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sábado, 19 de janeiro de 2008

Danni carlos - Coisas que eu sei



Danni carlos - Coisas que eu sei












Eu quero ficar perto
De tudo o que acho certo
Até o dia em que eu mudar de opinião
A minha experiência
Meu pacto com a ciência
Meu conhecimento é minha distração
Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio mostra o tempo errado
Aperte o play
Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo ta fechado pra visitação
Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa
É minha Lei
Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei
Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos que eu não sei usar
Eu já comprei
Ás vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre quando eu tô afim
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia...
Agora eu sei...









sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Nirvana e Kurt cobain - Came as you are







Nirvana - Come As You Are







Come as you are, as you were, as I want you to be.
As a friend, as a friend, as an old enemy.
Take your time, hurry up, the choice is yours, don't be late.
Take a rest, as a friend, as an old memoria
Memoria
Memoria
Memoria


Come doused in mud, soaked in bleach, as I want you to be.
As a trend, as a friend, as a old memoria
Memoria
Memoria
Memoria

Chorus:
Well I swear that I don't have a gun
No, I don't have a gun
No, I don't have a gun

--Instrumental--

Memoria... Memoria... Memoria... Memoria...

Chorus:
And I swear that I don't have a gun
No, I don't have a gun
No, I don't have a gun
No, I don't have a gun
No, I don't have a gun
(Memoria...Memoria....)

Come As You Are              Tradução    (Venha Como Você É)

Venha como você é, como você era
Como eu quero que você seja
Como um amigo, como um amigo
Como um velho inimigo

Venha no seu tempo, se apresse
A escolha é sua, não se atrase
Descanse como um amigo
Como um antiga memória
Memória

Venha afundado na lama, embebido em pureza
Como eu quero que você seja
Como uma tendência, como um amigo
Como um velho inimigo
Memória, memória
Memória

E eu juro que não tenho uma arma
Não, eu não tenho uma arma
Não, eu não tenho uma arma









terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Não caminhes

"Não caminhes diante de mim,  posso não seguir-te. Não caminhes atrás de mim, posso não guiar-te. Caminha ao meu lado e simplesmente sê meu amigo."


(Albert Camus) 



http://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Camus

Andain Beautiful Things





Andain - Beautiful Things 


Got up early, found something's missing
My only name.
No one else sees but I got stuck,
And soon forever came.
Stopped pushing on for just a second,
Then nothing's changed.
Who am I this time, where's my name?
I guess it crept away.

No one's calling for me at the door.
And unpredictable won't bother anymore.
And silently gets harder to ignore.
Look straight ahead, there's nothing left to see.
What's done is done, this life has got it's hold on me.
Just let it go, what now can never be.

I forgot that I might see,
So many beautful things.
I forgot that i might need,
To find out what life could bring.

Take this happy ending away, it's all the same.
God won't waste this simplicity on possibility.
Get me up, wake me up, dreams are filling
This trace of blame.
Frozen still I thought I could stop,
Now who's gonna wait.

No one's calling for me at the door.
And unpredictable won't bother anymore.
And silently gets harder to ignore.
Look straight ahead, there's nothing left to see.
What's done is done, this life has got it's hold on me.
Just let it go, what now can never be.

Now what do I do?
Can I change my mind?
Did I think things through?

It was once my life
It was my life at one time.




segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Tiesto - Just Be




Dj Tiesto - Just Be lyrics
Artist: Dj Tiesto
Album: Just Be
Year: 2004
Title: Just Be 



I was lost and i'm still lost but i feel so much better


You can travel the world but you can't run away
from the person you are in your heart
you can be who you want to be
make us believe in you
keep all your light in the dark
if your searching for truth
you must look in the mirror
and make sense of what you can see

just be
just be

they say learning to love yourself
is the first step
that you take when you want to be real
and flying on planes to exotic locations
won't teach you how you really feel
face up to the fact that you are who you are
and nothing can change that belief

just be
just be

cause now i know it's not so far to where i go
the hardest part
is inside me
i need to just be

i was lost and i'm still lost but i feel so much better
[Just Be Lyrics on


http://www.lyricsmania.com/ ]









sábado, 29 de dezembro de 2007

Sempre assim (2000)

Sempre assim. Todos os dias a nossa atenção recai sobre a mesma coisa, o mesmo problema, o fulcro da questão, não nos deixando evoluir, porque estamos a tentar superar sempre o problema que não é ultrapassado. Um ciclo que não parece ter fim.

            É à luz de uma lâmpada frouxa que as ideias flúem. Faz-se uma pausa quando calha, não se sabe a sua duração. Também é preciso apreciar o vazio, e ele é grande.

            Cada um é único e irrepetível. Cada um tenta passar desapercebido, no meio dos outros, sinal que não é diferente, e ao mesmo tempo tem o desejo de ser (re) conhecido.

            Lembro-me daqueles dias chuvosos ou ensolarados, frios ou quentes, em que passo na cama a ouvir estas músicas [os sons da minha vida].

            Lembro-me daquelas noites em que a inspiração vinha e até parecia que dizia alguma coisa com sentido… no papel.

            De lembranças sou feito, boas e más, como as de todos.

            Lembro-me…

            de que todos os dias me parecem iguais, não passo da cepa torta.

            […] do que perdi, e que tanto sentido deveria ter, mas que se perdeu para sempre. ]

            da imposição do ‘EU’ por parte das pessoas perante os outros. […] Os ‘EUS’ estão sós e querem afirmar-se.

            Porque será que exteriormente estamos a mudar e por dentro continuamos na mesma?

            O mundo é composto de tantas pessoas que facilmente um é esquecido.

            Tantas e tantas ideias que flúem na mente não se conseguindo verbalizar coerentemente. É tremendamente cansativo sentir o mundo com esta intensidade desmesurada e não conseguir dar-lhe vazão, é só absorver os estímulos que nos rodeiam.

            E tu? Entras plácido por entre essas janelas fechadas, irrompes pela cozinha adentro como que trazendo uma mensagem do infinito, neste preciso momento. És um sinal para mim. Tal como tu neste momento, os sinais sucedem-se noutras ocasiões, a quem os entende. Sinais despercebidos ao comum dos mortais. Um brilho de um raio de sol numa ocasião espaço - temporal impensado. E a minha razão pensa em probabilidades dos acontecimentos. A probabilidade desse momento foi única, é um sobre infinito. Tenho pensado, por vezes, em que um acontecimento pode influenciar outro acontecimento num lugar mais ou menos próximo de onde se deu o primeiro , por hipótese. Todos somos influenciados pelos outros assim como nós os influenciamos, o mesmo sucede com os actos que fazemos.

            Vejo a minha vida a passar em relances perante os meus olhos. E o que vejo é uma luta constante entre o optimismo e o pessimismo [ de relances é composta a minha vida].

 

 

 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Dia Glorioso

            Neste Dia Glorioso, que nasce com todo o seu esplendor, entro no cubículo da minha alma, onde mora a minha dor. Este sítio recatado, sombrio e frio, onde eu moro e tenho vivido grande parte dos meus dias, nunca ninguém lá entrou, ninguém me conhece. Por uma janela, plena de esperança, raiam com fulgor alguns fotões que penetram ao fundo do espírito demonstrando uma esperança cada vez mais débil, assim, como o passar do tempo. E eu daqui, altivo como um Deus, no abismo mais profundo, renovo o meu sentir, alargo o meu olhar. Eu estou firme no meu posto, mas vacilo a cada passo que tento dar, como se cego eu fosse. Sei que o meu Dia está próximo, fujo dele a 70 vezes 7 pés, mas ele cerca-me para onde quer que eu me dirija. Trago o trunfo na manga, aquele que eu estarei prestes a deitar, quando a vida me quiser completamente sufocar. Trago a noite do Universo num dos meus bolsos, aquela imensidão que me há-de acalmar, o dia terreno que é límpido e colorido no outro, para alvarmente me cobrir e a tua conduta enganar.

Por ti estou aqui, hoje. Sim, por ti. Por tua causa eu estou aqui, agora, Glorioso como o despertar, rarefeito como o sol – pôr, momentos únicos que jamais irão voltar de tão presentes se encontrarem. Tu, que de dor me fazes jorrar, e mesmo depois de o sangue se esgotar, ainda água terei para dar. Sim, crucifica-me. Eu vejo a ira que vai na tua alma, filho da desgraça, porque antes de teres nascido já Ele o era, e eu mais não sou que um suspiro da Sua imensidão, incomensuravelmente pequeno e finito, mas com uma ambição, de ao lado direito Dele ficar, na expectativa de ver a justiça do Seu sofrimento te açambarcar. E mesmo assim, apesar de tudo, amo-te, amo-te como ninguém jamais te amou, mas foi precisamente isso que me trespassou. Em todo o amor que demonstras sem fim, toda a ira que em ti mora por mim, é revelada mesmo sem dizeres nada. Eu não vejo, eu sinto, e a quem sente jamais podes enganar, somente a quem se fia no olhar. A aparência é que te dá poder, é que te faz, mesmo, mover? Pois eu digo-te é por ela que tu irás sofrer. Tu sofres por o que vês, és falso. Eu sinto, pelo que sofro…

Mas há mais. A tua indiferença faz-te forte, o teu sadismo dá-te prazer, mas ainda há uma palavra a dizer, antes que se esgote este alvorecer. Pai, eu faço parte da natureza que me envolve, da imensidão que jamais conseguirei abranger, mesmo com o meu sentir infinito. E não posso pactuar com a conduta de quem dessa natureza me quer afastar, dessa crença profunda que de mim jamais alguém irá arrancar, os meus inimigos, alvos a desvendar e a destronar, porque ninguém é Rei senão Tu, eterno e perfeito, porque acredito que Tu és o Bem – eu sei-o, porque eu vi o mal – Tu és o equilíbrio, e ai reside a perfeição, Tu és a essência da vastidão. E eles, castelos na areia, reis da destruição da harmonia, marginais sós, que culpam outros seus irmãos pela sua própria condição, que se rebelam contra Ti, fonte de toda a criação, como se em Ti morasse a culpa da sua falta de orientação. Por ti, pai, eu estou aqui, mas já estava escrito nos astros, a minha passagem por este mundo, e já está escrito no mais profundo do vácuo o meu destino. E o meu destino é Ele, Ele faz parte de mim, eu sou uma ínfima parte Dele, igual a tantos outros como tu, na minha massa, mas dos maiores na descoberta Dele. Eu tentei fazer-te meu amigo, tentei mostrar-te onde erravas. Porque me fechaste a porta? Porque me revoltaste contra a natureza que me envolveu e me acolheu e me fez crescer, aprender, e me alimenta e me faz sobreviver? O teu egoísmo há-de destruir-te, pois as aparências enganam.

Inimigos, achais-vos superiores? Achais que eu é que estou errado? A erva daninha prospera nos solos, mas a beleza não é destruída por ela, a beleza transcende o óbvio. Caí por terra enquanto é tempo, vê -de o mal que fazeis, não sigais contra o que de genuíno sentis, acreditai no regresso à inocência. Podeis vencer esta guerra contra mim, mas nunca vos será perdoado a perda que provocares, o Equilíbrio que me rege será a vossa destruição e ninguém mais terá culpas disso, a não ser vós que não acreditastes. A culpa reside naqueles que lhes foi Mostrado e não acreditaram.

Saco do meu bolso, este meu dia terreno e lanço-o sobre vós. O Dia Glorioso está à vossa frente, defronte de mim somente, é uma questão tempo, se houver medição para esta passagem. A luz foge, mas ainda me resta o meu outro bolso…

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Mundo actual: Independência, individualismo e egoismo

                   Concordo que o mundo actual seja de uma maneira geral, principalmente a parte do mundo economicamente e socialmente mais desenvolvida, egoísta e individualista. Penso mesmo que talvez seja o individualismo que pode despoletar o egoísmo. Acho que é a ‘independência’ o conceito primário que traz consigo esse individualismo e de seguida como efeito secundário, pode-se assim dizer, o egoísmo. Temos que por definição que INDEPENDÊNCIA significa liberdade, autonomia; INDIVIDUALISMO significa isolamento do indivíduo num conjunto ou sociedade (1) ou ainda é uma teoria que sustenta a preferência do direito individual ao colectivo (2); EGOISMO significa amor exclusivo da sua pessoa ou dos seus interesses. Não será propriamente na ' independência ' que está o mal ou onde reside o problema. É bom que cada ser humano tenha independência, independência social e económica, isso faz parte do direito natural que o ser humano tem que é o de ser livre, ter liberdade, e isso não existirá sem a tal independência. Para mim não pode haver ' individualismo ' sem ' independência '. E dada a independência que o mundo moderno vai permitindo a cada vez mais gente, o individualismo tornou-se num caminho fácil de seguir, há mesmo uma cultura do individualismo. Segundo a segunda definição que está em cima e que encontrei no dicionário (2), realmente estamos num mundo economicamente evoluído em que o direito individual é exacerbado, muitas vezes como se uma pessoa (certas pessoas) tivesse (tivessem) mais direitos que o seu próximo. Existe todo um antropocentrismo que continua a crescer e que tende a transformar a ‘independência’ necessária de cada homem num individualismo egoísta. O ser-se individualista, segundo a primeira definição (1), deveria ser na maioria das vezes uma opção que deveria ter cada pessoa independente segundo a suas características pessoais (personalidade, outras). Mas nas sociedades mais avançadas isso tornou-se na única opção a que as pessoas têm que aderir dada a cultura do individualismo que se instalou e que depois transforma muitas pessoas em egoístas (por isso digo que o egoísmo é um ‘efeito secundário’). É essa cultura a que promove o egoísmo em vez do altruísmo, essa cultura que leva as pessoas a olhar só pelos seu interesses, que podem passar pela satisfação de acumular bens e/ou explorar e/ou passar por cima de outras pessoas sem olhar a meios e que leva a que não se ame o próximo abnegadamente, a que se olhe o próximo como objecto (mais um nas suas vidas). Dentro desta cultura estão pessoas (em minoria com certeza) que não se adaptaram ou não se adaptam e que têm um défice mais ou menos acentuado de independência social (acompanhado muitas vezes de défice de independência económica, o que piora as coisas) e que leva a que se auto – marginalizem e/ou que os marginalizem a outra parte da sociedade (os que estão integrados na cultura individualista egoísta por exemplo). Daí que as pessoas da outra parte pareçam egoístas (porque na realidade há efectivamente muitos que os são) a quem está na minoria. Mas há também muita gente individualista altruísta, só que muitas vezes só vemos o lado obscuro dos conceitos. Tudo está em nós, na maneira como nós sentimos. Muitas das vezes somos nós que nos sentimos mal e afastamo-nos dos outros sem nos aperceber e somos nós que estamos a ser egoístas e parecem ser os outros a sê-lo. Há que ir aprendendo com o tempo a interpretar as coisas como elas na realidade são, a separar o trigo do joio, o bom do mau. Ser-se independente é um direito, pelo qual devemos lutar. Apesar de haver uma cultura individualista predominante, também existe o oposto, uma cultura sociável. Ser-se sociável egoísta ou sociável altruísta, individualista egoísta ou individualista altruísta é uma opção que depende de vários factores intrínsecos e extrínsecos e somos o que somos por causas que nos ultrapassam. E para dizer a verdade, acho que tem de haver de tudo no mundo. Não paremos de procurar o nosso lugar no mundo que pode hoje ser aqui, como amanhã noutro lado.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

tradução das Tags mais importantes do meu blog

 EU tenho um PASSADO repleto de SENTIMENTOS que produzem QUESTÕES e PENSAMENTOS por vezes de uma maneira TRISTE da VIDA. Este é o meu BLOG.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Dias [8 de Março de 2002]

    







            “Ouvre la porte et rêve....”, Daniel Hechter. Abro as portas do passado e revejo, entre névoas vespertinas, aquilo que sou e aquilo que fui. A primeira ideia que me surge , frente aos meus olhos, era o ideal utópico que me movia: a busca da perfeição. - Talvez um objectivo demasiado alto e que me tem saído caro. Quis subir sem olhar ao equilíbrio, à estabilidade dessa subida e às tantas caí nas malhas tecidas pela vicissitude da vida, na dura rocha da realidade - Pensei que seguia o caminho certo, e falhei.


       Tudo tinha vida para mim, as penedias dos campos, o ar que respirava, a terra que absorvia com o olhar, só que... na realidade, não tinha amigos. Não convivi suficientemente com pessoas -Só consigo pensar negativamente...tenho que ver as coisas boas da vida. Mas em cada veleidade surge-me a antinomia.


   Recomecemos, sem pressas - Tudo o que escrevo é como alguém que me fala, apesar de isto ser um solilóquio. Solilóquios é o que sei fazer. Mas recomecemos, recomecemos até tudo ficar como a gente quer.


        Estava um dia quente de Verão, não sei a temperatura, na altura não sabia ver temperaturas, não sei se já teríamos termómetro em casa, mas a certeza de que estava um dia quente isso estava, pois desde que há memória todos os Verões são quentes, mais ou menos. Estávamos no primeiro dia do resto da minha vida.


Era tempo de renovação da esperança, como em todo o tempo em que mais uma vela se acende na vida. Mas esta não tinha chama viva , era uma chama bruxuleante que teimava em não vacilar. E essa chama tornou-se viva, pelas tagatés que o sol emanava, pelo afago que a brisa do vento trazia, pelas lágrimas que foram derramadas pelas nuvens, pela força do calor que traz a vida em si,  como uma potencial semente de centeio a germinar em terreno escabroso. Já mais tarde quando a espiga aflorou, depois de muitas noites passadas ao relento, longe da gregaridade da vida, tendo só a Lua e as estrelas como companhia, chegou a hora de ver a luz do dia. E o dia alvoreceu num mar de brumas, como se o dia fosse a noite, tendo a noite como dia. Mas o tempo não parou por haver tal choque, e a espiga deu as suas sementes que se disseminaram para o novo ano que viria inexoravelmente.     


            Passados 5 anos, caminhado por entre córregos e roças, assim se passou a segunda parte da cena. Dias mais aprazíveis se encontraram, nesta parte. Reminiscências, trazem ao de cima dias passados com o garotio, ora com uns ora com outros. Um dia com uns a guardar cabras, outro eu a guardar uma cabra, sozinho. Outro a deslizar alegremente no gelo desde manhã até já plena tarde com outros, sem almoçar - até a gente se esquecia -. No Verão aquelas idas até à ribeira tomar um banho e as escapulidas que fazia frequentemente até casa dos meus primos. Mas sempre aquele sentimento de nunca estar pleno de gregaridade.


        A terceira parte da cena leva-me à socialização. Mais 5 anos desde então, tudo corria de vento em popa, lá de burro eu não tinha nada! E nesta fase passaram 8 anos. Todo o meu mundo crescia aos poucos - O meu mundo sempre cresceu muito devagar -. Neste decurso conquistei cerca de 30 km de terreno, singrando dia após dia, em autocarros barulhentos, uns com mais lugares, outros com menos, uns mais bonitos do que outros. Vi crepúsculos do alvorecer e do anoitecer, vezes sem conta. Vi geadas e neve a cobrir os campos, vi-os a esverdear e florir. Tudo fluía suavemente. Sonhava com os dias de neve em que tinha que ficar em casa e não ir para aquela rotina que era a escola. E parece mesmo que era fruto do desejo, em tempo propício, aquela neve que vinha, cobrir alvarmente os campos e extasiar a alma trazendo a calma. Mas também me lembro de sentimentos maus que me vinham povoar a alma taciturna. Do fundo do âmago vinham-me emoções desmedidas que eu não conseguia compreender - Relembro-me agora que a primeira fase foi infrutífera socialmente. Aquele vazio que me arde constantemente nas vísceras -. O isolamento ia galopando, a minha vida era escola e casa, apesar daquele manancial teórico que tinha da vida, faltava-me o expediente prático. E foi no culminar desta fase que tudo passou a ser menos risonho. O medo de encarar a vida, isto é, as pessoas, surgiu. E procurando colmatar esta sensação de vazio, esta confusão de não compreender, eu procurava compreender e comecei a correr - a fugir direi eu agora -, distanciando-me cada vez mais de mim próprio. Chamei por alguém no vácuo da noite e nem o eco consegui ouvir para me alentar. Refugiei-me nas bebidas inebriantes onde tudo tentava esquecer, tudo o que sofria, mas acabei por começar a esquecer os bons e os maus momentos. Isto na fase de transição para a 4ª parte da cena.


Nesta parte tudo é sensabor. A noite como refúgio e o dia como pranto, onde a alma anda a monte,  já faz muito tempo. Pouco há para dizer. Resta repetir que fugir é o mote que me faz mover, distanciando-me cada vez mais de mim, devagarinho. Fujo de mim, não encontrando ninguém que me dê a mão. Quando ma estendem recuso-a, porque não acredito na boa vontade dos homens - Mas ao dizer isto nego a faceta positiva que está em marcha. Fui eu que me meti nisto, sou eu que vou ter que sair disto, devagarinho, tendo sonhos cor-de-rosa pela frente, para ser mais fácil -.