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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Enya - may it be

 


Enya - may it be                       -              lyrics



May it be an evening star
Shines down upon you
May it be when darkness falls
Your heart will be true
You walk a lonely road
Oh! How far you are from home

Mornie utúlië (darkness has come)
Believe and you will find your way
Mornie alantië (darkness has fallen)
A promise lives within you now

May it be the shadows call
Will fly away
May it be you journey on
To light the day
When the night is overcome
You may rise to find the sun

Mornie utúlië (darkness has come)
Believe and you will find your way
Mornie alantië (darkness has fallen)
A promise lives within you now

A promise lives within you now

Refúgio

 


Quando tenho medo, refugio-me, se puder. Tenho medo de me perder, por isso me refugio. Refugio-me para saber quem sou. Ainda tenho um refúgio! Ainda tenho onde me abrigar! Ainda sei onde me encontrar! Não sei até quando, mas tenho, agora. Não quero estar sozinho, por isso me refugio. No refúgio me encontro com a humanidade. No refúgio reside a minha esperança. Porque neste mundo já não se pode ser quem se é, temos que ter um refúgio. Se refúgio significa abrigo, o abrigo é onde nos sentimos bem. E eu refugio-me das pessoas quando não estou bem junto delas, mas se pelo contrário quando esse meu refúgio deixa de ser o sítio onde me sinto bem, eu procuro outro refúgio. E, então, refugio-me na multidão e/ou no encontro com um amigo. Mas há refúgios que são breves, num curto espaço de tempo o deixam de ser. Quando trabalho, penso no refúgio do meu descanso, quando descanso necessito do refúgio do meu trabalho ou de um trabalho, da luta pela vida, da construção de um novo refúgio, porque nada é imutável na imensidão do tempo. E no meu refúgio eu tenho muitos refúgios. Há momentos em que os meus refúgios parecem desaparecer, todos. Nestas palavras eu me refugio, no encontro com os que lerem estas palavras eu construo novo refúgio. E ao pensar eu me refugio, no passado me refugio, no futuro tento criar o meu refúgio. Refugio-me na saúde, quando a tenho, refugio-me na doença e quando estou alegre, refugio - me. Os cinco sentidos são refúgios, que em certos momentos mais parece que não os queríamos ter. A música agradável torna-se incómoda e doentia - talvez porque tudo tem a sua duração e máxima intensidade, o clímax, o êxtase - nada pode demorar mais do que o tempo que deve durar, e cada um de nós tem o seu tempo. Então é momento para fazer uma pausa e refugiarmo-nos no silêncio. Assim como o refúgio do toque, tão imprescindível para que saibamos sentir o mundo, noutra linguagem, que se torna tão doloroso na sua ausência, ou pelo contrário, insensibilizados pela sua abundância desenfreada. Mais valeria não sentir o toque. Pensamos no outro como refúgio, não pensamos que no fundo pertencemos a nós próprios mais do que a alguém, e o refúgio nem sempre é o outro, e por vezes, ou muitas vezes, é tudo menos o que pensamos que é, porque nada é o que é, para sempre. Mas precisamos tanto de alguém… de nos dar e de receber, de encontrar com quem possamos compactuar – e o mundo muda, as pessoas muito, mas muito mais! Somos tão diferentes (!) que isso me chega a fazer sentir a solidão mais profunda, porque no fundo, se calhar, sou eu que o sou, apenas eu. Imiscuímo-nos nos cheiros que nos envolvem e chegamos a um ponto em que já não nos apercebemos mais desses cheiros.  Cheiros que nos alteram a percepção. E essa percepção por vezes torna-se de tristeza. Tristeza da ausência daqueles cheiros que cheirámos naqueles momentos que foram o nosso refúgio. Mais valia não cheirar-mos em certos momentos, porque isso tira-nos vida, como se o simples recordar desgastasse. Desgasta o nosso ser, ver que não podemos abranger sabendo que há um refúgio para lá daquele horizonte que nos fascina, saber que há aromas que nos iriam revigorar e nos devolveriam a alegria, passageira, porque seriam novos – se conseguirmos cheirar, ainda. O paladar é um refúgio também. Que também se acaba por perder, porque a vida é mesmo assim. Afogamos a alegria no comer. Outrora essa escassez quase nos tirava a vida - se bem que alguns comem para viver, os que se dizem inteligentes (para si próprios), os degustadores, como que intocáveis, onde o suor de homens que trabalham árduo enfrentando um sol abrasador para colher o fruto da terra é comprado por uma bagatela (como se eu pertencesse a esse grupo de seres), como se já nem o alimento fosse o mais importante, como se eles percebessem de qualidade dos alimentos, tanto quanto eu sei o que estou para aqui a dizer (como se fosse vergonhoso ser-se altivo na vida) mas deve haver homens privilegiados... deve mesmo -. Nós não somos sistemas isolados dos que nos envolvem, e o outrora ainda é o agora - basta abrires os olhos - porque nada podemos fazer acerca disso, a maior parte das vezes. Afogamos a tristeza no comer, um refúgio como outro qualquer. Deixámos de saborear o verdadeiro gosto da vida, o refúgio na produção intensiva, do desperdício, da técnica e da ciência, tudo isto, fantástico e útil. Diria que é magnífico este mundo novo, onde a inteligência comum dos homens atinge patamares - para muitos, que até eu, posso não conseguir imaginar -, mas que não deixa de estar longe da perfeição que nunca se chegará a atingir, mas cheio de funcionalidade, de perfeições confinadas a momentos e espaços determinados, a sistemas e pessoas que criam beleza, batem recordes, fixam essas perenes perfeições do mundo numa tela, criam perfeições, o clímax, o auge, êxtase de todo um caminho percorrido em busca de um objectivo, por tantos não alcançado, esquecidos no comum sentir dos tempos. Enquanto pudermos degustar o que sabe bem e enquanto o organismo nos devolver satisfação pelo que degustamos então devemos continuar a viver se nos for permitido. Desejo não chegar ao ponto em que os alimentos já não saibam o que souberam no passado, onde tudo se torna sensabor, e tornar-me um ser vegetal. Aí a vida não faria mais sentido, visto agora desta perspectiva, neste momento - mas ai serei velho e terei vivido, a meta que se dignam de atingir o que estão talhados para tal, o futuro não nos pertence de todo… -. Não valeria a pena comer sem sentir o paladar dos alimentos. Mas há sempre um refúgio…eu consigo ver isso, ainda. Eu vejo, e agradeço ainda pelo que vejo, por isso serei um ser normal – afinal estou a dissertar sobre o que sinto, pelos meus sentidos, percepção inigualável do mundo, uma maneira inimitável de se abrir perante ele, ou pelo contrário, apenas muito comum. Não interessa… -, se bem que me refugio muito por achar que vejo demais, quando na verdade verei mas é pouco – verei aquilo que vir, e esse sou eu. Não me deveria achar estranho, mas tenho receio de ser abandonado, que me julguem pelo que não sou, que perca a minha dignidade ou que não me tratem com a dignidade que eu trato os seres que me envolvem, como já alguma vez senti perder -. Eu vejo, e não há sentido inigualável ao ver! Mas de que me serviria ver se não tivesse os outros sentidos? E é tão agradável, neste momento, esta noção mental que me percorre o corpo, de que eu sou todo uno. O que vejo faz-me recordar cheiros e vice-versa, faz-me recordar paladares e vice-versa, toques e vice-versa, sons e vice-versa, e tudo ao mesmo tempo também, a consciência mental a evoluir sobre a consciência física, o que sabemos sobre o que somos enquanto seres físicos, a construir castelos na mente, o reconhecimento de que somos tão pequenos enquanto seres físicos, cada vez mais, e a aceitar cada vez mais também  o que vier, o atingir de patamares cada vez mais altos ultrapassando um estado em que não nos podemos contradizer - algo fala mais alto e não nos é permitido tal -, porque sou quem sou, e só tenho que seguir sendo quem sou, porque não posso ser outro, signifique isso o que significar. Eu vejo a humanidade, sim, eu vejo! Ainda… porque o fim está sempre presente, porque todos o têm de aceitar, quer queiramos quer não, se bem que poucos pensem conscientemente sobre tal, como se isso fosse algo a ultrapassar, que pode ser vencido. Esse é o lema da vida humana que faz seguir os homens, quebrar barreiras, barreiras de conhecimento, descobrir tudo o que se possa descobrir no espaço de uma vida, sempre a pensar na continuidade - como se a liberdade fosse infinita, como se não houvesse ‘senão’, como se não houvesse a contrapartida, o efeito secundário -. E o equilíbrio é tão subtil! Por vezes parece simples de mais para perceber. Mas é curioso como dentro dessa simplicidade, há uma grande complexidade, que dentro do que já parece expectável está o incerto, a recombinação de tudo, e que tudo faz sentido, apenas agora, e na verdade há que aproveitar (talvez amanhã já não diga o mesmo…). Dentro da visão da humanidade não cabe o espectro de que há a antítese do seu lema, como se houvesse a contradição em tudo, a maioria das vezes implícita. Faça o que se fizer, a vida foi como foi, é como é, em função de tudo o que existe, se sou o que sou, sou-o porque outros me antecederam, e outros me envolvem e aumentam esta consciência humana, da qual faço parte, e me exprimo por ela assim. Agradeço aos que me mostram o que eu consigo ver, o mundo, como se ele fosse perfeito, o mundo virtual que eu reconstruo na minha mente. Agradeço aos que e às que – como se elas fossem outro mundo, a metade que completa o puzzle, o pólo oposto, o yang da humanidade - me fazem sonhar, aos que me criam refúgios, onde me posso encontrar, onde a minha vida tem sentido, àqueles que normalmente são anónimos e os posso conceber na minha mente como seres que me estimam e a quem eu estimo, como não poderia ser de outra maneira.

E refugio-me das mágoas. Afasto-me de quem me pode magoar. E é quem conhecemos que nos magoa, muitas das vezes quem é próximo de nós,  porque nos conhece ou deveria conhecer, e, sendo assim, não deveria dizer ou fazer aquilo. Na verdade é duro de mais, quando sinceramente, dizer: ‘Amigo’. Isso significa uma forte ligação que pode facilmente ferir. Alguém a quem nos abrimos, que nos conhece bastante mais que os outros e um dia troça de nós, nos prega uma partida sabendo ou devendo saber que não devia fazer tal. Vê o seu erro e não o quer admitir, e não pede desculpa. Mas não faz mal, da minha parte, tudo passa. Eu arquejo com os meus erros, assim como os outros terão que arquejar com os deles. Eu também magoo sem me aperceber, sei-o. Mas não sou inimigo, jamais o serei, de alguém, quem quer que seja. Sou demasiado perene para tal. Mas lutarei para que tudo se equilibre, para que haja sincronia, para que possa ter o meu lugar, o meu refúgio. Não podemos agradar a gregos e a troianos. E até gregos e troianos têm muita coisa em comum.

Tenho o desejo de encontrar o meu refúgio.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Despido de mim

 



 

            Despido dos preconceitos e dos estereótipos, único, logo original e inimitável, este sou eu: quando só me encontro com as palavras, com a minha alma e a minha consciência, quando afastado do que é físico, absorto, não prestando atenção ao que me envolve proximamente (talvez já conheça esse espaço), afastado das emoções – longe do bater do coração que nos domina, na realidade – e de uma aparência que me contradiz – como se eu fosse um ser humano horrível; com o passado na minha mente e com a extrapolação das minhas experiências - que não podem ser manifestadas de outra maneira senão por esta -. Dispo-me, a miúdo, deste mundo externo, das sensações envolventes, para ver mais além das coisas, para penetrar no mais profundo do meu ser, onde as regras são as minhas (e talvez, muitas delas, sejam as do Universo), onde estou em sintonia com uma energia poderosa que envolve e ao mesmo tempo está em todos os seres, o Universo no geral. Energia, essa, que tudo move, a essência da alma, a sintonia dos seres que existiram, existem e hão – de existir. Dispo-me aqui e agora, assim como o faço em muitas ocasiões da minha vida, dispo-me perante os desconhecidos, e conhecidos, se os houver. E então sou mais psíquico e metafísico do que físico (e não sei se serei um ser ou uma entidade transcendente), e só assim as pessoas me podem conhecer - se é que alguém me conhece - as privilegiadas, se é que há algum privilégio em mim, como se um ser sagrado se tratasse - se é que há algo de sagrado neste mundo ou no Universo,  ou então é tudo sagrado -. Despido de mim, eu domino em vez de ser dominado, eu sou rei e não sou servo, sou forte, porque não tenho aparência - e o inexplicável e desconhecido gera admiração e temor -,  e estou nuzinho de todo, como Deus nos põe no mundo. E desculpem a soberba, agora. Na verdade, quando não estou despido ando roto e esfolado, com o cabelo desgrenhado, todo desalinhado, com fome e com sede, como se até o próprio trabalho me fosse negado, como se o mundo não me pertencesse e tivesse que pedir licença a alguém até para respirar. Aqui estou eu, agora como tantas vezes, este sou eu, esperando que o mundo me abrace até ao fim, esperando simplesmente, sem fim, até quando acabar. Porque há um princípio e um fim, que será quando eu não puder voltar a vestir – me. E vou como vim.

sábado, 23 de agosto de 2008

Do lado de lá

Estou do lado de lá. Dou comigo constantemente desse lado onde a minha voz ecoa sem rival, de onde quero sair sem encontrar uma porta definitiva que me tire desse labirinto em que me meti, sem querer e sem perceber como é possível tal. Sem perceber, pelo menos por enquanto, como quem procura uma causa da coisa mais improvável que possa acontecer. Estou desse lado onde sei mais do que ninguém quem sou, onde me vejo e compreendo completamente – ou pelo menos tendo sempre para isso -, onde vejo o meu passado e me identifico com o que fui – o passado e só o passado, como que o presente estivesse a deixar de existir e o futuro não quisesse mais vir -, onde verdadeiramente sou eu, onde tenho um lugar – desse lado – mas que nada significa quando existe tamanha incomunicabilidade com o lado de cá. Estou num Universo paralelo onde tudo é razão, desse lado onde as emoções não moram, onde vejo sorrisos que quero retribuir mas que neste vazio não existem, onde vejo desequilíbrios que quero corrigir, mas não consigo, porque as forças faltam-me, como se em mim algo me anulasse a mim próprio, como se estivesse a ficar paralisado, paulatinamente, como se me faltasse o ar que necessito para respirar. Desse lado onde, na verdade, os gestos, os rostos e os olhares não significam nada, para mim, como se em mim tivessem sido apagados os significados naturais de tudo isso, se é que alguma vez os tive. Gostava que algumas pessoas soubessem quem sou. Não sei quem deveriam ser essas pessoas. Gostava que elas conhecessem o meu lado da vida. Gostava que me levassem a conhecer o lado de cá da vida, de que tanto oiço falar e vejo virtualmente sem conseguir sentir. Mas é difícil estar do lado de cá, sentindo desta maneira, sentindo da maneira do lado de lá. Eu perco-me e descontrolo-me, eu sinto-me a apagar, cada vez mais pequeno, a ficar sem liberdade como se não fosse livre de respirar. E então, quando olho para os rostos do lado de cá, eu não vejo nada do que eles devem estar a transmitir, nada me dizem esses rostos e esses olhares, como se deixasse de pensar, como se tivesse estado toda a vida preso dentro duma masmorra sem ver gente, como se tivesse sido um autista – tenho medo de me tornar um autista -, a verdade é que não consigo olhar. Do lado de lá há apenas monólogos. E se desse lado de lá tudo pareço compreender, do lado de cá nada pareço entender, como se fosse tudo fugidio. Sei que houve um princípio para isto, alimentado pelo tempo que passou, como se fosse uma corrente que algo ou alguém me pôs e que não foi quebrada com o tempo, mas sim foi reforçada. Vejo muitos momentos desse reforço negativo, vejo-me muitas vezes a querer fugir daquilo que devia ter encarado de frente. Vejo que interpreto como negativo muito do que me acontece. Não contrariei essa força que me levou cada vez mais para esse lado de lá. E novamente resta o sentimento da esperança, que tudo seja menos mau, já que mau parece que tem de ser. Sei que falo da minha dor e que deve parecer que falo como se ela fosse absoluta e única e como se não fosse capaz de ver a dos que me rodeiam. Mas eu vejo e sinto-a, eu absolutizo na minha dor, a dor dos que me rodeiam, porque essa dor dos outros não me é indiferente, e não sei porquê isto. Porque não absolutizarei a alegria que há nos outros e tenho que absolutizar a dor, é uma questão que me coloco neste momento. Porque não poderei ser um ser equilibrado, pelo menos? E, entre estar do lado de lá ou estar do lado de cá, entre querer as duas coisas ao mesmo tempo, é como estar no reino da contradição, do paradoxo. Entre querer ter atenção em tudo o que me rodeia e controlar tudo, do lado de lá, e querer estar concentrado e deixar – me levar ao sabor do Universo do lado de cá, vivo numa situação de instabilidade e de implosão. Mas se isto dependesse de uma simples escolha, eu já teria escolhido, viria para o lado de cá, porque estou farto do lado de lá. Mas o problema é que eu não sei viver deste lado e tenho que ir aprendendo, se me for permitido, sem no entanto deixar o outro lado porque isso seria perder-me.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Discorrendo

 


     Começo discorrendo, como sempre. O Universo já me conhece. Mas acho que as pessoas ainda não. Em que acredito já não me interessa, muito menos interessará a alguém. E é esse mesmo, alguém, que me tenta caracterizar de néscio. Mas, néscio, eu não sou, não me considero tal, apenas poderei ser, sei lá, apático, aparentemente indiferente. Indiferente como quem aceita o seu destino, cada vez mais. Indiferente como quem perdeu a capacidade de reagir, como quem compreende, muito, e nada pode fazer. Nascido na escuridão, crescendo e vivendo na sombra, talvez a esperança seja o móbil último da existência, aquilo que me move, e já nem falo pelos outros. Mas não tenho que morrer na sombra, morra como morrer. E já não há revolta que dê a volta ao que não tem volta a dar. Por isso silêncio - me. As vozes submergidas não têm direito a manifestar-se. O conhecimento não faz sentido, se o feedback do mundo não chega ao nosso espírito. Há que mudar de paradigma, mas até os paradigmas se perdem. É um desencontro constante. E nem que atinja o infinito, jamais passarei de um homem. Homem sobre homem. Pedra sobre pedra. Que restará de mim? Que será feito da minha moral, dos meus desejos e do meu ideal? Será um erro partir? Ou sê - lo - á ficar? Irá o mundo acabar ou irá continuar? Não me compete a mim dizer algo sobre isso, mas cabe-me questionar também. Tudo é como se vê, como se vê na globalidade do alcance da nossa visão, quer na nossa acuidade ocular, assim como na acuidade espiritual, e simultaneamente nada é. Para tal eu fecho os olhos, ignoro, abro a minha alma, perco-me nos sentidos, como se ainda os tivesse. Mas tenho, a minha mente alcança-os. E estes cultos, tudo o que me leva a estar do outro lado do muro transparente onde oiço, vejo, e não posso participar, esta tortura de receber sem ter espaço para dar segundo o que sou, esta incapacidade de retribuir, de fazer parte do clã, da união. Este culto da imagem e da personalidade e das palavras… não sou capaz. Acreditar é preciso, um lema que não me convence, como de uma promessa eleitoral se tratasse. A humanidade pode, há que acreditar. E a verdade é que não há humanidade, há homens e homens e homens sem fim, até ao fim deles. Há um elo, e há uma voz que se levanta mais alto. Nós, surdos, passamos o tempo a arranjar explicações para o que nos acontece, procuramos a causa do efeito, brincamos com a causa para ver efeitos. Procuramos os culpados, também, como se os houvesse. Simplesmente soltamos o homem que há em nós de alguma forma, de algum modo quando vivemos mais um dia, nem que esse dia seja num calabouço onde a alma está presa, presa em mim. E o perigo é real, não é imaginário. Pensamos que percebemos, mas não percebemos, é-nos dado a perceber em determinados momentos como a água que nos dessedenta, essa sede de perceber, até o orgulho fazer-nos esquecer quem somos. Eu sei, eu estou errado, só tento soltar o homem que há em mim, discorrendo.

domingo, 10 de agosto de 2008

Solitaire - I`m Thinking Of You (Baby)




Solitaire -  I`m Thinking Of You (Baby)          (lyrics extracted by me)


Hey baby! Hey baby! I am back again

I just have to tell you one more time

You are beautiful and I love the way you make me feel

So let me hear you make some noise, for you, only you

I have been thinking about you and the way you make me feel

so warm, tender and loved inside

You are simply divine!

So, hear something i want to say to you




chorus:

I am thinking of you and the things you do to me

that makes me love you, now I am living in extasy

hey it' s you! and the things you do to me

that makes me love you, now I am living in extasy





I am thinking of you and the things you do to me

that makes me love you, now I am living in extasy 


If I love, there's a reason to live

if I do, oh all to the love i give,

all my loving to you I begin for you

and the promises is all do for guess I am living


chorus


I am thinking of you

i am thinking, i am thinking, I am thinking... you!

I'm in love again and feel so so good

Hey, it's you! it's you! it's you! it's you! ...


chorus




I am thinking of you, of you, of you....



Hey baby! Hey baby!

I just have to tell you one more time

you are beautiful!


I am thinking of you and the things you do to me

You are simply divine!


chorus

oh it's youuuuu, oh yeah

and that makes me love you, oh oh yeah

love will tell you by the dove above

yeah, yeah my love


chorus


I am thinking of you! Of you, of you, of you....






domingo, 3 de agosto de 2008

Vida e contentamento

Para mim, a vida é: uma energia que vacila mas não cede, como uma vela bruxuleante, que dura até ao fim do pavio, depois de consumida a cera que lhe dá a força da existência; tudo o que podemos alcançar, física e psiquicamente, o que podemos tocar, ou quando não, imaginar que tocamos; onde estamos ou onde podemos ir; aquilo que conhecemos ou podemos conhecer, estando lá ou sem nunca ter lá ido; é um sonho sem fim; uma aventura, onde ser quem somos - os aventureiros - é-nos definida por cada passo que damos, o caminho dessa aventura, como se houvesse um destino, trilhemos o caminho que trilhar - mos. Talvez no homem, que tem sentimentos conscientes (e tem consciência da própria vida, talvez como nenhum outro ser), as emoções sejam o condimento dessa vida. Assim, o contentamento e a tristeza fazem parte de todos nós, tanto que acho que só conhece a alegria e o contentamento quem já conheceu a tristeza. Perscruta o teu interior e procura o teu contentamento.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Sobre Deus e religião- comentário e reflexão, feito a um amigo

 


Olá Pedro. Antes de mais, não sou padre, sou uma simples e às vezes reles pessoa, que me limito a pensar, porque o pensamento não pode parar. Há no teu texto uma promiscuidade de ideias, que por vezes tendem a ser antitéticas, isto é, entre o não querer aceitar o conceito de Deus e ao mesmo tempo não o poder negar. Mas acho que isso se passa com muita gente que é confrontada com essa problemática. E acho que compreendo essa atitude, porque há uns anos atrás eu a tive também. Eu fui e senti-me confrontado - dadas as minhas raízes cristãs católicas, provavelmente como as tuas, onde se impõe uma ‘cartilha’ em que temos que acreditar cegamente, com conceitos estereotipado de Deus, como se Deus fosse como eles o querem ‘pintar’- a partir de certo ponto da minha vida, em que não cabia em mim essa concepção de Deus. E a verdade é que já pensei bastante sobre isso mas nunca encontrei respostas definitivas. Consegui, sim, aproximar o conceito que alguém me deu a entender de ‘Deus’ ao meu ideal do mundo e do Universo, segundo o que sei e a forma como sinto, mas nunca consegui negar que Deus não existe (tal negação seria a negação de quem sou). Aceito que provar a existência de Deus é algo impossível se o considerar - mos como sendo algo concreto, como a religião cristã (ou outras) o tenta (m) fazer (pelo menos passam essa ideia). Assim, não haverá algo concreto a que possamos chamar Deus, algo a que possamos atribuir uma representação, tal como o fazes quando chamas 'pedra' a uma pedra, tu mesmo o dizes por outras palavras.  Deus, definitivamente para mim, não é um ser humano superior, nem tão pouco um ser humano ou animal ou qualquer coisa em particular. Eu considero-o como sendo uma entidade metafísica que se manifesta em tudo o que existe, seres vivos e não vivos, a natureza, o mundo e o Universo no geral. Eu e tu somos uma ínfima manifestação dessa entidade, no plano corporal(como sistema humano que somos no geral, como tendo células, esses sistemas básicos do nosso organismo, que por sua vez têm constituintes ainda mais básicos e Universais como sejam os constituintes bioquímicos e, em última análise, o átomo e os seus constituintes), assim como no plano metafísico (o nosso pensamento e o mundo das ideias). Como entidade metafísica que é, a esse ‘Algo’, podemos chamar entidade superior. [Nós somos, além de seres físicos, entidades metafísicas, temos um pensamento, ideias, uma alma]. Deus não é ‘uma criação humana’, como dizes, mas a palavra ‘Deus’ é-o, e refere-se a um conceito que tendemos a construir com o passar da vida. E, sendo assim, a palavra ‘Deus’ é um Nome, que tenta transmitir um conceito em constante enriquecimento, a que os homens, desde sempre, atribuíram a ‘Algo’ que sentiam e não compreendiam - a eterna questão do sentido da vida, o porquê de estarmos aqui e qual a finalidade de tudo - e que ainda, apesar de se ter cada vez mais conhecimento, ainda não compreendem. É obvio que o nível de entendimento das pessoas em relação ao conceito de ‘Deus’ varia muito, segundo a cultura, inteligência, sabedoria e a liberdade que se tem. Por isso algumas pessoas não passam de ‘beatas’ e ‘ovelhas do rebanho’, porque a sua compreensão não dá para mais (e ainda bem para ti que tens a hipótese de ultrapassar todas essas pessoas em compreensão de Deus e do mundo, e tens a liberdade para não acreditares em Deus, se quiseres, e se a tiveres…). E mesmo que não queiras pertencer a nenhuma religião (que, possivelmente, te está a ser e foi imposta, como a mim) até podes acreditar em Deus, podes concebê-lo segundo o que és em relação como que te envolve. Mas uma coisa é certa, mesmo que não acredites em Deus, vais tentar atribuir na tua vida, àquilo que se passa contigo, que sentes e não compreendes, a ‘Algo’, seja isso o que quer que seja, não podes ignorar o que sentes. E esse ‘Algo’ será a resposta das respostas que encontrarás: a tua visão do mundo, o que sabes, o que vais saber, o porquê das tuas alegrias e tristezas, coragens e medos. Tu não irás ficar indiferente às tuas questões. Olha, eu não fiquei, em relação às minhas. Ainda bem que posso atribuir um Nome às minhas inquietações, questões, dúvidas, sofrimentos, alegrias, e àquilo que me liga à humanidade e ao Universo no geral.

                Um abraço.

domingo, 13 de julho de 2008

Sintonia

 


Há uma sintonia que não alcanço, e temo não poder alcançar. Há uma sintonia, uma sincronia, e há o contrário a dessicronia, a dessintonia, que ao extremo tende para o colapso. Parece tão fácil a sintonia, assim como o contrário pode ser o menos provável e o mais difícil de se sair depois de interiorizado, depois de se ter entrado nesse ritmo avassalador que é o dessincronismo. Tão fácil a sintonia, essa dança perfeita dos corpos em movimento, esse trocar de olhares perfeito, esse conjunto de melodias afinadas cantadas no momento certo com o som belo dos aparelhos, esse bater dos corações em uníssono, ganhando uma força que parece ninguém parar, essa equipa entrosada, que ninguém jamais ousará ganhar, essa orquestra afinada que produz uma música tão bela e tão complexa, esse organismo que está em equilíbrio e é funcional e que procura esse equilíbrio até não mais poder. Tão fácil essa sintonia, esse entendimento completo de um ser com outro, mas mais fascinante, entenderem-se os seres em conjunto, não só através de palavras mas de tantas outras coisas visíveis e invisíveis: os gestos, as expressões, o movimento dos seus corpos, a sua maneira de agir, o olhar – a naturalidade da gestão dos olhares – a sintonia do psíquico, a sintonia do Universo, o homem todo uno, conectado por uma ligação invisível. E a alegria é quem se difunde e propaga, esse eterno optimismo de que tudo será melhor. A tristeza, essa, que toma posse dos seres, nas suas expressões quando outro ou outros assim o demonstram é desvalorizada. Todos querem participar nas alegrias, mas as tristezas são pisadas como se o fim último da existência dos seres fosse o prazer. E todos fogem das a sete pés, como que se morrer afirmando por palavras ou um conjunto de situações ou maneira de agir que se está triste, que essa tristeza não quer largar o nosso ser, fosse uma atitude anti-sobrevivência, e logo os instintos lhes dizem aos outros, os alegres, que devem desviar-se desse buraco negro do Universo que os pode consumir. Então fugi de mim que estou triste: a luta pela sobrevivência, a lei do mais forte, o destino que se reescreve a cada momento que passa, a história só reza dos vencedores, dos vencidos rezará a História, silêncio! Que se vai cantar o fado, o fado é o destino, mas a mim ninguém me cala, mais calado do que o que estou não posso ficar, da galhofa não me hei-de livrar, mas gritai por quem não tem voz.

                Há uma emotividade que não consigo compartilhar, e temo não conseguir fazê-lo, jamais. Mas a esperança é a última a morrer, e tento contornar esta solidão que me açambarca.

                Sim, sou eu que estou off, desligado do mundo. (pergunto se tereis coragem de me fornecer um cabo para me ligar?) Sim, sou eu quem vai sair derrotado, como se a minha vida fosse uma luta, que me parece ser mais de mim contra mim próprio do que propriamente contra alguém, esse alguém que se dilui no espaço e no tempo, os meus inimigos, imaginários ou não, ou apenas aqueles que simplesmente, não podem ou não querem compreender ou ceder. Eu vejo como vejo e isso faz quem sou, apesar desta busca incessante por uma identidade que seja uma máscara para poder viver mais uns tempos. Sim, sou eu que pareço certo e estou mais errado do que qualquer homem que está à face desta terra. Vou cair por terra, sei-o, vou desfalecer e não poder lutar. Sou homem, e a energia falta. A fogueira da incompreensão quer consumir-me. (serás capaz de me dar a mão?). Vão atribuir-me motivos para o que se passa, mas decerto todos vão errar. E vou viver. Quer viva anos ou meses, ou dias ou horas, ou minutos ou apenas segundos e segundos que parecem não ter fim. O fim está traçado, tudo é em vão quando não há elo de ligação, sintonia. Só me restará o sofrimento? A lamechice de mim para mim próprio? Chamem-lhe pessimismo, trauma ou o que quiserem, depois de morrer, já não me interessará, mas agora o que se diz afecta-me tão rapidamente como se eu fosse um boneco nas mãos de uma criança, incerto como uma pena ao sabor do vento. Digam o que disserem nada me vai mudar, pelo menos para já, porque, mais uma vez, a esperança é a última a morrer… dizem.

                Impeçam o impossível. Impeçam a dor e a morte se forem capazes. Impeçam-me se forem capazes desta tristeza, ainda por cima gozada, e carregada com adjectivos de destruição, aqueles que atiram pedras a quem já está moribundo, ou então regozijai-vos por teres feito quase nada, em nome de vós.

 

 

  << O poeta é um fingidor. E finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente. >>         Fernando Pessoa

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Lohen & Lomax - Live On

 

 

Lohen & Lomax - Live On            (lyrics extracted by me)
 
 
Live on
here is your life
uh ah ah we live on
 
tell me sometimes to believe
that the world is just a ride
all the hate that promise costs
is the full of shame
 
chorus :
uh ah go on live on
uh ah move on live on
uh ah ah you and i
uh ah ah  we live on
live on!
 
try to find the treasures in your life
which helps others to survive
just lift up your head
all the bad can't be unsaid
 
chorus
 
live on and d'ont give up
d'ont give up, live on!
live on!
live on and d'ont give up
live on, live on! 
just live on!
 
here is your life
i delighted on you
is wonderful to see you smile
in your finest life
 
you are the one without fear
just look, you will find someone near
show him the way of life
is not enough just for a wild
 
uh ah go on live on
uh ah move on live on
 
uh ah ah you and i
just you and i
uh ah ah  live on!
we live on
yes we live on
uh ah ah live on! 
you and i
just you and i
uh ah ah  live on!
we live on
yes we live on
uh ah ah we live on