posso voltar atrás. Talvez uma solução fosse esquecer tudo, mas como posso esquecer tudo estando no ambiente causador de tudo aquilo que se passa comigo? Não tenho forças nem esperteza para lutar contra as causas que me ensombram: as pessoas. Não me adianta escrever, não me adianta espernear. Incompreendido, louco, assim sou eu. Assim tenho eu que viver, com os meus medos incompreendidos pelos outros, com a minha inteligência descontrolada. Não tenho vontade de fazer nada. Tenho pena de tudo o que perdi, e de tudo o que perderei. O que é um homem sozinho? O que sou eu sozinho? Melancólico e isolado do mundo, num mundo completamente diferente, a acreditar num Deus que nunca mais chega, na perfeição que não devia ter desejado. EU SOU IMPERFEITO, O MAIS IMPERFEITO DOS HOMENS, só que há uma indiferença em relação aos outros, eu sei que sou imperfeito, eu tenho consciência daquilo que sou e das causas que me levaram a ser o que sou, no entanto estou impotente perante o que vejo impotente perante um destino, como que é o destino que me controla e eu não consigo controlar esse destino. Assim irei morrer, angustiado no meu silêncio, mais um que sofre por aqueles que não olham para o seu interior, e só provocam a destruição. No silêncio, nestas minhas ideias fechadas, louco meu Deus, louco por ter acreditado no sonho e não ter visto a realidade que se me envolvia, louco por ter estes olhos que não enxergam os homens, que tentam enxergar um Deus que nunca mais chegará. Tento fugir de mim a cada palavra, mas ironicamente cada palavra é mais um passo para que me incompreendam. Eles hão de me crucificar, faça eu o que fizer.

O homem [Em retrospectiva -2005-]

    Todo o homem quer testar os seus limites, todo o homem tem atitudes auto destrutivas, como se a culpa estivesse nos outros, e muitas vezes está. Muitos homens são destrutivos exteriormente, aproveitadores de outros homens, de quem usam e abusam, se puderem.


    As pessoas são estranhas. Serão eternamente estranhas. As coisas que fazem… só porque não querem render-se. Ainda bem que tudo é passageiro. E se a dor fosse algo inventado? Quando não existe uma dor física real o homem inventa-a. Era bom que estivesse-mos nos fins dos tempos. Será que disse algo de que não se quer ouvir? Será que os homens me vão abandonar? Homens que são tão fraternos, não têm a humildade de dizer ao próximo: ‘Na verdade, não posso fazer nada por ti’. Falam em paz, falam em amor, falam em justiça, em ajudar aqueles que mais precisam. Mas que pode fazer um homem por outro homem? Os homens saudáveis estão tão distantes dos doentes… Que poderão fazer eles pelos doentes? Onde está o respeito pelo doente, cada vez mais, hoje em dia? O Homem é um presumido, muito resumidamente é isso, um ser que pensa conquistar tudo com a sua capacidade de conhecimento. Tudo se rende à ciência, tudo se rende aos médicos, como se eles fossem Deuses, como se eles pudessem curar os males da humanidade, que pensam ter explicação para tudo. Eles, médicos, simples homens com grandes conhecimentos como tantos outros homens. Eles, seres finitos, que pensam ter resposta para tudo, até para os males da mente. Se têm resposta para tudo porque não estou eu bem? Ou estarei eu mal só porque eles dizem? Eles, os inventores de conceitos de doenças que conseguem pôr as pessoas com doenças que na verdade não têm. Ele, os que conseguem induzir essas doenças. Porque insistem as pessoas em falar, só para não ficarem loucas.

Optimismo, péssimismo, medo, compreensão [Abril 2005]

            Não sei quanto tempo me resta nesta vida. Talvez outro tanto ou talvez muito menos. Só sei que não ando bem, e já sei mais do que Sócrates (rir). Muita coisa foi perdida, muita coisa já não volta. Tenho medo do que se possa passar. E a tendência é para que se passe algo mais de mau do que de bom. Eu sei-o racionalmente, porque já compreendi muita coisa da minha vida e consigo prever o que se pode passar num futuro mais longínquo. Tenho medo da dor sobretudo, medo da loucura, essa dor descomunal de não estar em consonância com o mundo, de ser um mundo à parte e completamente esquecido, mais ainda do que da dor física. Tenho medo de ficar paralisado com uma consciência a infernizar o meu corpo, a minha infernal consciência, que é o que é a minha consciência. Como posso eu ser optimista se só vejo as coisas pela negativa? Não tenho capacidade para reagir ao stress e às coisas negativas. Como eu compreendo meu Deus, como eu compreendo o meu passado e o meu presente. Para quê a consciência das coisas, meu Deus? Para sofrer mais ainda.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

INVERNO DE 2005

 


 


 


            O frio tem sido muito nestes dias. O Inverno está no seu pico. O Inverno, a sua sombridão, já me disseram muito respeito, os meus sentimentos já foram muito influenciados por ele. Influenciados por ele e por muita coisa mais., incontáveis coisas. Mas talvez já não seja o frio que me traz aqui, esse fascínio pelas coisas da natureza tende a desaparecer, aliás, o fascínio das coisas exteriores ao meu ser tende a desaparecer. Talvez por que seja introvertido, talvez por algo mais, mais profundo e intangível. Talvez por uma “doença”, nas palavras de outros, um conceito demasiado pesado e que amarra uma pessoa, como um cadeado.


            Cada vez as questões são mais, as ideias são mais e ao mesmo tempo desconexas. Elas aparecem por flashes, não têm continuação. Vêm e rapidamente desaparecem. O sentido emocional delas (das ideias) existe pouco tempo. A capacidade emocional que daria vida a essas ideias e as faria fluir coerentemente deixou de ser eficaz. A ligação emocional, em sociedade é das coisas mais fantásticas que existe, o absorver as energias sociais que nos envolvem, sentir o fluir dos sentimentos, ser capaz de transformar todo esse envolvimento, nessa ligação, em algo concreto e novo e ser capaz de influenciar esses que nos envolvem. A perda dessa capacidade de ligação, dessa sintonia com os outros é um problema a que se deve dar atenção. É – se rotulado imediatamente de doente, por aqueles a quem se chamam de ‘normais’. Mas não sei ainda se haverá regresso ao que se foi, uma vez transpostas certas barreiras.


Os meus ideais vão contra os do mundo em muitos e muitos aspectos. Redescubro, a cada dia que passa, a verdadeira dimensão da minha maneira de ser anti – – social. Mas isso tem uma razão de ser, essa minha maneira de ser tem uma causa, o facto de que o ambiente social que me envolve tenha atentado contra o meu ser (indirectamente que fosse), daí a minha atitude anti – social. E eu estou contra esta sociedade que cria injustiças e que atropela todos aqueles que não conseguem acompanhar o seu ritmo. O respeito já não existe neste mundo do ‘faz ver’. Estão uns a passar por cima de outros. Não é que eu queira uma sociedade em que seja em tudo igual, a diferença há – de existir sempre. Mas gostava que existisse o respeito pelo homem que é mais fraco ou que defende outros ideais, isso seria liberdade. Mas se bem que não se mata fisicamente os outros, há no entanto, uma forma muito mais refinada de os matar, vivos fisicamente mas mortos psicologicamente. E essa forma é a da estupidificação do homem, que vive a acreditar que o mundo é o que certos homens, que descobriram certos poderes, contam e fazem parecer. Querem fazer ver a esses estúpidos zombies, que o que se vive noutros lugares é que é o verdadeiro viver, que o sexo que eles mostram é o verdadeiro sexo, querem pôr todos os homens a sonhar, e põem – nos de tal modo que esses homens estupidificados não vêem que a terra que os envolve está a desabar.


A luta pela sobrevivência e bem – estar tornou-se em algo mais refinado. E isso faz-me pensar no poder da palavra e da imagem. Mas penso também em algo mais, alguém poderá controlar tudo o que se passa no mundo? Serão certos homens responsáveis pelo que se passa no mundo ou poderemos dizer que o homem não pode ser responsabilizado pelo que faz visto ele agir segundo imensas variáveis que o fazem agir? Será possível saber se esses homens a quem homens lhe deram o poder agem com consciência do que estão a fazer ou agem pela ambição instintiva de controlar os outros, como meio da sua própria sobrevivência até, ou ainda, agem para provar a eles mesmos de que têm um grande auto – controlo, visto cada homem precisar de se sentir aprovado pelos outros o seu coerente auto – controlo e mesmo sabedoria?


Uns viram-se para o exterior e descobrem o que os envolve e outros viram-se para o interior e descobrem quem são na verdade, e acho que ambas as atitudes devem conduzir a um mesmo fim, à descoberta de que o Universo exterior será idêntico ao Universo interior. O Universo exterior será gerido por Deus. E esse mesmo Deus deu-nos o Universo interior para nós gerirmos. As coisas exteriores dizem respeito a Deus que tem o poder de regular as coisas interiores também, e nós poderemos mexer nas coisas interiores apenas, já que as exteriores nos transcendem. O que poderemos fazer exteriormente a nós é uma contingência de Deus, por isso todas as coisas exteriores são passageiras, mas acho que a nossa energia interior é a coisa que perdurará nos confins do Universo exterior, o Universo não será o mesmo com a nossa (boa) existência interior, quero acreditar nisso.


Tudo tem uma razão de ser. Muitas das vezes ficamos irados com o que se passa, mas sem razão. E toda essa ira só nos trará frustração e mal-estar. Talvez eu seja uma vítima da minha própria ira não projectada no exterior. Talvez eu seja vítima de muita coisa passada à qual já lhe perdi o conto. Talvez eu seja o bode – expiatório, mas ainda continuo a resistir, apesar de tudo (por quanto tempo mais?). Forte não é aquele que opera grandes mudanças sem oposição, forte é aquele que, apesar do peso que tem em cima, consegue escalar a montanha e ir contra o próprio peso. Eu fui forte, se ainda não o sou, por causa da oposição, eu sem consciência fui contra tudo, porque acreditei que estava certo no meu ideal. Sei que certo não estaria completamente, talvez longe disso, mas decerto bastante certeza tinha.

Esquecer o que é negativo [Em retrospectiva- 2005]

 


 


Esquecer tudo o que é negativo. É um dos aspectos que tento implementar. Escrever menos, para não estar sempre a bater na mesma tecla. Mas de qualquer modo não consigo deixar de estar preocupado com tudo o que me rodeia. Antigamente era mais por uma causa geral, todas essas preocupações, mas neste momento, são mais por minha causa, pela minha sobrevivência, pelo meu bem – estar. Se bem que me entristece saber que tudo ruma para um fim. Primeiro virá o meu fim, mas o fim do mundo caminha a um ritmo muito mais rápido também. E fico triste ao saber desse fim, de que tudo o que era belo e perfeito vai ser destruído progressivamente pelo sonho do homem, pela busca desenfreada de poder, que acaba por ser uma causa de sobrevivência também, num grau de inteligência, cada vez mais, superior.


Há a sensação de que cada vez menos posso mudar-me, uma sensação que contrasta com a de quando estava a crescer e que me parecia que podia ser o que quisesse. Sinto as coisas por flashes e imagens que transitam muito rapidamente na minha mente, rápido de mais para eu as poder descrever. E eu compreendo, compreendo muito do que me rodeia, a essência das coisas, mais do que a simples aparência. Mas para que poria eu o mundo em causa? Para que desejaria tocar o infinito? O que me levou a tudo isso? De que serve ser-se mais inteligente se não se puder pôr isso em prática? Quem somos nós para dizermos que somos mais inteligentes do que outros, próximos de nós, se essa inteligência não nos torna auto – suficientes? Toda a vida só faz sentido em partilha com os outros, e mesmo, por maior inteligência que tenhamos, ela só faz sentido com a inteligência dos outros, a interacção com eles, com essas inteligências. E essa é precisamente a minha falha, a interacção com os outros é reduzida. E eu sinto a falta do contacto humano, sinto a falta de acreditar em alguém, do toque de outra pele, de conseguir olhar nos olhos de alguém que me olhe nos olhos com verdadeiro sentimento de que gosta de mim. Quanta gente gosta de mim, mas eu não posso ceder facilmente porque, muitos só gostam de mim por não lhes fazer frente e só querem aproveitar-se. Se eu conseguisse discriminar esses gajos, mas eu não consigo distinguir, tudo me parece com o mesmo interior, como o meu que é humilde, razoável, benfeitor, mas agora sei que isso não é verdade, as pessoas são todas diferentes, ou seja, já sei há muito que sou único, mas é como se não quisesse acreditar. Não acredito no homem como capaz de levar toda a vida a rumo certo. Acredito na diferença do homem que é cada vez maior, mais individualista.


E eu pus em causa o mundo e pus em causa a mim próprio. Atentei contra Deus pensando eu que o estava a testar, mas quem foi testado fui eu. Deus existe. E quando digo ‘atentei’, digo-o no sentido de provocá-lo dentro do meu pensamento, a que ele se manifestasse para mim, para que se mostrasse, para que me dissesse como era Ele, para que me falasse. E neste momento compreendo quem é Deus, se bem que não sei, nem sei se saberei, quais são as suas intenções para com o homem e o seu futuro. E sei que Deus neste momento me tem com Ele, sei que tenho muita pena de não poder estar com os homens. Neste momento tenho um pensamento esquizofrénico para o homem. Talvez os loucos e os doentes e deficientes estejam com Ele, conscientemente. E eu dizia no meu pensamento: ‘Se Deus existe então que eu morra já aqui’. E eu tornava-me cada vez mais forte interiormente, mas era uma falsa força. Desejei imenso que Deus me falasse como fez a tantos, como dizem as escrituras. Lembro-me de estar deitado, olhar para a pequena janela do meu quarto e imaginar como seria ver Deus, e o bom que seria vê-lo. Mas sentir Deus, dentro de nós, pode ser avassalador. Pode ser uma verdadeira depressão que parece nunca mais ter fim. E estar ao lado dele, observar o mundo segundo a sua perspectiva, pode ser horrível, ver tudo aquilo sem conseguir entender…

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Ir ou continuar?

A verdade é que não tenho soluções para te dar mas tenho questões que se podem e devem colocar a cada um de nós que é assaltado pelo espectro da morte, que ate podem só fazer sentido para mim. Quantas vezes me assaltam ao pensamento, nas horas em que sinto o vazio da minha vida, as perspectivas da morte, analisando-a de todos os ângulos. Pergunto-me: Haverá algo que me prenda na vida daqui a uns anos, onde a solidão tende a lavrar o meu caminho? Nascemos nós nesta vida para o outro? Só devemos viver se for por causa de outro que nos ama? Não poderei e deverei encontrar a felicidade em mim antes de tudo e qualquer coisa? E mesmo que não a encontre em mim não deverei lutar até ao fim, buscando-a? Ou deverei desistir e acobardar-me perante aquilo que não consegui fazer, que não consegui alcançar? Será a morte uma melhor alternativa à humilhação certa que todos os condicionamentos nos podem trazer? (E nisso a religião cristã ensina-nos a sofrer como Cristo - um símbolo do sofrimento - sofreu, até ao fim, e diz-nos que a verdadeira felicidade não a encontramos neste mundo – Mas isso já é metafísica). Será que a felicidade se encontra no ideal do mundo hodierno, um ideal do “faz ver”, um ideal da riqueza, um ideal sexista, um ideal do culto da personalidade, um ideal do ‘bem sucedido’? Será que não poderemos viver se não cumprirmos tal ideal? Qualquer um de nós merece viver, sempre. Deverá haver sempre um lugar para nós neste mundo de liberdade, por mais simples, pobres e ingénuos que sejamos e ninguém nesta terra é Rei deste mundo para nos tirar esse lugar. Depois de tentar analisar ao máximo os ângulos da minha vida, vejo que ainda não chegou a minha hora, apesar das humilhações por que possa passar, das depressões que possa já ter tido, dos insucessos que tendem a derrotar-me, eu ainda vivo, porque a minha vida tem uma razão de ser mesmo que eu não a vislumbre. E se um dia eu deixar de ver essa razão eu no entanto ainda viverei, nem que seja pelos pedaços de terra que trilhei, pela alegria genuína algumas vezes sentida no longínquo tempo que não volta. Essa foi a minha vida, essa será a minha vida, essa é a minha vida.

quinta-feira, 1 de março de 2007

sentido [96/97]

Sentido. Palavra tão importante. ‘Sentido’ faz-nos lembrar o básico para se viver normalmente bem. Faz-nos lembrar, por exemplo, os cinco sentidos, essenciais para o bom sentido de orientação na vida tão cheias de trampas, problemas, labirintos, enfim, todo um conjunto de situações que os põem à prova. Aqueles que melhor sentidos tiver vencerá. Da mesma maneira que falamos dos cinco sentidos, assim poderemos dar outro sentido à palavra sentido. O sentido da vida. De tal maneira importante, que até talvez, o ponha à frente do valor dos cinco sentidos. Toda a pessoa que dá um sentido à vida, vive-a de determinada maneira em harmonia com esse sentido que lhe dá. Toda a pessoa que ainda não encontrou o sentido da sua vida vive desorientado, olhando para o sentido que os outros dão à vida e desprezando essa vida porque precisamente, a dele não tem sentido. E ao falar de sentido da vida, de uma criança, por exemplo, pode ser o de ter carrinhos para brincar, pais que o amam, ou seja, são certas coisas que dão sentido à vida, que a preenchem, que dão prazer. Pode acontecer que em certas alturas tenhamos o sentido de viver e outras não. Isto deve-se ao facto de que as mesmas coisas não nos dão sempre o mesmo sentido. Aquilo que já alguma vez o deu deixa de dar e a gente procura, então, outro. E ele, será mais importante do que os cinco sentidos, porque sem ele os cinco sentidos sentem-se perdidos, desorientados. Sem ele uma pessoa pode destruir estes e a vida. Procuremos o sentido da nossa vida, nem que ele seja o de dormir, mas se isso nos dá prazer, que seja então esse. Sem sentido é que não! E porque  ‘sentido’ está  associado a orientação e ‘sem sentido’ a desorientação, então é melhor que o haja. O sentido da minha vida?! Dormir, ter amigos, estudar, passear, pensar, divertir-me, outros.