Aprendi que tudo se conquista com esforço. Aprendi isso
na pele, e, no entanto, conquistei tão pouco, segundo a minha ambição como
bitola. Decerto só fiz o humanamente possível. Impingiram-me, nos ideais, que a
vida é dura, e, decerto, não sei vê-la de outra maneira senão por esse prisma,
mesmo que ela não o seja (mas sei que isso é relativo a uns e a outros). Não
sei o que é ganho fácil. E por mais que tente, o tempo passa, mas, é como que a
vida não vai para a frente. Quem somos nós para movermos o que quer que seja
sem um Fulcro? Que podemos fazer nós de grandioso sem a invenção técnica de um
mecanismo que nos permita sobrepujar as nossas forças. Em que a Grandiosidade
se apoia? A nossa mente? Em que maquinas inventadas nós montaremos para aplanar
a montanha? Até quando haverá combustível para alimentar essa mesma máquina?
Porque saímos da harmonia rumo a um futuro incerto? Harmonia? Desde quando ela
existiu (olhando aos pormenores)? Não, a harmonia não olha a pormenores, mas
para um bem geral, o equilíbrio, exaltando uns e atropelando outros. Somos
todos e tudo o que existe sempre manipulados por algo que sempre nos
ultrapassará. Saímos do abrigo das cavernas, conquistámos a Terra, humanizámos
o mundo e continuamos a descobrir maravilhas. Queremos mais, queremos tudo numa
vida. Não queremos ser responsabilizados por nada, como que se a Terra nos
tivesse que dar aquilo a que temos direito, Liberdade na ação. Liberdade na
ignorância - digo eu. Porque nos foi Permitido chegar até aqui? Grandes
vontades de certos seres humanos se impõem. Grandes interpretações nos levam
mais além, e, no entanto, a Verdade não é alcançada, Ela não se mostra como os
homens querem. Ciência para alcançar a Liberdade? Mas o que é isso? Os homens
preferem a ignorância, o jogo do oculto, a impotência mascarada de potência,
show off. Assim vai o mundo. Vede. Senti. No fundo sabemos quem somos. Sabemos
que necessitamos de onde viemos, das Origens, de nos compreender
conscientemente. E, contudo, poucos serão aqueles que poderão estar na mesma
situação, idêntica diga-se, duas 2 vezes, parece-me, porque é tão precioso (!) o
contexto único das coisas… Mas a que
preço nos poderemos conhecer melhor? Vivemos do esforço de outros, os nossos
antepassados. Tão críticos connosco, tão exigentes, movendo-se aleatoriamente segundo
o que parecia, ao olhar ‘’ao longe’’, mas com firmes ideias, convicções e
direitos de viver (tanto uns como outros, tanto humanos como animais), quando
percebido o contexto em que agiam; tantos erros cometidos, além do mais, e, mesmo
assim, devemos-lhe tanto… -Só o homem tem ilusão. Não sei se agradeça essa ilusão
que nos faz mover, ou se será ela que nos irá destruir, ou, talvez, vangloriar
ao nível da Magnificência, um vislumbre fugaz de Momentos psíquicos. A Psique a
atingir sempre que nos seja permitido, essa Grande Ilusão.
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