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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Pretender

            Eu sou ‘eu’, ou possivelmente eu não sou ‘eu’. Eu sou outro, mas só às vezes. Por vezes sou aquele, ‘o cantor’. Por vezes não sou, sou outro: ‘o tímido’; mas só às vezes. Às vezes sou quem não sou. Outras vezes não sou quem sou. Ser quem sou é ser outro. ‘O’ outro ser que me quer possuir. Possuir é existir e existir é ser quem sou. Sou o que sou, para ti, não sou para aquele, serei para o outro, mas não sou para mim. Gostava de ‘ser’. ‘Ser’ o que será? Ter ser? ‘Ser’, ideologicamente, é ser, para mim, assim, mas não para outro ser. ‘Ser’ é estar. Estar não é parar, é lugar. Se em lugar de ser eu, eu for, eu sempre sou. Cantor já não sou. Sou quem tu quiseres. Não gosto de ser, gosto de estar, estar com o meu ser. Estar não significa que se seja ou vice-versa. Que seja eu então…ou o que tiver de ser.


 


 


 


OBS: Este artigo foi originalmente escrito nos anos 90.