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quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Estado de espirito

Estamos em 2006. Se fosse há uns anos atrás diria que era um ano de esperança. Neste momento não posso dizer isso. A vida mudou, eu mudei, eu sei mais do que o que sabia, e já passei a barreira dos 20, o limite possível daquele período de crescimento, de esperança e fascínio pelo mundo e pelo Universo físico e social. Na verdade ainda tenho fascínio, mas por outras coisas, talvez possa dizer, mais sublimes. O Universo físico e social foi uma decepção para mim, vi que o mundo não era tão bonito como o querem pintar e socialmente falhei também. Tive que mudar a minha interpretação do mundo e os meus esquemas mentais, os alicerces segundo o qual foi feito o primeiro edifício foram deficientemente construídos. Estou construindo um segundo edifício neste momento. É claro que não pode ser de raiz, tenho que utilizar os alicerces físicos de origem, dar-lhe um pouco mais de resistência e continuar esta construção imparável. Quanto aos alicerces psicológicos, também tenho que utilizar muito do que foi construído, não posso negar o meu passado nem esquecê-lo simplesmente, tenho que deitar abaixo certas estruturas não vitais e seguir a construção. Tenho consciência de que este edifício já não vai ficar dos mais belos mas espero que fique pelo menos resistente para que não desmorone como o anterior. Ao fim e ao cabo o edifico é o mesmo mas com partes reconstruídas.


O movimento é constante, quer a nível da matéria e organismo, quer a nível das ondas e do pensamento. Não há nada parado no sentido literal do termo. Os científicos descobriram que o protão, o factor contrário ao electrão num átomo, é dividido ainda mais por dois outros factores, julgo que lhe chamaram ‘quarks’, quando se chegou a pensar que o protão seria indivisível. Isto para dizer que o pensamento e o organismo humano não param, são dinamicamente estáveis, estão em equilíbrio mas não parados. E com isto dizer também que é a resistência ou o reaccionar (responder) mal a determinado sistema que nos quer fazer ‘mover’, quer a nível do pensamento ou quer a nível do organismo ou de ambos, num determinado objectivo (modo) que nos provoca mal-estar. Assim, podemos pensar em exemplos, que podem ser explicados pelo que foi dito: o caso da ansiedade, porque ficamos ansiosos? Porque há um bloqueio de qualquer coisa, quer física (referente ao organismo) quer psicológica (a nível do pensamento ou da mente), ou seja, porque não há resposta, ou ainda porque há uma resposta inconsequente, não ‘desejada’ pelo sistema. Sejamos mais concretos com o que se passa com a ansiedade: segundo o que eu já senti, descobri conscientemente (o que pode não ser novidade para outros) que fisicamente o que se passa comigo quando fico ansioso é que há um suspender da respiração, além de conseguir antever outras modificações orgânicas que não consigo explicar inteiramente. E mesmo que eu dê conta que suspendi a respiração e a queira retomar conscientemente há algo que não se controla, uma ordem ‘superior’, vinda da mente, que faz com que a circulação do sangue diminua e mesmo forçando a respiração, essa ordem, talvez imposta na mente forçadamente ao longo do meu crescimento, é mais forte e não pode ser contrariada de um momento para o outro, ou seja, da mesma maneira que foi introduzida na mente (ao longo de bastante tempo) assim terá que se fazer para reverter o processo (com tempo e persistência, acredito), forçar a respiração e ‘reprogramar’ a mente para que deixe responder o organismo adequadamente. Por outras palavras, o sistema (organismo humano) necessita de oxigénio para as suas células sobreviverem, logo precisamos de respirar, e quando nós suspendemos essa resposta esperada pelo sistema estamos a criar a ansiedade. Mentalmente, o que se passa com o pensamento é que o pensamento consciente pára e dá lugar ao aumento de pensamentos inconscientes, eu perco mesmo o fio à meada da conversa que o outro está a dizer e perco partes dessa conversa a tentar controlar essa ansiedade. Assim passa comigo e acredito que assim se passa com muitas das pessoas que são fechadas e que não deixam fluir os seus sentimentos no momento (sistema) em que estão inseridas. Os bloqueios são do pior que pode haver, tentar travar um sistema pode ser muito perigoso, quando esse sistema é mais forte que o bloqueio, em lugar de se aniquilar e se destruir para dentro sem consequências exteriores ou com consequências exteriores mínimas, ele irá rebentar e irá provocar um conjunto de reacções em cadeia que irão alterar muito mais outros sistemas em volta. Os bloqueios continuados do que é inicialmente uma ansiedade normal têm consequências desastrosas para o organismo (depressão), num prazo que para uns pode ser maior e para outros, menor. Assim, deve-se tentar atenuar o mais possível, senão eliminar o mais cedo possível, as causas da ansiedade, e isso passa por desbloquear o nosso sistema (organismo) e deixá-lo responder em concordância com os sistemas que nos envolvem, pelo menos responder, mesmo que não seja em concordância, e deixar ou fazer com que ele se adapte ao sistema maior que o envolve (a sociedade, constituída por outros organismos). Resumindo, é a resistência que nos causa dor. A resistência é necessária, mas não em excesso. O movimento tem que se dar, nada está parado, e então ainda mais nos dias que correm. Se estamos mal, e o ambiente à nossa volta não muda a nosso favor, temos que nos mudar nós para outro ambiente que nos seja favorável.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

redenção

Diz-se qualquer coisa. ‘Eles falam, falam mas não os vejo fazer nada… concerteza que fico chateado’. Diz-se muita coisa, demasiadas coisas. Uns querem mandar. Outros acham que são os outros que têm a culpa do que lhes sucede, os outros que mandam. Será possível ver as coisas pela perspectiva mais correcta? Poderá alguém ser responsabilizado somente por algo do que sucede a outros? Haverá um homem superior capaz de reger os destinos humanos e até do mundo? Haverá a perfeição? Porque querem os homens poder? De que serve estar alto no mundo para depois cair? De que serve o auge para depois ir para o abismo? De que serve o poder se depois a responsabilidade dos actos de quem os praticou é posta às suas costas? Será que se é capaz de se aguentar o peso dos destinos do mundo? Será que um homem pode com tal? Eu não quereria tal responsabilidade. Há homens, muitos homens, que agem convencidos de que estão a agir bem, há homens que fazem um mal tremendo pensando que estão a fazer bem. Se a esses homens um dia lhes for mostrada a verdade dos seus actos, esses homens irão arrepender-se até ao fim das suas vidas, e se eles ainda insistirem naquilo que vêem ser incorrecto, alguém (pessoa ou pessoas) de quem eles gostarem muito irá sofrer as consequências dos seus actos teimosos, e eles hão-de arder nos infernos. A semente que se deita à terra dará frutos mais cedo ou mais tarde. As energias que impulsionamos contra os outros são aquelas que virão até nós manifestadas de uma maneira ou de outra, assim: a) quem semeia ventos colhe tempestades; b) Quem cultiva as boas energias boas energias encontra.



Eu desisti de fazer algo, sinto-me impotente para tal. Eu lavei as minhas mãos perante a responsabilidade do poder. Eu apenas quero falar. Já tive tanta raiva contida, tanta contenção que me levou a desesperar. Tanta energia absorvida, tanta energia tão mal canalizada. Eu quero mudar. Eu quero achar os responsáveis por o que me aconteceu, eu quero redimir as minhas culpas, eu quero ser responsabilizado pelos actos que pensava serem os correctos e que afinal eram maus, quero encontrar os responsáveis pelo que me levou a fazer tais actos, o mundo tem que se redimir. Todos influenciamos e somos influenciados, todos somos os responsáveis pelas influências que temos nos outros, as influências negativas transformam-se em culpas, as positivas em poder, poder de impulsionar esses influenciados.


Problemas(de expressão)


  Acho que me sei de cor, conheço-me de mais, mais do que havia de conhecer. E vejo a normalidade humana, e analizo-a segundo um prisma que é dificil de dizer.


domingo, 5 de novembro de 2006

silêncio da tarde

      







Estou no silêncio da tarde. Em silêncio parece ser onde eu me sinto bem, onde o meu feitio de solitário tem vazão, onde eu me consumo prazenteiramente como um masoquista, que só a sofrer se sente bem. Eu bem luto contra isto, mas parece-me que as forças antagónicas são mais potentes. Como alterar uma edificação que já está construída? Só destruindo e começar de raiz. Quanto a modificações que se lhe podem fazer, serão só remendos. Cheio de remendos – e cada vez mais – estou eu. Remenda num lado, rebenta no outro. Os remédios talvez me estejam a fazer mal com os efeitos secundários e chegarei a um ponto que serão por demais evidentes e destruidores. O ‘Z******’ é potente. Ele faz-me por um lado reprimir os efeitos positivos que sentiria, psicologicamente, no meu cérebro. Mas nem por o tomar há já mais de quatro anos eu sinto que vou ficar bom, apenas me sinto mais lúcido em relação há doença que me consome. E os efeitos positivos seriam os de andar num descontrolo mental enorme, mas nem por os tomar eu algum dia serei novamente uma pessoa normal, eu prevejo isso e não quero andar na ilusão, se bem que isso me entristece imenso. O ‘z******’ actua quimicamente no meu cérebro, e decerto já provocou grandes afectações nele. Se por um lado me faz algo de positivo, também me faz muito de negativo. E faz de positivo quando me acalma e me faz aguentar certos momentos mais difíceis que sei que se não o tomasse, me iria abaixo mais depressa, porque eu tenho um feitio depressivo. E ele faz-me dormir, é bom, mas durmo demais. Durmo de mais porque a maioria das vezes não sinto motivação para o que quer que seja, a apatia é enorme, além da falta de energia que perdi, como que se tivesse evaporado, a partir daquela tarde de Novembro de 2000 – se não me engano no ano, em que subitamente desisti de tudo, e entrei em paranóia. Esses dias foram difíceis: Não tinha consciência do que se estava a passar comigo, deixei o emprego, como se quisesse fugir do mundo e de todos os meus medos, e a verdade é que nos meses que se seguiram, tudo se tornou mais difícil ainda, em casa: o descontrolo químico do meu corpo atingiu o auge, e o mais de ano e meio que se seguiu foi de queda até ao abismo, a solidão extrema, a confusão sem fim, a incompreensão do que se estava a passar comigo e com o que me envolvia e do que directamente ou indirectamente me afectava – Quase quatro anos passados desde que eu comecei a trabalhar na noite, num trabalho que eu penso ter sido arranjado por intermédio de Deus (em quem eu desacredito cada vez mais na maneira em como a religião o vê, e acredito na minha maneira de o ver como a mais certa) eu melhorei em muitos aspectos. E ai o z****** ajudou-me a aguentar um bocado todo este trajecto, não só ele mas também. Passados quatro anos vejo que perdi muita coisa, coisas que não devia ter perdido para ser uma pessoa normal, e vejo que pouco ganhei, o meu equilíbrio é muito sensível ainda. E o z****** ajudou-me nesse aspecto de abrir os olhos. Mas o trabalho também. E a noite também (dizem que a noite sempre foi boa conselheira e eu afirmo veemente isso). Aquele silêncio e mais calma que são inerentes a ela deram-me um bocado de fôlego para que pudesse vislumbrar aquilo que me prende e não me deixa evoluir. Mas os efeitos negativos do z****** não se deixam de sentir, e sei que por vezes se misturam com os efeitos negativos do próprio problema, a minha doença, que talvez seja esquizofrenia. A apatia tem aumentado e a falta de energia também, a minha capacidade de reacção aquilo que passa à volta de mim é cada vez menor. Tendo a desconfiar, cada vez mais, que é do remédio. Estou a meter-me num ciclo de isolamento cada vez maior, o meu equilíbrio é subtil. Só o remédio não vai trazer-me a sociabilização que me faz falta. Como posso eu socializar se eu sou uma nulidade social? Se eu não me exprimo? Se eu não tenho motivação social?
Sei que tudo isto pode ter começado lá bem no princípio da minha vida. A minha timidez natural foi cada vez tornando-se maior até se tornar no monstro em que está agora. Já pus a culpa ao meu pai. A minha mãe também terá a sua culpa. E a verdade é que me criei num ambiente que me tornou assim, calado. A afectação do meu raciocínio sei que cada vez é maior, e tenho medo do que possa vir a acontecer, ou seja: piorar. Eu tenho medo de falar. A repressão sobre a minha expressão, qualquer que seja o meu tipo de expressão, mas sobretudo no falar, é enorme. E o z****** não me irá curar este grande problema, ele paralisa-me ainda mais a fala, ele paralisa-me ainda mais o raciocínio. O z****** abre-me o apetite também, por isso a minha tendência é cada vez mais a de engordar. Precisava de acreditar em alguém, se houvesse alguém que na realidade me quisesse fazer bem.






z******=zyprexa


P.S 
Ficam as questões:
Trata-se a Fobia Social ou as Ansiedades Sociais com remédios tão potentes? Será mesmo necessário ser assim? Pressupõe-se, logo á partida, que a pessoa necessita mesmo do tratamento mais radical? Querem mesmo pôr uma pessoa funcional com estas drogas, quando as deixam ainda mais disfuncionais? Que grande confusão de Mundo, que Grande entropia de informação nestes dias, a quererem resolver as coisas da maneira mais estúpida ...


quinta-feira, 2 de novembro de 2006

A morte é inevitável

A morte é inevitável, assim como a decadência que a antecede. A minha tristeza consome-me desde o princípio da vida, como uma sina inevitável. Vejo todo o caminho por onde tenho trilhado. Vejo cada vez mais o passado e o futuro. Vejo coisas em que acredito e que talvez eu não devesse acreditar para ser normal. Mas eu não consigo evitar as variáveis que eu tenho em mim que são incomensuráveis. E quer eu faça isto ou eu não faça quer eu corra e me esconda quer eu me mostre ou esteja quieto o destino tende a aproximar-se cada vez mais. E eu cada vez mais o vejo, cada vez mais claro, nasci para algo, só ainda não consigo saber para quê, talvez para ser carne para canhão, talvez para travar uma batalha para que outros vivam.


            Resta dizer ‘ADEUS’ bem devagarinho, penso, sofrer bem baixinho. Sei que cada vez mais estou desligado do mundo, mas que interessa isso a quem quer que seja…Que poderá alguém fazer por mim. Se nem Deus em quem acreditei fortemente, no mais profundo do meu ser, me ajudou a triunfar, a ser feliz, sim porque triunfar nesta vida seria ser feliz. Aquele Deus que eu acreditei ver um dia e que me ajudaria, aquele castelo indestrutível que me apoiaria, foi a minha loucura. Eu vejo tudo neste momento como num relance, tudo o que me fez ser quem sou, o meu caminho até este momento, como se estivesse a morrer rápido, mas será tarde de mais? Talvez seja.


            Adeus sanidade, se é que alguma vez a houve, adeus.


Estou desesperado, não consigo me envolver, não encontro ninguém sincero com quem me envolver, já não sinto a sintonia dos homens. Se não houver alternativa, resta-me abraçar o meu destino com todas as forças que me restam, mas eu choro. Choro por ter sido tudo em vão. Nem pareço eu a dizer isto, quando já uma vez disse que a vida faria sentido tal como ela fosse. Agora não vejo isso assim. A apatia tende a consumir-me.



 


terça-feira, 31 de outubro de 2006

Eu-numa conversa com um grupo a que pertenço

Eu precisava de desabafar, e essa foi e pode ser a minha maneira de desabafar algumas das vezes por escrito, já que oralmente sou uma nulidade de expressão. Hoje já estou mais calmo. Muitos de vós podereis ter interpretando-me mal. Mas não era essa a minha intenção. Não quero ser eu a ovelha negra do grupo, ou o 'bode-expiatório' se bem que é isso que me acontece na minha vida cada vez que tento dar um passo na aproximação social (raras vezes escrevi para o grupo com o medo de ser criticado, com o medo de me expressar, como acontece a tantos de vós), sinto-me sempre o centro das atenções, tal como acontece ao vivo em muitas das situações, e sei que muitas vezes acabo por sê-lo, tão somente por esta fobia social que me destrui, me torna anti-social e que me leva a agir não no sentido convergente de aproximação com as pessoas mas num sentido divergente. Espero não ter passado a imagem de egoísta, porque na verdade sou solidário, tanto que, por exemplo, sofro com as pessoas que sofrem, e muitas vezes sofro mais porque sou confidente dos problemas de muita gente que sofre e fico calado sem me exprimir também, talvez tal como tantos outros. É verdade que olho muito para dentro, sim, mas como um exponencial introvertido. Não sou uma pessoa rica em termos monetários nem aspiro a isso, sou uma pessoa humilde que tenho um emprego que me dá a minha subsistência e que mantenho com dificuldade devido a esta fobia social ( Quanto medo não tenho de o perder e não ser capaz de arranjar outro), graças a Deus ainda tenho pais que me ajudam também e não sei o que seria sem eles. A minha solidão e isolamento vem de longe, sei-o, brinquei sozinho com as pedras e os paus do campo que para mim eram os miúdos que me acompanhavam nessas brincadeiras, praticamente até à idade escolar, 6 anos, e sabemos hoje o quanto importante são os primeiros anos das nossas vidas e como eles 'ditam' o  nosso futuro, talvez dai me tenha tornado uma pessoa individualista. Acredito também seriamente que este problema também passa pelos nossos genes, que trazem uma propensão para a timidez que é agravada com o ambiente vivido, talvez a nossa maneira de sentir já venha nesses genes. Depois disso é tudo um efeito bola de neve, uns problemas trazem outros, as discriminações sociais entre o garotio, um jeito que nos torna mais fechados, um pai rígido, uma série de coisas que enfatizam a nossa maneira de ser e que tantos o sabem acerca do seu passado. Talvez  tenha acontecido algo idêntico com muitos dos que aqui me lêem e dai as 'nossas' ansiedades sociais.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Breves palavras

Só umas breves palavras. Breves como a vida. Mas longas de mais quando se sofre. Sofre-se pelo que se vê, e o que se vê não é nada de bom. Percebo muito bem ou cada vez melhor as entranhas dos homens. E não sou capaz de ser como eles. Eu sou eu verdadeiramente, mas não consigo interagir com os outros porque vejo tanta falsidade, tanta hipocrisia, que realmente ainda não vi ninguém que se aproveite (desculpem-me alguns que não consigo ver e que talvez sejam diferentes), como se só eu pudesse ser aproveitado. Talvez eu passe nesta vida sem ninguém, sem ninguém me ver, um ser perene e finito. Sim é verdade, não gosto do olhar das pessoas para comigo, sei o mal que elas podem fazer aquilo que não compreendem, não acredito nos homens nem no futuro. Ainda estou para ver quando uma minoria vence. Ainda estou para ver quando Deus nos vai salvar. A minha curta passagem por este mundo está a ser infernalizada por uma espécie de destino que é aquilo que eu sou e para onde vou. Luto contra ele desde que me conheço, e começo a crer cada vez mais que é uma luta vã em que sei que vou sair derrotado, porque as variáveis que me envolvem e me fazem seguir o caminho não desejado são incomensuráveis e as forças são cada vez menores. Mesmo no auge das forças não consegui fazer nada, não é agora que vou fazer. Não sei que foi feito dos meus instintos, é como se cada vez menos os tivesse, como se os estivesse a perder. E depois de muito pensar e associar o que foi e é a minha vida não prognostico nada de bom para o meu futuro. Queixei-me imenso, talvez não às pessoas certas. Cada vez sou capaz de discriminar a realidade, se é que alguma vez o consegui correctamente. Na minha cabeça há dois, aquele que eu sou e aquele que eu quero que eu seja e que controla o que eu sou. E tudo isto gera uma confusão, uma promiscuidade de pensamentos, uma profusão de identidades, uma complicação tal, que não me deixa interagir correctamente com o mundo, uma apatia tal, uma falta de emoções gerada por uma repressão tal que não me deixa ser coerente. E desculpem-me alguns homens de boas intenções, mas eu não acredito no homem (no geral), não acredito que me venha salvar alguém. Nada me pode salvar em particular. Já nem sei se Deus estará lá para me salvar, aquele Deus que me impingiram, feito à imagem do homem. Acredito na natureza e no universo e no espírito que dá vida a tudo o que existe (Esse deve ser o verdadeiro Deus), mas não no Deus salvador, que morreu para salvar os homens. Que me desculpem as pessoas simples e/ou humildes e/ou ingénuas, por aquilo tudo que eu disser ou fizer, por aquilo que eu disse ou fiz magoando-as e atropelando-as com palavras ou com silêncio, mas a minha luta neste mundo é de sobrevivência, e luto contra os que pensam ser grandes e que querem e julgam ser mais espertos do que os outros. E a minha luta é silenciosa, é cega, e com tendência a tornar-se surda e impalpável. É a luta do NIRVANA. E se Deus realmente existe, rezo-lhe para que me Dê lucidez e me deixe sair deste torpor em que penso viver e que me pode deixar na porcaria da ruas lamacentas aos lobos dos homens que não sabem o que os move e que fazem 1001 asneiras. Quero deixar de pensar que sou especial, quero ser normal e humano. Quero olhar normalmente este mundo dos homens. Gostava de repor a minha química corporal ao normal, mas apesar disso o pessimismo que me invade é mais forte porque sei o rumo que as coisas estão a levar e já faz muito tempo, mas só agora estou a compreender melhor todo esse complexo mecanismo, sistemas, que me envolvem e que sou eu. Ninguém é salvador de ninguém e cada um só tem aquilo que merece, talvez eu tenha o que mereço. Eu não posso salvar ninguém e nenhum homem me pode salvar. Há um Deus que dita qual vai ser o futuro de tudo e que tudo comanda. Acredito nisso, porque acredito que cada um de nós é parte Dele, e Ele tudo pode até mesmo matar-nos.

Essência


        Vamos ver o que vai subsistir depois de toda esta tempestade social. Isto não é só subir, evoluir, há-de haver um momento, que não sei se já começou, em que tudo há-de começar a decair. Eu já comecei há algum tempo. A minha mente desintegrou-se já há uns anos. Longe estou cada vez mais, mais longe dessa sociedade utópica. Já não tenho capacidade de absorção de tudo o que se passa nem de organizar toda esta profusão de informação, muita dela supérflua. Talvez tenha começado a decair demasiado cedo. Não cresci habituado aos movimentos sociais intensos que levam a que o mundo pule e avance.


Ver a luz


    Eu vejo, eu vejo os erros, eu vejo os problemas, eu vejo a causa já ultrapassada tal como tinha previsto. Num mundo de sonho há uma dura realidade, a realidade que está para lá dos nossos sonhos. Quando estes são ultrapassados, o que encontramos é a dura realidade, aquela que é feita de tempo e que nos envelhece.  É tempo de mudar a estratégia de vida e criar sonhos conscientes. E criamos sonhos passíveis de ser atingidos. Só se vive pelo outro e com o outro, mas o que fazer quando a sintonia não é possível, quando as pessoas andam desencontradas? Quando o platonismo tomou conta de nós? O romantismo corrompe o ser, o romantismo é escuridão constante onde a esperança de encontrar a luz é o móbil dele. Uma luz que se sabe não satisfazer essa necessidade de luz. 


 


 


quarta-feira, 18 de outubro de 2006

ser quem sou

Sei muito. Talvez saiba mais do que devia saber. Mas não dou vazão ao que sei. É como se tudo o que soubesse se voltasse contra mim. Os meus instintos primários e de sobrevivência estão seriamente danificados. Dentro de mim há uma conduta que não me deixa ser quem não sou, mas que na verdade não me rege. Esse ‘EU’ profundo tem medo de se manifestar, está desarmado e à mercê de tudo o que de mau há no mundo. Estou profundamente só. E tenho medo de tocar na ferida, ela piora quando se lhe toca. Já não espero que alguém me venha salvar, talvez não acredite num Deus como os homens o concebem. Acredito no Universo e na complexidade de tudo o que existe, no equilíbrio de tudo quanto existe, nos momentos perenes de perfeição, acredito que tudo tem um fim. Acredito em Cristo, não como um homem solitário que morreu para nos salvar, mas em Cristo, aquele símbolo que representa todo um conjunto de homens, uma minoria entre uma maioria, que sofrem neste mundo para outros estarem bem. Há muitos Cristos por aí. Acredito que eu sou um deles. Talvez esta minha sintonia seja a sintonia seja a sintonia dos que estão com Deus, dos loucos, dos deficientes, dos doentes de qualquer tipo que vêem o valor real da vida, e se desapegam da mesquinhice que une os homens saudáveis.


            Faço definitivamente parte daqueles que estão em minoria no mundo. Talvez eu seja a pessoa mais certa do mundo, detentor de grandes verdades, mas sou incapaz de impor o meu ego, de dizer: «este sou eu e isto é no que acredito». Estou dominado mas ainda com esperança de que um dia ainda consiga ser aquilo que eu quero ser, que tenha certezas e não tantas dúvidas. Se se é uma coisa não se pode ser outra, e eu sou aquele que vive dessintonizado com o mundo social que me envolve, com uma visão do mundo acima daqueles que me envolvem, acredito nisso. E eu procuro culpados, os culpados de tudo o que sou, mas talvez não possa culpar ninguém, a não ser aqueles que agiram sabendo o que estavam fazendo. Sei que vou ter de enfrentar uma grande solidão nos dias que se me seguem se eu não conseguir fazer algo para mudar o rumo das coisas, e se a sorte não estiver comigo. Esta minha falta de actividade – a minha passividade – mata-me. Sei que tenho uma grande afectação na minha mente e nos meus pensamentos, e isso não me deixa viver normalmente. Tenho cada vez mais problemas de auto controle. Estas minhas repressões mentais são terríveis. Mas eu sou quem sou, e sou o que sou faz muito tempo, e cada vez mais sou o que sou, como se realmente o destino existisse. E cada vez mais o meu pensamento gira à volta daquilo que me faz sofrer, numa espiral cada vez mais fechada, como numa obsessão. Não posso livrar-me daquilo que já passou por mim, as características de anti-social continuam marcadamente. O pânico pode vir a dominar-me, o pânico de estar só, isolado do mundo. Eu avalio tudo o que se pode passar na minha vida, de inúmeros ângulos e perspectivas, e sei cada vez mais a minha influência no mundo e a influência que o mundo tem em mim. Eu apenas quero paz e serenidade para viver, eu não mereço sofrer tanto, este sofrimento desvalorizado pelos outros. O meu sofrimento tem muito mais valor do que se possa pensar.         O sofrimento de toda a gente tem valor e deve ser respeitado.