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sábado, 3 de outubro de 2026

O dilema da ambivalência antitética de confiar, ou não, no ser humano

     Sigo caminhando por esta Vida. Como qualquer ser humano pode fazer e ter, Eu reflito e tenho reflexões, pensamentos intensos, sobre a minha vida e a vida no geral; São mais fortes do que Eu, assaltam-me de uma maneira violenta, de forma compulsiva e obsessionada, a qualquer momento e em qualquer circunstância, mesmo que, aparentemente, a minha sobrevivência não esteja em causa. Nestas minhas escritas, tenho posto enfâse no fim da vida, sempre desde que comecei a (tentar) escrever (sim, tentar, porque me custa escrever, ainda, como me custou muito tentar começar a exprimir-me, primordialmente, dizer e interpretar o que sinto e obter o feedback do mundo humano, além de que devemos - devo - respeitar a Palavra). A vida, no geral, preocupa-me, não só a minha, mas, também, a da Mãe Terra e do rumo dela, como se eu tivesse alguma capacidade ou responsabilidade do futuro Dela e de todos Nós; como que é uma Atitude doentia que, aparentemente, só me prejudica, como se eu não fosse insignificante, pequeno ou simples demais para não me importar com Tamanhos assuntos. Abordo, assim, concernências, que terão uma importância a nível do metafisico da mente e da profunda Filosofia; até ao ponto em que a dor fisiológica e/ou física faz com que nada mais disto, que, agora, disse, ou, que, alguma vez, disse, senti ou pensei, deixa de fazer sentido. Sim, o sofrimento. O sofrimento humano, o dos outros e aquele que me toca, este último, o que mais me preocupa, pessoalmente, como não pode deixar de ser. Eu vejo o dos outros e imagino o que me espera, porque eu não sou, na realidade, mais ou menos do que ninguém. Não consigo ficar indiferente (talvez tenha razões mais do que suficientes para sentir assim, mesmo que eu não compreenda o porquê de tal acontecer).  A dor prolongada da reta final, aflige-me.  Quanto sofrimento vejo, que, têm muitas pessoas para passar para o lado de lá. Talvez padecer rápido seja uma bênção. Estar a jazer prolongadamente para passar o destino final, parece-me um inferno, imagino; Dores físicas, dores psicológicas inimagináveis em que o espiritismo se cruza com o bruxismo, coisas que o mundo quer esconder ou pelo menos não compreende e abafa por motivos de força maior, ou mesmo por um Motivo Maior. A simples dor física, o sofrimento consciente da própria dor é um muro que pode ser duro e alto de mais para aqueles que o têm de enfrentar, se a rapidez não for amiga. Nessa hora, nesses momentos prolongados de desejos de finalização, o que é considerado crime seria um ato de bondade, um golpe de misericórdia (na minha interpretação e no meu desejo pessoal). Como já disse, sempre falei do fim em muitos textos que postei, é algo inerente a mim; qualquer ser humano tem noção do fim; Mas, dizê-lo sem ter dor física exagerada, nem estar na iminência de atingir a borda do precipício é uma coisa, mas, quando as coisas nos começam a acontecer a nós, e, o precipício se aproxima no veículo da dor física intensa, então as ideias da consciência tornam-se estranhas, tudo começa, rapidamente, a deixar de ter o sentido que deveria ter ou teve em toda a vida, a esperança parece ser um conceito alienígena, ou mesmo, nem saberemos o que isso é, toldados pela negridão do momento. Nesse momento(s), entregamos ou não a nossa vida na mão, com total confiança, de outro ser humano, ou, outro seres humanos, cegamente, como que ainda tendo esperança de que tudo vai passar, ainda? De que iremos ser rapidamente salvos da dor, no-la vão tirar? Nos vão tirar o sofrimento conservando a vida? Ou seria melhor por um fim imediato nela e na consciência infernal desse momento? A gente pede ajuda, eu pedi ajuda, porque precisei. Porquê duvidar da minha baixeza sofrida e indigna e até humilhante (se consideramos que a pessoa que está do lado de lá não foi confiável), de ter de pedir ajuda, a alguém estranho, sem amor para me dar, para me ajudarem num momento tão difícil? Porque um sistema está montado, um sistema em que eu acredito à priori que me vai ajudar(?), e, na verdade, tudo só funciona com base no interesse económico, sujeito, como todos os que já passaram por isso e não estão cá para contar, a ser (eu) esgotado na humanidade de pôr fim ao sofrimento (porque eu não sou mais do que ninguém)? Sabemos o que vai no Interior desses seres humanos, nesses momentos? Quem la está a sofrer, talvez perceba o que se está a passar, se tiver, ainda, consciência…

    Tem Piedade de mim, ó esperança. Nessas horas queria eu ter a ferramenta que me pudesse ajudar pessoalmente, empunhada na minha mão, decidindo eu o meu destino e se vale a pena sofrer ou não.

     Vigiai os vossos pensamentos e as vossas ações (aplica-se a todos nós). Não quero perder a esperança de que o ser humano se compadece e ajuda nesses momentos tão, especialmente, dolorosos na vida de um ser infernalmente consciente, e, que seja misericordioso. Espero que estas palavras não se voltem contra mim, não tomem rumos obscuros e labirínticos e que os seres que nos abordam nesses momentos saibam controlar-se e dominar o mal, como Eu o tento fazer, desde sempre, na minha vida. Quem me dera conduzir o Destino, quem me dera que essa possibilidade me fosse concedida, porque o dilema irá continuar, porque um motivo de Força Maior pode ser a Causa de tudo isto. Terei que confiar mais na máquina no futuro?

      

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Sons que nos movem

            Repito-me. E ao repetir-me captais a minha essência. Ou será mesmo que a captais? Ou captareis o meu comportamento, a coerência dele, sim, isso talvez. No entanto não tenho tanta gente que capte quem eu sou no mais íntimo de mim. Trilho por caminhos que parecem estar pré-determinados como sempre os achei, toda a minha vida parece definida por regras que não consigo aceitar. Porque não consigo mudar a minha sorte? Ou talvez o meu humor? A minha criatividade? Na verdade que valho eu para este Universo? Com a repetição cimentamos quem somos, aquilo que sabemos e que, na verdade, é ultrapassado (esse saber) num determinado período de tempo. Sons que se ouvem sem parar, dia após dia. Musicas que nos captaram a atenção, sons que parecem ditar o nosso futuro, quiçá o nosso destino, e que nos tentam dizer o que é o bem, o caminho a seguir – para mim foi assim, e ainda o é em grande parte. Ouvi-as, fascinaram-me inconscientemente, apesar de não perceber literalmente a letra (estrangeira) que transmitiam na altura, e surpreendo-me comigo próprio e com um sentido misterioso que me envolve quando as reoiço e lhes traduzo a letra, sentindo no entanto a perda da emoção que tende a fugir com o passar dos anos e maravilhando-me ainda mais com um sentido que não posso descrever e que me prende, a perscrutar o seu significado; porque eu compreendia as músicas não sabendo a letra, na altura? Agora posso confirmar, eu compreendia o sentido da música sem compreender a letra. Tudo isto, ainda sem falar de como elas me influenciaram, como ditaram aquilo que sou, como se tivesse que acontecer, ao surgirem em momentos ‘chave secreta’ da minha vida. Penso constantemente na magia de ser criança e jovem, efetivamente é o conceito de magia que eu atribuo a tal estado de compreensão emocional, sem ainda ter grande racionalidade. Contudo sinto que foi uma magia solitária a minha, como sempre o afirmei, uma magia marginalizada, invejada muitas vezes talvez; uma magia inultrapassavelmente ingénua e que se mantém assim, ingénua, na busca dos mesmos sentimentos, para que os possa reviver até não mais poder para, consequentemente, compreender o que tais sentimentos e emoções significam; uma magia de ver o mundo, o Universo, tudo o que me envolve com outros olhos, sentindo com outros sentidos, os meus olhos, os meus sentidos, tão próprios, tão únicos; (sem querer ser narcísico) ao mesmo tempo comungando do invisível que une o homem, o psiquismo incompreendido, a ligação com tudo o que existe na base de que há algo que define a unicidade da ligação da vida deste Universo. Ainda não aceito as regras do jogo da minha vida, que por um lado parece ser tão bela, num tempo tão único, e ao mesmo tempo me parece surreal, em que sei que não a compreendo como seria normal senti-la e que seria correto se me sentisse bem e ainda mais livre sendo autossustentável correndo ao sabor da maré mesmo que a minha direção não fosse essa, compreendendo a mundanidade das pessoas, o senso comum. Coloquei e coloco grandes questões acerca da minha vida, que parecem não ter sentido para muita gente, mas que têm sido fulcrais para ir vivendo e tentando compreender as coisas ao se chegar a um determinado ponto, a altura certa de compreender, depois de tanto analisar tudo na minha mente. Visto que me expresso tão incomumente, visto que tenho dificuldades de expressão, eu absorvo mais, muito mais do que posso, até ao ponto em que eu pareço rebentar de tanto absorver, vendo eu quem absorva muito mais sem ter desequilíbrios, tão naturalmente, que os invejo.

O som faz-me mover, reanima-me, relaxa-me, faz-me esquecer aquilo que é tão difícil de superar, aquilo que se calhar não vou superar. Os sons familiares fazem-me reviver e remodelar-me a mim próprio. Num mundo de evolução e aperfeiçoamento eu sou apenas mais uma experiência do cosmos para atingir esse clímax de aperfeiçoamento, algo descartável porque não feito corretamente, vivendo na ideia de que há um sucesso a ser alcançado, uma realização a ser obtida, que, na verdade, nasce em grande parte da naturalidade de um ser, não exatamente da experiência de uma vida, isto é, se bem que se podem atingir patamares altos, o sucesso depende de causas que nos ultrapassam. Eu tenho as músicas da minha vida, tantas (não sei escolher em particular, não sei restringir a minha vontade de ouvir, saber, gostar – dai também parte dos meus problemas de divergência do pensamento e dos gostos que me leva a que não viva numa vida ilusionáriamente feliz); Agora o meu novo repertório tende a ser muito menor, mas por mais que vivesse não haveria música que me satisfizesse, e ainda assim gosto do que é bom, acreditando que existe um ‘bom’ (uma boa música) ainda que ultrapassável no tempo. As músicas fizeram-me sonhar, no amor, na plenitude de sentir a vida, e no entanto falhei, apesar de nunca ter estado numa situação realmente de desistência completa da minha vida, havendo sempre um buraco onde me meter até agora, havendo sempre uma hipótese de fuga do mal que nos quer envolver. Perdi contudo também o sentido prático da vida, aquele que me daria, certamente, uma recompensa imediata, vivendo eu, assim, na incerteza de que será real o que sinto (?), quero dizer, faz mesmo sentido? ‘Existência’ é música para os meus ouvidos.