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sexta-feira, 18 de maio de 2007

Esquecer o que é negativo [Em retrospectiva- 2005]

 


 


Esquecer tudo o que é negativo. É um dos aspectos que tento implementar. Escrever menos, para não estar sempre a bater na mesma tecla. Mas de qualquer modo não consigo deixar de estar preocupado com tudo o que me rodeia. Antigamente era mais por uma causa geral, todas essas preocupações, mas neste momento, são mais por minha causa, pela minha sobrevivência, pelo meu bem – estar. Se bem que me entristece saber que tudo ruma para um fim. Primeiro virá o meu fim, mas o fim do mundo caminha a um ritmo muito mais rápido também. E fico triste ao saber desse fim, de que tudo o que era belo e perfeito vai ser destruído progressivamente pelo sonho do homem, pela busca desenfreada de poder, que acaba por ser uma causa de sobrevivência também, num grau de inteligência, cada vez mais, superior.


Há a sensação de que cada vez menos posso mudar-me, uma sensação que contrasta com a de quando estava a crescer e que me parecia que podia ser o que quisesse. Sinto as coisas por flashes e imagens que transitam muito rapidamente na minha mente, rápido de mais para eu as poder descrever. E eu compreendo, compreendo muito do que me rodeia, a essência das coisas, mais do que a simples aparência. Mas para que poria eu o mundo em causa? Para que desejaria tocar o infinito? O que me levou a tudo isso? De que serve ser-se mais inteligente se não se puder pôr isso em prática? Quem somos nós para dizermos que somos mais inteligentes do que outros, próximos de nós, se essa inteligência não nos torna auto – suficientes? Toda a vida só faz sentido em partilha com os outros, e mesmo, por maior inteligência que tenhamos, ela só faz sentido com a inteligência dos outros, a interacção com eles, com essas inteligências. E essa é precisamente a minha falha, a interacção com os outros é reduzida. E eu sinto a falta do contacto humano, sinto a falta de acreditar em alguém, do toque de outra pele, de conseguir olhar nos olhos de alguém que me olhe nos olhos com verdadeiro sentimento de que gosta de mim. Quanta gente gosta de mim, mas eu não posso ceder facilmente porque, muitos só gostam de mim por não lhes fazer frente e só querem aproveitar-se. Se eu conseguisse discriminar esses gajos, mas eu não consigo distinguir, tudo me parece com o mesmo interior, como o meu que é humilde, razoável, benfeitor, mas agora sei que isso não é verdade, as pessoas são todas diferentes, ou seja, já sei há muito que sou único, mas é como se não quisesse acreditar. Não acredito no homem como capaz de levar toda a vida a rumo certo. Acredito na diferença do homem que é cada vez maior, mais individualista.


E eu pus em causa o mundo e pus em causa a mim próprio. Atentei contra Deus pensando eu que o estava a testar, mas quem foi testado fui eu. Deus existe. E quando digo ‘atentei’, digo-o no sentido de provocá-lo dentro do meu pensamento, a que ele se manifestasse para mim, para que se mostrasse, para que me dissesse como era Ele, para que me falasse. E neste momento compreendo quem é Deus, se bem que não sei, nem sei se saberei, quais são as suas intenções para com o homem e o seu futuro. E sei que Deus neste momento me tem com Ele, sei que tenho muita pena de não poder estar com os homens. Neste momento tenho um pensamento esquizofrénico para o homem. Talvez os loucos e os doentes e deficientes estejam com Ele, conscientemente. E eu dizia no meu pensamento: ‘Se Deus existe então que eu morra já aqui’. E eu tornava-me cada vez mais forte interiormente, mas era uma falsa força. Desejei imenso que Deus me falasse como fez a tantos, como dizem as escrituras. Lembro-me de estar deitado, olhar para a pequena janela do meu quarto e imaginar como seria ver Deus, e o bom que seria vê-lo. Mas sentir Deus, dentro de nós, pode ser avassalador. Pode ser uma verdadeira depressão que parece nunca mais ter fim. E estar ao lado dele, observar o mundo segundo a sua perspectiva, pode ser horrível, ver tudo aquilo sem conseguir entender…

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Ir ou continuar?

A verdade é que não tenho soluções para te dar mas tenho questões que se podem e devem colocar a cada um de nós que é assaltado pelo espectro da morte, que ate podem só fazer sentido para mim. Quantas vezes me assaltam ao pensamento, nas horas em que sinto o vazio da minha vida, as perspectivas da morte, analisando-a de todos os ângulos. Pergunto-me: Haverá algo que me prenda na vida daqui a uns anos, onde a solidão tende a lavrar o meu caminho? Nascemos nós nesta vida para o outro? Só devemos viver se for por causa de outro que nos ama? Não poderei e deverei encontrar a felicidade em mim antes de tudo e qualquer coisa? E mesmo que não a encontre em mim não deverei lutar até ao fim, buscando-a? Ou deverei desistir e acobardar-me perante aquilo que não consegui fazer, que não consegui alcançar? Será a morte uma melhor alternativa à humilhação certa que todos os condicionamentos nos podem trazer? (E nisso a religião cristã ensina-nos a sofrer como Cristo - um símbolo do sofrimento - sofreu, até ao fim, e diz-nos que a verdadeira felicidade não a encontramos neste mundo – Mas isso já é metafísica). Será que a felicidade se encontra no ideal do mundo hodierno, um ideal do “faz ver”, um ideal da riqueza, um ideal sexista, um ideal do culto da personalidade, um ideal do ‘bem sucedido’? Será que não poderemos viver se não cumprirmos tal ideal? Qualquer um de nós merece viver, sempre. Deverá haver sempre um lugar para nós neste mundo de liberdade, por mais simples, pobres e ingénuos que sejamos e ninguém nesta terra é Rei deste mundo para nos tirar esse lugar. Depois de tentar analisar ao máximo os ângulos da minha vida, vejo que ainda não chegou a minha hora, apesar das humilhações por que possa passar, das depressões que possa já ter tido, dos insucessos que tendem a derrotar-me, eu ainda vivo, porque a minha vida tem uma razão de ser mesmo que eu não a vislumbre. E se um dia eu deixar de ver essa razão eu no entanto ainda viverei, nem que seja pelos pedaços de terra que trilhei, pela alegria genuína algumas vezes sentida no longínquo tempo que não volta. Essa foi a minha vida, essa será a minha vida, essa é a minha vida.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Encontrado

Encontrado

 


 


        O desejo de ser encontrado por esse teu sorriso, esse teu olhar profundo e discreto, essa tua beleza, única, é imenso e me encontro com teus olhos a todos os momentos, sem os saber medir. Medir esse teu visual é possível, mas o teu interior é incomensurável, esse interior que transparece em cada palavra tua, esse teu desejo de me encontrar. Enfim, sei que gostaria de ser normal, não sei se algum dia o serei, mas a força do teu olhar é ânimo na minha alma para eu um dia me tornar num ser mais sereno e satisfeito, satisfeito estou por te ter encontrado. É bom saber que para ti não fui mais um número, nesta imensidão de pessoas que nos envolvem, de mensagens que nos cercam, é bom saber que me encontraste e eu te encontrei, é bom ser teu amigo. Eu prezo os meus amigos, todos os que me abordam sabem disso e gostavam de ser meus amigos, mas tal é impossível, só alguns, só alguns, os especiais.


            Depois de tudo pelo que passei, a solidão e a loucura da qual me apoderei, encontrei na sorte mais um pouco de inteligência, coragem e juventude; ou então é tudo uma ilusão desta breve calmaria – Mas que esta ilusão dure para sempre! Eu sou aquele que procurava e normalmente não encontrava, e eu era o encontrado que não se procura. Mas agora que encontrei amigos, se amigos eles realmente não forem, hei-de ter-te a ti, aquela que me desejou encontrar, me resolveu animar e fazer acreditar que amigos pode havê-los, poucos mas que o são por algum motivo. Sê tu o brilho que me ilumina nesta escuridão, dá-me luz e mostra-me o dia como nunca eu o vi, faz com que seja eu, realmente, o encontrado que se procura, tal e qual filho pródigo que regressa a casa. E juntos, amigos, seremos mais felizes e mais fortes.

A melancolia varre os sentimentos

        A melancolia varre os sentimentos, invade o espírito se a gente deixa. Eu deixei, talvez não consiga ter evitado. Mas gostava que este estado mudasse. Gostava de falar, de dizer algo com sentido. Mas o sentido está sempre a mudar, daí que ache que tanto dá dizer como não dizer. O que interessa é a sintonia das pessoas, que se tende a perder. As pessoas cada vez menos sabem amar, cada vez menos querem amar. Ou será de mim? Talvez seja de mim. Mas tudo tem um fim, e isso é a única coisa que me satisfaz, que depois da dor venha a acalmia eterna. Temo pelos que cá ficam, que poderão ter muito a sofrer. Mas para já temo por mim, pelo tempo que ainda cá hei-de estar. Só peço a Deus que se a minha vida não puder ser melhor do que foi até agora, ao menos que não seja pior. Eu não estou na sintonia que quero. Ultrapassei uma barreira que não devia ter ultrapassado para ser normal, nasci numa altura e num ambiente que me condenou à diferença. Assim sou eu agora: diferente. Tanto que sonhei com um amor, que desilusão, só por causa da minha diferença. E depois tornei-me num anti-social, mas toda a raiva investida no mundo se voltou contra mim. Que obcecação por paixão e amor. Tanto sonho, tanto platonismo. Mas este mundo é cada um para si, não há pais por filhos. Salve-se quem puder. E a loucura? Tão perto dela, tão perto do infinito, podê-lo tocar mas não poder dispor dele a nosso belo prazer. A apatia torna-se enorme. As pessoas não compreendem, esse é o mal. Se elas entendessem. Talvez não haja uma só compreensão. Eu apenas vejo o mundo à minha maneira, compreendo-o segundo aquilo que sou e segundo a minha experiência. Mas a minha perspectiva do mundo é muito importante. Este mundo é para usar, o fim é certo. Mas então o sentido da continuidade não existe. Tudo é bom porque o sentido está no fim de tudo, no auge de toda uma vida. O sentido está na despedida e no reencontro, no adeus e no olá. Só no fim de tudo encontramos o prazer nunca até então entendido, só no fim ou no final das coisas em que fazemos um rewind (puxar atrás a cassete) e as sentimos a percorrer a nossa mente a uma velocidade fulgurante, à velocidade da luz. Eu queria ser uma pessoa especial, e sou. Mas não passo mais de uma simples pessoa, um grão de areia de praia neste infinito Universo.

Calado [2005]

Calei-me sem querer, talvez tenha sido obrigado. Calo-me para me esconder. Que adianta falar? Mas eu quero falar. Eu desejava encontrar aquele elo de ligação que faz parte dos homens. Eu ainda gostava vir a ter discernimento. Eu gostava de ter outro pensamento. Compreendo, ó se compreendo bastante o que passou, e compreendo o que se passa, à minha maneira. Mas isso não muda o que foi feito. Mas o que interessa não é o que foi feito mas sim o que eu sou por causa do que foi feito. Será que me posso mudar a mim ainda, depois de tudo? Será que posso esquecer tudo o que se passou de mau? Mas o que é um homem sem passado? Sei que tenho que me concentrar nas coisas boas para vencer esta melancolia. Cheguei a este estado porque me concentrei nas coisas más e não as consigo esquecer. Se me tivesse concentrado nas boas seria mais optimista e alegre decerto. Por outro lado, é como se houvesse uma predisposição que me fizesse absorver as coisas negativas, ou talvez o motivo de absorver as coisas negativas esteja lá bem no início da formação da minha vida.



            Só há uma coisa que está contra o homem, contra mim, o tempo.


segunda-feira, 26 de março de 2007

Adeus antigo Persona [2005]

 







Novembro 05












 


Adeus antigo Persona. A Deus antigo Persona. Adeus às velhas ideologias, às velhas obsessões. Agora sabes o que te faz mover, não te deixes perder. Tudo, sei que não vou esquecer, e foi com base no que foste que eu me tornarei. Sei que não posso continuar a ser tu, se quiser sobreviver. Tudo o que tu viste sem poder fazer nada para o modificar em proveito e em nome da tua sobrevivência espero que me seja útil e que possa aproveitá-lo. Sei que tu sabias e tinhas profunda consciência que não podias mudar o mundo, eras ínfimo de mais, mas espero eu fazer aquilo que tu não conseguirias com esse feitio, espero mudar-me. Mas para isso vou ter que te esquecer as más facetas que tinhas em nosso prejuízo. O desbobinar da fita continua.


Tu não acreditas na melhoria, eu acredito na melhoria, apesar de tudo. Quero absorver o que é positivo, quero ver a melhorar de dia para dia. Sei que não é fácil, e que o atrito é muito, assim como as garras do passado são fortes. Mas quero acreditar que consigo dar a volta, por cima. E para isso vou deixar-me de imaginações utópicas, ideias de superioridade, tentar ser igual a mim próprio combatendo essa falta de controlo com os dados de que me tenho apercebido, e com os que hei-de ver e perceber, tornando a minha antiga vida inconsciente numa vida consciente. E a inteligência não é o mais importante quando essa inteligência não se pode implementar na prática. Sei que o negativismo é enorme e me consome e que por cada pensamento positivo que tenho surgem muitos mais negativos ainda e inverter o processo é difícil. Estou sozinho nesta batalha do pensamento, da mente. Ninguém pode ajudar. Estamos mais sozinhos no mundo do que imaginamos. Tudo em que acreditei ver é negativo porque me distanciei no tempo, e não vi um bom passado e não posso prever um bom futuro, enfim, no mais profundo do meu ser não acredito na conduta do homem, e à medida que o tempo foi passando mais provas encontrei para o que temia, acerca do que move o homem no geral, influenciado fortemente por uma convicção religiosa forte, a cristã. Bebi dessa água que se entranhou em mim profundamente e dela não me posso livrar. Resta-me viver o resto da minha vida, que não é melhor nem pior do que a dos outros, sobreviver é a palavra de ordem, mas/contudo sozinho é difícil.

constatações ou divagações ou ideias minhas

Os tempos antigos eram de depressão e solidão e introversão. Os tempos actuais são de expressão, alegria e extrovertimento segundo o senso comum, a ideia geral da sociedade que está globalizada ou a ser globalizada actualmente. Mas até quando esta sociedade conseguirá aguentar este desenvolvimento do mundo actual. Será que haverá estabilidade para que o mundo dos homens consiga continuar a progredir? Já alguém analisou as bases que sustentam este mundo? O petróleo revolucionou o mundo e continuará a revolucionar por mais anos. Mas esse mundo criado por ele não irá manter-se igual, à medida que essa matéria – prima se vai esgotando haverá revoluções de vários tipos, revoluções sociais e ambientais são de prever, e há mesmo interacção entre elas. Antigamente venciam os introvertidos e educados e hoje até parece que vencem os extrovertidos e comunicadores e que se expressam bem, mas na verdade não será bem assim, eu quero defender os que se expressam pouco e mal mas que têm um grande interior, os que são como eu. E todos são necessários. E todos podem ser felizes se se aceitarem como são, se puderem viver com o que são, a sua maneira de ser, introvertidos ou extrovertidos, se puderem viver num ambiente que esteja mais de acordo com a sua maneira de ser. O extrovertido e sociável sentir-se á melhor no convívio e interacção constante com os outros, o que, estando, neste ambiente constantemente irá reforçar essa maneira de ser. O introvertido tende a tornar-se solitário, encontrando o ambiente perfeito para ele que é o de apreciar o mundo sozinho, sendo independente e gostando de fazer trabalhos sozinhos, e reforçará esta maneira de ser se encontrar este ambiente perfeito, porque de acordo com a sua maneira primitiva de ser. Mas entre estes extremos, que, imagino, devem ser uma raridade em relação à amostra total há um mundo de promiscuidade em que os que são muito extrovertidos se tornam menos ou muito menos extrovertidos e os que são introvertidos se tendem a tornar mais extrovertidos havendo uma linha de equilíbrio mediando estes dois extremos. O equilíbrio continuará a tomar nova formas até que as forças antagónicas que tornam esse equilíbrio possível sejam rompidas por uma força que desintegre esse equilíbrio. E essa força que romperá o equilíbrio virá de fora. Tal como um átomo em equilíbrio que por aplicação de energia liberta iões e fica em desequilíbrio. De uma maneira geral este mundo está a mexer em demasiadas forças acelerando o seu processo natural de desgaste. O mundo humano está demasiado acelerado.

O meu passado na minha memória, constantemente-2005

       Ultimamente olho para trás e consigo compreender a minha vida através da associação de ideias, em muitos aspectos. E um grande problema entre muitos outros que me têm derrubado socialmente e que me têm precipitado para os acontecimentos que me têm ocorrido, as minhas vicissitudes, é o contacto com o sexo oposto. Sempre fui muito romântico, sempre pensei em amar alguém, uma rapariga que gostasse de mim. Mas falhei redondamente nesse romantismo. Mas continuo a ser romântico, a acreditar no amor. Só que agora faço para que esse romantismo não me magoe, porque ele desarmou-me durante tanto tempo e fez-me vulnerável aos ataques exteriores. Tornei-me num indivíduo tão defensivo que nunca aprendi a atacar e as defesas não conseguem durar para sempre. Mas em relação a defesas o que me desarmou mais, mais do que esse romantismo que ajudou a que me amolecesse e me fez penetrar nas sombras e mesmo na escuridão, foi a atitude de certa pessoa, dura para com as minhas vulnerabilidades o que me tornou mais vulnerável.. Ele foi o principal culpado, como pessoa que era, teve a atitude de relação para comigo e para quem é do 'meu sangue', como se fosse para estranhos, de domínio.


       Além de tudo isto pesa-me o passado, e os do 'meu sangue', tendo eu já vindo em último. Vivi muito apegado a essas pessoas e vivi como que num pântano psicológico. Todos eles se dispersaram e eu aqui fiquei ‘agarrado ao pau’, como se diz por aqui. Por causa dessas pessoas a minha vida deixou de ser original, com verdadeiramente um mundo pela frente, e muito dependente das vidas deles. A minha personalidade dependeu muito deles, talvez eu tenha compreendido demasiado tarde que cada um teria que seguir o seu caminho, nesta gente que se dispersou. E também é verdade que foi investida alguma atenção em mim, mas talvez não tenha sido aquela que deveria ter sido investida, não foi investida atenção no que devia ter sido investida. Nem mesmo essas pessoas compreenderam o destino que me influenciava, e a incompreensão é um mal dos tempos modernos que atinge por demais a maioria das pessoas. As pessoas não querem saber do que as faz mover, e muito menos compreender os outros, os companheiros, os amigos. A incompreensão mata, literalmente muitas das vezes. Só uma pessoa que sabe pode compreender. As pessoas não querem saber. O comodismo faz com que as pessoas se desinteressem. Talvez eu também seja um comodista fisicamente, tento poupar o meu corpo do esforço físico. Mas psicologicamente nunca me acomodei, talvez dai a loucura a que estive sujeito, devido ao meu constante esforço psicológico para compreender o que me envolve e as forças que me fazem mover, mover os que me envolvem, mas sobretudo as que me fazem mover e o porquê do meu destino. O meu destino que seria o de submissão e introversão e domínio por parte dos outros, que seria o de estar calado perante o mundo. Mas eu grito dentro de mim para com o mundo. Dentro de mim não há loucura e eu sou um ser Puro. Nunca quis mal a ninguém, e raras vezes fiz mal a alguém. Mas sempre que me quero expressar para este mundo eu não consigo, ou consigo muito mal. Mas vejo também que o mal não está somente em mim, a culpa está nos outros também, os comodistas psicológicos.


 


 

quinta-feira, 1 de março de 2007

sentido [96/97]

Sentido. Palavra tão importante. ‘Sentido’ faz-nos lembrar o básico para se viver normalmente bem. Faz-nos lembrar, por exemplo, os cinco sentidos, essenciais para o bom sentido de orientação na vida tão cheias de trampas, problemas, labirintos, enfim, todo um conjunto de situações que os põem à prova. Aqueles que melhor sentidos tiver vencerá. Da mesma maneira que falamos dos cinco sentidos, assim poderemos dar outro sentido à palavra sentido. O sentido da vida. De tal maneira importante, que até talvez, o ponha à frente do valor dos cinco sentidos. Toda a pessoa que dá um sentido à vida, vive-a de determinada maneira em harmonia com esse sentido que lhe dá. Toda a pessoa que ainda não encontrou o sentido da sua vida vive desorientado, olhando para o sentido que os outros dão à vida e desprezando essa vida porque precisamente, a dele não tem sentido. E ao falar de sentido da vida, de uma criança, por exemplo, pode ser o de ter carrinhos para brincar, pais que o amam, ou seja, são certas coisas que dão sentido à vida, que a preenchem, que dão prazer. Pode acontecer que em certas alturas tenhamos o sentido de viver e outras não. Isto deve-se ao facto de que as mesmas coisas não nos dão sempre o mesmo sentido. Aquilo que já alguma vez o deu deixa de dar e a gente procura, então, outro. E ele, será mais importante do que os cinco sentidos, porque sem ele os cinco sentidos sentem-se perdidos, desorientados. Sem ele uma pessoa pode destruir estes e a vida. Procuremos o sentido da nossa vida, nem que ele seja o de dormir, mas se isso nos dá prazer, que seja então esse. Sem sentido é que não! E porque  ‘sentido’ está  associado a orientação e ‘sem sentido’ a desorientação, então é melhor que o haja. O sentido da minha vida?! Dormir, ter amigos, estudar, passear, pensar, divertir-me, outros.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Falar [2005]

Tenho medo de falar. Como se tudo o que falasse me acabasse por fazer mal. Como se falasse só coisas que me fazem mal.


(Dias depois, continuação). Talvez elas (as palavras) possam fazer mal. Elas têm esse poder de fazer bem ou fazer mal. Mas elas também só fazem sentido em sociedade. Talvez prefira o silêncio, ‘antes só que mal acompanhado’. Eu consegui recuperar bastante. Consegui adaptar certas teorias a certas práticas e fico contente quando essa adaptação se dá. Talvez eu me tenha adaptado somente a uma situação, e esta fase seja apenas uma ilusão de bem-estar passageiro. Sei mais agora, compreendo melhor, os porquês deste silêncio frente ao mundo, a sobrevivência a isso obriga. Porque o silêncio não faz formar ideias erradas nos outros acerca de nós, os outros imaginam-nos segundo a visão deles quando somos silenciosos. O nosso ‘eu’ nunca é descoberto, e isso protege-nos. Acho que começo a ter mais vontade de falar com os outros (quero acreditar nisso) e a prender-me menos com a escrita, com este monólogo destrutivo. Quero me envolver com o meu lado humano, deixar-me de perfeições, ser mais acessível, mas selectivamente, não para qualquer um. Quero saber cada vez mais, mais coisas, saber discernir as coisas, saber o que me faz mover, não mover-me de olhos vendados. Só uma ínfima parte do que somos e do que se passa no nosso pensamento é dita e transmitida para fora, o resto faz parte de nós e raras vezes o deitamos cá para fora, por isso há em nós o ‘bom’ e o ‘mau’, e depende ao que dermos mais atenção e aquilo que os outros nos fazem dar mais atenção, assim também nos tornamos. Estou a modificar-me de tal maneira que só os estímulos directos me fazem agir mental ou fisicamente. Só no momento de determinado acontecimento é que o meu pensamento age e fluí em imagens associadas à procura de uma lógica para determinados acontecimentos. Daí que ao olhar para uma folha em branco a minha mente fique em branco. A luta contra o que eu já sei ser a esquizofrenia continua com resultados positivos. Mas o tempo urge, não sei se irei a tempo de conseguir fazer obra, de fugir a esta solidão. E cada vez estou mais só. Mas as coisas são como são, esta minha vida tem uma razão de ser, também não nos podemos dar com todas as pessoas, até porque ao dar-me com mais gente do que três ou quatro pessoas isso se torna perigoso para mim que sou uma pessoa vulnerável, e já sei que os ataques vêm sempre daqueles que se dão connosco. Talvez aquela fase, que alguém disse que existia nesta minha idade, é a fase da ‘intimidade versus isolamento’, seja mesmo verdadeira. É curioso que o que se diz tem uma razão de ser mesmo que as coisas (as palavras) não pareçam fazer sentido. Tudo tem uma razão de ser. Mas também é curioso que as pessoas que muitas das vezes tem dons, como seja a da oratória ou de saber cantar bem e ter uma boa voz, não reconhecem que estão a agir segundo outras causas que não as que eles pensam que os estão a influenciar, e falo de causas bem mais subtis, não visíveis ao homem normal, mas que podem muito bem ser vistas por alguém inteligente e chamado de doente mental, um esquizofrénico por exemplo. Só quando a gente sai do estado normal é que consegue ver coisas que até ali como pessoa normal nunca tinha reparado, outras perspectivas que não as que usualmente se viam, perspectivas novas sim, porque as coisas (as realidades e tudo ou qualquer coisa que exista no mundo real quer no imaginário) têm imensas perspectivas como já me apercebi à muito. Muitas das vezes umas perspectivas anulam outras, as novas anulam as já vistas. Num esquizofrénico as novas perspectivas surgem em catadupa e de tal modo descontroladas que apanham o indivíduo fragilizado pela química desorganizada do cérebro e do organismo que faz com que acredite em tudo o que vê, ele aceita as novas perspectivas facilmente e ao mesmo tempo estão em contradição com o que julgava estar certo, não consegue discriminar. E vê que tudo é relativo. A essência não tem fim, nós seremos sempre seres finitos de mais para ver essa infinita essência.