Player

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Dias [8 de Março de 2002]

    







            “Ouvre la porte et rêve....”, Daniel Hechter. Abro as portas do passado e revejo, entre névoas vespertinas, aquilo que sou e aquilo que fui. A primeira ideia que me surge , frente aos meus olhos, era o ideal utópico que me movia: a busca da perfeição. - Talvez um objectivo demasiado alto e que me tem saído caro. Quis subir sem olhar ao equilíbrio, à estabilidade dessa subida e às tantas caí nas malhas tecidas pela vicissitude da vida, na dura rocha da realidade - Pensei que seguia o caminho certo, e falhei.


       Tudo tinha vida para mim, as penedias dos campos, o ar que respirava, a terra que absorvia com o olhar, só que... na realidade, não tinha amigos. Não convivi suficientemente com pessoas -Só consigo pensar negativamente...tenho que ver as coisas boas da vida. Mas em cada veleidade surge-me a antinomia.


   Recomecemos, sem pressas - Tudo o que escrevo é como alguém que me fala, apesar de isto ser um solilóquio. Solilóquios é o que sei fazer. Mas recomecemos, recomecemos até tudo ficar como a gente quer.


        Estava um dia quente de Verão, não sei a temperatura, na altura não sabia ver temperaturas, não sei se já teríamos termómetro em casa, mas a certeza de que estava um dia quente isso estava, pois desde que há memória todos os Verões são quentes, mais ou menos. Estávamos no primeiro dia do resto da minha vida.


Era tempo de renovação da esperança, como em todo o tempo em que mais uma vela se acende na vida. Mas esta não tinha chama viva , era uma chama bruxuleante que teimava em não vacilar. E essa chama tornou-se viva, pelas tagatés que o sol emanava, pelo afago que a brisa do vento trazia, pelas lágrimas que foram derramadas pelas nuvens, pela força do calor que traz a vida em si,  como uma potencial semente de centeio a germinar em terreno escabroso. Já mais tarde quando a espiga aflorou, depois de muitas noites passadas ao relento, longe da gregaridade da vida, tendo só a Lua e as estrelas como companhia, chegou a hora de ver a luz do dia. E o dia alvoreceu num mar de brumas, como se o dia fosse a noite, tendo a noite como dia. Mas o tempo não parou por haver tal choque, e a espiga deu as suas sementes que se disseminaram para o novo ano que viria inexoravelmente.     


            Passados 5 anos, caminhado por entre córregos e roças, assim se passou a segunda parte da cena. Dias mais aprazíveis se encontraram, nesta parte. Reminiscências, trazem ao de cima dias passados com o garotio, ora com uns ora com outros. Um dia com uns a guardar cabras, outro eu a guardar uma cabra, sozinho. Outro a deslizar alegremente no gelo desde manhã até já plena tarde com outros, sem almoçar - até a gente se esquecia -. No Verão aquelas idas até à ribeira tomar um banho e as escapulidas que fazia frequentemente até casa dos meus primos. Mas sempre aquele sentimento de nunca estar pleno de gregaridade.


        A terceira parte da cena leva-me à socialização. Mais 5 anos desde então, tudo corria de vento em popa, lá de burro eu não tinha nada! E nesta fase passaram 8 anos. Todo o meu mundo crescia aos poucos - O meu mundo sempre cresceu muito devagar -. Neste decurso conquistei cerca de 30 km de terreno, singrando dia após dia, em autocarros barulhentos, uns com mais lugares, outros com menos, uns mais bonitos do que outros. Vi crepúsculos do alvorecer e do anoitecer, vezes sem conta. Vi geadas e neve a cobrir os campos, vi-os a esverdear e florir. Tudo fluía suavemente. Sonhava com os dias de neve em que tinha que ficar em casa e não ir para aquela rotina que era a escola. E parece mesmo que era fruto do desejo, em tempo propício, aquela neve que vinha, cobrir alvarmente os campos e extasiar a alma trazendo a calma. Mas também me lembro de sentimentos maus que me vinham povoar a alma taciturna. Do fundo do âmago vinham-me emoções desmedidas que eu não conseguia compreender - Relembro-me agora que a primeira fase foi infrutífera socialmente. Aquele vazio que me arde constantemente nas vísceras -. O isolamento ia galopando, a minha vida era escola e casa, apesar daquele manancial teórico que tinha da vida, faltava-me o expediente prático. E foi no culminar desta fase que tudo passou a ser menos risonho. O medo de encarar a vida, isto é, as pessoas, surgiu. E procurando colmatar esta sensação de vazio, esta confusão de não compreender, eu procurava compreender e comecei a correr - a fugir direi eu agora -, distanciando-me cada vez mais de mim próprio. Chamei por alguém no vácuo da noite e nem o eco consegui ouvir para me alentar. Refugiei-me nas bebidas inebriantes onde tudo tentava esquecer, tudo o que sofria, mas acabei por começar a esquecer os bons e os maus momentos. Isto na fase de transição para a 4ª parte da cena.


Nesta parte tudo é sensabor. A noite como refúgio e o dia como pranto, onde a alma anda a monte,  já faz muito tempo. Pouco há para dizer. Resta repetir que fugir é o mote que me faz mover, distanciando-me cada vez mais de mim, devagarinho. Fujo de mim, não encontrando ninguém que me dê a mão. Quando ma estendem recuso-a, porque não acredito na boa vontade dos homens - Mas ao dizer isto nego a faceta positiva que está em marcha. Fui eu que me meti nisto, sou eu que vou ter que sair disto, devagarinho, tendo sonhos cor-de-rosa pela frente, para ser mais fácil -.






Dias [24-01-01]

Dia não são dias, diz-se . Hora não são horas e minuto não são minutos, digo. A perda de um segundo prolonga-se por tempo indefinido consoante a perda for grande ou pequena. O que passou, passou. Deverá pelo menos ser assim. A dor tem que passar mais cedo ou mais tarde. E diz-se ainda que o pouco espanta e o  muito quebranta. Tudo passa mais tarde ou mais cedo nem que os dias pareçam anos, da melhor ou da pior maneira, ou  melhor o pior nem chegará a existir, existe apenas o menos bom, a que chamamos “pior”. Seja como for a relatividade de Einstein estará sempre em voga, para mim, eu que agora estou bem para num momento a seguir estar menos bem e dizer que estou pior. Os dias passarão...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Josh Groban - You Are Loved (Don't Give Up)



Don't give up
It's just the weight of the world
When your heart's heavy
I...I will lift it for you

Don't give up
Because you want to be heard
If silence keeps you
I...I will break it for you

Everybody wants to be understood
Well I can hear you
Everybody wants to be loved
Don't give up
Because you are loved

Don't give up
It's just the hurt that you hide
When you're lost inside
I...I'll be there to find you

Don't give up
Because you want to burn bright
If darkness blinds you
I...I will shine to guide you

Everybody wants to be understood
Well I can hear you
Everybody wants to be loved
Don't give up
Because you are loved
You are loved

Don't give up
It's just the weight of the world
You are loved

Don't give up
Everyone needs to be heard
You are loved



terça-feira, 9 de outubro de 2007

caminhando

    Falo para ti, humanidade, que caminhas por veredas, nas íngremes encostas que te abordam, de um lado o apoio que te segura para a vida, no outro o encontro com o abismo. Mas esse é o teu caminho, essa é a tua senda nessa ladeira sem fim à vista. E não és única, todos temos o nosso trilho. Há que seguir, não há volta a dar, segue o que sentes, conhece-te a ti própria, vai de encontro ao que te espera, o cume da vida, aquele que será o sítio onde irás repousar ou … desiste e o outro lado irás encontrar. Eu conheço-te, mesmo tendo visto tão pouco de ti, talvez mesmo já as estrelas te conhecessem antes de tu as conseguires vislumbrar. Sei que não irás ter medo do nevoeiro que te envolverá, da chuva que fará deslizar as terras e te provocará, para a morte que do outro lado está. A fuga é tão fácil, a escalada é tão difícil... Atalhos se encontrarão certamente, nessa marcha ousada de se efectuar, e dias de sol a brilhar, com temperaturas amenas no ar. Sem esquecer: há que saber aproveitar, levar o brilho e recordar, as palavras daquele astro, que do infinito nos ilumina irradiando as suas múltiplas cores todas juntas numa só, a cor que te irá salvar, o alvo, que tão pouco existe…mas ele está lá. Tão certo como eu estar aqui agora, como estas palavras que nada dizem a quem nada quer entender, só com o fim de preencher o caos que afinal está em equilíbrio. Encontra o teu, não olhes para trás nem para baixo, soergue – te até não mais poder, felicidade ainda vais ter, só tu irás ver.

domingo, 30 de setembro de 2007

Conversa de um Ensimesmado (2003)


          [Demasiado concentrado em mim] Ensimesmado, assim ando sempre. Faço um esforço enorme para tentar sair desta concentração doentia. E a verdade é que não consigo sair dela, não consigo traduzir verbalmente as ideias que passam pela minha cabeça, não me consigo exteriorizar. É como se estivesse bloqueado. E quando tento exteriorizar-me é como se estivesse a arrancar alguma coisa do meu interior, a custo. Na minha mente passam pensamentos que diria anti-sociais, sou averso ao convívio social. Criei-me muito afastado do conceito social, talvez daí esta minha aversão, sinto-me melhor sozinho. Os meus pensamentos são profusos, intensos, mas muito misturados o que os torna confusos. Na minha cabeça passam pensamentos do tipo: “ninguém pode parar a evolução da humanidade.”; “Não tenho fé nos homens, vejo o seu futuro com pessimismo.”; “ vejo injustiças que nunca terão fim, homens que trabalham duramente a troco de um punhado de dinheiro e outros a usufruírem do trabalho dos primeiros, com uma vida fácil.


            Quando tento abrir a boca acho que não digo nada de jeito, nada de interesse. Raramente vejo o meu futuro com optimismo, penso mesmo que jamais serei normal, ou melhor, jamais me sentirei normal. Conheço-me bem, e sei que não sou como os outros, mas não aceito essa diferença. Queria partilhar valores com os outros, mas os meus valores não são iguais aos do ambiente social em que vivo, parece-me mesmo que nem tenho valores. Compreendo cada vez mais a minha situação mas estou mais impotente para lutar contra ela à medida que o tempo passa. Tenho medo da loucura. Às vezes penso que devia fazer uma loucura, mas falta-me a energia. Não me queria apagar, passar por esta vida sem ser reconhecido socialmente, e essa é uma meta que a maioria das vezes me parece impossível. E esta insatisfação corroí-me, ter constantemente a minha mente com pensamentos de que sou inferior, de que não sou capaz. E há momentos em que a dignidade parece-me fugir. Sinto-me humilhado em mim próprio, e sei que não há razão para isso, ou haverá?


            Para que sinto o mundo da maneira que sinto, tão intensamente? A minha percepção corporal ou física do mundo anda distorcida. Ou será o mundo exterior a mim que anda distorcido?


 

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Gritos e visões

20 de janeiro de 2003


        


                           


 


                   Há um grito em mim, não sei se mais alguém sentirá assim. Há um grito que não sai, que soa tão alto dentro de mim. Há uma compreensão desmedida que tem a minha mente entupida. Há um grito de compreensão que teima em sair para o universo, o vácuo do silêncio. Grito nas alturas, procuro clareza na visão, que me é só negra em toda a sua imensidão. Vejo uma luz ao fundo do túnel, não há esperança em vão. Penso, não coerentemente, eu sei, mas eu não consigo pensar assim, que será de mim? Deixa pensar quem pensa, e penso em tantas coisas que não consigo levar uma até ao fim. Penso, no destino, na pequenez do homem, fisicamente, perante um universo tão grande que nele encerra na sua mente. -“I love you, I’ll kill you”- Porque nos magoam quem mais amamos? Será que isso é apenas uma impressão nossa ou realmente eles magoam-nos? O nosso bem-estar psicológico depende só de nós (da nossa mente) (1), ou depende só do exterior (2), ou será uma síntese dos dois meios (3)? Situações: Estão a apontar-nos uma arma. Depende de (2), neste caso; Em relações sociais dependerá de (3), há uma interacção entre o que nos fazem sentir os outros e o que sentimos; Sozinhos, dependerá exclusivamente de (1). Será assim?


            Vimos do vazio, do nada, o nirvana. Na nossa mente, quando não influenciada por meios exteriores sociais, o bem-estar depende dos conceitos que temos na nossa mente acerca do mundo. E porque estamos sozinhos? Queria dizer, porque estamos aqui? Será que só quem sabe tem grandes discursos, que é capaz de dissertar sobre um assunto, que é capaz de dialogar com grande clareza de raciocínio, é que é feliz, é que tem o direito de viver? Eu sei que o digo não é coerente, já o disse, mas meu raciocínio é um pouco estranho, funciona por flash’s, até já me rotularam de doenças que já nem quero pensar, mas não só, já me rotularam de tanta coisa...O problema é que isso me afecta, não consigo evitar, principalmente quando até a minha própria família consente tal. Afinal que terei eu? Não consigo formar uma imagem exterior de mim. Conheço-me muito bem interiormente, mas visto com outros olhos, não me consigo ver.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Bate como quem chama por mim

17-01-04


 


 


                        Bate como quem chama por mim, o tempo, a música, gente, qual será? Não é nada, apenas o pensamento a querer ser traduzido, ser exprimido. Sou sincero, neste momento não tenho emoções a flor da pele, como se eu já não tivesse sentimentos. Mas já os tive, já chorei, já tive alegria infinita, já tive outras maneiras de sentir o mundo. Estou a passar mais uma fase de compreensão, uma fase de estabilidade. Um assalto de visões percorrem o meu pensamento em certos momentos. O passado não desapareceu, construo momentos, nessas visões, através da associação de ideias e dessas vivências passadas. Sereno, assim me imagino, como gostava de ser. Gostava de ter a certeza das coisas, mas  ela não me pertence, portanto a serenidade é perene. Tenho sim, grandes perspectivas da vida, analiso-a do  maior numero de ângulos possíveis.


            Temos que ter maus momentos para saber identificar os bons momentos. O Ano  Novo começou, mas  nada mudou subitamente. Tudo muda gradualmente. Os sonhos, esses, renovam-se alguns, persistem com menos intensidade outros, aparecem outros. Visionário, é o que eu sou. Um ser que caminhava na busca da perfeição, mas que caiu na dura realidade que é ser-se constituído de matéria perene que é este nosso corpo o qual não controlamos. Como podemos ser perfeitos nesta vida passageira que passa sem esperar que a gente ultrapasse todas as fases integralmente. O Ser Humano não é perfeito, é funcional, isto é, faz coisas funcionais mas não perfeitas.


            Eu quero, eu vou fazer algo. Não podemos parar enquanto estamos vivos. Não posso mudar o mundo fisicamente, deparo-me com contingências que não controlo. Queria libertar-me, queria não ter de novo a consciência de ter consciência, queria ser um produto da natureza e agir naturalmente. Certezas não as tenho, mas tenho esquemas funcionais que me permitem interpretar o mundo e compreendê-lo, podia dizer que são as minhas leis. Toda a gente as tem, e quanto mais velhos mais elas se enraízam em nós à medida que envelhecemos. O porquê das coisas, o eterno porquê, por que  razão acontecem, porque sofre quem tenta ser perfeito? A vida é um mistério. O sonho ultrapassa a nossa vida, o sonho ultrapassa o mistério, o mistério é o sonho, o sonho faz o mistério. O sonho são as nossas asas, o sonho dá-nos asas, ele faz-nos voar e conhecer novos mundos. O homem vive submergido no sonho. O sonho comanda o homem, mas destrói a realidade, sem ela o sonho não existe. Há que acordar para a realidade antes que seja tarde de mais.


 

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Titulo

 


Nunca começar pelo título. Ou começar pelo título? Eis a questão. Começar por pôr um título, é ter à partida uma ideia daquilo que se vai dizer. Se não se souber do que se vai falar é melhor não começar pelo título, primeiro expor o assunto e depois dar-lhe um título. Tantos temas que me passam pela cabeça e não sou capaz de desenvolver nenhum. Surgem-me associações de ideias, não sou capaz de me fixar a uma só e desenvolvê-la.


        Haverá alguém que goste mais do outro do que de si mesmo?  Tanto como a si mesmo? Eu, eu... eu não sei que estou para aqui a escrever. Sinto-me confuso, estou bloqueado. Tenho saudades daquele tempo em que escrevia e dizia alguma coisa de jeito. Não sei que dizer. Tenho pressentimentos, mas não consigo clarificá-los racionalmente. Estou apático. Só consigo ver a minha sombra, nos dias ensolarados. Que loucura, ter estas sensações que compreendo, mas não consigo expor. Gostava de me ver de fora a partir da minha maneira de ser para saber se sou normal. Irrito-me, por não conseguir sentir que sou compreendido, por esta maneira que se tornou mecânica de me estar sempre a corrigir, a arranjar mentalmente outras maneiras de me exprimir quando acabo por não me exprimir de nenhuma. Que se passa comigo? Sei-o e não o admito a mim mesmo, logo é como se não o soubesse. Meus sentimentos estão imiscuídos uns nos outros. Numa simples frase: ‘não consigo interagir verbalmente, em qualquer temática’. Como que o organismo se tenta defender dos problemas que tem tido bloqueando-se, caracterizando-se mentalmente esse bloqueio pela esquiva das ideias quando surge um momento de as extravasar. Tenho medos. Medos de vir a ficar demente, de ficar só, sei lá que mais- lá está o pensamento a fugir...-.Queria dizer coisas fantásticas, metafísicas, só que nem as mais banais sou capaz de exprimir, como se a palavra fosse sagrada. Ás vezes penso: ‘Era bom que isto que se está a passar comigo fosse um sinal divino, um Dom de Deus que se estivesse a desenvolver em mim apesar de eu não o entender, é que às vezes sinto-me tão parecido aos relatos que fizeram de Jesus Cristo, que por uma espécie de esquizofrenia eu era capaz de dizer que era eu mesmo. Sou tão humilde, como ele, para com os outros... Eu sei que não sou nada disso. Sim eu sei porque sou assim. Eu criei-me de uma maneira estranha, às vezes tenho ‘flashes’ que surgem em determinado momento quando estou a analisar o porquê de ser assim agora, ‘flashes’ esses que me levam para a situação causadora daquilo porque estou a passar nesse determinado momento. Realmente o meu eu está fragilizado, não tenho afirmação.

Alegoria da Gruta

                         Alegoria da Gruta


 


         Que Protectoras que são, num dia chuvoso ou fresco ou escaldante. Que belas aquelas grutas! Que calor emanam nos dias frios de Inverno! Que frescura nos dias quentes de Verão! Muito frequentemente estamos perto de alguma. O desejo de a explorar sobe-nos à cabeça. Mas por haver sempre riscos temos que ponderar... e por vezes ateimamos e perdemo-nos por elas a dentro ou simplesmente agasalhamo-nos do mau tempo ou então desistimos antes de tentar a aventura ou depois de ter ponderado. Em algumas é preciso entrar de rastos, enfim são as mais difíceis a par com outras que são autênticas ratoeiras. Umas encontramo-las em terrenos pouco montanhosos entre densas ou raras florestas. É interessante que, com o avanço dos desertos, já as encontramos em descampados.


            O homem de hoje já não explora qualquer gruta como outrora, que explorava qualquer uma. Não, hoje além do aspecto que ela apresenta há outros factores que contam para a decisão dessa exploração. Há o factor psicológico, isto é, a predisposição do indivíduo face à gruta. Também é verdade que em certos casos em que o tempo anda agreste ou escaldante e quando é necessário agasalhar-se não se olha a nada de factores, acontece como primitivamente. Muito geralmente, hoje, já se vai bem equipado sempre que se pretende explorar uma dita cuja. Muitas vezes acontece, quando há muitas, umas muito perto das outras, a decisão torna-se ainda mais difícil, de tal modo que se gasta mais tempo a apreciá-las do que a explorá-las, se é que se chega à entrada de alguma depois de tanta apreciação. Outras vezes há um deserto de grutas, isto é, não se encontra nenhuma, que é o que se passa com mais frequência.


            E o cúmulo dos cúmulos (!): não é que há muitas em que é preciso pagar para entrar...

TU

                                                               TU




Nem que seja noite, no teu olhar acharei luz.


Nem que seja sonho, na tua mente serei realidade.


Nem que nada faça sentido, em ti ele existirá.


Nem que haja tristeza, por ti haverá alegria


Tu... eu... eu e tu, tu e eu.


Eu... sou eu. E tu?


Existo eu, logo existes tu.


E eu quero encontrar-te. Algures, quando essa névoa


cerrada que te envolve e indefine se dissipar.


Talvez num caloroso pôr do sol à beira mar, sentada,


a olhar, pensando num amor a encontrar.