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terça-feira, 20 de agosto de 2019

MEMÓRIAS QUE PERDURAM


            Memórias que perduram. Imagens de momentos chave da nossa vida. Exemplos daquilo que de algum modo abre e ensina os rumos da nossa existência. Como é possível tudo isto? Onde reside a memória do Universo? Como é possível acontecerem, no espaço de uma vida, mudanças tão drásticas, mas ao mesmo tempo, tão maravilhosas (provavelmente assim o são a maioria delas, quando é possível entendê-las, nem que seja por um momento do tempo). Abre as portas do teu íntimo e diz-me a franqueza que tens na tua alma (?), alguém poderia dizer. Como é possível entendermos o mundo? De onde vem a interpretação de tudo o que a nossa alma toca e abrange? Com isto tudo pergunto mais, o porquê da nossas ações? O que nos faz mover? As interpretações que fazemos das coisas, dos factos e dos acontecimentos alteram e fazem evoluir todo o Planeta Vivo; de algum modo tudo esta em relação, ligados por laços misteriosos, que se tendem a revelar quando assim tem que ser. Vivemos sabendo que um dia tudo muda, definitivamente, não sabendo para onde vai todo esse manancial interpretativo de uma vida que nos foi facultado para uma Causa Maior; Irá, certamente, para algo que lhe podemos dar um Grande Nome. No espaço de uma vida a magia acontece: na relação do passado com o futuro, na memória do que fomos com o que seremos; e hoje em dia temos meios de memorizar o que vai acontecendo, basta uma fotografia, por exemplo, para dar o potencial interpretativo que um determinado espaço de tempo teve para nós. Talvez o móbil das nossas ações sejam a evolução, a busca pelo alcance de uma Verdade, mas, sempre, está acima de tudo o que existe, um Entendimento e uma Lei que dirá o curso final das coisas, acontecendo a todos, a tudo e a cada momento uma Infinidade de situações Milagrosas e talvez Justas, mesmo que os nossos olhos e o nosso espírito não possam entender, não possam interpretar, a relação e o porquê de essas situações acontecerem como acontecem.
Um néscio, incapaz, frágil – Visões interpretativas. Todo o ser é o que é em relação com todo o Mundo que o envolve. Somo seres dependentes, todos os seres são dependentes uns dos outros. Tudo o que existe é dependente, umas coisas de outras. Cada um nasce para o que nasce. Cada um é como é. Há coisas que não podemos mudar. Assim sendo, e a interpretação das coisas? Ela muda em muitos acontecimentos…; e a memória? Ela muda, por vezes ou muitas vezes. O caos. A entropia. O ter de agir mesmo que não faça sentido. O ter que produzir ação, mesmo que não faça sentido. O sentido está na interpretação. Queremos agir bem, mas a perfeição é finita, diria mesmo, ínfima, no entanto, a Terra é perfeita como é porque todas as ínfimas perfeições têm sido somadas ao longo do Tempo. A ação tem que se dar, tem que acontecer. A interpretação muda o mundo. Interpreto aqui, mas o mundo é diferente lá fora. Teorizo aqui, mas o mundo pode ser muito diferente lá fora. E com isto tudo erramos muito, mas o mundo é como é, há momentos em que parece que podemos mudá-lo, contudo há muitos momentos em que parece que nem a nós nos podemos demover. 



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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Mais do mesmo


Vivo. Sensação de continuidade. Aí, vem a memória e a humanidade transcende-se ao rever, até à exaustão, os momentos gravados nas memórias externas, porque as nossas estavam limitadas. Sou bom a absorver o mundo, seremos todos assim, possivelmente, mas péssimo a transformar todo esse manancial de informação e conhecimento em algo que me faça ultrapassar o atrito, algo que me leve a ser dos melhores, ou então suficientemente bom e satisfeito com a vida, em última análise, estou não realizado. Tentando sempre dizer coisas, fazer coisas, nem querendo pensar na nossa finitude, mas tudo se me dirige para uma cacofonia, para uma entropia, porque as forças que movem este mundo são subjectivas, e mais, dissimuladas, que se tornam incompreensíveis quando tudo devia ser mais fácil, para mim. Há todo um poder que nos envolve, e que nos deixa vislumbrar através dele obtendo explicações simples, de algo tão maior que nós, mas, quando não somos escolhidos para desfrutar esse mundo em conformidade com as regras da normalidade, isso torna-se uma oposição e um grande peso que fica em nós, e ainda assim, o caminho é para a frente.
Confusões de ideias e palavras. Um mundo onde o móbil da felicidade e do bem-estar, esse mundo em que o estamos a transformar melhor (Ironia, acreditam mesmo nessa falácia? Falácia económica? Será uma vontade Superior que quer que seja assim?), é apregoado nos quatro cantos do mundo. Confusões também criadas por mim, mas não só, preocupações pelo estado do mundo que observei com tanta intensidade, na minha simplicidade. Afinal, muito do que sinto faz sentido, mas ainda não compreendo o porquê de estar aqui, e de preocupar-me com tanta coisa que não o de, apenas, carácter pessoal, do tipo de ganhar dinheiro e viver, mas, na verdade, o meu ser é frágil e sensível, por isso, não está fácil. Têm sido décadas magníficas, no entanto um suspiro do tempo pode levar tudo, mas, mesmo na pior das hipóteses, é muito provável que haja uma grandiosidade que irá conduzir o tempo imparável desta terra. Eu, simples, simplesmente vi a linha do tempo, tenho essa oportunidade, e ela ainda corre na minha mente e quiçá por todo o meu ser. Eu testemunho, como tantos, os dias que passam, mas a interpretação que eu faço do mundo estará em mais gente também? E pergunto-me sempre pelo significado de eu entender as coisas de um modo que acho que não é comum perceber. E pergunto-me, o porquê de eu ser quem sou e o porquê da minha existência antes de o ser – novamente e sempre perguntarei - (?). Questiono porque me questiono e policio tanto, não sendo levado ao sabor dos momentos, ficando agarrado de mais ao passado, que nos desgasta e nos torna mais do mesmo, sempre, mesmo que queiramos fazer sempre algo diferente e marcante, pela positiva. A mim sai-me o tiro pela culatra a maioria das vezes, no sentido de que ambiciono e tenho a ilusão das coisas muitas vezes no sentido da positividade por exemplo, mas tudo sai ao contrário. Pergunto-me porque tantas palavras que saem dos meus pensamentos, têm tanto feedback indesejado na minha vida por meios que eu não domino mas que sinto de algum modo, coisas que eu não consigo controlar ou, com as quais, interagir correctamente. Queria agarrar o equilíbrio com todas as minhas forças, queria toda a naturalidade que pudesse ter, e no entanto vejo que a minha vida escapa ao meu controlo e ao meu modesto desejo de viver simples e simplesmente agir sem remorso de me magoar a mim ou alguém mesmo que seja sem querer porque sempre, ou quase sempre, assim o tem sido na minha vida, e, além do mais, depois assumo culpas que se calhar nem me cabiam a mim assumir, porque, na verdade, se calhar as coisas não são o que parecem ser, o que me parecem ser. Tudo muda, mas eu não mudo assim tanto, fico parado, atónito na minha psique, lembrando sentimentos passados, como que continuamente em busca de uma Grande resposta, ou Grandes respostas, se houver mais do que uma. Ainda tendo, sempre, a acreditar e a observar que em toda a realidade, na aparência de um mundo estável e compreensível e de magnífica tecnologia humana, chamando a isso desenvolvimento e evolução, parece-me que há um Universo que não pode ser acedido ainda ou pelas formas que existem (inclusive ciência) e que interagem no nosso mundo. E a ideia continua a ser a de que o nosso mundo, o nosso planeta Terra é frágil, quando entendemos assuntos que pensávamos nunca vir a entender, a humanidade é especial, contudo, a terra fala mais alto, numa língua não perceptível por todos, porque, talvez, tenham que viver continuamente sem ter tempo para se questionar sobre as coisas, deixando-se levar aos sabor dos tempos, nos ideais feitos, ou ainda, talvez, com uma inteligência diferente e não apurada para aceitar a fragilidade de muitas coisas, dos próprios e da terra.


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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A batalha vai começar [Liberdade vs compreensão]









A batalha vai começar [já começou, algures, no tempo transacto]


 


Armas em punho. A batalha vai começar. A luta do bem contra o mal; a impenetrabilidade do entendimento; o escudo que é a compreensão; a maior, a relatividade de tudo. Tudo é bem, tudo é mal. A realidade é dura, aquilo que se sente é duro, essa é a realidade. O determinismo é imenso, mas a sorte pode ser outra. Liberdade, compreensão, até que ponto o entendimento pode interpenetrar as duas? Acho que ou há liberdade ou há compreensão, as duas são difíceis de coexistir. O que é o melhor? Liberdade ou compreensão? A prisão da compreensão ou a cegueira da liberdade? O conhecimento do mundo interior, a maquinação do mundo exterior. (...) A luta, essa difícil estabilidade do que quer contra o que não quer, os ideais em fricção. A luta essa capacidade que se desmorona a cada segundo que passa para logo de seguida se soerguer até nunca mais poder, a força da vida; Não, não é paranóia, ela está na tua cabeça, procura o significado. A sintonia é essa, só tu a podes descobrir! O mundo voltar-se-á contra ti mas a força da vida prevalecerá, esse não será o teu dia. Perguntas e perguntas bem. A tua imaginação dá voltas para sair deste labirinto, mas, acabaste apenas de entrar. Não tenhas medo.


            Há um mundo de gestos, de sons e de palavras, imagens. Incompreensíveis talvez, porque não vocabulares. Mas a força que imprimires há-de vencer o atrito. A semente que se cultiva é o fruto que se colhe. Os atritos... são imensos, como imenso é o universo. Estrelas que cintilam, planetas que brilham, vidas de lá que jamais se encontrarão cá. Um apagão. Um chamamento. Uma imposição, posso aceitar ou não.









 


 


 


Nota (longa) de rodapé:



[Liberdade vs compreensão:  Eram ‘extremos do entendimento’ segundo o que me pareceu na altura que escrevi isto. Admito agora uma posição intermédia entre estes dois extremos. Queria eu dizer que a compreensão das coisas - que se relaciona com o conhecimento e a experiência de vida - 'aprisiona-nos', segundo o ponto de vista imediato que tive. Talvez eu quisesse ter dito, com isto tudo, que a compreensão nos aprisiona e nos tira a liberdade - mas agora digo que acho que isso pode ser superado e o que me parecia um extremo oposto pode tornar-se numa  Liberdade 'ao quadrado'. O conhecimento está relacionado biunivocamente com a compreensão das coisas. No mundo de hoje, a informação é nos transmitida em quantidade incomensurável, havendo entropia nessa informação. Quando tendi a entrar nesse mundo de informação de uma maneira directa, mas gradualmente, sem ter esquemas para compreender toda essa informação que focalizava, entrei como que num ‘labirinto’, e há medida que ia conhecendo e compreendendo, era como que tivesse a sensação de que estava a perder a liberdade que tinha antes de tomar consciência desse conhecimento, e não via saída à vista. Todo esse manancial de informação era extremamente confuso para o meu entendimento, e ‘aprisionou-me’. Apareceu-me, nesse momento em que escrevi o texto em cima, essa dicotomia do entendimento entre liberdade e compreensão (conhecimento), como se o aumentar do segundo inibisse o primeiro, como que se fossem dois conceitos opostos, dois caminhos, e que, se se seguisse um caminho se estivesse a abdicar de outro sem poder voltar atrás. E atrás não se pode voltar, mas não poderia imaginar que esses caminhos se encontrariam novamente para se tornarem num só, e que surgiriam esquemas para interpretar toda a informação que posso entender segundo a (s) linguagem (ns) que compreendo. Mas a linguagem que ainda estou a desenvolver, a conhecer melhor, para compreender melhor essa dicotomia do entendimento que se fundiram num só em mim, é a linguagem universal. Pelo menos espero que assim o seja, e espero que futuramente o meu entendimento evolua, que o conhecimento e compreensão sejam sinónimos de liberdade e que estes conceitos se relacionem e não que se aniquilem.]