Talvez. Este meu eterno mundo dos ‘talvez’... Talvez todos se sintam da mesma maneira a determinadas alturas da vida, talvez toda a gente se sinta especial. Talvez toda a gente tenha que se sentir especial para fazer algo de positivo. Eu já me senti especial, eu acho que já fui especial, eu já acreditei nos meus ideais e achei que estava no caminho certo. Eu já fui o que se pode considerar de normal, mas também já fui excêntrico. Eu já quis ter a razão do meu lado. E se a razão estivesse do meu lado, o prognóstico que faria deste mundo e de tudo o que existe seria de imenso pessimismo, com pouco optimismo, assim sou eu. Já pensei que podia mudar o mundo, acreditei que algum poder, para isso, transcendental, estivesse do meu lado, acreditei
[INCEPÇÃO-01.11.25] De Hoje em diante, segundo as minhas possibilidades de retorno ao passado - passado do meu Blog e ao Meu passado (que passa por este Blog) - irei postar, temporariamente, ou não, segundo o que vier a sentir que devo fazer, textos passados e que comentarei, se for ocasião, à medida que eu possa assimilar, compreender, rever e sentir que o devo fazer ou que me aventure a dizer, segundo o tempo disponível que se me aprouver.
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sexta-feira, 29 de junho de 2007
Deus e o mundo eterno dos 'talvez'
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Sentir, ver, ser, escrever [4-05-04]
Eu vejo. Eu sinto. Eu não digo. Estarão os outros (vós) errados ou estarei eu? Não, não sei, mas porque acredito eu que o que sinto é verdade? As pessoas não estão formadas para tomarem conta do seu ser. Eu estou errado. Sinto mal.(?) Eu sou um louco simplesmente que as pessoas não tendem a ignorar porque algo lhes toco no interior delas. Eu ainda vivo! Eu tenho que morrer! Eu não sei que dizer...Tudo o que sabia vou dar como esquecido mais cedo ou mais tarde. Tudo em que acreditei vai acabar por desabar completamente. Nada restará mais do que eu, por algum tempo mais. O peso que recai sobre mim é grande. O peso da vida é grande. O fardo da compreensão é enorme. A luta é enorme, o equilíbrio é subtil. Não digo o que quero, não quero dizer o que digo. A minha vida é uma contrariedade substancial e absoluta.
Eu vejo através dos tempos, eu sinto através dos séculos, eu não me sinto humano. Quando ultrapassarei essa barreira? Será que a ultrapasso? Será que reconquistarei a dignidade que tive provavelmente? Lê - de. Lê - de palavras de mais um que quis ser simplesmente humano e não se soube reduzir à sua insignificância. Haverá algum sitio onde as minhas palavras desordenadas, desconexas e sem sentido caibam? Haverá alguém que as consiga ordenar e formar as ideias mais fantásticas que se podem descobrir? Será que algum dia eu conseguirei desbloquear-me e transmitir tudo o que me vai na alma? Haverá alguém que consiga ter a paciência, como eu tive e tenho para com os outros, de ouvir o que eu digo. Se eu ao menos pudesse sair desta concentração que me tem preso...
Mas eu... sou um entre tantos outros, tantos parecidos e diferentes. Eu sou como alguém que berra num concerto com som no máximo. Nada mais se ouve a não ser a voz de quem não diz nada mais que frases repetidas, sons que tentam inebriar a mais incauta das pessoas. Porque tenho eu de ter o discernimento de entender as coisas de outra maneira e não me sentir bem com o que sinto, com o que entendo, porque tenho de sofrer com isso, porque é isso uma desvantagem em lugar de ser uma vantagem? Eu pensava que era único, pensava e penso. Mas pensava que tudo isso só fazia sentido quando o demonstra-se aos outros, quando fosse reconhecido. Mas, sinceramente, só eu me reconheci a mim próprio. Porque acho eu que sou anti–social? Porque terei eu que me inserir no grupo cujo conceito é definido de ‘anti – sociais’? Estou triste, estou zangado, estou danado, estou frustrado, mas nada que provavelmente vá fazer sentir-se alguém culpado, nem quero que alguém se sinta culpado por tal, muito menos quem sei que não tem culpa como eu que reconheci culpas que nunca tive, como se eu tivesse culpa. Não, não me reconheço com tudo o que existe neste mundo, com os ideais mais que estereotipados de homens que nascem e apenas seguem segundo os ideais que lhe foram dados, seguem sem pensar. Eu nasci para pensar, eu nasci para romper com os ideais, eu nasci provavelmente, como tantos outros, para as dificuldades reais da vida. Eu sonhei em ser grande, em tanger o infinito. Mas tudo tem um senão que a gente não vê naquilo que ambiciona. E a parte negativa dos sonhos mostra-se quando o sonho foi alcançado. Quanto mais prazer, quanto mais se sobe alto, maior é o sofrimento, maior é a queda que se sucede. Aquilo que me move não é a riqueza do mundo, aquilo que me move é a busca da riqueza interior, a busca de um entendimento que me apazigúe esta dor interior, que me faça sentir bem.
E o que me faz estar aqui e agora a escrever? Simplesmente porque não falei enquanto estava com as pessoas, tão somente por isso. Sou um entre tantos e tantos outros. Ponto final, parágrafo.
Estou a anos luz do que já fui. Nunca mais serei o mesmo. Resta saber se poderei ser melhor.
sábado, 16 de junho de 2007
Longa tarde, caminhando
Nesta longa e longínqua tarde em que me tento vencer - vencer a minha monotonia, a minha forma disfuncional de existir, os meus medos, vencer os segundos que passam, vencer os minutos e de seguida as horas, já para não falar nos dias, semanas, meses, anos, decadas que já passei e nos séculos que já não passarei fisicamente , mas que tanto já imaginei, tangendo o infinito - eu viverei muito mais, nem que seja só na imaginação. Há um tempo para todos e para tudo fazer, há um tempo a aproveitar, mas quanto não temos que perder, quanto não temos que deixar para trás, quantas opções conscientes ou inconscientes não temos que fazer. Optamos segundo aquilo que somos e que nos vamos tornando, atraindo umas coisas (acontecimentos, pessoas) e repelindo outras. Quantas sao as variáveis que nos envolvem, incomensuráveis. Tanta coisa boa temos que deixar de fazer devido às nossas limitações e havendo tanta coisa boa por onde optar e acabamos por optar pelo pior muitas vezes.
terça-feira, 5 de junho de 2007
Dignidade [5/03/-04]
Eu sou digno. A dignidade, o que é isso? A definição do dicionário não é tão curta como isso. «Qualidade moral que infunde respeito». A minha qualidade moral não está propriamente boa neste momento, mas se a comparar com aquela que tinha há cerca de três anos, está muito melhor. A minha dignidade, a luta por ela, a minha vida por um fio, a loucura a entrar pela minha porta a dentro mascarada de inteligência, sensibilidade, bom aspecto. «Consciência do próprio valor». Se a definição fosse esta decerto teria muita dignidade, sempre achei que tinha muito valor assim como continuo a achar, só que antes pensava que eram os outros que me tinham que a reconhecer, agora sei que para quem a interessa reconhecer é para mim próprio. «Gravidade». È certo que existe gravidade em mim assim como existe em qualquer pessoa que tem orgulho em si próprio, não ter a mínima gravidade é como que atentar contra a própria existência, é não existir auto – estima, é achar-se indigno, o que não se pode negar a nenhum ser humano que tem direito de existir, seja ele qual for, e tem direito de viver. Ao contrário do que se possa dizer por alguém, a auto estima é algo que reside em nós até à hora de morrer, mesmo que a nossa personalidade não esteja formada, mesmo que não gostemos de nós próprios, normalmente da nossa imagem exterior, a imagem interior é a própria auto estima, o sentimento de si. «Grandeza». Não. Não sou grande exteriormente, não tenho a mania das grandezas, pelo menos das exteriores, se bem que por dentro me sinto infinitamente grande, há um Universo dentro de mim, assim como o deve haver dentro de qualquer pessoa, uma grandeza que sinto tanger Deus, e ai sim, sinto-me grande, diria mesmo que me sinto o mais alto dos homens, o maior deles. É claro que sei que isto é apenas uma presunção. Não passo de um simples ser humano ainda finito. E tenho medo de ser quem sou ao mesmo tempo, tenho medo de ser grande. Bem quero perder esse medo mas... não sei se um dia o perderei. Talvez eu não queira ser grande, talvez eu seja realmente grande de mais para estes homens deste mundo, talvez eu seja apenas um entre tantos dos que, diria enviados por um Deus, o meu Deus e o Deus de todos os homens, mas tudo isto são suposições. Talvez eu na verdade não seja ninguém mais que um simples homem ou ainda um homem que simplesmente compreende o mundo e anseia compreender mais e mais, sem poder parar, como se existisse uma força que vem de dentro para tal, superior e transcendente a mim. Será que compreendo o mundo à minha maneira? Como alguém poderia dizer. Não sei se estou certo ou estou errado, e mesmo que estivesse certo que poderia eu fazer? Mais uma vez : sou um ser finito, pelo menos exteriormente já que interiormente me sinto infinito. Como poderia eu chegar às pessoas sendo eu tão limitado? Mesmo que me tornasse no melhor orador que alguma vez existiu, como poderia? Teria que viver muitos anos, e ai sou finito, um simples ser do mundo. Pois, grandezas, para nós apenas, para o nosso interior. A matéria é finita. E quanta consciência infinita eu tenho disso. «Modo digno de proceder». Sempre pensei em proceder do modo mais digno em todos os actos da minha vida, o que é sempre difícil, guiado pela busca da perfeição, até há uns tempos atrás. Mas, qual será o modo mais digno de proceder? Talvez o proceder segundo aquilo que nos parece mais certo nos momentos em que temos de proceder. Se agirmos como tal estamos a proceder bem mesmo que isso produza efeitos maus. É claro que se achamos que estamos a proceder bem para nós outros não o verão da mesma maneira. O nosso procedimento é o nosso comportamento. Se agimos, agimos movidos por um motivo, comportamo-nos segundo algo em que acreditamos e segundo causas que nos fazem mover. Mas o nosso comportamento quando interfere no comportamento do outro, privando-o da sua liberdade condicionando-o ou querendo-o condicionar e mais ainda quando se tem consciência disso, deixa de ser um modo digno de proceder. Estamos a impor-lhe algo que tem consequências, é incerto de ser bom ou mau este nosso comportamento. O homem deve ser livre de escolher os seus modos de proceder, os seus comportamentos, isso é dignidade, quando o homem tenta impor as suas ideias que se demonstram em comportamentos e isso interfere no comportamento do outro forçosamente, isso é um modo indigno de proceder. Ainda diria mais, o homem nasce por natureza digno, assim são as crianças, mas que com o crescimento vão aprendendo a ter atitudes indignas que a consciência cria como seja rabujar sem razão só para ter a atenção de um adulto. Atitudes como estas irão criar no adulto estados conscientes de indignidade de procedimentos. E hoje, existe na sociedade dita civilizada um senso comum indigno, quando tenta conscientemente entrar na esfera privada da liberdade de cada um. Assim é o atentado que se está a dar em relação à destruição da família, assim é por exemplo o efeito que as novelas podem criar nas pessoas, na criação de comportamentos que não se ajustam com a realidade, a atitude consciente, logo indigna, de fazer sonhar as pessoas de influenciar massas a ter comportamentos que não se ajustam com a sua realidade, a fazer viver a vida em vão com valores que se tivessem que escolher livremente não escolheriam. Assim é a ideia que alguns tentam impingir e que está a alastrar-se a toda a sociedade de que o homem vive para o sexo, tornando o homem um animal consciente que está a criar uma sociedade que pensa que para proceder bem tem que fazer sexo, não dando lugar ao amor e à capacidade de amar, isto directamente relacionado com a destruição da família. «Respeitabilidade». Sem dúvida que sou uma pessoa respeitada de frente a frente com as pessoas. Por trás não sei se é assim, mas acredito que sim. Sou uma pessoas no mínimo normal e como tal as pessoas respeitam-me quando eu me respeito a mim próprio. Quando temos o ego em baixo a moral está em baixo é quando certas pessoas se intrometem, fazendo – nos sentir mais mal ainda, aquelas pessoas que conscientemente se tornam indignas ao não respeitarem a nossa liberdade e nos querem fazer ver a delas.
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Silêncio das noites
Silêncio das noites
No silêncio das noites me reencontro
O ser ignorado dos dias que passam.
Descubro causas, e me ensombro
Nos sonhos que me ultrapassam
Reencontro palavras e sentimentos,
Expressões e emoções, não manifestadas.
Consigo sentir incomensuráveis encantos,
E um conjunto de realidades esquecidas.
Sentimentos até então incompreendidos,
Como se em mim andassem perdidos.
Confluem todos num só sentido,
Prazer único e indescritível, o de ter vivido!
O tempo, a idade, a luta pela sobrevivência [2005]
O tempo, a idade. Cada vez há mais coisas que poderíamos contar. Mas cada vez podemos falar menos. A perseguição é constante. Há pessoas que nos querem passar por cima, que nos querem enclausurar, alienar, dizem elas que estão bem e que nós é que estamos mal. A luta da sobrevivência dá-se entre pais e filhos, é triste mas é verdade. Estou a ver pessoas a comentar o que digo, a julgar-me, mal. A incompreensão do homem é grande, ele destrói com a sua incompreensão. Não sou aliado de ninguém. Estou só e à margem das energias que regem muitas pessoas. Eu vejo as energias a contornar-me mas eu não as sinto. Há que comer e calar. A luta das inteligências é grande. Na verdade procuro uma conduta da maneira como as pessoas me vêem, e não sei se haverá, talvez haja muitos pontos de vista. Uns vêem-me de uma maneira e outros vêem-me de outra. Mas só eu sei o que eu sinto, como eu me vejo. Como eu me compreendo, cada vez mais. Gostava que o que eu compreendo fosse o real em certas coisas, mas para outras não. E se o que eu compreendo fosse o real havia muita coisa mal neste mundo de ilusão e sonho, neste mundo humano. Mas não, tenho que dizer e admitir perante os senhores que percebem deste mundo que o que eu sinto não é verdade, ou seja, não são eles que estão a sonhar, eu é que estou a sonhar, ou seja estou a ter um pesadelo. Vá lá, tirem-me deste filme! Toda esta minha falta de expressividade, toda esta desconexão expressiva provoca em mim o que eles pensam e definem ser 'uma doença'. Ou será que eu estou a dramatizar e isto tudo é exagerado para iludir os outros, aqueles que me querem fazer de doente? Será uma estratégia inconsciente? Mas o que eu sinto é real. Tudo isto joga com energias, na minha presença tudo se altera. Será da minha figura perante as situações, eu sinto essas alterações e não consigo lidar com elas. Serei eu uma vítima do destino? Um bode – expiatório de uma sociedade que me envolve como tantos outros? A culpa é sempre dos outros. Tem que haver uma explicação para tudo, esta mania que os homens têm de querer uma explicação para tudo. Porque está a minha mente dividida em duas? Perguntas sem respostas, por enquanto…
Vivemos em tempos misteriosos. Mas o mistério só está para aqueles que permanecem ingénuos, fechados sobre si próprios. Para mim já não existe mistério como se tivesse descoberto uma fórmula que me permite desvendar os mistérios facilmente, como se fosse um ser superior (lá estão as más línguas a dizer que isto é sintoma de 'doença' - nem vou dizer qual). Mal de um doente quando não se puder tratar, mal daqueles que têm de ser esventrados por uns pseudo – sábios que dominam a medicina. Mal de mim, doente que sou, por não me conseguir tratar. Como envolvem os lobos o borrego manso, como o querem comer vivo.
Como eu adoro música. Como eu adoro vozes femininas e sensuais. Como nasci eu apaixonado por este mundo como pretexto para dizer que nasci à procura de um amor que desespero por encontrar. Um amor cada vez mais distante, atrofiado logo à partida. Como eu me embebi neste sonho cada vez mais transformado em pesadelo para galhofa interior de um bando de gente reles que não compreende. Eu sinto antes de sentirem, eu pressinto isso, e o meu amor transforma-se em ódio e vingança, por me terem negado algo mais importante do que a vida, o direito de amar e ser amado, o direito de sangrar até morrer mas pleno de amor, morreria em paz. Como podem aqueles que são amados tornarem-se em desamor, incompreensão, incúria e egoísmo do destino, aqueles em quem acreditámos.
Tantos anos a cultivar esta inteligência, a isolar-me. Mas isso já não interessa, já nada interessa, o que sou eu entre tantos homens? Que culpa eu tenho do que se passa com os outros, o mundo? Já não sou bonito, já não sou superior, já perdi o orgulho que tinha por acreditar naquilo em que acreditei. Deve ser assim com todos, as forças esvanecem-se, acabam por se esvanecer. Mas, talvez, elas ressurjam até não mais poder. Até não mais poder...neste longo caminho até casa. Onde será a minha casa?
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Grito [2005]
Apetece-me gritar bem alto, chorar até morrer, apetece-me fugir de mim e nunca mais ser encontrado. Fugir desta solidão a que me submeti, a este introvertimento doentio incompreendido por quem quer que seja. Este não é o meu caminho, mas não tenho coragem para tomar outro. Talvez seja demasiado tarde para optar por outros caminhos. Não posso voltar atrás. Talvez uma solução fosse esquecer tudo, mas como posso esquecer tudo estando no ambiente causador de tudo aquilo que se passa comigo? Não tenho forças nem esperteza para lutar contra as causas que me ensombram: as pessoas. Não me adianta escrever, não me adianta espernear. Incompreendido, louco, assim sou eu. Assim tenho eu que viver, com os meus medos incompreendidos pelos outros, com a minha inteligência descontrolada. Não tenho vontade de fazer nada. Tenho pena de tudo o que perdi, e de tudo o que perderei. O que é um homem sozinho? O que sou eu sozinho? Melancólico e isolado do mundo, num mundo completamente diferente, a acreditar num Deus que nunca mais chega, na perfeição que não devia ter desejado. EU SOU IMPERFEITO, O MAIS IMPERFEITO DOS HOMENS, só que há uma indiferença em relação aos outros, eu sei que sou imperfeito, eu tenho consciência daquilo que sou e das causas que me levaram a ser o que sou, no entanto estou impotente perante o que vejo impotente perante um destino, como que é o destino que me controla e eu não consigo controlar esse destino. Assim irei morrer, angustiado no meu silêncio, mais um que sofre por aqueles que não olham para o seu interior, e só provocam a destruição. No silêncio, nestas minhas ideias fechadas, louco meu Deus, louco por ter acreditado no sonho e não ter visto a realidade que se me envolvia, louco por ter estes olhos que não enxergam os homens, que tentam enxergar um Deus que nunca mais chegará. Tento fugir de mim a cada palavra, mas ironicamente cada palavra é mais um passo para que me incompreendam. Eles hão de me crucificar, faça eu o que fizer.
O homem [Em retrospectiva -2005-]
Todo o homem quer testar os seus limites, todo o homem tem atitudes auto destrutivas, como se a culpa estivesse nos outros, e muitas vezes está. Muitos homens são destrutivos exteriormente, aproveitadores de outros homens, de quem usam e abusam, se puderem.
As pessoas são estranhas. Serão eternamente estranhas. As coisas que fazem… só porque não querem render-se. Ainda bem que tudo é passageiro. E se a dor fosse algo inventado? Quando não existe uma dor física real o homem inventa-a. Era bom que estivesse-mos nos fins dos tempos. Será que disse algo de que não se quer ouvir? Será que os homens me vão abandonar? Homens que são tão fraternos, não têm a humildade de dizer ao próximo: ‘Na verdade, não posso fazer nada por ti’. Falam em paz, falam em amor, falam em justiça, em ajudar aqueles que mais precisam. Mas que pode fazer um homem por outro homem? Os homens saudáveis estão tão distantes dos doentes… Que poderão fazer eles pelos doentes? Onde está o respeito pelo doente, cada vez mais, hoje em dia? O Homem é um presumido, muito resumidamente é isso, um ser que pensa conquistar tudo com a sua capacidade de conhecimento. Tudo se rende à ciência, tudo se rende aos médicos, como se eles fossem Deuses, como se eles pudessem curar os males da humanidade, que pensam ter explicação para tudo. Eles, médicos, simples homens com grandes conhecimentos como tantos outros homens. Eles, seres finitos, que pensam ter resposta para tudo, até para os males da mente. Se têm resposta para tudo porque não estou eu bem? Ou estarei eu mal só porque eles dizem? Eles, os inventores de conceitos de doenças que conseguem pôr as pessoas com doenças que na verdade não têm. Ele, os que conseguem induzir essas doenças. Porque insistem as pessoas em falar, só para não ficarem loucas.
Optimismo, péssimismo, medo, compreensão [Abril 2005]
Não sei quanto tempo me resta nesta vida. Talvez outro tanto ou talvez muito menos. Só sei que não ando bem, e já sei mais do que Sócrates (rir). Muita coisa foi perdida, muita coisa já não volta. Tenho medo do que se possa passar. E a tendência é para que se passe algo mais de mau do que de bom. Eu sei-o racionalmente, porque já compreendi muita coisa da minha vida e consigo prever o que se pode passar num futuro mais longínquo. Tenho medo da dor sobretudo, medo da loucura, essa dor descomunal de não estar em consonância com o mundo, de ser um mundo à parte e completamente esquecido, mais ainda do que da dor física. Tenho medo de ficar paralisado com uma consciência a infernizar o meu corpo, a minha infernal consciência, que é o que é a minha consciência. Como posso eu ser optimista se só vejo as coisas pela negativa? Não tenho capacidade para reagir ao stress e às coisas negativas. Como eu compreendo meu Deus, como eu compreendo o meu passado e o meu presente. Para quê a consciência das coisas, meu Deus? Para sofrer mais ainda.