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domingo, 23 de outubro de 2011

Um complô dificil de entender

      Não vejo a face que está do outro lado. Procuro-a, mas não a encontro. Há um vazio entre esta diferença abismal do que sinto e sou capaz de compreender e do que sou capaz de fazer. Acredito que compreendo (isto tudo que sinto é compreensão, só pode ser), mas não posso ou consigo dizê-lo, sou incapaz. E porquê? Talvez eu esteja preso perante a imensidade, talvez porque o mundo que me envolve me tende a sentir perdido; Talvez seja eu que sou tão pequeno para fazer e tão grande para ver, ínfimo no ser físico e na capacidade de executar e vasto no sentimento interior e faculdade de sentir e analisar; Talvez porque eu esteja virado mais para o interior do que para o exterior; talvez porque eu absorvo mais do que o meu organismo desde sempre ou algum dia poderá construir ou exprimir. Exprimir-me é como uma doença, não me deixaram [o mundo que me rodeia: os meus pais, a minha cultura e cultura dos que me rodeiam] desenvolver a capacidade de expressão, além de que, conseguir ver toda a minha trajectória de vida na minha mente e nos meus sentimentos [como sou capaz de ver e sentir], até aos dias em que estou, saber o que me afecta e não ter a capacidade suficiente de ultrapassar todos os obstáculos, é a causa de uma doença, conformada nos limites da esperança de que dias melhores ainda virão, e que haverá sempre dias menos maus e mesmo bons, de sentimentos positivos, de sentimento de liberdade enquanto tal não se der. Lutar contra todo este atrito de expressão é como lutar contra a pequenez a que a minha vida me quer votar, a indiferença do mundo perante mim. Não consigo medir o meu alcance, o alcance das minhas acções, de todo o meu ser em contacto com o mundo [mundo esse que é o que sei e conheço], pelo menos de uma maneira concreta e objectiva, conseguindo no entanto ver a subjectividade das minhas acções.


 


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O 'tudo' e o 'nada'

            A noite profunda cerca cada vez mais todo o ambiente que me rodeia: desde o lado escuro da lua (que sei que está lá fora), passando pela face oculta da terra em relação ao sol, parte essa em que me encontro, até à minha terra, ao meu lugar e à casa onde me encontro; e, eu penetro adentro nela, ainda acordado. Esta noite é de acalmia, quando em segura liberdade me encontro, num ambiente climático ameno que me enche de bem-estar - assim o é sempre que desta maneira nos encontramos; e até pode ser um momento passageiro, mas eu captei-o num instantâneo dentro de mim, como uma foto ‘congelada’ e única de um sentimento passageiro e irrepetível mas que é possível alcançar sempre que o conseguir evocar. Penso para mim (e agora para vós): eu sou este, que me digo nestes momentos, eu digo-me desta forma que escrevo. Tudo o que eu sinto flui enormemente em mim sem erupção, a agitação interior é enorme, contudo, isso pode significar muita coisa como pode não significar nada: talvez eu seja uma bomba atómica, uma coisa insignificante de se ver, mas com um poder dentro que ninguém acredita enquanto não se ver o efeito. Mas também posso ser um objecto que imita a bomba atómica, a ilusão do poder quando a insignificância do que se é se demonstra pela inutilidade do objecto. Assim sou eu e a minha definição do que sou: algo que pode ser tudo ou pode ser simplesmente nada. Tenho como certo que o que sinto e vejo é válido para mim. Mas, pergunto-me, infindavelmente, o porquê desta contrariedade (?), penso: como posso ser tão vasto e ao mesmo tempo tão insignificante? – qualquer um pode pensar nisto e pode sentir isto. Pergunto-me, mais abrangentemente, o porquê de o ‘bem’ ser acometido pelo ‘mal’ (?), porque uma pessoa boa diverge para o mal? Quase que diria que não podemos confiar em nós próprios, eu tenho esse sentimento. Por exemplo, vejo casos de pessoas que cometem actos (de errados momentos) que não encontram resposta ao porquê de os ter cometido. O que eu quero dizer é que me parece que o paradoxo faz parte da essência do universo (o ‘tudo’ e o ‘nada’ a coexistir é um paradoxo filosófico que a mente humana terá que ultrapassar se não for possível separar tais conceitos) quer se queira quer não se queira, e também julgo que ‘nem tudo o que parece ser o é como parece’. Assim, muitas vezes, os que aparentam ser estúpidos são espertos, e os espertos são burros. Mas ninguém é Deus, a grandiosidade do que sentimos não pode sobrepujar Tal Grandeza. E eu, tentando ter consciência disso, agradeço a infinidade do que sinto, mesmo que tal não me seja pedido ou sentido claramente, sempre com o devido respeito em relação àquilo que me ultrapassa, àquilo que não compreendo. E, mais, vejo e sinto o mundo como poucos sentem, talvez, e por isso sou desprezado e subjugado por muitos, mas tenho a firme esperança de que tudo isto ainda vai mudar muito enquanto eu viver.


            Meus sentidos estão sensíveis, sempre alerta. Meu pensamento surpreende-me, e surpreende-me a sua capacidade também. Sei, porque tenho uma certa consciência, que repito muitas coisas que já disse, mas com certeza que enquanto não mudar de paradigma, se isso me for possível, e eu tenho fé que é possível, eu repetirei muitas palavras e ideias, e, o que senti, faz parte de mim, e, quem sabe, muito mais além de mim – porque na repetição está, com a consciência humana e nos actos gerais da vida, a eliminação do erro e a evolução dos actos assim como dos seres e da sabedoria entre outras coisas. Trago comigo toda a minha vida, que mais ninguém sabe, trago o passado comigo, todas as sensações sentidas, momentos marcantes que a qualquer hora me dizem quem sou e o que fui e me fazem pensar sobre o meu destino, o destino do mundo, e me fazem essencialmente questionar e associar cada vez mais e mais as ideias e os sentimentos para uma visão cada vez mais abrangente do mundo e do Universo externo e interior. Podia passar constantemente a lamentar-me da minha vida se simplesmente desse atenção a tudo o que de negativo nela se passa (ou o que eu penso ser negativo), lamento-o muitas vezes, e este blog talvez transmita esse facto – até porque ele foi mesmo, originalmente, concebido para isso, e ele é decerto uma tentativa de fuga a essa negatividade, uma tentativa de expressividade que tanto me falta e de que tantas vezes falo -, mas não, não faço isso na vida geral, não me lamento constantemente, mesmo tendo a forte sensação de que sou uma vítima ‘do destino’ - tenho fortes ideias comprovativas, mais que pensadas e associadas, para dizer isso -, e assim, trago comigo a sensação de que sou um privilegiado por ter vivido estes anos todos, já o disse de outras vezes, porque quando penso na quantidade de caminhos errados, isto é, muito maus, que podia ter seguido e não segui, mesmo não sabendo porquê de tudo isto acontecer, eu tenho sorte em ter conseguido seguir este, precisamente o que trilho agora, que não é mau. Mas ainda temo o futuro, eu temo o incerto e luto para que não caia em trevas outra vez, eu luto com todas as minhas forças e ideias, se é que não há um destino que dite o contrário. Sabendo as maravilhas e as tristezas que o mundo tem, não consigo vislumbrar uma resposta, uma luz que me diga o porquê de tudo o que somos se esvair no nirvana do espaço do Universo, traduzindo para latim comum, será que tudo isto que somos e toda esta filosofia que temos, falo por mim, se vai toda em merda? Qual o sentido da minha vida então? O sentido é que não há sentido? O sentido assim como tudo o resto no homem é uma invenção do homem e nada mais do que isso? Já sei que enquanto há vida há conexões entre o que fomos no passado e que nos tornamos nos futuro, conexões invisíveis que temos e também conexões que nos ligam aos outros seres deste mundo e ao que nele acontece no geral. Mas depois da morte, um vivo, como eu, não enxerga nada (!), a continuidade da ‘nossa vontade é incerta’, não me consigo projectar além desse momento.


            Deste modo, e como conclusão, vejo um ‘tudo’ que significa: a vida que tenho; a vida que existe à minha volta, a vida que se sente; o senso comum, o conhecimento consciente obtido pelos homens durante gerações e gerações; os sentimentos e as emoções de todos os seres; o sentimento de cada um, ‘o sentimento de si’ ; etc. etc.; e vejo um ‘nada’, ou melhor, não vejo, um vazio de sentido que significa: a não-existência; a incompreensão da não continuidade de tudo; da escuridão de respostas que não existem para além da existência; a falta de projecção de nós e do Universo para além da consciência que algum dia existiu. E a verdade que me parece existir é que o paradoxo do ‘tudo’ e do ‘nada’ coexistem. Espero revelações futuras.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O [meu] Conhecimento

     O Conhecimento fascina-me. Não sou o mais conhecedor, mas, mesmo que fosse, mover-me-ia o desejo de conhecer mais, ainda assim, mesmo que isso signifique um trilho de morte certa, de incerteza e de incerto sucesso. Com isto, acredito, efectivamente, no conhecimento e tenho fé de que a Sabedoria existe, embora, para mim, esse conceito [Sabedoria] ainda não tenha sido tragado na totalidade, ou seja, ainda estou a habituar-me de que Ele existe, como se tivesse vislumbrado um fantasma D’ ele, para já, mas que demonstra a resposta para aquilo que sempre senti e lutei tendo em vista se era possível alcançá-lo. Vivemos na era do conhecimento, diz-se. E eu também o afirmo, mas talvez só o seja, aparentemente, para uma minoria, aquela que retira dividendos desta era. Assim como eu acesso o conhecimento, tantas e tantas outras pessoas acedem a ele, pessoas com mais capacidades intelectuais e monetárias, com certeza, que lhes torna possível entrar numa espiral de conhecimento muito maior que a minha, e que retiram dele os mais diferentes proveitos. Pessoalmente, nunca tirei grandes proveitos monetários desse conhecimento que vem até mim e que eu trabalho em mim, nunca consegui seguir um caminho de aplicação económica do conhecimento - talvez porque as questões da minha existência se sobrepuseram a todo o âmbito monetário que poderia aspirar na minha vida, porque a parte sentimental e emotiva intrapessoal me mereceram muito mais atenção; talvez, também, porque em mim há humanidade, no sentido de empatia com os seres que me envolvem que elevam a minha moral e põe como objectivo particular o atingimento de uma filosofia transpessoal, pela qual não posso quebrar as regras que me permitem atingir tal conhecimento, portanto, o embuste económico seria para mim uma prisão. Porque sou eu um ser abençoado de informação (?) quando tudo indicava e indica que a minha vida seria um fracasso, porque eu não me inseria no mundo que me envolve e seria um ser rejeitado, como o fui, para sempre, sem futuro à minha frente – questiono-me. Sim, apesar da minha humanidade, eu tenho muito contra os homens, eu chego a sentir o ódio mais profundo pela mesquinhez humana, pelo pseudoconhecimento que normalmente é aplicado na maneira mais rude, egoísta e destrutiva da atitude humana. Eu tenho abjecção por seres que me envolvem, porque eles não me respeitam como eu o respeito. Mas sei que isto não é regra geral, digamos que tive azar em nascer aqui e não ser daqui mentalmente, pois, acredito que a regra é haver ‘pessoas normais’, com atitudes adequadas na vida, seja de onde se for, tenha-se o conhecimento que se tiver. Apesar do meu conhecimento, tenho a minha dose de sofrimento, talvez devido também a esta sofreguidão de respostas das questões da minha vida, porque o meu tempo urge. Sinto que nasci e vivi como um néscio e pergunto-me se ainda não o serei, porque é assim que me vêem, com certeza. Consequentemente, também eu retiro o proveito da parte do conhecimento que me cabe, e isso, a essência ou o suco que eu retiro desse conhecimento, é único. A minha interpretação de tudo o que eu tanjo com todo o meu ser é fonte da minha vida e é única, acredito nisso firmemente. A questão seguinte está em saber se é proveitosa essa parte da informação que eu retiro e processo, de todo esse conhecimento que eu analiso criticamente, e se é útil passá-la a outros, transmiti-la, ou ainda, se é bom para mim fazer isso, de modo a que não seja, apenas, uma perda de tempo, ou uma inutilidade a que me prendo e que não consiga desfrutar da vida no modo mais básico, ao menos, devido a isso. Sou impelido, como qualquer humano, a manifestar-me, sou um ser criativo por natureza, pois, a natureza humana é criativa de algum modo. Consequentemente, se interiorizo e construo conhecimento em mim terei que extravasar o que eu sei, o que eu sou, de um modo ou de outro, de tal maneira que eu sinto [em mim] que a minha (nossa, de cada um) presença neste mundo deixa uma marca, visível ou invisível, menor ou maior, através da humanidade.

Fingir

    Não sei fingir. Toda a minha vida tenho enganado com a verdade, tem sido do tipo de ‘com a verdade te engano’. Bem, talvez não seja bem assim, mas a verdade é que sou muito mau fingidor. Depois de tantos anos nesta vida, ainda não percebi os meandros do entendimento humano que me envolve, pelo menos do entendimento visível, onde todo um esquema de atrocidade cultural tenta invadir os seres mais fechados, como eu (que absorve sem conseguir dar vazão ao que se forma, como que oprimido na expressão dos sentimentos: as emoções). Depois de todo este tempo ainda sou uma pessoa vulnerável neste mundo humano de conhecimento onde o fingimento corrói quem é ingénuo, onde grandes actores se divertem a fingir relações humanas que não têm nada a ver com alguns, muitos talvez (imagino), como eu. Ah, mas eu tenho algo do meu lado, talvez o definiria como um conhecimento sentimental profundo, conheço as leis que regem os sentimentos, e talvez sejam elas que têm jogado a meu favor para equilibrar a balança, entre a ingenuidade social e o desterro deste mundo (que este mundo me queria votar), afinal, aquilo a que se chama ‘sorte’ também joga a meu favor - yes! -. Nem que tudo isto que eu diga não seja verdade para muitos, mas, para mim, tem de ser. Vejo através deste mundo de economia que floresce cada vez mais e atropela as antigas leis da vida, onde os números são adorados, em especial por alguns, que querem o poder através deles, que não olham a meios para atingir seus fins. Deve haver uma ‘verdade’ a ser seguida pra sobreviver no meio disto e perpetuar-se nos tempos sem fim, tem de haver (!) - não consigo ver de outro modo a não ser desta maneira-, não posso negar que algo existe, de complexo, a gerir todas estas vida, em particular a minha, nesta minha vida no meio deste mundo, e que eu sinto à minha maneira, que a minha compreensão vai atingindo cada vez mais. Eu ganhei e, assim, tenho ‘vontade’ neste mundo, mas até que ponto sou livre de exercer esse meu ensejo?

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Destino

      Tenho que prosseguir. Não sei bem como o fazer, mas tenho que aguentar todo o peso daquilo a que chamaria o meu destino, definindo, com esse termo, tudo aquilo que todo um ser, físico e mental leva a que aconteça e interaja como o mundo de determinada maneira, a maneira de cada individuo que é abrangido pelas coisas que se dão na vida dele – esse destino não existe, ele vai-se construindo e tentando solidificar esse ser se ele ceder à força com que a natureza o tenta conduzir, segundo a maneira como é física e psiquicamente -. Todo o meu ser, corpo e mente me trouxe até este momento. Sei que sou um ser estranho [ninguém mo pode negar], e toda a gente me olha dessa maneira, [além de tudo o mais de estranho que se passa comigo no meu dia a dia, sobretudo social] quando eu deixo de poder fingir que sou uma pessoa normal, porque, sei-o, sou uma pessoa que tem ‘handicaps’ [desvantagens, obstáculos] que são intrínsecos a mim, acrescidos de outras causas externas que reforçaram esses ‘handicaps’ internos. Sei bem quem sou, qual os meus limites, e sei o quanto a minha inteligência, além do cuidado pessoal que tenho tido, tem trabalhado e evoluído para sobreviver, neste meu mundo, de confusão [loucura imposta, frustração, cansaço, infortúnio, vida madrasta – dentro dos seus limites -], além da sorte que tenho tido, como é óbvio, de não estar pior, com o mérito de procurar essa sorte e tolerar os azares (e minorá-los), quando acontecem, ou muitas vezes suportar - enquanto puder suportá-los, (como tenho suportado) - o que não consigo resolver e reagir da melhor maneira (a injustiça que me atinge indelevelmente). Por vezes sinto-me rolando no fundo, sozinho, e vejo o caminho que tenho pela frente para percorrer como escabroso e, precisamente, solitário. Assim, consigo ver com uma visão divinal, o mundo que gira à minha volta, e como ele gira. Sei que o modo como sinto e como penso influência o mundo e sei como ele me influência, a mim. Mas, o pior disto tudo é não poder suportar a maneira como influencio e sou influenciado, porque estou dessincronizado com os seres humanos, e mais porque ver como vejo é um peso enorme para mim. Vivo, por isso, e isso ao mesmo tempo faz-me viver, nos extremos, na bebedeira do constante sono da minha vida, uma consciência infinita presa num corpo cada vez mais perene. E isto é um viver em cansaço constante, por mais que não queira dizer e acreditar nisso. Mas eu ainda tenho fé que posso mudar… para melhor.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Cheryl Cole - 3 Words (feat. Will.I.Am) lyrics











[Cheryl:]
I met a guy at the club
I let him know what I love

[Will I Am:]
I met a girl at the bar
I let her know who you are

I told her you are the love of my life
And one day you gon' be my wife
And we are gonna have some babies together, uh huh

[Cheryl:]
I told him you are the man of my dreams
You saved me from drowning in the streams
I know where, will it gon' last forever?

It was those 3 words that saved my life
It wasn't complicated
Wasn't premeditated
It wasn't under rated
Boy I'm so glad you stayed and
It was those 3 words that saved my life
It wasn't complicated
Wasn't premeditated
To you I'm dedicated
Let's go ahead and say it

I love you, I love you
You are the love of my life, my life
I love you, I love you, I love you
You are the love of my life, my life

[Will I Am:]
You know your holding my heart
Can't nothing tear us apart

[Cheryl:]
You know I'm so in love with you
Can't nothing tear us apart, no

[Will I Am:]
I said I-L-O-V-E-Y-O-U
I'm so into you girl, she said

[Cheryl:]
M-E-T-O-O
It's obvious I'm so into you boy
So why don't we hold on for love
Through the ups and downs
Never let go
Holding on forever never let go

It all started with the 3 words that saved my life
It wasn't complicated, it wasn't complicated
It wasn't complicated, it wasn't complicated

Baby yes, 3 words saved my life

I love you, I love you
You are the love of my life
I love you, I love you, I love you
You are the love of my life, my life










FONTE: internet

Procurando acreditar na existência [de ( 2) palavras]

          Continuo procurando a razão da minha existência. Continuo na procura da resposta dos ‘porquês’ do que se passa na minha vida. Continuo na busca da paz interior e com a fé de que existe uma inteligência superior que é possível alcançar, e que a posso ter em todo o seu esplendor a rodear a minha vida. Continuo na busca de palavras que venham a ter significado na minha vida, que venham a ter a plenitude do seu significado em mim, no meu interior. Palavras essas que definem conceitos que são importantes para mim. Mas quero querer cada vez mais, também, que isso me parece uma utopia. Não conseguirei atingir os meus objectivos devido aos seres que me rodeiam que me negam o alcance dos meus objectivos, devido ao facto de eu não ter ‘social skills’, habilidades sociais, reacção social para viver em sociedade. Nasci e cresci tímido, mas isso não é, em si, a causa do meu insucesso, a causa do meu mal - estar interior, a causa da minha constante insatisfação na minha vida, do vazio da minha existência nesta vida real, a causa está exterior a mim, só pode estar (!), por mais que mo neguem. Em consequência disso tenho visto e sentido o melhor e o pior do homem, das pessoas, neste mundo em que vivo. Perdi a confiança das pessoas, sinto-me traído por quem me deu a vida e é mais próximo de mim. Como posso eu voltar a sentir que posso confiar em certas e determinadas pessoas (pelo menos) (?), como posso ganhar a confiança nas pessoas (se é que algum dia a tive)? Meu pai, esse traidor [e digo isto com uma mágoa enorme], um falso, que acredito ter condicionado a minha vida para sempre; esse homem que me fez duvidar da bondade natural e humana, me fez desconfiar daqueles que poderão (iam) ser meus amigos. Devido a todas as circunstâncias em que nasci, elas me perseguem e me querem destruir, desde sempre, e agora sei-o realmente, consigo ver isso, e mais do que nunca, que isso (as circunstâncias em que nasci me querem destruir) é verdade. Enquanto eu tinha para dar também ia recebendo, agora, que não tenho para dar, que necessitava mais do que nunca, de quem mais foi importante para mim, se já não o é, [dessas (2)palavras] agora que precisava de receber e sentir que realmente eu estava em sintonia, eu não recebo nem sinto. Meu pai magoou a minha maneira de sentir. Estou como que nu e não se dignam de me oferecer umas roupas para me cobrir, e estou envergonhado e sem dignidade. Sempre fui vulnerável na minha inteligência, nos meus sentimentos e sentidos [no geral, em todo o meu ser, mas com a certeza de que poderia ser forte como quem é forte se não estivesse traído em mim próprio] : eles que me maravilham com a demonstração de todo o dom que me foi concedido, são eles também que destroem o meu ser, por tal sensibilidade e vulnerabilidade não caberem (não ser aceite) no mundo em que nasci, o mundo que me envolvia e envolve, por circunstâncias únicas de falta de amor e egoísmo humano [meu pai é a causa prima da minha vida e do meu sofrimento]. E eu pergunto, porque tenho o direito de perguntar e indignar-me (!), haverá justiça neste mundo? Porque sai impune o injusto, o malévolo, o destruidor (?) Porque sai a rir, a gozar, ou ainda sabendo que errou e continuando a errar? O meu deus, onde eu me tentei refugiar, não existe, e a crença ( na existência de uma justiça ou de um deus) é apenas um paliativo nesta vida, como o foi até ao momento nesta minha vida, para que não soframos tanto, sendo essa crença (na existência de justiça ou de deus) a causa dos maiores sofrimentos e atrocidades que os homens causam uns aos outros, aos seres vivos, à terra]. Tenho tristeza por este clã em particular, e, mais profundamente por mim: não queria magoar e tento não magoar, e, no entanto, magoo e estou mais magoado do que ninguém no meio disto tudo. Realmente serei um louco (?). Porque me tomaram por tolo? Vocês tem de saber como me sinto - porque enquanto estou vivo é-me permitido queixar. Tudo de errado acontece na minha vida, em consequência do que sou e do que sinto: os outros são intolerantes comigo e fazem interpretações erradas acerca do que eu sou, tudo o que é negativo vem ter comigo, como se alguém tivesse embruxado a minha vida, como se tivessem deitado um mau feitiço sobre ela. [Pensei que não era supersticioso até a certo ponto da minha idade adulta para agora ter de admitir a mim próprio que sou mais supersticioso do que ninguém, porque vejo, acontecem-me e sinto coisas que são muito estranhas na minha vida e não sei como as hei-de acomodar na minha vida e viver com elas, já que sei que não me posso desfazer delas.] Meu pai desprezou-me (e despreza-me), não mostra sentimentos e emoções, e todas as consequências de tal (ais) atitude (s), provavelmente entre outras, que se dá desde o meu nascimento poderiam ser catastróficas para mim, não fosse eu um ser abençoado pela vida e, afinal, com direito a viver e a ter a minha prosperidade que meu pai desde sempre, assim como muitas outras pessoas, talvez por consequência, não conseguem ver e aceitar em mim, nem tem o altruísmo de a dar, como seja gente próxima que se coíbe de demonstrar o verdadeiro sentido da existência de tais palavras que procuro, de as entranhar em mim [Será que preciso de ficar doente para sentir novamente a amizade das pessoas (?), para sentir o melhor e o pior que elas tem para demonstrar - talvez a indiferença e a critica - (?) ] . É certo que os meus dias já estão em desconto, caminho já pelo incerto; o incerto de poder viver 1 ano ou 1 dia, com a fé de que terei sorte, e se a tiver ainda viverei ainda muitos anos mais e terei tempo suficiente para trilhar este meu caminho e ainda usufrui-lo com satisfação; ou então, ainda há sempre o lado negro da coisa: tudo se tornar pior e todo o mal que vem de trás entrar em pleno na minha vida e destruir-ma completamente. Tudo, na minha vida tomou dimensões desproporcionadas. Vivo constantemente na corda bamba, na queda, a qualquer momento, imprevista a curto prazo mas possível, na imponderabilidade do vazio, na injustiça da minha vida. Para muitos que lerão isto, dirão, tal como meu pai o fez, que sou um louco (com a mania da perseguição, ainda para mais), ou ainda ‘um queixinhas que tenta atrair as atenções para ele’. A verdade é que escrevo para verbalizar o que vai em mim, que não consigo expressar-me de outra maneira nem tenho para quem por causa de todos os motivos já ditos. Escrevo para tentar por em ordem o que sinto. Escrevo com a imparcialidade de quem não está precisamente e concretamente a pedir ajuda, como um desabafo, mas que no fundo a ajuda seria bem-vinda se o meu coração a sentisse como genuína. Bem, muita coisa mais será pensada do que dita, uns compreenderão outros criticarão negativamente [ou positivamente (mas, sinceramente, duvido que sejam criticas positivas], e eu digo: Não tenho estômago para vos aguentar, assim como vós não tereis para toda esta minha verborreia. Estou saturado.


            No romantismo, encontramos o amor, a agitação mais alta dos sentimentos, a alegria da sintonia de duas almas, ou de múltiplas almas, que vivem em exaltação dos sentimentos (que se desejam positivos), onde se encontram as motivações para se viver, o verdadeiro sentido da dualidade ou da multiplicidade do encontro das almas que se unem, mas, que, no romantismo, levavam (noutros tempos, mais propriamente) ao desespero, e/ou à tristeza da necessidade de proximidade do amor ausente e a tenebrosidade que causava na alma essa ausência, de algo que se necessita tanto, hoje colmatada pela facilidade de comunicação que alterou a relação entre as pessoas e a relação de amor que temos. O ‘amor’, esse conceito difícil de definir  concretamente. Apesar de ter o ‘sentido do amor’ magoado na minha alma, consigo conceber o amor tal como ele é vendo-o [interpretando o conceito de amor] de uma perspectiva exterior a ele. Sei que existe o amor nas mais diversas dimensões sociais: na família - pode existir o amor paternal, dos irmãos, só por alguém em particular, ou, generalizado e abrangente nesse clã; na dimensão da amizade; na dimensão sexual; na dimensão do emprego; etc. O amor toma, assim, diferentes formas dependendo dos contextos e quem ama pode não amar só numa dimensão ou contexto, pode amar por uma característica em particular ou por um todo, pode amar um ou mais, por mais que certas culturas o tentem negar. Agora a questão que coloco é: porque todo o meu amor degenera em ódios, desprezo/indiferença, mal entendidos? Sei que me falta o sentimento, ou ainda o que me define melhor os sentimentos, a falta de sintonia. O meu amor está toldado pela mágoa, pela descrença, pela distância sentimental das pessoas, como um astronauta que perdeu a comunicação com a nave, vejo-a mas não a sinto.


            Assim procuro acreditar na existência de 2 palavras (na minha vida): Amor Gratuito.


            As outras, palavras, procurarei depois…

sábado, 28 de maio de 2011

A Irmandade da noite

     No outro dia tive uma sensação de pertença. Senti que me encontrava integrado de alguma maneira numa sociedade, tinha amigos e as pessoas aceitavam-me como eu sou. Imaginei logo que pertencia a uma irmandade. Senti que estava naturalmente em sintonia com o mundo, pois dali, naquela irmandade, via e sentia o conhecimento que me rodeava, além de que os meus amigos vinham ter comigo. Então, imagino, com base na minha realidade, uma ‘Irmandade da noite’, pessoas que vivem mais pela noite ou a qualquer hora do dia, neste mundo confuso em que só alguns têm o direito de viver a vida, a dos seus sonhos, calmamente desfrutando do tempo e do espaço que constitui este mundo; os outros estão condenados a ser carne para canhão, porque não aprenderam ou a vida não lhes permite viver a vida em prazer, a usufruir uma humanidade equilibrada e agradável; porque neste mundo de dinheiro tem que haver o pobre para sustentar, com o seu trabalho, o rico, o pobre é o que produz, porque necessita; porque no mundo há e tem de haver a ambivalência e os opostos, logo, se há rico tem que haver pobre, se há a sorte é porque existe, também, o azar; além disso são 80 por cento a trabalhar para sustentar esses 20 por cento de luxo e bem-estar máximo; e não é que eu quisesse ser como um deles, no fundo, mas também quero ser feliz; preocupo-me pela injustiça, pelo desequilíbrio, pela ambição destruidora de muita gente sem escrúpulos, tal como tantos outros se preocupam. [Nem sei eu porque defendo quem não conheço, talvez porque tenha medo de ser um deles, dos pobres, ou porque eu estou do lado daqueles que têm dificuldades]. Alguns não dormem para que o mundo, efectivamente não pare, o mundo económico que irá destruir esta terra se a terra não destruir este mundo económico, de ganância, de ignorância e alheamento. Quer-me parecer que as pessoas da vida de sonho já não sabem de onde vêm as coisas (o certo é que elas vêm), nem o que são a natureza ou os animais, e vivem num mundo virtualmente intenso e intensamente humanizado; além disso, elas têm todos os direitos do mundo; ajudam quem mais necessita, porque elas nunca sequer se questionaram acerca da possibilidade de elas serem as pessoas necessitadas ou virem a ser um dia, os outros é que são e serão sempre os necessitados. [Mas duvido constantemente de mim mesmo e do que digo, se terá sentido aquilo que sinto e digo, pois não posso ser enganado pelos meus sentimentos - que podem ser falsos e inverosímeis e incoerentes por motivos exteriores a mim -, mas, como já disse muita vez, há o bem e o mal, acredito nisso, e eu procuro que a minha mente seja clarividente a ver isso.] Agora, senti que digo isto como se eu fosse alguém isento nisto que digo, quando na verdade faço parte da globalidade deste mundo humano, portanto, estou nalguma parte desse mundo, não num mundo à parte a ver isto, mas estou ao vivo neste mundo, no meio da acção; ao mesmo tempo vejo com olhos de falcão, isto é, apesar de estar em terra é como se eu tivesse a visão de falcão, a visão daquele que anda lá bem no alto. Constantemente eu me imaginava e imagino, na minha juventude, a concretizar os meus sonhos, a viver a vida de acordo com o que eu sentia e sinto, mas claro que isso foi, é e será (muito provavelmente) uma utopia, quando na verdade existem os outros, dos quais eu não estou em sintonia, que não me permitem exercer a minha liberdade. Não estou em sintonia nem mesmo com a minha família, da qual já estive inteiramente integrado, nesse clã que as forças de um mundo infinitamente complexo e em mutação fazem mudar e alterar (e que aceito que assim seja, no fundo), forças que fazem mudar a relação entre as pessoas, mesmo entre as conhecidas e entre as que um dia foram fortemente íntimas connosco.


      Assim, prossigo o meu pensamento tentando compreender porque estou só neste meu ser e ninguém pode compreender a totalidade do meu ser a não ser eu, ou, talvez, nem eu consiga entender a totalidade do meu ser (…), daquele que sou e que vou descobrindo a cada dia que passa; as alegrias e tristezas por que passei pertencem-me e a mais ninguém, e é no meu passado que encontro as respostas ao porque de todas elas. A cada dia que passa enterro-me mais no que sou: penso que sou uma pessoa boa e com grandes ideais e boas intenções, mas que não encontro a minha paz neste mundo, o meu bem-estar, a irmandade verdadeira, a comunhão com os seres que me são semelhantes, como se eu fosse um ser marginal ou um desencontrado crónico enquanto humano e apenas me reste a ebulição do ser, a metamorfose da alma, o hino de uma vida que vale tanto como tantas outras e que passará muito provavelmente despercebida, ou então, que só um destino, quiçá pós-morte, eleve a alma desta minha existência aos confins do infinito, do Universo, e talvez encontre a ‘Irmandade universal’ dos seres que já algum dia passaram por esta terra e já encontraram a sua paz e o equilíbrio eterno entre eles e a sua passada existência.


            A noite deve ser estranha para a grande maioria das pessoas, pelo menos as que vivem de dia e não ousam ultrapassar a sua rotina e/ou ir à procura de novas descobertas e sensações. A noite entranha um conceito de libertação das pessoas que vivem na normalidade do dia-a-dia, de dia. O homem conquistou, com a electricidade, a noite e o mundo nunca mais dormiu. Mas nem por falta de luz os antigos deixavam de circular na noite, como homens que percorriam com instinto a noite a fim de alcançar outros lugares. O mundo diurno pode ser um verdadeiro pesadelo para certas pessoas, como contem um ritmo normal, estimulativo e inquestionável para muitas outras. Não tenho dúvida, pelo que sei que a noite altera as pessoas. Há que ultrapassar os limites, há que procurar novas sensações, e o homem é o ser da descoberta e da interpretação do que existe, a noite tinha que ser conquistada e interpretada, e não quero defender com isto o homem e a sua atitude. Mas para alguns surge como uma conquista inevitável, a fim de resguardarem as suas vidas. Resguardarem as suas vidas da palhaçada que ela (a vida) pode ser, que brinca connosco a seu bel-prazer, com indiferença. Pois é, alguns entram na noite para a palhaçada, outros entram nela para tentarem sair dela, pelo menos compreender a palhaçada que é esta vida. Dizem que defendem o ambiente, e o ambiente degrada-se mais a cada dia que passa, com mais ou menos entraves, com mais ou menos adiamento dessa destruição; dizem que ajudam os pobres, mas quem se ajudam são as elites entre elas, o poder pelo poder; dizem que regulam a direcção da nações e tentam levá-las a bom porto, mas os estragos são enormes, em nome das elites e do progresso - que não se compreende (o que progresso é) -, criam-se necessidades que poucos podem usufruir, abarcam-se e destroem-se culturas e seres, humanos ou não, exploram-se seres e a terra, e o acaso dá-se nas incomensuráveis variáveis que agem no mundo com enorme conjunto de seres que se auto-atropelam e caminham em busca de um bem-estar utópico. E com o que disse abarquei o caso da política também. E eu?! Qual a minha situação no meio disto tudo? Eu não sou mais que uma pessoa, um entre tantos, e eu não posso fazer mais que pouca coisa senão viver a minha vida, dizer o que acho, deitar achas para a fogueira da vida, participar nesse cozinhar utilizando esta caldeira efervescente, utilizar o meios que tenho, usar o conhecimento e a minha capacidade física (as minhas pernas, os meus braços, os meus olhos, etcetera) e caminhar, olhando, ouvindo, dizendo (mostrando) quem sou eu, vivendo neste tempo, até não mais poder. Talvez todos os tempos tenham sido de excessos e complexidade que só uma entidade superiora regula, e parece-me que sem uma vontade particular e própria. Mas eu quero viver feliz e de acordo com o que sinto, ou então eu estou a sentir tudo errado, mas seja como for eu sinto e tenho direito a sentir e a viver, porque também respeito o que os outros sentem e respeito o seu espaço. Fugir ao dia quando se sente encurralado, embrenhar-se na noite, nem sempre dá certo, ao não ser, talvez, que o destino assim o queira. Na noite quebram-se as regras do dia, e eu agradeço a existência da noite porque as regras e normas do dia seriam extremamente difíceis de suportar, para mim, sem poder reflectir na noite sobre elas, reencontrar-me com o ser que sou, um ser desrespeitado – regras e normas, essas, que seguem, muita gente, cegamente, e que para mim são difíceis de seguir, porque não me foi permitido, além de que eu amo o sentido supremo da vida e não cultura abjectas (abjectas porque não contêm esse sentido supremo) que se imiscuiem com esse ‘sentido supremo’, tentando reinar a cultura do caos e da opressão dolorosa e injusta -. Não gostaria de incitar à revolta pela revolta, não, apenas queria que as pessoas compreendessem no seu íntimo, sendo analfabetas ou letradas, vivendo em Portugal ou noutra parte do mundo, nas mais diversas culturas, compreendessem, repito, esse sentido supremo da vida como eu senti e sinto [acredito piamente que era possível isso, se cada um dos seres fosse bafejado por esse sentido à nascença como eu fui], sentido supremo esse que aborda a cordialidade e a existência de uma inteligência superior dos homens, uma sintonia com a vida e os restantes seres, um conhecimento que transcende e respeita os seres e o ambiente, um luta de braços dados pelo bem-estar e o equilíbrio e não uma luta de uns contra outros, alimentando a discórdia, a desconfiança que haverá enquanto houver seres a nascer sem amor e sem conhecimento, a perpetuar a incompreensão natural que o conhecimento devia colmatar nas pessoas, porque nada é com elas, quando tudo é com cada um. Na noite tenho visto tudo isto e isso que digo e sinto, através da minha vida. Talvez eu pertença a uma Irmandade da noite na busca pelo dia em que eu possa caminhar em paz, no dia, momento esse que nunca mais chega mas que está cada vez mais presente.  

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Esta luz não se apagará

      Se olhasses para mim naquele momento verias a luz que em mim se acendeu, um momento a tender para o perfeito, um momento que deveria ocorrer frequentemente, uma luz que se acendeu e que devia perdurar e não se apagar. Esse momento foi o ideal, como tantos em outras situações ocorrem, mas muitas vezes ‘tirados a ferros’ porque o natural, em mim, é ter outro estado de alma, uma alma com penumbra, mas que anseia sempre por esses momentos de luz. Esse momento foi um novo folgo, nem que o seja por um momento na vida; foi um crescer de autoconfiança, nem que seja passageira; foi um retemperar de uma calma que teima em não ser contínua, mas breve; por momentos eu fui quem não tenho sido, a ilusão de um sonho tomou conta de mim e na realidade e fez – me estar ‘on’. É formidável quando a dualidade corpo - alma se encontra, quando o nosso ser físico responde em consonância com os objectivos da mente, e ai encontramos uma coerência na consequência que se dá. É certo que tento encontrar a luz a cada dia que passa na minha vida, sempre o fiz, mas não sem que as adversidades sejam maiores, há medida que essa luz me ilumina mais intensamente. Nunca há o bem sem o mal, nem a bonança sem a sua contrapartida. Se me perguntasses porque é assim, porque não tem tudo de tender para o equilíbrio, para o entendimento e para a busca do que nos corresponde (?), eu te diria que, infinitamente, me pergunto a mim próprio porque é assim (?), desde sempre, sem ter uma resposta clara diante de meus olhos. Acredito que ainda vou ter pelo menos uma resposta razoável com o tempo, que por sua vez desejava que não me trouxesse contrapartidas negativas no meu ser e na minha vida, porque tudo a que respondo traz a adversidade que me tenta consumir mais rápido do que o normal. E eu podia abominar o mundo da adversidade que me envolve como abomino, mas de nada adianta a não ser para minha maior perdição e dificuldades, a manifestação clara e inequívoca dos nossos sentimentos são a nossa destruição, visto que ficamos vulneráveis aos nossos inimigos e adversários. Eu tenho que agir com muita inteligência esperando que a sorte me bafeje, isso sim. Eu tenho paciência, muita paciência, como sempre tive, mas o tempo já é de desconto, quando estava a meu favor já passou, começo a ter mais consciência disso. Já construi a minha vida até onde a pude construir, já tive o mundo em aberto para mim, agora tende a fechar-se rapidamente, não tenho ilusões, resta-me viver trabalhando a minha vida a partir da minha formação, daquilo que construi, não tenho outra vida. Pensava que eu era o melhor, melhor no sentido de bom, pensei que havia muita gente boa, mas estava completamente errado em relação a essas duas ideias; descobri a relatividade do que significa ser bom ou mau, a efemeridade do ser e dos ideais. O esforço por encontrar o eldorado da existência humana, da minha existência, em particular, é uma tarefa que pode ser tão recompensadora como absurda. Depois de eu partir, tal como acontece ainda na existência, não depende de mim a manifestação do que eu agora digo, o sucesso das minhas palavras; a filosofia vã, de quem um dia teve fé de que, fosse como fosse, nós merecemos continuar a existir e a lutar por isso. Descubro a cada dia que passa o desentendimento e a incompreensão que grassa pelo mundo, descubro as provas concretas de algo que há muito era claro para mim, a perenidade e a inconstância do ser, sim, mas a continuidade da obra só talvez se… o que nos ultrapassa o permitir.


     E, então, amanhece mais uma vez. Agora, se as minhas palavras valessem neste mundo, então elas seriam de destruição. Mas porque eu quero destruir maus e bons, os maus que fizeram mal e os bons que me tentam ajudar? Sim, esta pergunta é fulcral no momento que corre na minha vida. Eu devo-me revoltar contra quem me faz mal e não continuar a senda dos maus tratos, porque me trataram mal a mim. Assim, eu penso que… aquele fez-me mal é a ele que eu vou destruir. Eu não consigo diferenciar bem quem me faz mal e me fez bem neste momento – mas já foi muito pior -, porque estou toldado de raiva e frustração, doença e confusão. Assim, uma voz se levanta e diz: tomba tu ó excelsa pessoa, fruto da inteligência régia, sabedor de tudo e de todos os tempos, falsa és, fingidora, todo este tempo, vulcão eruptivo de sofrimento para quem te ama; Tu! Que espalhaste o teu ódio e insensatez, recusaste a humildade de ser humano nobre e me fizeste pisar as cinzas da tua ira, acreditando, por tuas ideias falsas e dissimuladas, que nada seria em vão, que isso me faria mais forte, sacrificando-me em nome de Deus, de quem eu conhecerei mais do que tu. Tu! És a perdição de ti próprio! Eleva-te ao mais alto dos céus e deixa-me viver. Porque eu retiro o suco do que de melhor tem os meus inimigos, eu me fortaleço e eternizo a cada dia que passa, nesta loucura desenfreada de quem tem uma voz apagada mas cheia de sentimento vindo de uma alma abafada. Eu te deixo fervilhar o veneno em teu corpo para que te destruas. Ao meu lado caiem gregos e troianos, levantam-se tempestades defronte de mim, persegue-me as inundações, e a mais bela-luz do sol é horrível para quem ousou fazer o que não devia ser feito. Eu mesmo me rastreio constantemente e sei que puro não serei, nunca, porque sou uma vara de uma videira impura, à espera de enxertada na boa planta. Anseio, um dia deixar de ser carne, e ser a energia das estrelas, deixar a mediocridade, a incompreensão, as desavenças, de quem não se quer em paz, porque eu fui roubado da minha dignidade. Mas tenho a certeza que continuarei a ter estas luzes, que tal como a de hoje, não se apagarão.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Depois do amanhecer

     Mais um acordar, o dia já vai um pouco avançado, mas ainda há bastante mais para percorrer. Para mim tudo isto dos dias é confuso, no sentido de como se já não existisse o verdadeiro significado do dia e da noite, porque tudo tem novo significado para mim e tudo toma novos significados à medida que o tempo passa, baseado nos significados que algum dia já tiveram para mim. Mais um acordar em que não consigo demarcar-me daquilo que sou e que sinto; não consigo demarcar-me dos sentimentos em que cada vez mais estou envolvido, quer seja para ou bem, ou temo que, pelo pessimismo que me consome, para o mal. Tudo volta novamente a cada acordar, todas as alegrias passadas ainda permanecem na minha memória, mas, aquelas recordações que mais vêm ao meu pensamento são as menos boas e as más, sobretudo as que estão relacionadas com a insegurança que sinto de viver, o medo de viver, e as que se relacionam com a injustiça, sobretudo pessoal (mas também do mundo) e a eventual futura incapacidade de sobrevivência. Acordo constantemente com este pesadelo de me sentir uma pessoa incomunicável, também, neste mundo hodierno; sinto-me incapaz de comunicar, como se fosse eu o cúmulo da incomunicabilidade. Sinto-me tão incompreendido… de tal modo que tenho medo de dialogar com as pessoas porque não me faço entender, nem eu entendo os contextos que me envolvem, senão à minha maneira, alienado. Temo mesmo que ao escrever tudo isto que escrevo, na tentativa de comunicar (não sei com quem), todos estes meus receios, se agravem, porque o meu ser se rende ao que penso e escrevo. Exijo muito de mim, e sinto que fico o centro das atenções muito facilmente, atenção, essa, que não sei gerir, sentindo assim o meu mundo a ser carcomido e a desabar. Assim, sinto o meu mundo sem sentido ou com um sentido muito diferente dos que lhe dão o comum dos mortais. Sinto que a vida não tem continuidade (ao contrário do que queria acreditar, noutras perspectivas de vida), todo o meu ser desaparecerá, apenas ficarão enxertos de mim que se tenderão a apagar em mais ou menos tempo. Acredito que o Deus que certos homens inventaram como tendo uma vontade e que atendia as nossas preces e nos observava e acolhia no seu seio, afinal, não têm vontade própria, particular e unidireccional (porque a existência é um caos e um acaso) , e, isso de ‘acolher’ e ‘fazer justiça’ é tudo muito relativo; com isto digo que tenho observado o mundo desde outras perspectivas e o tenho interpretado com base nessas novas observações e novos sentimentos interpretativos; com isso tenho mudado a minha mentalidade e sinto um misto de revolta e engano, sinto que fui tremendamente enganado, como se tivessem semeado a semente do atrito no interior do meu ser quando eu ainda era um ser frágil; é claro que se tudo isto não tivesse acontecido na minha vida, se não me tivessem feito acreditar em Deus, eu seria um homem completamente diferente hoje, e não teria contemplado o misticismo que frequentemente tenho, mas que me leva a ter caminhos de rumo à loucura, até porque não fui aceite, e, não me deixaram exprimir e reagir aquilo que sentia, a começar por quem é mais próximo, em concreto o meu pai, o qual eu abomino, na mesma proporcionalidade com que ele me abomina e despreza, subliminarmente, fingindo no fundo do seu coração; no entanto, foi ele que me fez ser quem eu sou, hoje. Sinto que somos tocados e obrigados a mover por forças que nos transcendem mas que tendemos a compreender, no nosso interior; talvez a essas forças se possa chamar Deus, mas com uma definição diferente da preconceituosa, que é a maneira como a definem as religiões. As forças que já me empurraram num sentido em que eu as aceitava e me sentia bem ao ritmo delas, viraram e empurram-me noutras direcções que eu não gostaria de tomar, e ainda para mais, sou obrigado a dizer que: ‘ainda podia ser pior’ e ‘ tenho que agradecer a Deus por ter ainda o que tenho e não estar pior, muito pior, como tantos e tantos’, o que não me satisfaz.


     Depois do amanhecer, amanhecer da minha vida, já me encontro no meio-dia, se bem que isso é relativo porque não sabemos o que se passará no futuro, futuro esse que eu temo ser curto, vivendo eu como se fosse o último dia da minha vida a cada dia que passa, mas sem excessos. E houve amanheceres que permanecem na minha mente, amanheceres em todas as estações do ano e vários lugares, que me trazem recordações agradáveis quando interpretadas à minha maneira, mas que me trazem um vazio porque não tiveram repercussão na humanidade que me envolve nem estão em consonância com a sociedade que me envolve, no sentido que foram sentimentos de introvertimento, muito pessoais, e que não me fizeram sentir como pertencente ao mundo social que me envolve, e, sendo assim, apesar de belos no meu interior, nada dizem a outros que não eu, o próprio. Julgo mesmo, que as manhãs, tal como eu as vi e senti, não dizem nada a muitas pessoas, que têm vis sentimentos, que privilegiam o social, não percebendo a terra que os envolve, a terra mãe, esquecendo-se que do pó vieram e ao pó hão-de tornar, da terra/Universo vieram e à terra/Universo hão-de voltar. Depois do amanhecer, e de uma boa noite de repouso (de preferência), temos um dia inteiro para desfrutar, e, com a energia da juventude, teremos um dia que parecerá nunca mais acabar; ainda sinto o pulsar da minha vida de jovem, o pulsar interior nunca desenvolvido em harmonia, sinto a beleza do meu ser a tomar conta de mim, a liberdade de nunca pensar nem me preocupar o que era isso de ‘liberdade’, de percorrer trilhos campestres, de usar a minha força física para conquistar espaço neste mundo. O amanhecer será para mim, sempre (do qual me lembrarei mais), o dos anos 80 e 90; esses deverão permanecer no meu espírito para sempre, (porque se fixaram com força na minha vida) se o Alzheimer não me atacar, se tiver integridade na minha mente, de preferência com integridade em todo o meu ser. É certo que irei caducar; outros me irão empurrar porque eu tenderei a estar a mais, mas tenho esperança de que ainda possa ser feliz, novamente a cada dia que passa, e que todas estas forças do Universo que me envolvem tenham um lugar reservado para mim até ao último dia da minha existência – a isso, se tal acontecesse chamaria ‘high power’, num rock frenético dos anos 90, afastando toda a mesquinhez humana, toda a alma insensível e desconfiada (desconfiado, como eu me tornei).


     E assim este ser eclético da vida prossegue o seu dia, depois de mais um amanhecer.