[INCEPÇÃO-01.11.25] De Hoje em diante, segundo as minhas possibilidades de retorno ao passado - passado do meu Blog e ao Meu passado (que passa por este Blog) - irei postar, temporariamente, ou não, segundo o que vier a sentir que devo fazer, textos passados e que comentarei, se for ocasião, à medida que eu possa assimilar, compreender, rever e sentir que o devo fazer ou que me aventure a dizer, segundo o tempo disponível que se me aprouver.
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quarta-feira, 10 de maio de 2017
sábado, 6 de maio de 2017
sábado, 29 de abril de 2017
Mas, o que são ‘pessoas tóxicas’? - o significado da sua discriminação – a minha apologia
Deparo-me, há já algum tempo, com artigos,
de supostas opiniões que, talvez, tentam ter uma base científica (se bem que de
cientifico não compreendo o que têm), que afirmam que se devem evitar ‘pessoas
tóxicas’ para se ser feliz. Certamente, outras pessoas que terão uma maneira
idêntica à minha, sentirão isto: logo à partida sinto-me, imediatamente (passe
a redundância), discriminado, pois, conscientemente, sei que eu serei uma
pessoa que se insere no conceito de ‘pessoa tóxica’. Vejo imediatamente também,
por parte de quem defende tais ideias de discriminação e segregação das pessoas
que se inserem em tal conceito, uma posição fascista, do ponto de vista do comportamento
delas, para com os outros, e, certamente, serão racistas, quiçá sexistas também,
na sua maneira de lidar com as outras pessoas, entre outros conceitos que
radicam na mesma posição de ideias. Pois, serei uma ‘pessoa tóxica’ devido ao
meu ‘baixo astral’ (palavras brasileiras), devido a ser uma pessoa pessimista,
séria, cinzenta na maneira de comunicar, pesada com as palavras, confusa no que
digo, não fluente nos ‘rumos felizes do mundo’, e, tudo o mais em que eu não
consigo pertencer à ideologia de uma raça que se vai tornar superior (segundo
dizem pela ‘evolução’), pelas suas habilidades de comunicação e inteligência
emocional e social, pela sua alegria de estar na vida e de interagir
fluentemente com os outros. Fui tomando consciência, ao longo deste meu
percurso de vida, em que por vezes o manifesto neste blog, de que, certamente,
de algum modo mais ou menos marcado influenciei negativamente, e sem ter a intenção
e consciência disso, muitas pessoas que se cruzaram comigo na minha vida [até em
algumas pessoas que até me parecem nutrir alguma amizade por mim (nem que seja,
simplesmente por solidariedade)], devido minha maneira de ser ‘tóxica’ (segundo
o tal conceito), o meu baixo astral, o meu nervosismo e ansiedades
incontroláveis, etc. Mas tenho, com certeza, também, consciência da
marginalização a que fui sujeito na vida, de um certo ‘bullying’ (que na altura
não se falava neste conceito, nem eu entendia as coisas como tal) por parte de
certos colegas e não só, e, parece-me que tais pessoas que provocaram ou
provocam estes comportamentos discriminatórios, certamente, não se consideram
‘pessoas tóxicas’ e provavelmente nunca ninguém os considerou como tal, tendo
eles agido como escroto da sociedade, ao fazer tais coisas; assim, as pessoas
que manifestam tais opiniões de discriminação, de que se deve evitar as
‘pessoas tóxicas’, de pessoas que são
tristes ou pessimistas, e que me parece que, a maioria das vezes, sem o querer
ser (e que têm uma razão de vida muito válida para serem e sentirem como são e
sentem) e que, obviamente transportam baixo astral e influenciam
negativamente o ambiente à sua volta, não nego isso, (tais pessoas que produzem
tais afirmações), são certamente arrogantes (com tendência a ser prepotentes se
assim o conseguirem ser), desconhecedoras de um mundo enorme de sentimentos e
emoções que os rodeiam, um mundo que não se cinge apenas ao que é positivo,
correto, feliz, saudável, cordial, de relações fraternas e favoráveis, portadoras
de um certo ilusionismo de vida (penso que posso dizer isso), de um optimismo
exacerbado [ignorando o todo que existe à volta de cada pessoa, como que,
desconhecendo que todos vivemos em relações intensas e não visíveis (dada a sua
complexidade) com os outros, com a natureza e com o mundo, com o Universo, numa
teia grande de mais para se entender facilmente as suas ligações], tornando-se
um escroto da sociedade ao fazer tais discriminações fascistas, que certamente
se tornam racistas, prepotentes e tudo o mais que está relacionado com estes
conceitos. Para mim, quem produz e
dissemina tais ideias de segregação de pessoas, são pessoas abjectas, que só
olham ao próprio interesse, que pensam que sabem mais que a maioria das pessoas,
quando na verdade, nem tentam entender, pelo menos um pouco mais o mundo e tudo
o que existe, e não querem saber o que, como eles lhe chamam, uma ‘pessoa
tóxica’ pode ter para dar ao mundo e à vida; uma lição que seja, de coragem, de
inteligência acima de inteligências não ‘tóxicas’ entre outras coisas, como
seja, também, a contribuição do que significa existir e ser humano entre
humanos e restantes seres vivos. Não temos que nos dar com quem não
queremos, se não fazem o nosso tipo de pessoa; cada pessoa é livre de escolher
os amigos que quer ou pode ter, se os prefere alegres e bem-dispostos, ou,
sérios, nervosos e com um comportamento estranho. Mas disseminar tais ideias de
segregação de pessoas deve ser bloqueada; no fundo, desejaria impropriamente,
que, um dia tais pessoas que afirmam tais barbaridades sentissem na pele aquilo
que apregoam, para se tornarem mais humanas e inteligentes, e verem que
absolutismos (ideais absolutos) não podem existir, e nem devem existir, numa
sociedade que se afirma, arrogantemente, em ‘evolução’ e cada vez mais
inteligente. Quiçá um dia, talvez algumas dessas pessoas, que afirmam coisas
desse género, tenham filhos que sejam deficientes, por exemplo, como irão
seguir o seu ideal de ser feliz? Quiçá um dia os filhos que terão serão tristes,
com baixo astral, pessimistas ou etc., como defenderão o seu ideal de evitar
‘pessoas tóxicas’? Não amarão seus filhos como são e não tentarão ajudar a
fazer feliz, se possível, um pouco que seja, esses filhos que por qualquer
motivo são diferentes? Abandonaram-nos? Quem
consegue viver feliz para sempre, evitando ‘pessoas tóxicas’, tendo filhos
saudáveis e eles próprios com saúde toda uma vida, a essas pessoas, parabéns
(!), tiveram uma grande sorte na vida, e se a tiverem, também, na morte, só
tenho uma coisa a dizer-lhes, <<invejo-vos do fundo da minha alma>>,
porque eu também um dia segui o ideal da perfeição, do bem-estar, da juventude
eterna, do aqui e agora (o presente), da despreocupação (tentada), do
desconhecimento da culpa e da infelicidade…; Repensem as teorias que tentam
espalhar por esse mundo, porque a história existe para nos ensinar, a
inteligência para evoluir. Hitler também, um dia, idealizou um mundo
fantástico de uma nação dominadora, de um poder absoluto, de uma pureza de uma
raça, de um mundo e de um poder que não teria fim, de um mundo de homens
intocáveis.
Um
facto é certo, enquanto esgrimirmos as palavras, talvez, as acções erradas sejam
contidas e moderadas. Então, melhoremos o nosso discurso sempre, ou, pelo
menos, tentemos. Se existe o ‘tóxico’ infeliz, se tiverem o antidoto dessa ‘toxina’
então injectem-lhe para ele ser feliz, porque, se podiam fazer algo e
simplesmente ignoraram, um dia talvez lhes aconteça o mesmo quando menos
esperarem e sejam vítimas de algo que pensavam ser imunes. O meu grande ideal acerca dos
seres deste mundo é o de que todo o ser tem direito à vida, uma vez jogado a este mundo, e tem o
direito de lutar por ela de acordo com as Leis da vida e a sua compleição
física, fisiológica e mental, no entanto, em respeito pelos outros seres e
culturas, a não ser que Leis maiores se levantem, Leis essas, que não são
propriamente as leis que o homem cria, que não passarão de simples regras de convivência;
mas também, todo o ser tem o dever de se melhorar a si próprio, se tal lhe for
possível, e fazer melhor do que aqueles que o antecederam, e essa é uma Lei da
natureza, que pode estar de acordo com o conceito de ‘evolução’, do qual não
posso estar alheio.
Esta foi uma apologia dos seres e de
mim próprio, mas nada fica por aqui, nada é definitivo.
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domingo, 2 de abril de 2017
Monte Fuji - Japão
Monte Fuji - Japão, com uma aura transcendentalmente colorida, na beleza de um entardecer.
Num mundo de um Blog, a escuridão não pode ser completa, a música preenche-nos os sentimentos e marca momentos. As palavras, muitas vezes, são demasiado subjetivas, fortes ou desinteressantes. As imagens ganham lugar também.
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sexta-feira, 17 de março de 2017
Como superar a timidez?
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Aqui está uma pergunta que faço,
talvez, desde sempre (ainda que inconscientemente, a principio), mas, mais em concreto,
desde que eu me apercebi (tomei consciência em mim próprio, num momento que
ficou bem marcado na minha memória e de que falarei mais adiante), que eu não
reagia à comunicação (diálogo) em eventos sociais, sejam eles de que tipo for, tentando
‘esconder’ (disfarçar) a minha presença, e é como se não fosse capaz de
raciocinar em eventos sociais em que tenha que intervir, e um bloqueio atroz toma
conta de mim (E que certamente fez, faz e continuará a fazer estragos, em mim).
Sei agora de causas, conheço melhor, agora, bastantes ‘porquês’ (e a
transversalidade em que se tornou esse bloqueio inicial) que contribuem para
isso, e, tento que a minha mente não desfocalize e perca tais memórias para que
vá, pelo menos, entendendo quem eu sou e o que se passa comigo, ainda que não
consiga ultrapassar tal grande obstáculo para mim (se bem que o caminho é para
a frente e a cada dia ganho de vida, por paradoxal que pareça, é mais um dia
perdido naquela que poderia ser ‘a minha vida normal’); digo isto num modo
característico que é o meu e que é idêntico na forma em que já tenho abordado
noutras conversas passadas; Tenho consciência do risco e o fardo que é
continuar a fazer tal introspecção, tal inçepção, como tenho feito desde sempre, para que não perca o fio à meada na
descoberta de quem eu sou, o lugar que ocupo no mundo, e o porquê de eu ter
que trilhar os caminhos que trilho, se é que me podem entender. Mas esse é o
risco que tenho que correr para não incorrer noutros riscos que seriam mais
danosos como sejam uma loucura antecipada ou um vazio existencial ou uma apatia
vivencial ou outros riscos que não quero correr já, agora, desnecessariamente,
quando ainda tenho outras opções para ‘reagir’, de certo modo; Digo isto porque
oiço, muitas vezes, coisas do tipo (quando oiço, quando tento ‘falar’): ‘Não
penses nisso!’; ‘Não vale a pena pensar nisso.’ ‘Tás a complicar as coisas, a
vida é fácil’. Mas se eu não pensasse ‘nisso’ como poderia defender-me do que é
nefasto para mim? Será que alguém o pensaria para mim e me resolveria ‘o
problema’?
Vivemos num mundo de comunicação, e eu
tenho medo de me pronunciar ‘ao vivo’, mesmo que seja só um pouco (não serei o
único, certamente: para uns será mais incapacitante ainda do que para mim, ou
talvez esteja enganado 😳 (flushed), talvez eu seja mesmo dos piores, mas
continuo a fingir que nem sou tanto assim, escondendo ‘a real situação’; para
outros, esse problema será mais tolerável do que para mim, mas a capacidade de
se exprimir, de exprimir com normalidade aquilo que tem que ser expresso pelo
nosso espirito, é uma necessidade, não só, do homem do futuro, mas, também, já
do presente, para que possa viver em equilíbrio psíquico, e isso é algo de
natural quando não há causas anómalas que rompem com o desenvolvimento normal e
em equilíbrio do nosso espirito, sejam elas causas
internas – doenças de qualquer tipo-, ou causas externas a nós, ao Ser onde nos foi dado ‘o sopro da vida’),
e essa incapacidade de me pronunciar na presença de vários interlocutores, para
mim, é como que uma sentença de morte aos poucos, sei-o, até porque analiso o
futuro em infindáveis suposições do que me irá suceder, temendo o pior para mim
(Podem chamar-me pessimista). Sei que não sou bem interpretado por ser assim,
sobretudo com desconhecidos que não me conhecem ainda; sou marginalizado pelos
que me conhecem; enfim, é complicado, e eu sempre complico ainda mais, com
certeza, eu sei. Vou escolhendo desistir aos poucos e acomodar-me no cantinho
que posso arranjar, no dia-a-dia, numa esperança ilusória, que é o que me parece.
Para mim, estar numa simples formação com algumas pessoas, por exemplo, a
pensar que me vão pedir intervenção, mesmo que mínima, é, gradualmente,
extremamente aflitivo e desconcertante [Se eu pudesse passar despercebido…], em
que tento conter sentimentos e emoções e reacções fisiológicas que sei que vão
descambar quando chegar o momento tão receado (com ansiedade crescente até ao
momento que se pode tornar numa fobia em que vou ter de me ausentar, ou seja,
fugir, de onde me estou a sentir mal, como o fiz recentemente). Venho há longos
anos tentando verbalizar correctamente o que se passa comigo, [tentando verbalizar o que me parece ser, na
vida real, proibido de se fazer,
porque o medo que se gera do próprio medo, incompreensão e descontrolo é algo
de indizível, que as pessoas nem querem pensar nisso sequer], venho tentando
escrever algo de construtivo (se calhar ainda não fiz isso, nem sei), antes de
mais e principalmente para mim, para minha referência, aquilo que me apoquenta
e destrói a minha vida nesta sociedade comunicadora, antes de tudo, repito,
para que possa tentar encontrar soluções adequadas à minha situação particular,
sabendo eu (pelo menos até certo ponto) que haverá tantas e tantas situações
idênticas à minha no silêncio. Sinto em mim, que seria deveras constrangedor e
humilhante (e sei lá que mais), a pessoa errada saber isto que eu estou a dizer
e saber quem eu sou, sentir-me-ia arrasado, sei-o, porque já mais vezes tentei
falar com certas pessoas das dificuldades que tenho, e ver de seguida que errei
no confidente, na pessoa do tipo que desvaloriza o que digo, que não percebe do
que falo e ainda por cima, sinto que fica a saber a minha dificuldade para a
usar contra mim num outro momento, se tiver tal intenção (podem dizer que é
paranóia – eu digo, talvez, mas não posso admitir que não há uma percentagem de
verdade no que disse). Sei também que amanhã de manhã me vou sentir mal e
cansado por estar aqui a tentar verbalizar algo com sentido para mim, mas difícil
de ser entendido, desconhecendo o alcance das minhas palavras, ou também será
mal, se elas não tiverem alcance, se forem em vão. Mas certamente não serão. Não
devemos guardar tudo para nós, mas também devemos estar atentos ao confidente
com quem vamos exprimir a nossa dificuldade ou desabafo.
Agora, o momento em que eu tomei
consciência da minha dificuldade, concretamente: andava no 10º ano, estava numa
aula de Filosofia em que pela primeira na minha vida tinha que expor com os
meus colegas as nossas ideias sobre um assunto que já não me lembro qual era;
pois, não consegui exprimir uma só palavra e no fim, pela primeira vez, percebi
imediatamente que algo não estava bem, e isso me fez percorrer o caminho que
tenho percorrido até hoje; Penso que se pode chamar a isto: optar (inconscientemente); lutar [contra o incompreensível (Porque
me aconteceu isto?) em busca de soluções, ou respostas pelo menos, vivendo na
esperança dia após dia, muitas vezes, rumo ao desconhecido]; aceitar (a aventura de vida que nos
espera); não desesperar imediatamente
(seguindo na base de certas ideias, ainda que, na maioria das vezes se revelem ilusões,
agora o sei, para nos sustentarem nesse longo caminho); aceitar a ajuda, de quem pode, se houver quem, se vier por bem e sem angustiar
ou destruir mais a pessoa com nomes e interpretações que são pejorativos e
lesivos para a vida e para a normalidade que se deseja alcançar de um Ser que
não perdeu nunca a consciência de quem é.
E
agora? As perguntas
sucedem-se dia após dia. Como superar a
[minha] timidez obsessiva - compulsiva? ; Voltando atrás, tão rapidamente
quanto possível: as causas de tudo isto? Genéticas? Genéticas potenciadas pelo
azar (da minha vida) de não ter tido a sorte (o ambiente) a favor da dissipação
desse problema? Porque me passaram tais genes e ainda por cima reforçaram o que
havia de negativo por quem deveria ter sido amado? Foi deliberadamente ou
intencionalmente que o fizeram? Porque me usaram como um boneco (que é o que eu
sinto)? Porque me sinto um bode-expiatório? Eu não sinto vergonha, nunca fiz
nada da vida que me fizesse envergonhar, por exemplo, não matei, não roubei,
sempre tentei seguir os bons ideais e valores do bem, da paz e da vida (da
nossa tão frágil vida). Aclarando o conceito como eu o vejo: a vergonha não é propriamente o que as
pessoas (com o senso comum) acham que é, e é confundida com outro tipo de
manifestações de emoções como sejam a timidez ou a dificuldade de se exprimir
por exemplo; na minha interpretação, a manifestação da emoção ‘vergonha’ é a
noção (sentimental) de que se fez algo de muito mau, como os exemplos que já disse,
e sentir-se consternado por tal erro e pelas consequências que podem advir de
tal erro muito mau. Neste sentido, o facto de eu não me conseguir exprimir em
público não significa que é por vergonha, uma vez que não considero que tenha
feito algo muito mau na vida como ter matado, violado, roubado etc. mas por
motivos de timidez excessiva, associada a características introspectivas
excessivas, causas genéticas e traumas (causas externas, ambientais) que me
levaram a ser assim. Quero dizer que não sou envergonhado, pelo conceitos em
que já justifiquei o que considero ser ‘a vergonha’. Não queria ser um homem de
topo, ‘super’ comunicador, com imensa capacidade de exposição, mas também não
queria ter este handycap. Estaria disposto a aceitar-me como sou, como tento
sempre fazer, dia após dia, mas esbarro constantemente nos ideais das pessoas que
me envolvem em confronto com os meus, numa cultura que não me incorpora, na
incapacidade de ultrapassar esta dificuldade de comunicação de quem não está
disposto a aceitar (mais uma vez: aceitar), a tolerar, uma pessoa que sente de
maneira diferente. Mas, compreendo que a falta de capacidade de expressão gera
um paradoxo em si próprio: quem não segue as normas e os preceitos da cultura
onde está inserido é marginalizado naturalmente. [Talvez se tenha que criar o
nosso lugar no mundo, um lugar nunca inventado, mas lembro-me também que para
viver tem que se comunicar e transaccionar, não sou um animal selvagem que pode
viver solitariamente, e aí surge o paradoxo, novamente].
Como
superar a timidez?
Será que se pode superar na ideia de que devemos aceitar-nos como somos, e, sendo
quem se é, buscar a liberdade do espirito (lutando contra quem quer aprisionar
nosso espirito, aprisionar a nossa liberdade psíquica e mental), na aceitação
da nossa pessoa pelas pessoas que nos envolvem e vice-versa?
Ficam as ideias e as questões a serem
respondidas ou reformuladas mais correctamente.
Fiquem bem.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Estranho, muito estranho
Desejo escrever, por vezes, quando uma
ideia especial me passa pela cabeça. Queria comunicar, como quem diz ‘queria
dialogar’. Quando olho para esta folha branca, a velha sensação horrível de
vazio regressa, dá-me precisamente ‘uma branca’. Queria fazer algo que me
fizesse sentir bem; sentir bem, comunicando, com alguém, na internet ou na
realidade, dialogar, criar amizades, e, no entanto, um vazio se apodera de mim
em todos os momentos da minha vida social, como que uma nulidade a querer
instalar-se em mim, fortemente, a querer possuir-me, se é que já não me possuiu
à muito. Tenho medo do que penso, mas não consigo deixar de o fazer, fazer como
o faço, mas tenho muito mais medo ainda do que digo, de que possa magoar alguém
inocente, de que me magoe, eu, ainda mais do que o que estou. É confuso; É
paradoxal; É mágico; É enérgico; É descontrolado, muitas das vezes. Assim é o
meu pensamento. E com isto penso: que tem a escrita a ver com a realidade? Um
desabafo, talvez, no vazio do meu Universo, na entropia da comunicação moderna,
o frenetismo das palavras e das imagens a rodar a uma velocidade estonteante diante
dos meus ouvidos e olhos; e, eu, a tentar absorver tudo, o máximo que posso,
para chegar sei lá eu onde, porque isto nunca tem fim… ufff ... e, eu,
deixei-me levar ao sabor da vida, sempre na esperança, como agora, mas talvez
ilusória (e eu a dizer, ainda, ‘mas’ como que ainda a ter esperança…) que tudo
se havia de se encarreirar, havia de ‘entrar nos eixos’, havia de me tornar
mais forte, havia de ser aceite como eu sou, na tolerância das pessoas de bem,
como eu me considero; mas não, isso não chega, é preciso comunicar, e eu estou
sufocado, sem saber como ainda estou vivo, assim; uma coisa é certa, a ilusão
avoluma-se mais, a cada dia que passa, a incerteza do futuro é toldada por ela,
para que o pânico não se tenda a instalar imediatamente. Comunicar, falar, tudo
me é negado, negado em mim próprio, por um fechamento passado, nunca superado.
Pois, hoje, queixo-me, porque queria acreditar no que se diz, queria entender
como as pessoas ‘normais’, sentir a calma ‘normal’ das pessoas que vivem sem
ter de questionar conceitos tão profundos da vida que parecem nos ir salvar,
assim como nos levam ao abismo, por paradoxal que seja.
As ideias evaporam-se-me, quando a
incerteza e/ou a insegurança e/ou o stress, seja ele de que tipo for, se me
acomete. As fobias tomam conta de mim, e, eu, não dialogo, me isolo ainda mais.
A falta de confiança em mim é grande, porque os medos que não controlamos se
apoderam de nós, e me torno como um macaco, repetitivo, somente centrado naquilo
que não consigo ultrapassar. Porque tem de ser assim? Pergunto, constantemente,
eu, ao meu Grande Deus, que não sei se existe. Porque tive eu de vir viver neste
mundo, num clima de tanta contrariedade, apesar da aparente paz que me envolve.
Se me tivesse sido dada a hipóteses de escolher, eu preferia não ter existido.
Porque tive que existir nesta condição, apesar de não ser a pior de todas?
Porque busco eu uma salvação ainda? Porque a minha vida não vai ter
continuidade? Porque não posso viver com o que sou sem ultrapassar a minha
barreira de sofrimento? Quando era novo, eu tentava ser bom naquilo que fazia,
e acredito que ainda o tente, mas a verdade é que nunca era suficiente o meu
esforço, como que não tivesse valor, por quem era avaliado. O que me parece é
que tudo corre mal cada vez que quero fazer algo social. Há forças muito
estranhas que controlam a minha vida, quiçá a outros aconteça ou sintam da
mesma maneira. É um facto que não nasci para ser escravo, a contrariedade que
me possuiu não me deixa aceitar isso na vida, e no entanto não consigo ser
livre. Como posso eu auto-sustentar-me neste mundo de economia, se as pessoas
de quem todos, ou a grande maioria, de homens que querem contacto, me fazem
tremendamente medo; sinto-me humilde, néscio perante a dissimulação de muitas pessoas
com quem tenho que me dar; ou então, a incompreensão daquilo que nos aflige por
parte dos outros leva-nos ao desentendimento, porque eu também não consigo ter
discernimento na aflição; A minha parte emocional, chamam-lhe ‘inteligência
emocional’, tende a desaparecer a cada dia que passa. Tenho medo, muito medo.
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Evolução [De uma maneira geral]
O Mundo em que vivemos será como o
sentimos. Cada um o sente de maneira diferente, penso, porque cada um é
diferente, apesar de, em condições normais, ter-mos maneiras iguais ou
idênticas de ser ou de estar no mundo, de comunicar. O meu mundo não é só o que
era e que me foi dado de herança genética ou quiçá de algum modo mais, talvez
um modo inefável, algo que está no domínio da Psique humana; contudo, o meu
mundo é, e tem, também, aquilo que lhe acrescentei ao longo deste longo e
maravilhoso caminho (que quero, desejo, anseio e peço, continuar a percorrer),
cheio de aventuras, que provém dos imensos sentimentos e emoções que poderemos
ter, que eu tive, das experiências
que me envolveram, do que me é dado a
conhecer pelos sentidos e sentimentos, e que posso peneirar na malha que fiz, baseada naquilo que me guia e daquilo em
que eu acredito que é ‘’a verdade’’. Podem dizer que é a sua/minha ‘verdade’;
tudo bem, não aceitam o que é a minha ‘verdade’, assim como eu não aceito certas
‘’verdades’’ que são aceites por outras pessoas. Será que a Verdade é um conceito objectivo (?),
como se pode dizer sempre que 2+2 são 4? Haverá uma Verdade, a que lhe chamaria: ‘a Verdade Suprema’, ou ‘a Verdade das
verdades’, ou ainda, ‘a última das verdades’, que seja possível ser alcançada? Ou
será que apenas podemos ver o ‘padrão
das verdades’, em última análise, para alcançar, o da Verdade (da tal ‘Verdade suprema’) que vai sendo aproximado à
medida que tudo evolui? Evoluímos, sim, tudo evoluiu, isso nos é dado a
conhecer no último século: antes da evolução
há imensas mudanças, e quando essas mudanças provocam uma mudança
correta de adaptação a essas mudanças chegamos a esse conceito de ‘evolução’, e, ele toma, então, todo
o seu sentido, toda a sua plenitude de definição. Temos um longo caminho
percorrido, quiçá 13 mil milhões de anos, desde a formação da terra, 4 mil
milhões de anos desde o aparecimento dos primeiros e primitivos seres vivos na
terra; houve um equilíbrio geológico, planetário e Universal que se manteve, extraordinariamente
e milagrosamente por todos estes milhares de milhões de anos para que houvesse
a tal evolução, neste nosso planeta
azul; visto ao pormenor é óbvio que houve retrocessos, como por exemplo, nas extinções
em massa que se deram, mas de algum modo (a descobrir) os seres que
subsistiram, foram guiados para aproveitar o que de melhor havia na adaptação deles
e de outros (e, aqui é mais fantástico ainda) para evoluir também e se adaptarem
ainda melhor; Assim houve também momentos de explosão de vida (‘momentos’ que
se medem em milhões e milhões de anos, claro). Certamente aceito que de há 500
milhões de anos para cá um pulo de gigante se deu a passos lentos. Os animais
saíram do mar para ocuparem a terra, assim como as plantas. E os animais
(provavelmente as plantas também) tornaram-se enormes, talvez há 200 milhões de
anos. Certamente haveria grandes extensões de florestas luxuriantes, o clima
seria geralmente fantástico em determinadas alturas (a terra girava mais rápido
do que gira hoje, por exemplo, na ordem de 45 minutos a menos nesses 200 milhões de anos
atrás, talvez); Mas quantas e quantas transformações magnificas a terra não
terá tido, imaginem! Foi há 60 milhões de anos atrás que se deu a grande
extinção no reinado dos dinossauros, fala-se em desaparecimento de até 90 por
cento da vida terrestre, talvez, devido ao impacto de um meteoro gigante que
bateu onde é hoje o México, na zona de Yucatan (Lucatã). Mas nestes 60 milhões
de anos que se sucederam os seres que sobreviveram evoluíram novamente para dar
a transformações imensas nos animais e plantas, e na geologia também; até que,
há 60 mil anos atrás, surgiu o homem que hoje somos, que transformou o mundo e
a nós próprios admiravelmente. Enquanto nós evoluíamos de macacos, outros seres
como certos mamíferos transformavam-se magnificamente, por exemplo, baleias,
que eram seres que andavam em terra, voltaram ao mar, por adaptação gradual. As
transformações nestes últimos 60 milhões de anos foram rápidas para os animais
e certamente para as plantas, apesar da rotação da terra estar a desacelerar. E
neste ritmo frenético e alucinante continuamos imparavelmente, desejamos ‘Construir um mundo melhor’’; no
entanto, não sabemos se será melhor até que aconteça o que tiver de acontecer, e
que, penso, só uma visão e vontade superior podem saber; eu não acredito que
seja para melhor que caminhamos, se assim continuarmos. Esta minha visão, partilhada
por muitos, mas não os suficientes, poderão dizer, é pessimista. Uma extinção
pode estar prestes a dar-se neste ritmo imparável de mais de 7 mil milhões de
habitantes sedentos em ‘transformar um mundo num sítio melhor’, em usufruir,
mas também em sobreviver, porque estão sendo impulsionados pela natureza
intrínseca que vai nos genes de cada um; Assim, no mundo sem amor, de confusão,
maiores confusões e incompreensões se instalam: ‘Não queremos ser ricos,
queremos amor’, dizem muitos, ‘não queria ter nascido sem amor’; mas já que
nasci neste mundo humano de comunicação caótica quero sobreviver evitando cair
no erro que muitos caem, mesmo tendo a oportunidade de pensar e conhecer o
passado (o de cada um e o do mundo, de uma maneira geral), não vou gerar um
filho sem amor, o mal e o bem
debate-se e digladia-se a todo o momento, se se escolher o caminho errado, por
força de qualquer motivo que nos obriga a isso, como não se pode voltar atrás,
irei remediá-lo com todas as minhas forças. Dentro de uma grande ‘Razão de equilíbrio’ que se tenta
mostrar a cada um de nós, por dentro de nós, apesar de pequenos seres que somos
em relação para com o mundo, com o universo e para com a sabedoria que
poderemos ter ou atingir, dentro de algo que é racional (porque, dizem, já não
somos macacos), o mundo caminha segundo o ritmo da inconsciência, dos
sentimentos e emoções, expressos como se ainda fossemos macacos, absortos na
arte, no bem-estar, sem perceber o que é essencial e o que é supérfluo, ignorando
o significado desse bem-estar que pode significar mal-estar de outros ou
destruição da natureza em excesso, superfluamente, só por capricho. Isto acontecendo
depois da carnificina das grandes guerras, e das grandes lições que deveríamos
ter tirado delas, e de toda a história no geral, do mal que acontece no dia-a-dia.
Contenham os impulsos de capricho constante, não criem necessidades
fantasiosas, não reais; contenham o desejo de poder pelo poder, sejam
responsáveis, utilizem bem as vossas capacidades para melhorar o bem universal,
encaminhar o mundo num modo sustentável. Novas gerações nascem sem amor e sem a
possibilidade do conhecimento consciente, da sabedoria, de saberem quem são, ao
menos de onde vêm e para onde vão; Novas gerações nascem como se fossem néscias,
querendo continuar na indiferença pelo que se passa, mesmo podendo conhecer e
saber as coisas, mesmo sabendo e conhecendo o que se passa, mesmo tendo esse
apelo no dia-a-dia, como que pensando, eu não tenho a responsabilidade do que
se passa num mundo tão grande sendo eu tão pequeno. É certo que eu digo, como
os Supertramp o disseram em The Logical Song:
‘At night, when
all the world's asleep,
The questions run so deep
For such a simple man.
Won't you please, please tell me what we've learned
I know it sounds absurd
But please tell me who I am.’
The questions run so deep
For such a simple man.
Won't you please, please tell me what we've learned
I know it sounds absurd
But please tell me who I am.’
‘À noite, quando
todo o mundo dorme,
As questões correm
tão profundamente
Dentro de um homem
tão simples.
Queres tu
dizer-me, por favor, diz-me o que aprendemos
Sei que parece
absurdo
Mas diz-me quem eu
sou.’
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