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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A minha auto-preservação

            A preservação de um ser é algo de magnífico, a sua idade, a sua perseverança de viver, sendo, no entanto, um suspiro despercebido na idade do tempo. A vida é algo de extraordinário e único (talvez a maioria das pessoas saiba isso e o que digo é uma vulgaridade para elas, porque o veem como evidente, tenham elas a inteligência que tiverem ou independentemente do estrato social que ocupam na sociedade); o facto de sermos seres vivos auto-conscientes ainda é mais extraordinário. Talvez sejamos únicos neste Universo. Tudo parece belo quando estamos no nosso elemento, em segurança, dentro do aceitável segundo as regras do homem, tendo um conhecimento superior ao dos outros; ou talvez nem por isso, talvez se viva bem e feliz na ignorância vivendo toda a vida como crianças; eu não me importava de ter sido esta última, já que tive de viver, se Deus quisesse. Tenho a fé de que há Leis muito maiores do que as apeladas de ‘leis’ criadas pelos homens, segundo tais Leis as leis dos homens passam somente a ser simples regras, regras de convivência ou, muitas vezes, de conveniência. A minha preservação, enquanto ser consciente e conhecedor que sou, passa por sobreviver o mais longevamente possível e na melhor qualidade de vida possível, acrescentando: na inteligência e na fé dos valores bons, positivos, da vida, na busca do que é justo além da procura da força do saber sofrer, quando tal tem que acontecer. Quero construir a minha vida, tenho que agir, no entanto sempre tive medo de agir mal, talvez porque embutiram em mim o ideal da perfeição, da autoexigência, autoexigência essa que me levou a ultrapassar os limites da minha mente, mas com um preço caro, que estou a pagar (para o bem ou para o mal), o tal sofrimento que quero superar. Essa exigência leva a que tenha ideais elevados mas me retrai no agir, visto que eu não ajo segundo as regras do homem, e sim, tento sempre agir segundo as leis do Universo, de um ideal superior, o que me causa dificuldades imensas, mas que julgo que, como crente, ao mesmo tempo me vai valendo essa fé num Bem superior, para onde temos que caminhar e evoluir. Vejo através de análises extrínsecas que muita gente não deve dar valor à vida, mesmo quando têm o essencial para lhe dar valor e lutarem pelo que é justo, subjacente está um ideal de vida de desvalorizar o Universo (a vida, tudo o que existe, eles próprios). Até posso dar um exemplo a atualidade em que jovens da europa, neste momento partem para a Síria para combater ao lado do estado islâmico; estando eles numa terra de paz e liberdade, partem para morrer em vão numa guerra sem sentido; faz-me muita confusão, isso, como é possível? Como é possível o aberrante, sem valor, atrair vidas? Dizem que lutam em nome de Deus, mas quem são eles para lutar por Deus, por amor de Deus?! Prosseguindo: Eu mesmo tenho medo, neste momento assim como em todos os momentos da minha vida, que caia numa situação em que não consiga dar mais valor à própria vida e ao que vivi. Mesmo assim, é provável que chegue a um certo ponto, se continuar a viver, em que a vida não me soará como soa agora no meu psíquico, em que tudo o que fui e sou se irá diluir no tempo, aceito que tal poderá acontecer, desconfio que já esteja acontecendo paulatinamente.
Falamos mais em ‘preservação’ quando falamos de proteger objetos para que possam existir o maior tempo possível, eu falo da minha auto-preservação. O homem devia pensar que auto-preservar-se deve ser preservar esta bela terra pelo mais longínquo tempo possível, mas à velocidade a que está o mundo tenho que dizer que não tenho esperança num futuro a médio prazo, resta-me a fé numa intervenção divina para equilibrar tudo isto. Como dizer o que vejo por palavras? É tão difícil fazer-se compreender quando as pessoas não querem compreender… É mais fácil idealizar mas tão difícil agir. Tanta gente que nasce sem amor, sem ideias, seguindo regras cegamente, seguindo seus instintos enganadores e erróneos. Deus, se existe o bem e o mal, e tu és o bem, tens que intervir e tornar este mundo belo aos olhos de todos, ou estarei eu completamente errado? Tenho medo que esteja, mas ficaria feliz se estivesse um pouco certo do que sinto.
            Tento preservar-me, mas a maioria dessa capacidade de preservação não está em mim (somente uma minoria em mim), mas sim no que chamamos o acaso de situações, que poderão não ser tão acaso como pensamos. Pistas de mim perdurarão para sempre, senão histórias completas, que tentarão reescrever-me. Desejava não ser o protótipo de um homem que não tem valor, porque tudo o que sinto é imensamente valorizado, não fingido. Se tenho muitas coisas más (sentimentos, atitudes, más ações)? Terei algumas, e mesmo assim tudo em mim terá um propósito ainda muito, mas muito maior do que eu posso alcançar. Resta olhar para o que me é inerentemente bom e equilibrado, o desejo de ser um ser perfeito, apesar de todas as dificuldades e imperfeições. Poderemos chamar ao que está a acontecer no mundo ‘acaso’, ou haverá um propósito para tudo o que acontece? Talvez o propósito seja a evolução, a melhoria dos seres, mas… é tudo tão paradoxal que confunde a mente racional.
            Para nos preservar também precisamos conhecermo-nos o melhor possível, saber o que podemos fazer ou não, e respeitar os limites de nós mesmos, mesmo quando estamos a ultrapassá-los constantemente, devemos respeitar o que nos é imposto pela nossa natureza. É como saber o que nos faz bem e o que nos faz mal, se nos faz mal devemos evitar sem dúvida, se possível; decerto há um lugar para nós estarmos, não devemos tentar ser como outros se não o podemos ser. Se o leite me faz mal, não o tomo, em princípio tenho alternativa; Sorte a daqueles que bebem sem males maiores, devem ter bom fígado, o meu não destila bem, vou por outro caminho, obrigado, talvez não possa ser vosso amigo. Eu que pensava ser especial, afinal sou um ser fraco, não tenho uma saúde normal, tenho que seguir o meu próprio caminho, solitário, mas o meu caminho, ou então, se não tiver caminho, lutarei para fazê-lo sobre o vosso, até morrer… Tudo pode ser sério, tudo pode ser simples, não conhecemos ninguém; Eu pelo menos tento conhecer-me a mim mesmo, e respeitar-me, e superar-me respeitando os outros quando merecem, senão luto para fazer o equilíbrio, o meu equilíbrio e o equilíbrio dos outros para comigo. Senão ainda sonho: quando não posso sonho que posso.

            Culturas que se diluem em culturas; conquistas forçadas; sangue inutilmente derramado em nome de Deus, em nome de ideais que hão de desaparecer para sempre; a destruição do mais fraco; a preservação dos fósseis; atritos que não compreendemos; as inteligências de seres que superam outros mas que vivem na tolerância da humanidade são boas aos olhos de quem realmente manda; tento ver com olhos superiores mas não consigo realmente ser superior; Ajo segundo uma natureza que pressinto mas não consigo descrever; tento perseverar, quero perseverar; Não me deixes cair no vazio, e no entanto deixar-me-ás cair, mas tenho fé que me levantarás, para me auto-preservar.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Sons que nos movem

            Repito-me. E ao repetir-me captais a minha essência. Ou será mesmo que a captais? Ou captareis o meu comportamento, a coerência dele, sim, isso talvez. No entanto não tenho tanta gente que capte quem eu sou no mais íntimo de mim. Trilho por caminhos que parecem estar pré-determinados como sempre os achei, toda a minha vida parece definida por regras que não consigo aceitar. Porque não consigo mudar a minha sorte? Ou talvez o meu humor? A minha criatividade? Na verdade que valho eu para este Universo? Com a repetição cimentamos quem somos, aquilo que sabemos e que, na verdade, é ultrapassado (esse saber) num determinado período de tempo. Sons que se ouvem sem parar, dia após dia. Musicas que nos captaram a atenção, sons que parecem ditar o nosso futuro, quiçá o nosso destino, e que nos tentam dizer o que é o bem, o caminho a seguir – para mim foi assim, e ainda o é em grande parte. Ouvi-as, fascinaram-me inconscientemente, apesar de não perceber literalmente a letra (estrangeira) que transmitiam na altura, e surpreendo-me comigo próprio e com um sentido misterioso que me envolve quando as reoiço e lhes traduzo a letra, sentindo no entanto a perda da emoção que tende a fugir com o passar dos anos e maravilhando-me ainda mais com um sentido que não posso descrever e que me prende, a perscrutar o seu significado; porque eu compreendia as músicas não sabendo a letra, na altura? Agora posso confirmar, eu compreendia o sentido da música sem compreender a letra. Tudo isto, ainda sem falar de como elas me influenciaram, como ditaram aquilo que sou, como se tivesse que acontecer, ao surgirem em momentos ‘chave secreta’ da minha vida. Penso constantemente na magia de ser criança e jovem, efetivamente é o conceito de magia que eu atribuo a tal estado de compreensão emocional, sem ainda ter grande racionalidade. Contudo sinto que foi uma magia solitária a minha, como sempre o afirmei, uma magia marginalizada, invejada muitas vezes talvez; uma magia inultrapassavelmente ingénua e que se mantém assim, ingénua, na busca dos mesmos sentimentos, para que os possa reviver até não mais poder para, consequentemente, compreender o que tais sentimentos e emoções significam; uma magia de ver o mundo, o Universo, tudo o que me envolve com outros olhos, sentindo com outros sentidos, os meus olhos, os meus sentidos, tão próprios, tão únicos; (sem querer ser narcísico) ao mesmo tempo comungando do invisível que une o homem, o psiquismo incompreendido, a ligação com tudo o que existe na base de que há algo que define a unicidade da ligação da vida deste Universo. Ainda não aceito as regras do jogo da minha vida, que por um lado parece ser tão bela, num tempo tão único, e ao mesmo tempo me parece surreal, em que sei que não a compreendo como seria normal senti-la e que seria correto se me sentisse bem e ainda mais livre sendo autossustentável correndo ao sabor da maré mesmo que a minha direção não fosse essa, compreendendo a mundanidade das pessoas, o senso comum. Coloquei e coloco grandes questões acerca da minha vida, que parecem não ter sentido para muita gente, mas que têm sido fulcrais para ir vivendo e tentando compreender as coisas ao se chegar a um determinado ponto, a altura certa de compreender, depois de tanto analisar tudo na minha mente. Visto que me expresso tão incomumente, visto que tenho dificuldades de expressão, eu absorvo mais, muito mais do que posso, até ao ponto em que eu pareço rebentar de tanto absorver, vendo eu quem absorva muito mais sem ter desequilíbrios, tão naturalmente, que os invejo.

O som faz-me mover, reanima-me, relaxa-me, faz-me esquecer aquilo que é tão difícil de superar, aquilo que se calhar não vou superar. Os sons familiares fazem-me reviver e remodelar-me a mim próprio. Num mundo de evolução e aperfeiçoamento eu sou apenas mais uma experiência do cosmos para atingir esse clímax de aperfeiçoamento, algo descartável porque não feito corretamente, vivendo na ideia de que há um sucesso a ser alcançado, uma realização a ser obtida, que, na verdade, nasce em grande parte da naturalidade de um ser, não exatamente da experiência de uma vida, isto é, se bem que se podem atingir patamares altos, o sucesso depende de causas que nos ultrapassam. Eu tenho as músicas da minha vida, tantas (não sei escolher em particular, não sei restringir a minha vontade de ouvir, saber, gostar – dai também parte dos meus problemas de divergência do pensamento e dos gostos que me leva a que não viva numa vida ilusionáriamente feliz); Agora o meu novo repertório tende a ser muito menor, mas por mais que vivesse não haveria música que me satisfizesse, e ainda assim gosto do que é bom, acreditando que existe um ‘bom’ (uma boa música) ainda que ultrapassável no tempo. As músicas fizeram-me sonhar, no amor, na plenitude de sentir a vida, e no entanto falhei, apesar de nunca ter estado numa situação realmente de desistência completa da minha vida, havendo sempre um buraco onde me meter até agora, havendo sempre uma hipótese de fuga do mal que nos quer envolver. Perdi contudo também o sentido prático da vida, aquele que me daria, certamente, uma recompensa imediata, vivendo eu, assim, na incerteza de que será real o que sinto (?), quero dizer, faz mesmo sentido? ‘Existência’ é música para os meus ouvidos.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Enigma - Silence must be heard

Enigma - Silence must be heard

(with lyrics/com letra e tradução)




Look into the others eyes, many frustrations
Read between the lines, no words just vibrations,
Don't ignore hidden desires
Pay attention, you're playing with fire

Silence must be heard, noise should be observed
The time has come to learn, that silence...
SILENCE MUST BE HEARD
Or diamonds will burn, friendly cards will turn
'Cause silence has the right to be heard

People talk too much for what they have to say
Words without a meaning, they are fading away

Silence must be heard, noise should be observed
The time has come to learn, that silence...
SILENCE MUST BE HEARD
Or diamonds will burn, friendly cards will turn
'Cause silence has the right to be heard


Tradução:



Olha nos olhos dos outros, muitas frustrações
Lê nas entrelinhas, não há palavras apenas vibrações,
Não ignores desejos ocultos
Presta atenção, estás brincando com fogo

O silêncio deve ser ouvido, barulho deveria ser observado
Chegou a hora de aprender, esse silêncio…
O SILÊNCIO DEVE SER OUVIDO
Ou diamantes irão queimar, postais amigáveis deixam de o ser
Porque o silêncio tem o direito de ser ouvido

As pessoas falam demais para o que têm a dizer
Palavras sem significado, elas estão a desaparecer

O silêncio deve ser ouvido, barulho deveria ser observado
Chegou a hora de aprender, esse silêncio...
O SILÊNCIO DEVE SER OUVIDO
Ou diamantes irão queimar, postais amigáveis deixam de o ser
Porque o silêncio tem o direito de ser ouvido




                         http://johnybigodes.blogs.sapo.pt/11358.html
                         http://johnybigodes.blogs.sapo.pt/4219.html
                         http://johnybigodes.blogs.sapo.pt/3529.html
        

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

U2- Kite



U2 – Kite
(with lyrics/com letra e tradução pessoal)
 
 

 
 
 
Voando
 
Something is about to give
I can feel it coming
I think I know what it is
I'm not afraid to die
I'm not afraid to live
And when I'm flat on my back
I hope to feel like I did
 
And hardness, it sets in
You need some protection
The thinner the skin
 
I want you to know
That you don't need me anymore
I want you to know
You don't need anyone
Or anything at all
 
Who's to say where the wind will take      you?
Who's to say what it is will break you?
I don't know, which way the wind will blow
 
Who's to know when the time has come around?
Don't want to see you cry
I know that this is not goodbye
 
It's summer, I can taste the salt of the sea
There's a kite blowing outta control on the breeze
I wonder what's gonna happen to you
You wonder what has happened to me
 
 I'm a man, I'm not a child
A man who sees
The shadow behind your eyes
 
 Who's to say where the wind will take you?
Who's to say what it is will break you?
I don't know, where the wind will blow
 
Who's to know when the time has come around?
I don't want to see you cry
I know that this is not goodbye
Algo está prestes a dar-se
Eu posso sentir isso
Eu acho que sei o que é
Eu não tenho medo de morrer
Eu não tenho medo de viver
E quando estiver de costas
Espero que te sintas como eu fiz

 
E a dificuldade, ela se instala
Precisas de alguma proteção
Quanto maior sensibilidade

Eu quero que saibas
Que não precisas mais de mim
Eu quero que saibas
Não precisas de ninguém
Ou do que quer que seja
 
Quem dirá onde o vento te vai levar?
Quem dirá o que será que te vai quebrar?
Eu não sei, para que lado o vento soprará

Quem saberá quando chegou o momento?
Não quero ver-te chorar
Eu sei que isto não é um adeus

É verão, eu posso provar o sal do mar
um fluxo soprando fora de controlo na brisa
Pergunto-me o que vai acontecer contigo
Perguntas-te o que tem acontecido comigo

 
Eu sou um homem, não sou uma criança
Um homem que vê
A sombra por trás de teus olhos

Quem dirá onde o vento te vai levar?
Quem dirá o que será que te vai quebrar?
Eu não sei, para que lado o vento soprará
 
  Quem saberá quando chegou o momento?
Não quero ver-te chorar
Eu sei que isto não é um adeus

 
 
 


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Pink Floyd - Take it Back (live)



Pink Floyd - Take it Back


(com
letra/with lyrics)





Her love rains down on me easy as the breeze
I listen to her breathing it sounds like the waves on the sea
I was thinking all about her, burning with rage and desire
We were spinning into darkness; the earth was on fire


She could take it back, she might take it back someday

So I spy on her, I lie to her, I make promises I cannot keep
Then I hear her laughter rising, rising from the deep
And I make her prove her love for me, I take all that I can take
And I push her to the limit to see if she will break


She might take it back, she could take it back some day

Now I have seen the warnings, screaming fromall sides
It's easy to ignore them and G-d knows I've tried
All this temptation, it turned my faith to lies
Until I couldn't see the danger or hear the rising tide


She can take it back, she will take it back some day
She can take it back, she will take it back some day
She can take it back, she will take it back some day

domingo, 16 de novembro de 2014

A persistência de uma vida



            Persiste, eu tento. Converge ou diverge, eu divirjo. Concentra-te ou descentra-te, eu descentro-me; Não tenho gostos particulares, tudo é belo á sua maneira, de modo que até acredito, apesar de me ser difícil enxergar muitas das vezes, que existe beleza no que de mais feio existe, se soubermos procurá-la. Que potência de absorver!!! Que desastrosa pode ser a manifestação do nosso ser, apesar de parecer que temos tudo para sermos os melhores. Que inconsistência inimaginável na relação com os seres próximos. Que desequilíbrio entre absorção, acomodação e expressão, de tudo o que nos envolve. Por vezes penso que sou perfeito, que nasci numa altura perfeita da existência da terra, que tudo aponta para isso, e no entanto sempre tão perto de perder o controlo de tudo o que é equilibrado. Oiço as músicas mais belas, penso, vejo filmes magníficos, aprendo a sentir o mundo de uma maneira correta, e ainda assim sou o mais inseguro, pequeno, frágil, incapaz de construir, como se a energia se dissipa-se em mim. Tudo vem até mim no espaço da minha vida como se um sonho se tratasse, coisas que eu sonhava mas que achava que nunca iriam acontecer, não passavam disso, sonhos, e no entanto, tanto que se concretiza, para minha admiração e incompreensão dentro da minha compreensão. O poder quer me pertencer, ou será tudo uma ilusão? Que falta de amor é este que me faz andar a cambalear? O amor que poderia acontecer e que na realidade não compreendo. Ou será demasiado amor a provocar tudo isto que sinto? Serei eu que sou pobre de espírito ou serei eu extravasado de inteligência? Porque não vejo com claridade, objetividade, concretamente? Penso acerca do modo que vivemos, penso no modo em que eu vivo, se vou sobreviver apenas pensando, se haverá complacência do Criador para comigo e me livre de tanta atrocidade que vejo e me apegue ao que é bom e morra em paz. Talvez eu me compreenda demais, porque está escrito que assim havia de ser, para, assim, perceber os meus limites, e poder sobreviver. Mas se eu compreendo há muitos outros que compreendem muito mais, mas que apesar disso não reduzem a importância do que eu sou capaz de compreender, assim como vice-versa, eu já me apercebi... O paradoxo de amar os desconhecidos e ao mesmo perguntarmos porque havemos de os amar se não sabemos se está ‘o bem’ com eles, estranha-me. Esta vida parece-me que é o caminho a trilhar para purificar as alma de encontro ao infinito depois de virmos do nada, ou do quase nada, do ínfimo. 7 Mil milhões de pessoas a elevarem a consciência humana no sentido de escutar o que é Divino e no entanto tanta discrepância entre os que têm a fé e os que não a têm. Tanta gente que não quer saber, que não quer compreender que é possível ver ‘mais além’, pondo a ideia de indiferença ou derrotista de que é impossível compreender a vida vivendo no concreto, no agora, no palpável. Pois eu sinto que não vivo no presente, como na verdade se prova que ele não existe, vivo no sentimento do passado com a expectativa do futuro. E no entanto dou a razão a esses que serão felizes, ignorantes que convergem na vida, se especializam, sem andar a questionar sobre o inquietante futuro incerto, coisa que têm que amargar ‘os outros’ (neste caso, EU) que antes do tempo ousam saborear as questões do infinito, vivendo numa incompreensão que parece ser compreensão, perdendo a ilusão da felicidade por não saber, numa vivência em conforto enquanto é a casa do vizinho que está a arder. Com isto tudo, falei, como tenho falado, de questões ideológicas, imagináveis, no patamar das ideias, que, aparentemente, nada têm a ver com a realidade, esta, a minha realidade, em que eu queria ser feliz, expressando-me, viver emocionalmente equilibrado.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

10 anos de Escuridão




               10. Um número que marca mais a minha vida que outros números. Pelo menos, neste momento, merece a minha atenção, em especial, assim como quando o mundo me acolheu e me fez despertar os sentidos da atenção física e psíquica. Temos o Pólo norte e o Pólo sul assim como temos o yin e o yang. Temos os opostos que se complementam. Temos o Pólo negativo e o Pólo positivo. Temos o sexo feminino que se complementa com o masculino. Temos a suposta existência dos antitéticos conceitos do ‘bem’ e do ‘mal’. Temos, de uma maneira geral, definições de factos reais, de coisas palpáveis, como temos definições de conceitos ou coisas abstratas, ou ainda, temos antónimos, paradoxos, mas, sobretudo, os opostos (falando de uma maneira geral) existem e serão norma. No entanto surge algo nesta existência do Universo que o mantem rico e sem se auto anular nessa premissa dos opostos. A existência de algo que provoca o desequilíbrio talvez seja uma bênção. Além do mais, temos o dia e noite, que, assim como que do nada que eu era, o nirvana, surgi para ser tudo o que poderia ser até agora e puder continuar a ser. ‘10 Anos de escuridão’ significam 10 anos de abandono do dia para ter o refúgio, inesperado, da noite, essa, que me levou a juventude para vir a ter uma maioridade confusa com o sentimento de que não sou independente e maior de idade como na era temporal em que realmente estou. Mesmo depois de tanta cogitação que me foi proporcionada por esses 10 anos de noite, de acalmia (pelo menos aparente) eu ainda sou uma criança que grita por liberdade e saúde, que sonha ser uma pessoa normal. Li algures numa revista, nessas longas noites que, (que me parecem que foram tão pequenas, agora, a esta distância), cerca de 10 anos é o tempo que leva o organismo fisiológico humano para se regenerar por completo, célula por célula. Eu me regenerei organicamente, mas muita das coisas que a mente tinha de recordações menos boas transitaram para os novos neurónios, mas acho que não poderia ser de outra maneira, acho. 10 Anos da minha vida em reflexão profunda, coração batendo no vazio, respiração pausada, quando não sem respiração, vermelho muitas das vezes, o sangue completamente alterado, estra sensível à luz solar e ao mesmo tempo necessitando tanto dela, tentando atingir o meu limite do meu entendimento da minha vida, de um Universo que existe ou deveria existir em cada um de nós. A força, que na verdade era uma farsa e não força, e que parecia estar a atingir limites extraordinários, levar-me-ia a novos domínios que agradariam a muita gente. 10 Anos inesperados, com um final inesperado, não fatal, não, graças a Deus, porque a vida persiste e diz que não é a hora, e então o mundo gira e muda as coisas para que tudo vá da maneira, como que, pré-determinada, como se o nosso destino estivesse escrito nas estrelas – enfim, um mundo inteiro de frases feitas prontas para inovar no mundo das ideias. A magia de uma infância, os sentimentos do magnífico sentimento de um mundo a conquistar e saborear com espirito de paz e liberdade ainda paira em mim. Poderias dizer como já eu disse muita vez, que talvez não fosse magia, mas sim ilusão; mas não, afirmo, veementemente que, realmente foi magia. Ainda mais, foi essa magia que me fez continuar, bem ou mal, e foi esse desejo de conquista do mundo (que no fundo é a minha vida) em paz e no bem, no intuito da liberdade que se conquistaram ilusões, que eram na altura tal, para vir a ser algo real, nem que seja virtualmente, uma realidade virtual em muitos aspetos. A ilusão está lá, na infância, mas a magia leva-nos a querer atingir essa ilusão ou muitas dessas ilusões que temos, e o curioso é que vamos atingindo muitas delas fantasticamente. Sei que há muitas crianças que não devem ter essas ilusões, não lhes é permitido por esse mundo afora, pelos mais inúmeros e variados motivos. Sei que vivem na escuridão mesmo que não vivam na noite, não transbordam fronteiras físicas e/ou do conhecimento, e o pior não é isso, vivem mal, não são amadas da maneira que deviam ser, não têm o essencial para ter uma vida que diga que vale um pouco a pena; são muitas vezes filhos e filhas de pais que é como se fossem incógnitos mesmo que não o sejam, quando os têm, as ligações emocionais básicas estão quebradas. Existem estes que não reagem e existem o que reagem mal, lutando da maneira errada. Também há aqueles que não sabem nem querem saber, e mesmo que saibam não querem acreditar, apesar de tudo o que a vida lhes dá e mostra e demonstra, em abundância. Mas há momentos que, para lá da escuridão, o que se procura é o que é justo, o que é belo, saúde, liberdade que vem com a tolerância que por sua vez procede a inteligência e o amor pela vida e pela sua fragilidade, do mundo, do planeta terra, da nossa mãe terra. Mas inteligência não calha a todos, e em 7.000.000.000 de pessoas na verdade, apesar de escrever o que escrevo, eu não conheço uma que seja, ou… talvez um dia, as conheça todas. Sim, se na verdade tudo levar a um só coração batendo em uníssono, respeitando a diferenças e agir em liberdade um com os outros, coisa que me é difícil de alcançar, como se fosse uma ilusão que a magia que me resta deseja alcançar. Então seremos livres, de noite ou de dia, porque mesmo de noite não haverá mais escuridão.