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domingo, 10 de agosto de 2008

Solitaire - I`m Thinking Of You (Baby)




Solitaire -  I`m Thinking Of You (Baby)          (lyrics extracted by me)


Hey baby! Hey baby! I am back again

I just have to tell you one more time

You are beautiful and I love the way you make me feel

So let me hear you make some noise, for you, only you

I have been thinking about you and the way you make me feel

so warm, tender and loved inside

You are simply divine!

So, hear something i want to say to you




chorus:

I am thinking of you and the things you do to me

that makes me love you, now I am living in extasy

hey it' s you! and the things you do to me

that makes me love you, now I am living in extasy





I am thinking of you and the things you do to me

that makes me love you, now I am living in extasy 


If I love, there's a reason to live

if I do, oh all to the love i give,

all my loving to you I begin for you

and the promises is all do for guess I am living


chorus


I am thinking of you

i am thinking, i am thinking, I am thinking... you!

I'm in love again and feel so so good

Hey, it's you! it's you! it's you! it's you! ...


chorus




I am thinking of you, of you, of you....



Hey baby! Hey baby!

I just have to tell you one more time

you are beautiful!


I am thinking of you and the things you do to me

You are simply divine!


chorus

oh it's youuuuu, oh yeah

and that makes me love you, oh oh yeah

love will tell you by the dove above

yeah, yeah my love


chorus


I am thinking of you! Of you, of you, of you....






domingo, 3 de agosto de 2008

Vida e contentamento

Para mim, a vida é: uma energia que vacila mas não cede, como uma vela bruxuleante, que dura até ao fim do pavio, depois de consumida a cera que lhe dá a força da existência; tudo o que podemos alcançar, física e psiquicamente, o que podemos tocar, ou quando não, imaginar que tocamos; onde estamos ou onde podemos ir; aquilo que conhecemos ou podemos conhecer, estando lá ou sem nunca ter lá ido; é um sonho sem fim; uma aventura, onde ser quem somos - os aventureiros - é-nos definida por cada passo que damos, o caminho dessa aventura, como se houvesse um destino, trilhemos o caminho que trilhar - mos. Talvez no homem, que tem sentimentos conscientes (e tem consciência da própria vida, talvez como nenhum outro ser), as emoções sejam o condimento dessa vida. Assim, o contentamento e a tristeza fazem parte de todos nós, tanto que acho que só conhece a alegria e o contentamento quem já conheceu a tristeza. Perscruta o teu interior e procura o teu contentamento.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Sobre Deus e religião- comentário e reflexão, feito a um amigo

 


Olá Pedro. Antes de mais, não sou padre, sou uma simples e às vezes reles pessoa, que me limito a pensar, porque o pensamento não pode parar. Há no teu texto uma promiscuidade de ideias, que por vezes tendem a ser antitéticas, isto é, entre o não querer aceitar o conceito de Deus e ao mesmo tempo não o poder negar. Mas acho que isso se passa com muita gente que é confrontada com essa problemática. E acho que compreendo essa atitude, porque há uns anos atrás eu a tive também. Eu fui e senti-me confrontado - dadas as minhas raízes cristãs católicas, provavelmente como as tuas, onde se impõe uma ‘cartilha’ em que temos que acreditar cegamente, com conceitos estereotipado de Deus, como se Deus fosse como eles o querem ‘pintar’- a partir de certo ponto da minha vida, em que não cabia em mim essa concepção de Deus. E a verdade é que já pensei bastante sobre isso mas nunca encontrei respostas definitivas. Consegui, sim, aproximar o conceito que alguém me deu a entender de ‘Deus’ ao meu ideal do mundo e do Universo, segundo o que sei e a forma como sinto, mas nunca consegui negar que Deus não existe (tal negação seria a negação de quem sou). Aceito que provar a existência de Deus é algo impossível se o considerar - mos como sendo algo concreto, como a religião cristã (ou outras) o tenta (m) fazer (pelo menos passam essa ideia). Assim, não haverá algo concreto a que possamos chamar Deus, algo a que possamos atribuir uma representação, tal como o fazes quando chamas 'pedra' a uma pedra, tu mesmo o dizes por outras palavras.  Deus, definitivamente para mim, não é um ser humano superior, nem tão pouco um ser humano ou animal ou qualquer coisa em particular. Eu considero-o como sendo uma entidade metafísica que se manifesta em tudo o que existe, seres vivos e não vivos, a natureza, o mundo e o Universo no geral. Eu e tu somos uma ínfima manifestação dessa entidade, no plano corporal(como sistema humano que somos no geral, como tendo células, esses sistemas básicos do nosso organismo, que por sua vez têm constituintes ainda mais básicos e Universais como sejam os constituintes bioquímicos e, em última análise, o átomo e os seus constituintes), assim como no plano metafísico (o nosso pensamento e o mundo das ideias). Como entidade metafísica que é, a esse ‘Algo’, podemos chamar entidade superior. [Nós somos, além de seres físicos, entidades metafísicas, temos um pensamento, ideias, uma alma]. Deus não é ‘uma criação humana’, como dizes, mas a palavra ‘Deus’ é-o, e refere-se a um conceito que tendemos a construir com o passar da vida. E, sendo assim, a palavra ‘Deus’ é um Nome, que tenta transmitir um conceito em constante enriquecimento, a que os homens, desde sempre, atribuíram a ‘Algo’ que sentiam e não compreendiam - a eterna questão do sentido da vida, o porquê de estarmos aqui e qual a finalidade de tudo - e que ainda, apesar de se ter cada vez mais conhecimento, ainda não compreendem. É obvio que o nível de entendimento das pessoas em relação ao conceito de ‘Deus’ varia muito, segundo a cultura, inteligência, sabedoria e a liberdade que se tem. Por isso algumas pessoas não passam de ‘beatas’ e ‘ovelhas do rebanho’, porque a sua compreensão não dá para mais (e ainda bem para ti que tens a hipótese de ultrapassar todas essas pessoas em compreensão de Deus e do mundo, e tens a liberdade para não acreditares em Deus, se quiseres, e se a tiveres…). E mesmo que não queiras pertencer a nenhuma religião (que, possivelmente, te está a ser e foi imposta, como a mim) até podes acreditar em Deus, podes concebê-lo segundo o que és em relação como que te envolve. Mas uma coisa é certa, mesmo que não acredites em Deus, vais tentar atribuir na tua vida, àquilo que se passa contigo, que sentes e não compreendes, a ‘Algo’, seja isso o que quer que seja, não podes ignorar o que sentes. E esse ‘Algo’ será a resposta das respostas que encontrarás: a tua visão do mundo, o que sabes, o que vais saber, o porquê das tuas alegrias e tristezas, coragens e medos. Tu não irás ficar indiferente às tuas questões. Olha, eu não fiquei, em relação às minhas. Ainda bem que posso atribuir um Nome às minhas inquietações, questões, dúvidas, sofrimentos, alegrias, e àquilo que me liga à humanidade e ao Universo no geral.

                Um abraço.

domingo, 13 de julho de 2008

Sintonia

 


Há uma sintonia que não alcanço, e temo não poder alcançar. Há uma sintonia, uma sincronia, e há o contrário a dessicronia, a dessintonia, que ao extremo tende para o colapso. Parece tão fácil a sintonia, assim como o contrário pode ser o menos provável e o mais difícil de se sair depois de interiorizado, depois de se ter entrado nesse ritmo avassalador que é o dessincronismo. Tão fácil a sintonia, essa dança perfeita dos corpos em movimento, esse trocar de olhares perfeito, esse conjunto de melodias afinadas cantadas no momento certo com o som belo dos aparelhos, esse bater dos corações em uníssono, ganhando uma força que parece ninguém parar, essa equipa entrosada, que ninguém jamais ousará ganhar, essa orquestra afinada que produz uma música tão bela e tão complexa, esse organismo que está em equilíbrio e é funcional e que procura esse equilíbrio até não mais poder. Tão fácil essa sintonia, esse entendimento completo de um ser com outro, mas mais fascinante, entenderem-se os seres em conjunto, não só através de palavras mas de tantas outras coisas visíveis e invisíveis: os gestos, as expressões, o movimento dos seus corpos, a sua maneira de agir, o olhar – a naturalidade da gestão dos olhares – a sintonia do psíquico, a sintonia do Universo, o homem todo uno, conectado por uma ligação invisível. E a alegria é quem se difunde e propaga, esse eterno optimismo de que tudo será melhor. A tristeza, essa, que toma posse dos seres, nas suas expressões quando outro ou outros assim o demonstram é desvalorizada. Todos querem participar nas alegrias, mas as tristezas são pisadas como se o fim último da existência dos seres fosse o prazer. E todos fogem das a sete pés, como que se morrer afirmando por palavras ou um conjunto de situações ou maneira de agir que se está triste, que essa tristeza não quer largar o nosso ser, fosse uma atitude anti-sobrevivência, e logo os instintos lhes dizem aos outros, os alegres, que devem desviar-se desse buraco negro do Universo que os pode consumir. Então fugi de mim que estou triste: a luta pela sobrevivência, a lei do mais forte, o destino que se reescreve a cada momento que passa, a história só reza dos vencedores, dos vencidos rezará a História, silêncio! Que se vai cantar o fado, o fado é o destino, mas a mim ninguém me cala, mais calado do que o que estou não posso ficar, da galhofa não me hei-de livrar, mas gritai por quem não tem voz.

                Há uma emotividade que não consigo compartilhar, e temo não conseguir fazê-lo, jamais. Mas a esperança é a última a morrer, e tento contornar esta solidão que me açambarca.

                Sim, sou eu que estou off, desligado do mundo. (pergunto se tereis coragem de me fornecer um cabo para me ligar?) Sim, sou eu quem vai sair derrotado, como se a minha vida fosse uma luta, que me parece ser mais de mim contra mim próprio do que propriamente contra alguém, esse alguém que se dilui no espaço e no tempo, os meus inimigos, imaginários ou não, ou apenas aqueles que simplesmente, não podem ou não querem compreender ou ceder. Eu vejo como vejo e isso faz quem sou, apesar desta busca incessante por uma identidade que seja uma máscara para poder viver mais uns tempos. Sim, sou eu que pareço certo e estou mais errado do que qualquer homem que está à face desta terra. Vou cair por terra, sei-o, vou desfalecer e não poder lutar. Sou homem, e a energia falta. A fogueira da incompreensão quer consumir-me. (serás capaz de me dar a mão?). Vão atribuir-me motivos para o que se passa, mas decerto todos vão errar. E vou viver. Quer viva anos ou meses, ou dias ou horas, ou minutos ou apenas segundos e segundos que parecem não ter fim. O fim está traçado, tudo é em vão quando não há elo de ligação, sintonia. Só me restará o sofrimento? A lamechice de mim para mim próprio? Chamem-lhe pessimismo, trauma ou o que quiserem, depois de morrer, já não me interessará, mas agora o que se diz afecta-me tão rapidamente como se eu fosse um boneco nas mãos de uma criança, incerto como uma pena ao sabor do vento. Digam o que disserem nada me vai mudar, pelo menos para já, porque, mais uma vez, a esperança é a última a morrer… dizem.

                Impeçam o impossível. Impeçam a dor e a morte se forem capazes. Impeçam-me se forem capazes desta tristeza, ainda por cima gozada, e carregada com adjectivos de destruição, aqueles que atiram pedras a quem já está moribundo, ou então regozijai-vos por teres feito quase nada, em nome de vós.

 

 

  << O poeta é um fingidor. E finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente. >>         Fernando Pessoa

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Lohen & Lomax - Live On

 

 

Lohen & Lomax - Live On            (lyrics extracted by me)
 
 
Live on
here is your life
uh ah ah we live on
 
tell me sometimes to believe
that the world is just a ride
all the hate that promise costs
is the full of shame
 
chorus :
uh ah go on live on
uh ah move on live on
uh ah ah you and i
uh ah ah  we live on
live on!
 
try to find the treasures in your life
which helps others to survive
just lift up your head
all the bad can't be unsaid
 
chorus
 
live on and d'ont give up
d'ont give up, live on!
live on!
live on and d'ont give up
live on, live on! 
just live on!
 
here is your life
i delighted on you
is wonderful to see you smile
in your finest life
 
you are the one without fear
just look, you will find someone near
show him the way of life
is not enough just for a wild
 
uh ah go on live on
uh ah move on live on
 
uh ah ah you and i
just you and i
uh ah ah  live on!
we live on
yes we live on
uh ah ah live on! 
you and i
just you and i
uh ah ah  live on!
we live on
yes we live on
uh ah ah we live on




 

 

 







Lugares

 


 23-12-94                        

 

Austero, integro! Cônscio! Que lugar aquele!

Foi num dia tanto quanto os outros. Que dia estrambólico aquele! Do eirado olhei para as estrelas e vi nevoeiro, ele fazia parte de mim nesse dia, ele estava de acordo com o ego. Eia! Desci até ao eido. O vento soprava mansamente do norte empurrando-me para o sul. O tempo não mudava, o levador não vinha. Estava ansioso. A anciã perorou as suas experimentadas palavras.

                Indagando dolentemente, imaginava alegremente aquela dolaire da rapariga. Olhava para a paisagem e contrastava-a para onde ia, para o coração do país, onde há movimento, auspiciando o que se passaria na grande aorta.

                Finámos o caminho depois de uma longa paragem. Lá estava a auspiciosa imagem! Tão diferente quão diferente já fora! Enfim, velhos passados. Num automatismo acenei mesquinhamente. Lá veio o gaivinha sempre leve como um pássaro, com as suas graças vezeiras! Bom homem! Assim fosse o outro Zé-povinho.

                Encontrando-nos na viatura, partimos. Passa um, passa dois e … <<Eh carapau! Por onde vamos nós?>> Que vezada! <<Ora, bota p’rá frente>> que o destino está marcado. Grande passeata para começar. Chegados à moradia cada um seguiu para seu lado. Fomos comer. Fomos à arrecadação e… fomos embora! Austeros. Trepidação, trepidação. A paisagem era tépida. A udometria previa e ela caia. A jornada foi quebrada pelo lanche. Mas rapidamente lá chegámos. <<Ufa>>- para ela que nem sabia as baixas pressões ainda estavam para vir – mas tudo passou.

                Natal citadino aquele. Cidade que no Verão está repleta de damas e donzelas, nas ruelas só havia malhas escuras, corpos de sobretudos que queriam era estar no valedouro apartamento e não ali. Li e vi televisão radical. Que calor bacanal! Dormia-se, levantava-se e comia-se. Esta trindade não era fixe. Fomos dar à trincadeira, no entanto, não estava cool, nem frio – que tontice a minha, ficar assim -. Por fim, pouca terra pouca terra, lá foi cada um para o seu ninho no seu caminho.

                Há  música! Ah, música! Feel the rain! Sweet rain! Jogava no cp e bem vês porquê. Lá fora começaram a cair lágrimas das nuvens. E elas, melancólicas, choraram e choraram até à Páscoa o feliz Natal.

                Ah! Outra vez! Aquele sussurro: << Para o ano…>> - Não percebi o resto. Mas decerto era coisa boa e eu fiquei ansioso, ansioso por chegar esse tempo. Ver meninas com sutiã, deleitosas, lindas de morrer, sensuais, carnais. Suspirei sustenidamente.

                Ah! E aquelas solenes festas! É que foi dançar o sol – e – dó! Pena que eu fiquei à soleira da porta, olhando, cabisbaixo, disfórico, a tentar compreender, sobreolhando com certo desdém, desalinhado. <<Desembucha homem! Vem dançar!>> Fico em rodeio.

                Novamente eles vieram. Eu estava mais contrito da minha anterior condição, sempre estou. Com eles vinha mais alguém que me transcendia. Novas atitudes, novas figuras, mas ele… sempre o mesmo? Não, tinha diferença. Ou será que a diferença dele era a minha?

                Abimitado e conformado, no entanto, acordou um novo dia. A Páscoa deu lugar às altas pressões que têm aclarado as almas e aquecido a paisagem. A alma fica imaculada e ela fica sensual. O choro abluiu a alma e deu calma, mormente. Que tempo voluptuoso este. Que sensualista, que carácter, que temperamento! A sentença está dada, mais um ano na cagada. Que regalo!

               

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Síntese

 


 

 

                A síntese torna-se mais complexa que o todo. Um acto simples dá sentido aquilo que não o conseguiu dar toda uma história. Há todo um sentido que jamais se conseguirá sintetizar.

                Nesta luta constante pela vida, tudo é válido, quando na nossa é tocada. Atropelam-se amizades, sentimentos e altruísmos. Assim é o lado animal do homem. Mas há o lado racional. Há o lado da inteligência que tende a reprimir toda a animalidade e a tentar atingir o dom de Deus, querendo ser deusitos. E se o dom se torna oposição à vida, se a qualidade se torna em desprestígio, então não o chamaremos dom, chamaremos… sei lá, pobreza, excesso, deficiência, arrogância, infelicidade, debilidade, doença, lassidão, trilho de morte - Morte: A síntese perfeita, o acto simples, o sentido de uma vida que se sintetiza, o fim de um caminho que irá florescer quando a semente tiver sido lançada à terra. E mesmo já do lado de lá, uma lágrima do lado de cá rega todas essas sementes para que elas cresçam -. Através da racionalidade o homem tenta destruir a animalidade. Depois de emergir do silêncio da vida, ele tenta voltar a esse silêncio, mas não consegue, a racionalidade não o deixa, o caminho é irretrocedível. Mas encontra um outro silêncio, o silêncio da morte. A síntese desse misterioso caminho de verdade e de vida, a perfeita síntese.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

O bem e o mal – o poder, o agir e o acreditar

 


Temos que ter motivos. Temos que acreditar em algo, todos acreditam. Todos defendem causas, as suas causas que por vezes são as causas de muitos. Todos tentam saber mais. Todos se acham os melhores. Todos se apegam ao que sabem, acreditam e defendem, de tal modo muitas das vezes, que se acham invencíveis. E quando nos mais altos dos poderes, como se fossem imbatíveis, como se soubessem as soluções para gerir as suas nações, a sua região, a sua família, a eles próprios. Só me pergunto porque não caem eles em contradição (?), porque não põem eles em causa aquilo em que acreditam (?), e se o põem, não entrarão em contradição ou injustificação das causas em que acreditam (?). Pois, muitos defendem as suas causas, como valores absolutos, algo a que se apegaram e mais não quiseram largar, chegando mesmo a sacrificar a sua vida por essas causas, elas são o sentido existencial dessas vidas. Seguiram cegos entre a vida de tantos seres, agarrados aos seus ideais. Alguns deles são os cegos entre o poder que alcançaram, querendo passar por cima de tudo e todos. Estava neste momento a pensar em Hitler, como um exemplo. Estava a pensar no extremo mais obscuro da fé que esse homem teria, uma crença profunda que estava enraizada nele, em que um homem é movido pela maldade mais profunda (acreditaria esse homem que o que estava a fazer era o certo? Não veria ele que era errado?), o poder cego ao serviço da matança, a querer formar uma raça superior quando ele mesmo era o inferior e o mais reles dos seres, o cúmulo da desumanidade, como se ele fosse capaz de criar um mundo perfeito. Hitler, uma metáfora da maldade, símbolo máximo do desapego pelo que o envolve, pelo semelhante. Que capacidade era essa de mover homens, e que homens serão e seriam esses que se apegam a um líder, não sei bem porquê, e o seguem até mesmo à morte, ainda hoje? Porque dizem outros homens que agem em nome de Deus, matam e fazem outros sofrer? Talvez porque exista o bem e o mal (e estes conceitos não tenham uma definição objectiva) dentro dos homens e o que é bem para uns não quer dizer que seja bem para outros, a estabilidade de uns (individualmente ou de uma legião) pode ser o desequilíbrio de outros (individualmente ou colectivamente).

 Agora, aludindo numa espécie de parábola, a esse eterna procura pela compreensão daquilo a que se chama bem e mal e equilíbrio e desequilíbrio: talvez seja essa, como que uma eterna dança entre opostos e iguais, em que os opostos se atraem, e as energias do mesmo sinal se repelem. Visto desse modo, há energias que se atraem e dividem por igual essa energia tendendo a formar um equilíbrio perene, outras que se repelem, tendendo para outro tipo de equilíbrio perene. E essa perenidade depende sempre da medida do tempo que utilizarmos. Nada é imutável e nada existe muito tempo isoladamente. Dada a complexidade das substâncias e dos seres, esse equilíbrio é subtil: nos seres há a formação de uma hierarquia, nas substâncias há alteração devido à actuação de outras substâncias que acabam com o equilíbrio sempre perene, um novo desequilíbrio, a perda de um ou vários iões num átomo, para se juntar a outros e formar uma nova substância [exemplo: água + açúcar = h2o+ C12H22O11 (Fonte da fórmula do açúcar: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070310081504AARyPT9 ) ]. Então elas formam uma nova hierarquia de organização molecular, que terá uma duração perene, porque tudo está em interacção, as substâncias interagem e formam novas substâncias (imaginemos que essa água é deixada num copo destapada por um determinado tempo, ela ficaria choca, o que quer dizer que se alterou (pela composição do ar e talvez por a existência de bactérias nesse ar). Imaginemos ainda, que essa substância tinha ‘vontade’, como nas substâncias complexas que são os seres, que somos nós em particular, e queria voltar ao que era antes de ser una, ou seja, queria a água voltar a ser água e o açúcar voltar a ser açúcar e não essa nova substância resultante da mistura (água açucarada). Algo teria de se dar para que isso acontecesse, uma reacção química. Nos seres, o ser que perde, se sentir em falta o que perdeu, revolta-se e vai tentar encontrar aquilo que perdeu. Mas a verdade é que jamais irá encontrar o que perdeu, mas sim encontrará algo igual ao que perdeu e o preencherá, e para isso vai ter que lutar contra a adversidade e os adversários que encontrar no seu caminho, em busca daquilo que já foi um dia. Se bem que na essência continua e continuará a ser o mesmo quando encontrar o que lhe falta, ele jamais ficará igual, jamais será o mesmo, tal e qual, antes de aquele momento de perda. Assim acontece com as substâncias que poderão ser chamadas como eram, mesmo que não tenham precisamente os mesmos átomos (por exemplo, pode ter ido um átomo de oxigénio para a composição da água e outro da água para a composição do oxigénio) com que um dia essa substância já foi. Mas a essência continua nela e por isso se chama como se chama e é composta pelo que é composta (a água continua a ser h2o e o açúcar continua a ter a sua fórmula). Concluindo, talvez o bem e o mal sejam uma espécie de energias externas ao homem, provocadas por algo intangível, segundo incomensuráveis variáveis, fazendo uma espécie de reacções na maneira de agir do homem, este como substância. Talvez o ‘mal’ seja a energia que adultera a substância que é determinado homem (em particular ou uma massa - ou legião) de tal modo que ele age atentando contra o equilíbrio dos homens (in extremis contra a vida dos homens) para provocar um novo equilíbrio e que pode ser ou não favorável aos estimulados. Talvez o ‘bem’ seja a energia que adultera a substância que é determinado homem (ou legião) de tal modo que ele age a favor do equilíbrio dos homens e que pode ser ou não a favorável a ele. E temos de constatar a reciprocidade entre essas energias externas que lhe provocam tal maneira de agir e aquelas energias internas (que são precisamente iguais às externas) que determinado homem (ou legião) despoletam conscientemente com um fim (e é ai que o homem tem o poder de decidir sobre a sua maneira de agir, ele tem a consciência da sua acção e logo capacidade para utilizar tais energias). Por isso o homem que age sem intenção consciente não pode ser considerado bom ou mau (benfeitor ou malfeitor), mas aquele(s) que age(m) movido(s) por uma intenção consciente pode(m) ser apelidado(s) bom(s) ou mau(s). Pelo que podemos achar os imputáveis e os inimputáveis, segundo, então se  existe ou não intenção. Temos ainda que considerar que o conceito de ‘bem’ e de ‘mal’ radica então no agir. Como complemento, posso dizer, também, que o ‘bem’ e o ‘mal’ ocupam um mesmo espaço em determinados momentos, e só quem tem a capacidade de os distinguir os diferencia. Normalmente será sempre alguém que ultrapassa a máscara do momento quem os consegue distinguir. Mais ainda, o ‘bem’ e o ‘mal’ só apareceram com o homem e com a sua capacidade de abstracção, pois eles mesmo em si não se referem a algo concreto mas algo do mundo das ideias, do transcendente. O homem antes de agir, se nunca agiu de determinado modo ou viu agir de determinado modo, age por instinto, ainda não criou a noção de ‘bem’ e de ‘mal’ (noção consciente) para determinado acto que ele faz - uma criança age por instintos e segundo o que vê fazer aos pais, eles mesmo lhes ensinam e reforçam os actos que querem que ele pratique, eles lhes ensinam o que consideram ‘bem’ e ‘mal’ - . Muitos abrem os olhos, com a capacidade abstracta que se forma ao longo do crescimento e com a personalização do indivíduo, vão inferindo na sua mente o que é bem e mal nos seus actos na interacção com a sociedade. E os conceitos de ‘bem’ e de ‘mal’ estão a mudar constantemente ainda para mais na sociedade agitada em que vivemos, onde os valores não perduram pelo tempo fora como antigamente, nos tempos onde a religião cristã e os ideais cristãos prevaleceram por imenso tempo.

E, então, porque continua o homem em busca de líderes? Serão eles mesmo necessários? Talvez tenha que haver uma hierarquia, talvez concorde com isso, talvez isso seja natural . Por exemplo, a hierarquia do tempo dos seres é formada naturalmente pela idade de cada ser, medida pelos anos que cada um tem. Tempo esse que é medida essencial. Haverá muito tipo de hierarquias mais, tantas segundo aquilo que se quer avaliar do seres, em particular do ser humano que é multifacetado, logo multihierarquizado, passe a expressão. Essas hierarquias formam-se pelas suas capacidades de agir em certas áreas, desde aquele que é superior até ao que é inferior em determinada área ou áreas. Logo uns são superiores em determinada(s) área(s) e não noutra(s). Assim para todos, todos somos bons em qualquer coisa, nem que seja na mais simples das coisas, na mais ignorada tarefa ou realização de qualquer função física ou mental (intelectual). Mas haverá alguém que seja superior em todas as áreas? Haverá um líder capaz de reger uma parte da humanidade, a sua nação, que tem de dar a cara por tudo o que se passa na nação, que quer e aceita ser essa cara? Ele é o que é porque há outros antes dele. Por isso ele apenas é a cara e o transmissor de ideais de outros que estão ao lado dele. Ele é responsável por tudo o que defende, mas um simples homem como tantos outros que acerta em determinados actos, ao agir de determinada maneira, mas que também erra, e pode errar muito, e tem que assumir esses erros, assim como qualquer homem. Um líder tem uma responsabilidade maior, uma responsabilidade directamente proporcional às suas capacidades que o levou a tal função. E eles não podem entrar em contradições, eles agem segundo aquilo em que acreditam, segundo os seus ideais. Eles são os pontos fulcrais, de uma legião de homens, em que criam energias e redireccionam outras energias que regem essa legião de homens. Eles agem bem e mal.

E então o que podemos considerar bem e mal? Consideraria como bem tudo o que é a favor do equilíbrio: social (do homem), dos animais, da natureza, do mundo no geral e, abrangentemente, do universo. Toda essa energia que é construtiva, positiva e criadora de equilíbrios é o bem. Pelo contrário, será mal tudo o que atenta contra qualquer equilíbrio, toda essa energia que destrói qualquer equilíbrio. Estas serão, então, as considerações elementares e isoladas acerca dos conceitos de ‘bem’ e ‘mal’. Na profusão da vida, do mundo e do universo, esses conceitos imiscuem-se e estão em actividade constante. Por isso se diz que no homem existe o bem e o mal e aquela maneira de agir, aquela energia que mais é utilizada será aquela que nos caracteriza. O homem como substância que é, em si mesmo, não é bom nem mau, apenas é a escolha consciente de agir ao longo da vida que o determina, como sendo boa ou má pessoa.

Assim sendo, o poder vem da maneira como demonstramos o nosso agir, agir esse, que por sua vez vem ou é provocado segundo as crenças que temos em nós. E aí chegaríamos à fé, esse conceito básico que orienta a nossa acção e nos pode dar poder ou não, segundo aquilo que acreditamos.

Se tem que haver líderes,  então que o universo escolha bons líderes, enquanto houver homens.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Conquistador

Há terras por desbravar, há locais inalcançáveis, espaços por conquistar. Há recônditos que eu jamais irei revelar. Há paisagens por descobrir, belezas nunca observadas para usufruir.


Eu estive lá, mas nada disso irei narrar, porque tudo é como se vê. Nada descreverei, para não ser adulterado. Mas podem ficar a saber que é tudo, sempre em grande: Tem estéticas inolvidáveis; É o poder infinito do silêncio; É a tangencia de um golpe fatal do qual ressuscitamos; É um parágrafo único, de tal modo que, só para falar daquilo, se faria um texto que daria para dar a volta ao universo, um texto que se quebraria e voltaria ao essencial, ao nirvana, e no entanto, continuaria a sê-lo; É aquilo que ninguém viu e que sabe que existe, ou talvez apenas um vazio; Fica mais para lá do que o mais belo sonho, jamais sonhado; É um deleite único, como um adeus à vida, naquele último instante que toda a gente procura e nunca ninguém saberá; É uma máscara que cobre um rosto que nunca ninguém soube quem é, se algum dia o foi; É a luz que brilha no vácuo que preenche; É o ponto fulcral em que assenta o comprimento de onda que vibra, e vibrará, onde tudo tem princípio e fim; É a fluência da sintonia; é, enfim, onde bate o ponto.


E assim eu fui um aventureiro, se é que ainda o não sou, e cada vez mais. Aventurei-me em coisas concretas, para chegar às coisas incertas. Inventei ideias, tresloucadas diziam, sonhei trajectos, mas optei por seguir caminhos concretos, que aldrabões me tentaram impingir. Fui enganado, mandaram-me pelo bosque profundo na ideia de me fazer perder, e no entanto encontrei-me, e mais tarde dei-me a conhecer. Conquistei o trilho por onde passei, alcancei uma humanidade que eu desconhecia, agradeci a uma divindade que, ainda, não passa de uma utopia. Assim, aqui estou eu, feliz por voltar novamente. Aquele sítio foi de passagem. Trouxe bagagem, no entanto, fui sem nada, perdi tudo, mas cheguei, encontrei algo que me fez vir mais rico. É segredo, e nunca to direi. Mas posso te dizer que nome dei aquele sítio: é o ‘Reino de Aquém e Além’. Já agora, quem quiser ir, que vá por bem.


Há o desejo da conquista, há o desejo de ser conquistado. Há paraísos na terra, que são ensejos alados. O espírito de vitalidade invade o conquistador e o conquistado. Agarra essa preciosidade, não seja ela única, é sempre única. A quantos momentos já consideraste ‘presente’? Nenhum, tantos fugitivos, somente. Quando for assim, quando as duas linhas paralelas se encontram, não te despegues, porque agora és um, como sempre foste, só que mais forte. E então, extravasa essa alegria, de ser maravilhado, com o que vês, que é novo e intocado, essa efemeridade do tempo que te é dado. Se o perderes, triste não fiques, mas esperançado, o objectivo ainda não se esgotou. E mesmo na tristeza, esse momento inolvidável, na memória insondável, ficará, para que um dia possas dizer: ah! Poderás, a partir de ai, pintar o lugar onde estiveste, e, ornamentá-lo-ás. Ele ficará mais belo do que algum dia foi, esse momento. Eu sigo viagem, porque ninguém vai para ficar. O éden conquistado, não nos pertence, além disso, sou conquistador.


 

domingo, 18 de maio de 2008

Análise exasperada dos conceitos: humanidade, economia, liberdade e dasrelações entre os sistemas






Exasperando, todos os dias. Talvez a definição me leve a algum lado. Piorando certas coisas de dia para dia (embora haja algumas que melhorem também), irritado, para dentro, constantemente, faz longos anos. Talvez exasperado signifique crispado, contrafeito e também contraído, tenso. Um emaranhado de definições, umas que nos levam a outras e que me trazem de novo a esta: exasperado. Contrafeito com o que me envolve, encontro respostas para as minhas frustrações também. Como posso eu estar sereno e não exasperado se o que vejo e o que leio não me deixa ficar indiferente? Como posso eu ficar indiferente às notícias que vejo no telejornal, que vejo no jornal, que vejo na revista? Uma menina foi raptada em certa altura, quantas não foram raptadas depois desta? E parece que já foi morta, há indícios disso, um homicídio, de um ser humano, ainda com a vida pela frente ainda para mais, como posso eu ficar indiferente? Como se não fosse humano… mas sou. Violações, crimes, suicídios… dia após dia tudo a vir ao de cima. Coisas (problemas) que me não poderiam dizer respeito, mas dizem, sou humano, pertenço aos homens, e a humanidade busca a perfeição, e para atingir tal, essas coisas não são admissíveis. Nessa busca da perfeição e bem-estar, na busca de múltiplas respostas para as imensas perguntas que nos envolvem com todo o avanço tecnológico, toda a humanidade se atropela uma há outra, a interacção entre os homens é imensa nos dias que correm com tendência a aumentar. A raça é só uma, a humana, mas a lei não é igual para todos, a justiça humana é errática e o que move o mundo moderno é a economia e os números, no geral. O homem moderno ambiciona muito os bens materiais, de uma maneira geral, e em poder económico como se esse fosse o fim para que se vive, como se o outro fosse mais um numero nesta teia imensa que é a humanidade. Nem sempre foi assim, houve tempos em que o homem valorizava o interior e os sentimentos, o que era genuíno na humanidade. O homem antes de ser homem já era animal, mas não se restringiu ao que era, para bem da sua sobrevivência enquanto espécie, e agora quer tornar-se num Deus, fazendo uma justiça que há – de ficar aquém de justa, querendo transformar o mundo como se o mundo um dia se tornasse melhor só porque ele o transformou à imagem dele, do sonho que persegue. Como posso ficar indiferente às alterações climáticas que estão acontecendo em nome da liberdade do homem, que tem por base essa economia, e num sonho inalcançável como é a perfeição, esquecendo-se e afastando-se daquele que é o seu lar, que é a terra? ‘O homem é lobo do homem’ (Thomas Hobbes, filósofo inglês). Para mim a espécie humana compete neste momento, como sempre, segundo ‘a lei do mais forte’, só que num nível mais evoluído do conhecimento e inteligência, mas está cada vez mais longe das origens, ou será cada vez mais perto? ‘Do pó vieste e ao pó hás – de voltar’. Talvez a perfeição seja um equilíbrio entre coisas perfeitas e coisas imperfeitas. Parece-me isso o mais evidente, a perfeição não é um estado, um facto, mas um momento, e assim há coisas e momentos perfeitos e há coisas e momentos imperfeitos. Tem que haver o pobre e o rico, o inteligente e o ‘burro’, alegria e a tristeza… Não se consegue um estado para sempre. A perfeição não deve ser uma meta mas uma constante universal de equilíbrio onde desajustes desse equilíbrio tendem a fazer movimentar sistemas que estão em interacção dentro desse sistema maior em equilíbrio e que formam um todo (um outro sistema) e que tendem para um novo equilíbrio.  Logo, nem sempre seremos inteligentes, nem sempre estaremos em baixo na vida – teremos momentos melhores e momentos piores e talvez o pobre nem tenha sempre que ser pobre, talvez ele veja ‘a luz’ e consiga singrar na vida e vir a ser rico, talvez porque um outro rico deixou o lugar vago e passou a ser pobre – relacionando isto com economia.

Termino assim, um pouco menos exacerbado com o mundo humano. Talvez as coisas tenham que acontecer como acontecem, talvez o assassino aja como aja movido por desequilíbrios no sistema que o envolve e o faz agir assim. O sistema maior que engloba todos estes sistemas, o universo, é o sistema de onde vimos e para onde vamos. Concluo por hoje que tudo é uma passagem, e a nossa vida depende da interacção do nosso sistema, que somos cada um de nós, com os sistemas que nos envolvem. Nada depende somente de nós, mas nós podemos fazer a diferença em relação ao que se pode passar no nosso futuro, imediato ou posterior.