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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

É, simplesmente, da maneira que é.


                ‘’That’s the way it is’’. Assim continua a vida. Aqui estou eu, vivendo, não manifestamente. Pensando, sonhando, mas, antes de tudo, observando, tentado fazê-lo atentamente. Voltando ao mesmo ponto, porque há algo que nos define e faz ser quem nós somos, como se houvesse uma predestinação, um objetivo, do qual, façamos o que fizermos, trilhemos os trilhos que trilharmos, tudo nos leva a ele. A observância correta nos eleva os patamares do sonho e do pensamento. E, ainda, por mais que saiba e que a experiência me preencha, não encontro as ideia concretas que sempre busquei, como se essas ideias não existissem, não se pudessem concretizar. Todo um Mundo se me revela, gradualmente, no entanto é como se me não fosse permitido falar concretamente acerca dessa maneira que o vejo, talvez não seja o momento certo, ainda, talvez as palavras que se hão - de dizer tem que ter um contexto oportuno, talvez seja de mim e nunca o farei. Talvez não se possa dizer tudo o que se pensa, como se isso me fizesse perder o meu, pelo menos aparente, próprio controlo. É com surpresa que dou comigo, facilmente, a ser abordado pela vida com uma comunicação ainda não interpretada por mim, mesmo que já tenham acontecido mais vezes essas situações, à qual associo logo o medo e o desentendimento, que se apodera de mim, quando me parecia que tinha tudo entendido e sobre o controlo. Perco-me nas músicas, alguém já o saberá. Perco-me na procura dos momentos especiais, quando depois, muitas vezes, o que acontece é que parece que tudo me há-de cair em cima; grandes dores de cabeça e problemas não letais me cercam. Queria-me perder neste mundo de Ideias e Ideais, sentir a chama pulsante na maioria da minha vida sem que isso me pudesse afetar de um modo que me causa atrito e que me sinta atrapado por esta vida Real. Mas o que é o Real? O certo é que ele se mostra quando nos sentimos fracos, e, nesses momentos, até parece que todo o sentimento de Grandiosidade alguma vez sentido não tem significado e nunca mais o terá; Então, mais uma vez, entristeço, restando-me, senão, contritamente, entregar-me ao Destino, pensando coisas como: não sou igual a ninguém, e, certamente, serei igual a tanta gente. Perco o controlo no calor da noite, mas virá novo dia para me iluminar e me levar a alma por mais algum tempo, e isso me consolará. Respeito é o que sinto acima de tudo, medo, no sentido de respeito, sim, isso. Como pode um homem ser perfeito? (sempre o questionei). Ainda assim evoluímos desde que éramos como os macacos, que, diga-se clara e sucintamente, são seres tão belos quanto qualquer um outro por maior ou mais ínfimo que seja, não tenho dúvida no íntimo do meu Ser. Os que nos antecederam nos tornaram no que somos hoje, e nós faremos com que os que vierem sejam quem serão, diretamente ou não.
               Disfarça.


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quinta-feira, 19 de março de 2015

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Pretender

            Eu sou ‘eu’, ou possivelmente eu não sou ‘eu’. Eu sou outro, mas só às vezes. Por vezes sou aquele, ‘o cantor’. Por vezes não sou, sou outro: ‘o tímido’; mas só às vezes. Às vezes sou quem não sou. Outras vezes não sou quem sou. Ser quem sou é ser outro. ‘O’ outro ser que me quer possuir. Possuir é existir e existir é ser quem sou. Sou o que sou, para ti, não sou para aquele, serei para o outro, mas não sou para mim. Gostava de ‘ser’. ‘Ser’ o que será? Ter ser? ‘Ser’, ideologicamente, é ser, para mim, assim, mas não para outro ser. ‘Ser’ é estar. Estar não é parar, é lugar. Se em lugar de ser eu, eu for, eu sempre sou. Cantor já não sou. Sou quem tu quiseres. Não gosto de ser, gosto de estar, estar com o meu ser. Estar não significa que se seja ou vice-versa. Que seja eu então…ou o que tiver de ser.


 


 


 


OBS: Este artigo foi originalmente escrito nos anos 90.