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sexta-feira, 17 de março de 2017

Como superar a timidez?





          Aqui está uma pergunta que faço, talvez, desde sempre (ainda que inconscientemente, a principio), mas, mais em concreto, desde que eu me apercebi (tomei consciência em mim próprio, num momento que ficou bem marcado na minha memória e de que falarei mais adiante), que eu não reagia à comunicação (diálogo) em eventos sociais, sejam eles de que tipo for, tentando ‘esconder’ (disfarçar) a minha presença, e é como se não fosse capaz de raciocinar em eventos sociais em que tenha que intervir, e um bloqueio atroz toma conta de mim (E que certamente fez, faz e continuará a fazer estragos, em mim). Sei agora de causas, conheço melhor, agora, bastantes ‘porquês’ (e a transversalidade em que se tornou esse bloqueio inicial) que contribuem para isso, e, tento que a minha mente não desfocalize e perca tais memórias para que vá, pelo menos, entendendo quem eu sou e o que se passa comigo, ainda que não consiga ultrapassar tal grande obstáculo para mim (se bem que o caminho é para a frente e a cada dia ganho de vida, por paradoxal que pareça, é mais um dia perdido naquela que poderia ser ‘a minha vida normal’); digo isto num modo característico que é o meu e que é idêntico na forma em que já tenho abordado noutras conversas passadas; Tenho consciência do risco e o fardo que é continuar a fazer tal introspecção, tal inçepção, como tenho feito desde sempre, para que não perca o fio à meada na descoberta de quem eu sou, o lugar que ocupo no mundo, e o porquê de eu ter que trilhar os caminhos que trilho, se é que me podem entender. Mas esse é o risco que tenho que correr para não incorrer noutros riscos que seriam mais danosos como sejam uma loucura antecipada ou um vazio existencial ou uma apatia vivencial ou outros riscos que não quero correr já, agora, desnecessariamente, quando ainda tenho outras opções para ‘reagir’, de certo modo; Digo isto porque oiço, muitas vezes, coisas do tipo (quando oiço, quando tento ‘falar’): ‘Não penses nisso!’; ‘Não vale a pena pensar nisso.’ ‘Tás a complicar as coisas, a vida é fácil’. Mas se eu não pensasse ‘nisso’ como poderia defender-me do que é nefasto para mim? Será que alguém o pensaria para mim e me resolveria ‘o problema’?
Vivemos num mundo de comunicação, e eu tenho medo de me pronunciar ‘ao vivo’, mesmo que seja só um pouco (não serei o único, certamente: para uns será mais incapacitante ainda do que para mim, ou talvez esteja enganado 😳 (flushed), talvez eu seja mesmo dos piores, mas continuo a fingir que nem sou tanto assim, escondendo ‘a real situação’; para outros, esse problema será mais tolerável do que para mim, mas a capacidade de se exprimir, de exprimir com normalidade aquilo que tem que ser expresso pelo nosso espirito, é uma necessidade, não só, do homem do futuro, mas, também, já do presente, para que possa viver em equilíbrio psíquico, e isso é algo de natural quando não há causas anómalas que rompem com o desenvolvimento normal e em equilíbrio do nosso espirito, sejam elas causas internas – doenças de qualquer tipo-, ou causas externas a nós, ao Ser onde nos foi dado ‘o sopro da vida’), e essa incapacidade de me pronunciar na presença de vários interlocutores, para mim, é como que uma sentença de morte aos poucos, sei-o, até porque analiso o futuro em infindáveis suposições do que me irá suceder, temendo o pior para mim (Podem chamar-me pessimista). Sei que não sou bem interpretado por ser assim, sobretudo com desconhecidos que não me conhecem ainda; sou marginalizado pelos que me conhecem; enfim, é complicado, e eu sempre complico ainda mais, com certeza, eu sei. Vou escolhendo desistir aos poucos e acomodar-me no cantinho que posso arranjar, no dia-a-dia, numa esperança ilusória, que é o que me parece. Para mim, estar numa simples formação com algumas pessoas, por exemplo, a pensar que me vão pedir intervenção, mesmo que mínima, é, gradualmente, extremamente aflitivo e desconcertante [Se eu pudesse passar despercebido…], em que tento conter sentimentos e emoções e reacções fisiológicas que sei que vão descambar quando chegar o momento tão receado (com ansiedade crescente até ao momento que se pode tornar numa fobia em que vou ter de me ausentar, ou seja, fugir, de onde me estou a sentir mal, como o fiz recentemente). Venho há longos anos tentando verbalizar correctamente o que se passa comigo, [tentando verbalizar o que me parece ser, na vida real, proibido de se fazer, porque o medo que se gera do próprio medo, incompreensão e descontrolo é algo de indizível, que as pessoas nem querem pensar nisso sequer], venho tentando escrever algo de construtivo (se calhar ainda não fiz isso, nem sei), antes de mais e principalmente para mim, para minha referência, aquilo que me apoquenta e destrói a minha vida nesta sociedade comunicadora, antes de tudo, repito, para que possa tentar encontrar soluções adequadas à minha situação particular, sabendo eu (pelo menos até certo ponto) que haverá tantas e tantas situações idênticas à minha no silêncio. Sinto em mim, que seria deveras constrangedor e humilhante (e sei lá que mais), a pessoa errada saber isto que eu estou a dizer e saber quem eu sou, sentir-me-ia arrasado, sei-o, porque já mais vezes tentei falar com certas pessoas das dificuldades que tenho, e ver de seguida que errei no confidente, na pessoa do tipo que desvaloriza o que digo, que não percebe do que falo e ainda por cima, sinto que fica a saber a minha dificuldade para a usar contra mim num outro momento, se tiver tal intenção (podem dizer que é paranóia – eu digo, talvez, mas não posso admitir que não há uma percentagem de verdade no que disse). Sei também que amanhã de manhã me vou sentir mal e cansado por estar aqui a tentar verbalizar algo com sentido para mim, mas difícil de ser entendido, desconhecendo o alcance das minhas palavras, ou também será mal, se elas não tiverem alcance, se forem em vão. Mas certamente não serão. Não devemos guardar tudo para nós, mas também devemos estar atentos ao confidente com quem vamos exprimir a nossa dificuldade ou desabafo.
Agora, o momento em que eu tomei consciência da minha dificuldade, concretamente: andava no 10º ano, estava numa aula de Filosofia em que pela primeira na minha vida tinha que expor com os meus colegas as nossas ideias sobre um assunto que já não me lembro qual era; pois, não consegui exprimir uma só palavra e no fim, pela primeira vez, percebi imediatamente que algo não estava bem, e isso me fez percorrer o caminho que tenho percorrido até hoje; Penso que se pode chamar a isto: optar (inconscientemente); lutar [contra o incompreensível (Porque me aconteceu isto?) em busca de soluções, ou respostas pelo menos, vivendo na esperança dia após dia, muitas vezes, rumo ao desconhecido]; aceitar (a aventura de vida que nos espera); não desesperar imediatamente (seguindo na base de certas ideias, ainda que, na maioria das vezes se revelem ilusões, agora o sei, para nos sustentarem nesse longo caminho); aceitar a ajuda, de quem pode, se houver quem, se vier por bem e sem angustiar ou destruir mais a pessoa com nomes e interpretações que são pejorativos e lesivos para a vida e para a normalidade que se deseja alcançar de um Ser que não perdeu nunca a consciência de quem é.
E agora? As perguntas sucedem-se dia após dia. Como superar a [minha] timidez obsessiva - compulsiva? ; Voltando atrás, tão rapidamente quanto possível: as causas de tudo isto? Genéticas? Genéticas potenciadas pelo azar (da minha vida) de não ter tido a sorte (o ambiente) a favor da dissipação desse problema? Porque me passaram tais genes e ainda por cima reforçaram o que havia de negativo por quem deveria ter sido amado? Foi deliberadamente ou intencionalmente que o fizeram? Porque me usaram como um boneco (que é o que eu sinto)? Porque me sinto um bode-expiatório? Eu não sinto vergonha, nunca fiz nada da vida que me fizesse envergonhar, por exemplo, não matei, não roubei, sempre tentei seguir os bons ideais e valores do bem, da paz e da vida (da nossa tão frágil vida). Aclarando o conceito como eu o vejo: a vergonha não é propriamente o que as pessoas (com o senso comum) acham que é, e é confundida com outro tipo de manifestações de emoções como sejam a timidez ou a dificuldade de se exprimir por exemplo; na minha interpretação, a manifestação da emoção ‘vergonha’ é a noção (sentimental) de que se fez algo de muito mau, como os exemplos que já disse, e sentir-se consternado por tal erro e pelas consequências que podem advir de tal erro muito mau. Neste sentido, o facto de eu não me conseguir exprimir em público não significa que é por vergonha, uma vez que não considero que tenha feito algo muito mau na vida como ter matado, violado, roubado etc. mas por motivos de timidez excessiva, associada a características introspectivas excessivas, causas genéticas e traumas (causas externas, ambientais) que me levaram a ser assim. Quero dizer que não sou envergonhado, pelo conceitos em que já justifiquei o que considero ser ‘a vergonha’. Não queria ser um homem de topo, ‘super’ comunicador, com imensa capacidade de exposição, mas também não queria ter este handycap. Estaria disposto a aceitar-me como sou, como tento sempre fazer, dia após dia, mas esbarro constantemente nos ideais das pessoas que me envolvem em confronto com os meus, numa cultura que não me incorpora, na incapacidade de ultrapassar esta dificuldade de comunicação de quem não está disposto a aceitar (mais uma vez: aceitar), a tolerar, uma pessoa que sente de maneira diferente. Mas, compreendo que a falta de capacidade de expressão gera um paradoxo em si próprio: quem não segue as normas e os preceitos da cultura onde está inserido é marginalizado naturalmente. [Talvez se tenha que criar o nosso lugar no mundo, um lugar nunca inventado, mas lembro-me também que para viver tem que se comunicar e transaccionar, não sou um animal selvagem que pode viver solitariamente, e aí surge o paradoxo, novamente].
Como superar a timidez? Será que se pode superar na ideia de que devemos aceitar-nos como somos, e, sendo quem se é, buscar a liberdade do espirito (lutando contra quem quer aprisionar nosso espirito, aprisionar a nossa liberdade psíquica e mental), na aceitação da nossa pessoa pelas pessoas que nos envolvem e vice-versa?
Ficam as ideias e as questões a serem respondidas ou reformuladas mais correctamente.
Fiquem bem.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Glaciares estão a desaparecer a ritmo sem precedentes





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Citação:
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© NASA NASA / Reuters
Glaciares em todo o mundo estão a desaparecer a ritmos sem precedentes em 120 anos de registos científicos, segundo um estudo publicado hoje no bimestral Journal of Glaciology.

Paris, 03 ago (Lusa) - Glaciares em todo o mundo estão a desaparecer a ritmos sem precedentes em 120 anos de registos científicos, segundo um estudo publicado hoje no bimestral Journal of Glaciology.
Em média, os glaciares estão a perder entre 50 a 150 centímetros de espessura por ano, segundo a publicação citada pela agência France Presse (AFP).
"Isto é duas a três vezes mais que a média registada durante o século XX", afirmou Michael Zemp, diretor do Serviço Mundial de Monitorização de Glaciares e principal autor do estudo.
Mais de mil milhões de pessoas, especialmente na Ásia e na América do Sul, obtêm mais de metade da água que bebem do derretimento sazonal da neve e do gelo dos glaciares, segundo estudos anteriores.
O ritmo atual de derretimento dos glaciares a nível mundial não tem precedentes nos 120 anos desde que os cientistas começaram os registos, e provavelmente por muito mais tempo ainda, acrescentou o especialista.
Além disso, a perda acelerada de gelo criou uma dinâmica que faria com que os glaciares de muitas regiões do mundo continuassem a diminuir, mesmo se as temperaturas parassem de aumentar.
O recorde de perda de gelo no século XX foi observado em 1998, e já "foi ultrapassado em 2003, 2006, 2011, 2013 e provavelmente também em 2014", acrescentou Michael Zemp.
O Serviço Mundial de Monitorização de Glaciares compila os resultados de observações de glaciares de todo o mundo, submetidas anualmente por uma rede global de cientistas e observadores.
Lusa


terça-feira, 29 de julho de 2014

Agressão sem culpado

            Se, simplesmente, pudéssemos fugir daquilo que nos apoquenta, que nos magoa, que nos oprime, que nos pisa, que nos afronta, que não conseguimos mudar, nós fugiríamos, sem dúvida alguma. Mas, fugir para onde (com as nossas limitações)? E mais: e fugir de nós mesmos?! Muita gente ainda deve pensar que o mundo é grande e que o Universo é incompreensível, duvidam de tais coisas como de o homem ter ido à lua, no sentido que tais entendimentos nos dão uma coerência da compreensão das coisas que, por sua vez, nos dá uma visão mais ampla de tudo o que os magníficos sentidos humanos nos dão a entender, como se não acreditassem no mundo em que vivem. Muita gente prefere a ignorância porque saber de mais faz mal (talvez porque não tem outro meio de a ultrapassar também, é certo); e eu digo: ‘Ó santa ignorância porque me abandonaste?’, como se eu soubesse muito; Porque tenho eu de saber mais do que o que posso saber? Porque tendo para o desequilíbrio entre a minha capacidade de sentir e o que realmente não sou capaz de ignorar de sentir? Que abismo é este que não me deixa ser feliz na ilusão? Mas, muita gente sabe muito mais do que eu e não tem desequilíbrios – o quanto, sinceramente, os invejo… -. Tento não me manifestar, na globalidade da ação da minha vida, como se de um espetador me tratasse, que assiste ao desenrolar da novela, do filme, da música, ou melhor, gostava de ser sempre um anónimo espetador, coisa que não posso ser, da mesma forma que o era em criança. Os sentidos do mundo caem sobre mim, e eu, eu não tenho capacidade de reação, eu não sei responder minimamente bem ao apelo que me é feito daquilo que me envolve. Responder aos apelos que o dia-a-dia nos trás é uma coisa séria, responder de acordo com as situações que nos ocorrem é uma tarefa para equilibrados que conquistam o mundo com o seu autodomínio. Respondes mal e és um homem acabado…; Que dizer da incapacidade de responder a uma agressão? O bullying? Uma guerra? O terror psicológico? Como responder a algo quando se está em inferioridade? Como se defende uma criança? Como responder ao mal com mal quando se tem amor à vida e ao bem, quando os ideais que nos movem são os da paz? Existem agressões que atuam mais subtilmente, que se dão como vindas de sistemas superiores que não são facilmente percetíveis, não é mesmo percetível a sua causa. Existem agressões que não se conseguem identificar de onde partem, tal é a teia que as envolve e disfarça? Mania da perseguição? Não, para mim existem agressões sem culpado… identificável. E eu sinto medo quando não compreendo as coisas, então, eu invento mitos e lendas para as explicar, eu invento histórias. Eu sinto medo, muito medo, um medo terrível e inexplicável por mitos, lendas ou histórias, porque erradamente aprendi que devia dar tanto valor à minha insignificante vida na imensidão incalculável do Universo, como uma criança que se acha no centro de tudo, especial, quando na verdade tudo é uma ilusão, quando na verdade não podemos ultrapassar as leis que regem o universo, a existência dos seres, ou seja, resumindo, tive azar. Como destruir a causa da agressão? Perguntando melhor: Como destruir a causa de uma agressão sem sermos feridos? Matar? Matar, matar, matar, matar!… guerra!… Perder o amor à vida(!), perder a piedade(!), matar a causa da nossa dor(!), esse desejo que em mim persegue; Resolveria alguma coisa matar? Talvez não, mas matar por necessidade assim como se defender por necessidade está na lei do mundo natural em que o homem tenta sobrepor com as suas leis onde consequentemente muitos desafortunados perdem esse direito de se defender vitalmente dos ataques à sua vida assim mesmo como atacar para suprimir as suas necessidades. Será a causa da nossa dor, essa mesmo que pensamos? Revoltamo-nos muitas vezes porque a agressão existe, mas a questão é: revoltamo-nos contra quem é o culpado, a causa da nossa agressão? ;E damos por nós a revoltarmo-nos contra quem nos ama, apesar de por sua vez haver formas muito duvidosas de amar, existem formas muito bizarras de amar, além de feitios que não se conseguem mudar, e nos causam frustração, raiva, angústia – muita angústia-, e nos infundem muito medo… se ao menos pudéssemos afastarmo-nos…


            No meu transe, nesta minha vida, em que eu procuro a(s) causa(s) para aquilo que eu sou, neste meu desejo (talvez utópico) de que eu seja feliz ainda nesta procura de aceitação de como eu sou no mundo dos homens, eu mesmo tenho medo de mim, porque infundo medo no que me envolve, que num ciclo sem fim regressa a mim, destruindo-me, dia após dia, mas que não consigo evitar. Tenho medo de cada passo que dou, sei que não o darei bem, certo dos passos maus que tenho dado dia após dia, do azar que me persegue, nesta ilusão, que quando não puder ser sustentada, será cruel de mais, a dura realidade, se imporá muito mais dura que está a ser a minha vida atual. Sei que me abandonarão, se é que já não fui abandonado pela existência psíquica faz tempo. E, apesar de a morte ser certa, ninguém ousa indagar o que o sofrimento é. Certamente gostaria de mudar (obstinadamente) coisas difíceis de mudar, e mesmo que se consigam mudar, o preço da vida é alto de mais a pagar por essas mudanças, mas talvez seja a lei do mais forte e do mais fraco a funcionar, em que nós, para acrescentar à dificuldade que é suster a vida, temos ainda a nossa autoconsciência a infernizar o que deveria ser aceite naturalmente e imperceptivalmente, as leis da natureza.


As guerras mundiais existiram e nunca se sabe se existirá outra, outra vez; tenho como ideia minha de que a maior parte das guerras muitas vezes não são causadas por motivos maiores, digamos assim, por motivos que se possa fazer uma apologia, mas sim por ideais estúpidos e sem sentido, nacionalismos, ignorância e falta de sentido da beleza da vida e da apreciação da paz. O mundo dos homens sabedores compreende a finitude do nosso mundo e dão valor a vida e à paz como consequência da sua própria sabedoria. O mundo civilizado esgrima nas palavras a sua luta, a guerra que se dá entre ideais, essa é a guerra mundial nas ideias do momento. No meu desejo de criança utópica, em que um Deus faz parte de uma justiça a atingir, as agressões seriam justificadas por esse ideal máximo que seria esse Deus a atuar na imensidão do tempo, e a justiça seria feita nessa mesma imensidão do tempo. Mas, para minha angústia, dadas as contradições e realidades que se impõem na minha mente, naquilo que me é dado a conhecer, a dúvida torna-me inseguro e insignificante, e a minha luta pela sobrevivência poderá ser em vão.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Momentos

      Um vazio tende a invadir-me. Tenho medo da apatia. Tenho medo de magoar e ser magoado. Tenho medo de olhar e de ser olhado. Tenho medo das expressões, não consigo entender a minha, não consigo entender se é a minha que provoca as dos outros se… só pode ser a minha. Sinto-me o culpado, o culpado de muita coisa, de coisas que nem eu sei que me dizem respeito (mas parece que o que quer que seja me diz respeito, eu sou o centro do meu mundo, e esse centro está descomandado), desta personificação da angústia que mora em mim, que absorvo dos outros, que provoco nos outros. Vejo a minha face reflectida na face dos outros como se eles fossem meus espelhos. Não sei nada neste momento, sinto-me confuso e tudo o que sei a certos momentos tende a cair por terra como se tudo deixasse de fazer sentido como um  moribundo, à beira da morte, como se a memória não me deixasse saber quem fui e quais são os meus objectivos. Apetecia-me desistir, fugir, esconder-me, sei lá onde. Pergunto-me quanto tempo vou aguentar. Se a pressão voltar sinto que vou ceder, mas vou tentar ser forte e ser digno. A minha expressão é de angústia. E tudo volta a mim, as expressões que eu transmito. Não compreendo o olhar. Navego apenas pelo sentir, pelo meu sentir tentando compreender o dos outros. Não encontro o meu lugar. E sinto tão intensamente quando em conjunto. Sei que não posso agradar a todos. Que angústia (!), vinda de tanta raiva contida. Procuro a quem posso culpar, procuro e não encontro. Nada faz sentido, como digo, em momentos como este. Nestes momentos, não sei o que me guia, quem me guia o que me faz andar aqui. Preciso do meu tempo, e o mundo não me quer dá-lo. Nestas horas não compreendo. Nestes momentos estou em branco. Nestes momentos apenas me lamurio para mim próprio, porque mais ninguém quer saber das minhas lamúrias. Nestes momentos sinto o tempo a perder-se, nestes momentos sinto o desperdício dos meus actos, nestes momentos sinto que estou errado mesmo que queira acreditar que estou certo. Nestes momentos todo o estímulo se esvai e me deixa no vazio das ideias. Sei que ninguém tem tempo a perder com palavras pessoais de um estranho que se chora para que se tenha pena dele, de alguém que ao ler dois textos se descobre logo o método de escrita e de expressão auto – comiserativa. Neste momento como tantos outros eu me exprimo assim. Sinto-me extenuado, facilmente me canso. Procuro constantemente saber a quem pertenço neste mundo, ou será que não pertencemos a ninguém? Sei que se eu não persistir eu ficarei só, mas se persistir nada mudará também para melhor, porque o cancro tende a destruir-me. Que estranho cancro este(!). Permitam-me ao menos eu dizer o que tenho para dizer antes de a minha hora chegar. O meu tempo chegou ao fim. Todo o tempo que virá, por acréscimo, já não me pertencerá, e todos os dias serão como se fossem os últimos dias da minha vida até que um dia o será mesmo. Não sei por que me consomes, mundo. Não sei porque me tiras e me dás apenas o que queres. Vejo o que vai no interior das pessoas, e por vezes isso é mais perigoso que o meu próprio olhar angustiado. Só queria poder respirar sempre. Porque me falta o ar? Como atrás de uma aparência forte e normal pode estar alguém tão fraco e carcomido? (!)Eu só… só queria dizer, só quero dizer que me apetece falar sem dizer nada. Preencher o meu tempo com palavras fúteis, sem significado, tal como o são certas conversas comuns - mas que alguns as são capazes de tornar tão interessantes, com todo aquele sentido emocional, toda aquela assertividade -. Como és capaz disso? Eu só queria poder sorrir, sentindo que me ria com alegria verdadeira, como a alegria que me invade, em pensamentos, a certos momentos. É melhor nem me conheceres, a não ser que queiras saber o que é andar na vida, angustiado. E depois têm pena, ou então pelo contrário, esfolam quando já está morto. Como o mesmo ser é capaz de tudo (!). Estou mesmo desenquadrado de tudo. Não sei que vazão hei - de dar a tudo isto que vai em mim. Ai do desespero que se apodera facilmente. Porque foge de mim a motivação? E se eu estiver mesmo errado? Que paradoxo este da vida e de tudo o que existe. Não sei se me respeitam se me odeiam, não sei quem são tais pessoas, e sei que a certas horas me odeiam e a certas horas gostam de mim e me respeitam. Mas afinal quem somos? Ou serei eu uma ave rara? Alguém que não tem cabimento neste mundo? Porquê a existência do descontrolo? A prisão em nós próprios? Gostava de ser alguém correcto, ao contrário de quem não foi para mim. Poder dar uma palavra de consolo. Mas, agora, é tarde de mais. O preconceito já foi criado e eu já não o posso mudar facilmente. Que seja cada um para si, então. E há momentos em que me sinto por inteiro, e de um momento para o outro deixo de me sentir. As ideias idênticas repetem-se sem fim, e o blog desgasta-se num conjunto de palavras. Cada vez sou mais eu, sem saber ainda o que isso significa, mas ainda tenho esperança de que um dia o venha a saber, ainda espero por esse momento ou por esses momentos.


   

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Eles e os outros

    Para uns as coisas são mais simples do que parecem, mas as coisas não serão assim tão simples, para outros. Uns querem passar despercebidos, e andam desapercebidos, outros querem a exposição e querem ser vistos, ah, mas eles sabem acautelar-se. Uns acham que não merecem o que têm, mesmo que não tenham nada, outros acham que deviam ter muito mais, tendo tudo. E eles tapam os olhos dos outros, com filtros, para que não os vejam completamente, para só serem vistos como eles querem. E eles fingem, para enganarem os outros, os desprevenidos. Eles apontam o dedo aos outros, para desviarem a atenção sobre eles. E eles classificam-nos com uma pseudo -sabedoria que lhes foi diplomada. E os outros calam-se por que não têm armas para lutar. E eles fingem que querem ajudar, mas na verdade eles querem é governar-se e viver da dor do próximo, que para eles não é próximo, é mais um número, um conjunto de reacções que devem ser tratadas com aquilo que eles dizem que faz bem. E eles metem-lhes medo, fazem-nos acreditar que aquilo que eles sentem é verdade, metem-lhe mais medo, e os outros acreditam neles. E eles dizem que tudo correrá bem, tem é que seguir o prescrito. E eles estudam – os, e só vêem aquilo segundo o que o diploma lhes atribuiu, e eles só vêem defeitos neles. E eles ignoram – os. E eles escrevem grandes relatórios onde os caracterizam até ao ínfimo pormenor, e eles vão mais além ainda mesmo que tenham encontrado paradoxos, eles persistem, é a vida deles que está em causa, a deles acima de tudo. Escolheram uma vida para a qual pensavam que era a que eles desejavam, mas para o qual não têm tacto. E eles estão sempre certos, os outros que se opõem é que estão errados. E eles unem – se e formam uma força que até parece ser a da legião da verdade. E só eles sabem criticar. E eles utilizam todo o apoio que têm para penetrar no tecido fraco, mas não o querem matar, deles depende a sua sobrevivência, apenas deixa –los zombies. Eles pensam que ajudam, se calhar até estão convencidos disso – um homem age segundo aquilo em que acredita – mas chegam a um ponto que têm de defender o emblema, porque essa equipa é forte e dá-lhes prestigio, não conseguem sair da merda em que se meteram, a droga da vida. E eles então chegam a um ponto que deixam de saber, frente ao paradoxo em que se encontram, mas inventam coisas sobre os outros, apontam o dedo aos outros. E os outros rendem – se, uns tornam – se como eles, se calhar, para confirmar a tese, acreditam que sim, e outros calam – se para sempre, porque a sobrevivência assim lhes faz agir. A revolta não se quer neste mundo novo, não pode haver o excesso nem a escassez, tem de haver a concordância, o diálogo ameno, a busca da perfeição. Hitler já não existe, mas a sua atitude continua por ai, de uma maneira muito mais sublime, o apuramento da raça, a humanidade perfeita. A ciência protege o homem, mas a barbaridade das suas experiências continua. E a eles é permitido tudo, todas as suas acções são aplaudidas, tudo mete graça. Aos outros, os seres sarnentos, até o sorrir é uma doença. Mas quem são eles? Eles andam lado a lado com os que não têm nada, vivem com os outros, mas como eles têm tudo, dizem que está tudo bem e no bom caminho. Eu sou, tu és, ele é, nós somos, vós sois, eles vivem, os outros sobrevivem. Que não caiam eles, mas sim que se levantem os outros.

domingo, 30 de setembro de 2007

Conversa de um Ensimesmado (2003)


          [Demasiado concentrado em mim] Ensimesmado, assim ando sempre. Faço um esforço enorme para tentar sair desta concentração doentia. E a verdade é que não consigo sair dela, não consigo traduzir verbalmente as ideias que passam pela minha cabeça, não me consigo exteriorizar. É como se estivesse bloqueado. E quando tento exteriorizar-me é como se estivesse a arrancar alguma coisa do meu interior, a custo. Na minha mente passam pensamentos que diria anti-sociais, sou averso ao convívio social. Criei-me muito afastado do conceito social, talvez daí esta minha aversão, sinto-me melhor sozinho. Os meus pensamentos são profusos, intensos, mas muito misturados o que os torna confusos. Na minha cabeça passam pensamentos do tipo: “ninguém pode parar a evolução da humanidade.”; “Não tenho fé nos homens, vejo o seu futuro com pessimismo.”; “ vejo injustiças que nunca terão fim, homens que trabalham duramente a troco de um punhado de dinheiro e outros a usufruírem do trabalho dos primeiros, com uma vida fácil.


            Quando tento abrir a boca acho que não digo nada de jeito, nada de interesse. Raramente vejo o meu futuro com optimismo, penso mesmo que jamais serei normal, ou melhor, jamais me sentirei normal. Conheço-me bem, e sei que não sou como os outros, mas não aceito essa diferença. Queria partilhar valores com os outros, mas os meus valores não são iguais aos do ambiente social em que vivo, parece-me mesmo que nem tenho valores. Compreendo cada vez mais a minha situação mas estou mais impotente para lutar contra ela à medida que o tempo passa. Tenho medo da loucura. Às vezes penso que devia fazer uma loucura, mas falta-me a energia. Não me queria apagar, passar por esta vida sem ser reconhecido socialmente, e essa é uma meta que a maioria das vezes me parece impossível. E esta insatisfação corroí-me, ter constantemente a minha mente com pensamentos de que sou inferior, de que não sou capaz. E há momentos em que a dignidade parece-me fugir. Sinto-me humilhado em mim próprio, e sei que não há razão para isso, ou haverá?


            Para que sinto o mundo da maneira que sinto, tão intensamente? A minha percepção corporal ou física do mundo anda distorcida. Ou será o mundo exterior a mim que anda distorcido?


 

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Medo das divagações

A terra prometida. Qualquer coisa serve para começar. Uma música: Reamonn. Mas tenho medo das divagações, tenho medo de me perder em mim. Até tenho medo dos factos. E é um facto que eu ando desligado da conduta que rege este mundo, a conduta que rege os homens. É como se eu visse de uma perspectiva superior os homens, como se estivesse num nível superior onde, ainda, poucos estão. É como se eu andasse perdido. A apatia tende a tomar conta de mim, a apoderar-se de mim e a consumir-me. “I´m falling down, please don´t let me fall”, Reamonn. Talvez seja uma mania das grandezas, talvez seja hipocondríaco. Neste momento já não me interessa lutar contra as causas do que sou, de nada serviria, é impossível mudar o passado. Resta agarrar-me ao que posso fazer hoje e o que poderei fazer amanhã. Eu vejo mas não posso mudar as coisas como se eu estivesse neste mundo virtualmente. S.O.S. A minha mente está mais fechada. A minha expressividade está cada vez mais reduzida, o meu pensamento manifestante, que se manifesta, gira cada vez mais à volta do mesmo, a minha incapacidade de expressividade, a minha futura nulidade expressiva, a minha incapacidade de interagir com outras pessoas, a minha nulidade de gostos que não se formaram, a falta de personalidade. Mas algo evolui, a minha inteligência acerca do que se passa no meu interior e do que se passa no interior dos homens. A minha esquizofrenia ainda existe no meu pensamento. Mas porque eu vejo como vejo, meu Deus? Porque me parece estar tão perto de ti e ao mesmo tempo cada vez menos acredito em ti como minha concepção. Porque me sinto cada vez mais só, e ninguém me toca no coração em especial. Algo lá bem no princípio ditou o caminho que eu iria seguir, no princípio da minha vida. Porque não posso eu respirar normalmente, porque sou emocionalmente contido? Porque quanto mais quero ser uma coisa, mais o inverso sou. Porque não posso eu ser feliz como sou?



            Nada me demove daquilo em que acredito. No fundo acredito que o homem é a destruição (não sei porque absorvi tão profundamente o ideal cristão que me leva a tal ideal). Mas ninguém pode parar todo este rumo caótico que tanto pode dar para um lado como para outro. Acredito que caminhemos por onde caminhemos, vamos a dar ao mesmo destino, tal como sinto eu o destino que a minha vida tem, porque não podemos mudar de um momento para o outro. Esta vontade de mudar tudo numa só vida, que acabamos por não conseguir absorver, é inerente ao homem. Este querer tudo numa só vida é destruidor. Se eu fosse maleável e adaptável eu seria mais feliz, mas eu sou rígido e as novidades fazem-me confusão. Quero acreditar que possa tirar alegria, ainda, da tristeza (shiver- codplay), que me consome. Se bem que não acredito. Talvez eu tenha que ser realista com tudo o que faz e é a minha realidade, e aceitar que basta viver sem grandes problemas para ser feliz. “It’s all right – Reamonn”.