De semblante pesado ando. Ensimesmado nos mesmos e intensos pensamentos negativos, a absorver o que é negativo. O raciocínio não anda a funcionar correctamente. Os medos apoderam-se de mim e deixam-me em pânico, k.o. Pelo que o desgaste nervoso para fazer qualquer coisa, que exija contacto social, é imenso. Só estou bem sozinho e no entanto sinto uma imensa necessidade de convívio, de estar com outros. E Quando chega a hora de estar com outros, não consigo devido aos preconceitos negativos que se formaram na minha mente acerca da minha prestação social, o semblante fica carregado, não consigo interagir com os outros. E eu afasto-me cada vez mais das pessoas, e elas afastam-se cada vez mais de mim com o tempo, o que eu compreendo. Primeiro era a minha fobia social, agora é mais do que isso, a fobia trouxe outros problemas, como dificuldade de raciocínio e expressão devido ao meu crescente isolamento e fechamento, além das dificuldades de expressão e fechamento que já tinha. Talvez já tenha dito isto, a apatia tende a subir. As coisas repetem-se com o tempo, invariavelmente, não consigo romper com este ciclo.
[INCEPÇÃO-01.11.25] De Hoje em diante, segundo as minhas possibilidades de retorno ao passado - passado do meu Blog e ao Meu passado (que passa por este Blog) - irei postar, temporariamente, ou não, segundo o que vier a sentir que devo fazer, textos passados e que comentarei, se for ocasião, à medida que eu possa assimilar, compreender, rever e sentir que o devo fazer ou que me aventure a dizer, segundo o tempo disponível que se me aprouver.
Player
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Rótulos
Já me rotularam, penso. Talvez eles me tenham rotulado de doente, com alguma desses nomes estranhos que os saudáveis não querem nem saber o que significam. E a verdade, o que eu tenho a dizer em relação a isso, é que na verdade talvez tenhais razão, Vós homens que tudo classificais, eu não estou bem, mas gostava que não me rotulásseis com nomes que denotam conceitos estereotipados em relação ao que realmente se passa comigo. Até podeis dizer que eu sou esquizofrénico, mas se é isso que achais que sou, porque tenho eu obrigatoriamente de ter os sintomas que alguém definiu como sendo parte da esquizofrenia? Será que eu ouço mesmo essas vozes que alguém diz que os esquizofrénicos ouvem? Haverá duas pessoas iguais, de modo a que haja um padrão na maneira de sentir da condição humana? Talvez a mente humana seja como os automóveis, há algo que todos têm como sejam as rodas, o chassis, mas os modelos variam sempre dentro da mesma marca assim como há marcas diferentes. Mas mesmo dentro do mesmo modelo e marca apesar de todos serem idênticos à partida quando são feitos eles acabam por não durar o mesmo tempo nem se comportar da mesma maneira ao longo da sua vida, e isto depende de quem o utiliza. Talvez a esquizofrenia seja como os automóveis, igual à partida (denota um chassis danificado e uma rodas de madeira, ou seja, o esquizofrénico tem uma mente como se fosse uma carroça puxada por vacas, enquanto que uma pessoa normal já tem um carro movido a combustível) na aparência dos sintomas, mas não igual na maneira como é utilizada. Talvez a mente de um esquizofrénico seja uma mente inadaptada à realidade que o envolve (o carro puxado a vacas está inadaptado para o momento que o envolve, em que se utilizam quase totalmente carros puxados a combustível, mais rápidos e eficientes). Eu fui uma pessoa normal já um dia. Houve uma altura em que a carroça das vacas era o que estava na moda. Simplesmente não soube evoluir com o tempo e quando dei conta vi que eu ainda usava uma carroça de vacas. Tentei evoluir rapidamente, mas como posso eu deixar essa carroça e empenhar-me em adquirir uma coisa que não sei conduzir? Terá que se remodelar a mente.
Deixando de divagações sem sentido, ouve um momento, há poucos anos atrás, em que a minha mente parece que se desintegrou completamente. Eu perdi o controlo do meu próprio corpo. Possuíram-me ansiedades intensas que se tornaram mais tarde em fobias intensas logo de seguida. Até esse momento eu fui aparentemente uma pessoa normal. Mas a partir daquele momento de desintegração da minha mente eu não fui o mesmo. Sei agora que eu aguentei até às últimas consequências uma maneira de ser que estava desajustada com o mundo e que despoletou naquele momento. Não podemos só absorver o mundo, não podemos só produzir para o mundo o nosso ser, tem que haver uma gestão adequada do que entra e sai da nossa mente e do trabalho do nosso pensamento, que foi o que me faltou.
quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
A perfeição é finita
Já um dia quis ser o mais perfeito possível. Mas descobri que a finitude do nosso ser não nos permite isso. Apesar do homem ter construído um mundo fantasticamente humanizado, nunca o mundo foi tão imperfeito, funcional mas não perfeito. Talvez tudo o que existe já tenha sido perfeito, e perfeito foi estar
A exploração do mundo, se assim continuar, vai acelerar o fim. A solução pode existir ou não. Se os homens se unissem para preservar a natureza, mas nada acontece porque um homem quer, as variáveis são muitas.
sábado, 2 de dezembro de 2006
Questões
Personificação do medo, bode expiatório da vida de outros, é o que se é. Sugados até ao tutano, retiram-lhes todas as energias que possuem. Vampiros. Não conseguindo distinguir o bom do mau, o certo do errado, como se pode viver assim? Terá o homem culpa do que se é? Como se pode viver sem falar? Como se pode dialogar se na hora de falar não se fala, não se pensa, nada? Fujam das dificuldades, façam ver que tudo está bem enquanto puderem. O caminho é irreversível. É único. É difícil de compreender. Porque não choras, pequeno ser? Quem te proibiu de chorar? Porque querem os homens fazer de ti um louco? Porque és a personificação da loucura? Quem te roubou a paz? Porque parece que nada passa. Ainda bem que nada é eterno, o eterno desvirtualiza. Porque têm pena de ti? Será que têm pena de ti? Ou será que te odeiam? Ou será desprezo? Ou será tudo pelo contrário do que foi dito? Fantástico mundo de interligações, até onde se poderá ir? Estará a destruição iminente? Estará ela mesmo já a vislumbrar-se? Que mais há para se ver?
Quem ler o parágrafo anterior poderá ver uma escrita de loucura, um completo alheamento do mundo que nos rodeia, da realidade envolvente, uma completa marginalização e um certa aversão pelos homens. Quem ler o parágrafo anterior poderá ficar com uma ideia errada de quem o escreveu. Ele dá lugar ao pessimismo, à tristeza, ao ódio pelo ser humano. Quem poderá imaginar que já um dia se amou a humanidade, se teve um incomensurável optimismo? Quem não poderá magoar este ser sensível? Como é possível ser-se sensível?
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
Estado de espirito
Estamos em 2006. Se fosse há uns anos atrás diria que era um ano de esperança. Neste momento não posso dizer isso. A vida mudou, eu mudei, eu sei mais do que o que sabia, e já passei a barreira dos 20, o limite possível daquele período de crescimento, de esperança e fascínio pelo mundo e pelo Universo físico e social. Na verdade ainda tenho fascínio, mas por outras coisas, talvez possa dizer, mais sublimes. O Universo físico e social foi uma decepção para mim, vi que o mundo não era tão bonito como o querem pintar e socialmente falhei também. Tive que mudar a minha interpretação do mundo e os meus esquemas mentais, os alicerces segundo o qual foi feito o primeiro edifício foram deficientemente construídos. Estou construindo um segundo edifício neste momento. É claro que não pode ser de raiz, tenho que utilizar os alicerces físicos de origem, dar-lhe um pouco mais de resistência e continuar esta construção imparável. Quanto aos alicerces psicológicos, também tenho que utilizar muito do que foi construído, não posso negar o meu passado nem esquecê-lo simplesmente, tenho que deitar abaixo certas estruturas não vitais e seguir a construção. Tenho consciência de que este edifício já não vai ficar dos mais belos mas espero que fique pelo menos resistente para que não desmorone como o anterior. Ao fim e ao cabo o edifico é o mesmo mas com partes reconstruídas.
O movimento é constante, quer a nível da matéria e organismo, quer a nível das ondas e do pensamento. Não há nada parado no sentido literal do termo. Os científicos descobriram que o protão, o factor contrário ao electrão num átomo, é dividido ainda mais por dois outros factores, julgo que lhe chamaram ‘quarks’, quando se chegou a pensar que o protão seria indivisível. Isto para dizer que o pensamento e o organismo humano não param, são dinamicamente estáveis, estão em equilíbrio mas não parados. E com isto dizer também que é a resistência ou o reaccionar (responder) mal a determinado sistema que nos quer fazer ‘mover’, quer a nível do pensamento ou quer a nível do organismo ou de ambos, num determinado objectivo (modo) que nos provoca mal-estar. Assim, podemos pensar em exemplos, que podem ser explicados pelo que foi dito: o caso da ansiedade, porque ficamos ansiosos? Porque há um bloqueio de qualquer coisa, quer física (referente ao organismo) quer psicológica (a nível do pensamento ou da mente), ou seja, porque não há resposta, ou ainda porque há uma resposta inconsequente, não ‘desejada’ pelo sistema. Sejamos mais concretos com o que se passa com a ansiedade: segundo o que eu já senti, descobri conscientemente (o que pode não ser novidade para outros) que fisicamente o que se passa comigo quando fico ansioso é que há um suspender da respiração, além de conseguir antever outras modificações orgânicas que não consigo explicar inteiramente. E mesmo que eu dê conta que suspendi a respiração e a queira retomar conscientemente há algo que não se controla, uma ordem ‘superior’, vinda da mente, que faz com que a circulação do sangue diminua e mesmo forçando a respiração, essa ordem, talvez imposta na mente forçadamente ao longo do meu crescimento, é mais forte e não pode ser contrariada de um momento para o outro, ou seja, da mesma maneira que foi introduzida na mente (ao longo de bastante tempo) assim terá que se fazer para reverter o processo (com tempo e persistência, acredito), forçar a respiração e ‘reprogramar’ a mente para que deixe responder o organismo adequadamente. Por outras palavras, o sistema (organismo humano) necessita de oxigénio para as suas células sobreviverem, logo precisamos de respirar, e quando nós suspendemos essa resposta esperada pelo sistema estamos a criar a ansiedade. Mentalmente, o que se passa com o pensamento é que o pensamento consciente pára e dá lugar ao aumento de pensamentos inconscientes, eu perco mesmo o fio à meada da conversa que o outro está a dizer e perco partes dessa conversa a tentar controlar essa ansiedade. Assim passa comigo e acredito que assim se passa com muitas das pessoas que são fechadas e que não deixam fluir os seus sentimentos no momento (sistema) em que estão inseridas. Os bloqueios são do pior que pode haver, tentar travar um sistema pode ser muito perigoso, quando esse sistema é mais forte que o bloqueio, em lugar de se aniquilar e se destruir para dentro sem consequências exteriores ou com consequências exteriores mínimas, ele irá rebentar e irá provocar um conjunto de reacções em cadeia que irão alterar muito mais outros sistemas
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
redenção
Diz-se qualquer coisa. ‘Eles falam, falam mas não os vejo fazer nada… concerteza que fico chateado’. Diz-se muita coisa, demasiadas coisas. Uns querem mandar. Outros acham que são os outros que têm a culpa do que lhes sucede, os outros que mandam. Será possível ver as coisas pela perspectiva mais correcta? Poderá alguém ser responsabilizado somente por algo do que sucede a outros? Haverá um homem superior capaz de reger os destinos humanos e até do mundo? Haverá a perfeição? Porque querem os homens poder? De que serve estar alto no mundo para depois cair? De que serve o auge para depois ir para o abismo? De que serve o poder se depois a responsabilidade dos actos de quem os praticou é posta às suas costas? Será que se é capaz de se aguentar o peso dos destinos do mundo? Será que um homem pode com tal? Eu não quereria tal responsabilidade. Há homens, muitos homens, que agem convencidos de que estão a agir bem, há homens que fazem um mal tremendo pensando que estão a fazer bem. Se a esses homens um dia lhes for mostrada a verdade dos seus actos, esses homens irão arrepender-se até ao fim das suas vidas, e se eles ainda insistirem naquilo que vêem ser incorrecto, alguém (pessoa ou pessoas) de quem eles gostarem muito irá sofrer as consequências dos seus actos teimosos, e eles hão-de arder nos infernos. A semente que se deita à terra dará frutos mais cedo ou mais tarde. As energias que impulsionamos contra os outros são aquelas que virão até nós manifestadas de uma maneira ou de outra, assim: a) quem semeia ventos colhe tempestades; b) Quem cultiva as boas energias boas energias encontra.
Eu desisti de fazer algo, sinto-me impotente para tal. Eu lavei as minhas mãos perante a responsabilidade do poder. Eu apenas quero falar. Já tive tanta raiva contida, tanta contenção que me levou a desesperar. Tanta energia absorvida, tanta energia tão mal canalizada. Eu quero mudar. Eu quero achar os responsáveis por o que me aconteceu, eu quero redimir as minhas culpas, eu quero ser responsabilizado pelos actos que pensava serem os correctos e que afinal eram maus, quero encontrar os responsáveis pelo que me levou a fazer tais actos, o mundo tem que se redimir. Todos influenciamos e somos influenciados, todos somos os responsáveis pelas influências que temos nos outros, as influências negativas transformam-se em culpas, as positivas em poder, poder de impulsionar esses influenciados.
Problemas(de expressão)
Acho que me sei de cor, conheço-me de mais, mais do que havia de conhecer. E vejo a normalidade humana, e analizo-a segundo um prisma que é dificil de dizer.
domingo, 5 de novembro de 2006
silêncio da tarde
quinta-feira, 2 de novembro de 2006
A morte é inevitável
A morte é inevitável, assim como a decadência que a antecede. A minha tristeza consome-me desde o princípio da vida, como uma sina inevitável. Vejo todo o caminho por onde tenho trilhado. Vejo cada vez mais o passado e o futuro. Vejo coisas em que acredito e que talvez eu não devesse acreditar para ser normal. Mas eu não consigo evitar as variáveis que eu tenho em mim que são incomensuráveis. E quer eu faça isto ou eu não faça quer eu corra e me esconda quer eu me mostre ou esteja quieto o destino tende a aproximar-se cada vez mais. E eu cada vez mais o vejo, cada vez mais claro, nasci para algo, só ainda não consigo saber para quê, talvez para ser carne para canhão, talvez para travar uma batalha para que outros vivam.
Resta dizer ‘ADEUS’ bem devagarinho, penso, sofrer bem baixinho. Sei que cada vez mais estou desligado do mundo, mas que interessa isso a quem quer que seja…Que poderá alguém fazer por mim. Se nem Deus em quem acreditei fortemente, no mais profundo do meu ser, me ajudou a triunfar, a ser feliz, sim porque triunfar nesta vida seria ser feliz. Aquele Deus que eu acreditei ver um dia e que me ajudaria, aquele castelo indestrutível que me apoiaria, foi a minha loucura. Eu vejo tudo neste momento como num relance, tudo o que me fez ser quem sou, o meu caminho até este momento, como se estivesse a morrer rápido, mas será tarde de mais? Talvez seja.
Adeus sanidade, se é que alguma vez a houve, adeus.
Estou desesperado, não consigo me envolver, não encontro ninguém sincero com quem me envolver, já não sinto a sintonia dos homens. Se não houver alternativa, resta-me abraçar o meu destino com todas as forças que me restam, mas eu choro. Choro por ter sido tudo
terça-feira, 31 de outubro de 2006
Eu-numa conversa com um grupo a que pertenço
Eu precisava de desabafar, e essa foi e pode ser a minha maneira de desabafar algumas das vezes por escrito, já que oralmente sou uma nulidade de expressão. Hoje já estou mais calmo. Muitos de vós podereis ter interpretando-me mal. Mas não era essa a minha intenção. Não quero ser eu a ovelha negra do grupo, ou o 'bode-expiatório' se bem que é isso que me acontece na minha vida cada vez que tento dar um passo na aproximação social (raras vezes escrevi para o grupo com o medo de ser criticado, com o medo de me expressar, como acontece a tantos de vós), sinto-me sempre o centro das atenções, tal como acontece ao vivo em muitas das situações, e sei que muitas vezes acabo por sê-lo, tão somente por esta fobia social que me destrui, me torna anti-social e que me leva a agir não no sentido convergente de aproximação com as pessoas mas num sentido divergente. Espero não ter passado a imagem de egoísta, porque na verdade sou solidário, tanto que, por exemplo, sofro com as pessoas que sofrem, e muitas vezes sofro mais porque sou confidente dos problemas de muita gente que sofre e fico calado sem me exprimir também, talvez tal como tantos outros. É verdade que olho muito para dentro, sim, mas como um exponencial introvertido. Não sou uma pessoa rica em termos monetários nem aspiro a isso, sou uma pessoa humilde que tenho um emprego que me dá a minha subsistência e que mantenho com dificuldade devido a esta fobia social ( Quanto medo não tenho de o perder e não ser capaz de arranjar outro), graças a Deus ainda tenho pais que me ajudam também e não sei o que seria sem eles. A minha solidão e isolamento vem de longe, sei-o, brinquei sozinho com as pedras e os paus do campo que para mim eram os miúdos que me acompanhavam nessas brincadeiras, praticamente até à idade escolar, 6 anos, e sabemos hoje o quanto importante são os primeiros anos das nossas vidas e como eles 'ditam' o nosso futuro, talvez dai me tenha tornado uma pessoa individualista. Acredito também seriamente que este problema também passa pelos nossos genes, que trazem uma propensão para a timidez que é agravada com o ambiente vivido, talvez a nossa maneira de sentir já venha nesses genes. Depois disso é tudo um efeito bola de neve, uns problemas trazem outros, as discriminações sociais entre o garotio, um jeito que nos torna mais fechados, um pai rígido, uma série de coisas que enfatizam a nossa maneira de ser e que tantos o sabem acerca do seu passado. Talvez tenha acontecido algo idêntico com muitos dos que aqui me lêem e dai as 'nossas' ansiedades sociais.