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domingo, 26 de novembro de 2017

Simply Red - Holding Back The Years (Video em destaque no player) - o sentimento que invoca (em baixo)

Simply Red - Holding Back The Years



Simply Red, mais uma uma banda, um cantor, um ''performer'' musical, artista, que entrou pela minha vida dentro e me tocou, como a tanta gente. ''Holding back the Years'', é mais uma música que me preenche num momento muito singular da minha vida, indelevelmente, sem eu perceber na altura, pelo menos um pouco, do significado de me tocar dessa maneira, nesse tempo tão nostálgico, que não regressa mais, mas que tem sentido profundo, naquilo que sou e naquilo que represento para o mundo, sendo aquele que sou. Holding back the Years, traduzindo, para mim, significa ficar preso nos anos que passam, significa certamente aquilo que eu tenho feito tão bravamente e tão perigosamente, mas sem qualquer outra oportunidade de fazer diferente, mas sempre olhando para o futuro.
''Strangled by the wishes of pater
Hoping for the arms of mater
Get to neither sooner or later''
Fiquei preso, certamente, a certos desejos, a medos, como tão bem é cantado por
Michael James Hucknall, vocalista dos Simply Red. (Mais informação acerca dele e de Simply Red aqui )
E eu esperei e esperei, tão cansado:
'' I'll keep holding on
I'll keep holding on
So tired  ''
Mas, felizmente muita coisa mudou, e tem mudado, muito mais do que alguém pode pensar ou perceber, e eu vivo, mudei, agora tenho muito mais para dizer, se possível.
Simply Red quer dizer ''Simplesmente vermelho'', tradução literal ou ''Simplesmente corado'' tradução adaptada. Michael é certamente um homem ruivo e com facilidade em corar - corar como eu, por exemplo -, certamente encontram fotografias dele na Internet, sobretudo em performance, todo vermelho 😊  . Mas o Génio de artista musical estava com ele (e por isso foi encontrado pelo sucesso) como se isso estivesse escrito, e venceu naturalmente ao fazer músicas que marcaram a história (nada o pode negar) sendo quem é e o que sente; e com características que para muitos se tornam impeditivas de vingarem, ele transformou essas dificuldades em arte, em beleza musical, em prazer. Isto só para aqueles que estão marcados para vencer, segundo aquilo que são; está escrito, ou... talvez não. Fiquem bem e não desistam, nunca, pensando sempre na melhor maneira de viver segundo aquilo que somos e onde vivemos, eu tento também fazer isso.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Sentir, ver, ser, escrever [4-05-04]

        Eu  vejo. Eu sinto. Eu não digo. Estarão os outros (vós) errados ou estarei eu? Não, não  sei, mas porque acredito eu que o que sinto é verdade? As pessoas não estão formadas para tomarem conta do seu ser. Eu estou errado. Sinto mal.(?) Eu sou um  louco simplesmente que as pessoas não tendem a ignorar porque algo lhes toco no interior delas. Eu ainda vivo! Eu tenho que morrer! Eu não sei que dizer...Tudo o que sabia vou dar como esquecido mais cedo ou mais tarde. Tudo em que acreditei vai acabar por desabar completamente. Nada restará mais do que eu, por algum tempo mais. O peso que recai sobre mim é grande. O peso da vida é grande. O fardo da compreensão é enorme. A luta é enorme, o equilíbrio é subtil. Não digo o que quero, não quero dizer o que digo. A minha vida é uma contrariedade substancial e absoluta.


            Eu vejo através dos tempos, eu sinto através dos séculos, eu não me sinto humano. Quando ultrapassarei essa barreira? Será que a ultrapasso? Será que reconquistarei a dignidade que tive provavelmente? Lê - de. Lê - de palavras de mais um que quis ser simplesmente humano e não se soube reduzir à sua insignificância. Haverá algum sitio onde as minhas palavras desordenadas, desconexas e sem sentido caibam? Haverá alguém que as consiga ordenar e formar as ideias mais fantásticas que se podem descobrir? Será que algum dia eu conseguirei desbloquear-me e transmitir tudo o que me vai na alma? Haverá alguém que consiga ter a paciência, como eu tive e tenho para com os outros, de ouvir o que eu digo. Se eu ao menos pudesse sair desta concentração que me tem preso...


            Mas eu... sou um entre tantos outros, tantos parecidos e diferentes. Eu sou como alguém que berra num concerto com som no máximo. Nada mais se ouve a não ser a voz de quem não diz nada mais que frases repetidas, sons que tentam inebriar a mais incauta das pessoas.  Porque tenho eu de ter o discernimento de entender as coisas de outra maneira e não me sentir bem com o que sinto, com o que entendo, porque tenho de sofrer com isso, porque é isso uma desvantagem em lugar de ser uma  vantagem? Eu pensava que era único, pensava e penso. Mas pensava que tudo isso só fazia sentido quando o demonstra-se aos outros, quando fosse reconhecido. Mas, sinceramente, só eu me reconheci a mim próprio. Porque acho eu que sou anti–social? Porque terei eu que me inserir no grupo cujo conceito é definido de ‘anti – sociais’? Estou triste, estou zangado, estou danado, estou frustrado, mas nada que provavelmente vá fazer sentir-se alguém culpado, nem quero que alguém se sinta culpado por tal, muito menos quem sei que não tem culpa como eu que reconheci culpas que nunca tive, como se eu tivesse culpa. Não, não me reconheço com tudo o que existe neste mundo, com os ideais mais que estereotipados de homens que nascem e apenas seguem segundo os ideais que lhe foram dados, seguem sem pensar. Eu nasci para pensar, eu nasci para romper com os ideais, eu nasci provavelmente, como tantos outros, para as dificuldades reais da vida. Eu sonhei em ser grande, em tanger o infinito. Mas tudo tem um senão que a gente não vê naquilo que ambiciona. E a parte negativa dos sonhos mostra-se quando o sonho foi alcançado. Quanto mais prazer, quanto mais se sobe alto, maior é o sofrimento, maior é a queda que se sucede. Aquilo que me move não é a riqueza do mundo, aquilo que me move é a busca da riqueza interior, a busca de um entendimento que me apazigúe esta dor interior, que me faça sentir bem.


            E o que me faz estar aqui e agora a escrever? Simplesmente porque não falei enquanto estava com as pessoas, tão somente por isso. Sou um entre tantos e tantos outros. Ponto final, parágrafo.


            Estou a anos luz do que já fui. Nunca mais serei o mesmo. Resta saber se poderei ser melhor.